Palavra Sábia
A pior parte da saudade é saber que o outro também está sofrendo em silêncio, mas nenhum dos dois sabe como dar o primeiro passo.
Ver os sinais e recuar não é fugir; é escolher com sabedoria onde você vai depositar o tesouro do seu tempo.
Sabe aquela história de que o tempo cura tudo? É mentira. O tempo não cura; ele apenas anestesia a carne para que a gente consiga andar sem mancar tanto.
Foram três anos, quatro meses e dezenove dias. Eu sei a contagem exata porque, no início, cada amanhecer sem o som da sua respiração do meu lado parecia uma pequena cordilheira que eu precisava escalar descalço. O nosso término não teve gritos, pratos quebrados ou traições escandalosas. Foi pior. Foi aquele silêncio resignado de duas pessoas que se amam profundamente, mas que entenderam, no meio do caminho, que as suas rotas futuras não cruzariam o mesmo mapa. Ela precisava partir para buscar os seus sonhos longe; eu precisava continuar aqui, cuidando do meu trabalho simples e das minhas obrigações diárias. Nos abraçamos no portão da antiga estação, o perfume do creme do lindo cabelo crespo dela grudou na minha jaqueta de jeans e, quando ela soltou a minha mão, levou consigo metade do meu oxigênio.
Os primeiros meses foram um borrão de sobrevivência. Eu via o rosto dela no reflexo das poças de água na rua, no letreiro do armazém, no sotaque das canções que tocavam no rádio de pilha. Tentei sair, conversar com outras pessoas, mas qualquer conversa parecia vazia. Eu voltava para a minha casa pequena e o silêncio dos cômodos me socava o estômago. Chorei até a minha garganta queimar, até não sobrar uma lágrima no reservatório da minha alma. Achei, de verdade, que morreria de saudade. Que o meu coração simplesmente pararia de bater por falta de motivo.
Mas a vida é teimosa. Ela continua acontecendo mesmo quando a gente quer que o mundo pare.
Devagar, quase sem perceber, a dor lancinante virou uma pontada crônica. Aprendi a guardar as fotos dela numa caixa de sapatos no fundo da gaveta e, mais tarde, no fundo da mente. Voltei a rir de bobagens na calçada. Voltei a focar na minha rotina, cuidei do jardim na frente de casa, adotei um cachorro vira-lata que me pedia atenção nos dias mais cinzentos. Aprendi a cozinhar para um só, a lavar a louça ouvindo o silêncio, sem achar que isso era uma derrota. Eu superei. Se alguém me perguntar hoje se eu estou bem, a resposta é um sim sincero e calmo. Eu simplesmente juntei os meus cacos e continuei a caminhar, aceitando a minha vida pacata.
Contudo, superar não significa esquecer.
Ontem à noite, uma chuva fina começou a cair e o vento trouxe um cheiro de terra molhada misturado com algo doce. Meu peito deu um nó instantâneo. Não foi uma recaída, foi uma constatação convicta. Eu posso viver mais cinquenta anos, envelhecer nesta mesma casa humilde, conhecer alguém legal e dividir os dias de forma tranquila. Sei que a vida segue e que sou forte o suficiente para ser feliz de novo. Mas ela sempre será o meu grande amor. Aquela cicatriz bonita que a gente olha com carinho, sabendo que foi ali que a vida nos marcou de verdade.
Eu superei o fim, segui em frente e arrumei a minha bagunça com a certeza de quem sabe quem é. Mas uma parte de mim, aquela mais pura e bonita, vai morar para sempre naquele abraço de despedida, congelada no tempo, amando-a em silêncio para todo o sempre.
Oi, tudo bem? Estou aqui apenas para registrar o que meu coração já sabe: você sempre será a mulher da minha vida. Fui o guardião de um tesouro raro que minhas mãos não souberam segurar, e que agora vive guardado na minha saudade.
Guardar o que sinto não é covardia, é o cofre que protege a minha essência de quem só sabe gastar o que não é seu.
As pessoas dizem que o tempo cura tudo, mas o tempo não sabe o tamanho do amor que você deixou guardado no meu peito.
Você vira as costas para a hipocrisia, e eles dizem que você desviou de Deus. Mal sabem eles que foi aí que você finalmente O encontrou.
Amar de verdade é aceitar o vazio da distância sabendo que o bem do outro é a nossa maior prece. O coração pode sangrar com a ausência, mas a alma não revoga o que foi eterno; o amor legítimo não morre com o fim do cenário, ele apenas se torna a raiz invisível que sustenta a felicidade de quem partiu.
Você sabe que é amor verdadeiro quando o tempo e a distância perdem o poder, e a voz da pessoa se torna o único lugar que você chama de lar.
O seu pior erro é achar que todo curioso é amigo. Quem quer saber demais da sua crise só quer medir o tamanho da sua derrota. Mesmo sangrando por dentro, mantenha a postura: nunca admita que está tudo mal para quem não merece saber a sua verdade.
Eu nunca tive coragem de dizer isso antes, mas você precisa saber: mesmo depois de tudo, permanece como a lembrança mais intensa em meu peito, um vazio que o tempo não conseguiu apagar. Não é apenas saudade; é um sentimento que desafia a razão — algo que poucos admitem por medo da vulnerabilidade. Nunca te esqueci porque, lá no fundo, você se tornou parte do que sou.Sei que seguimos caminhos distintos, mas a verdade que ninguém ousa verbalizar é que, dentro de mim, seu nome pulsa mais forte que qualquer outra palavra. Cada instante que vivemos está gravado na minha essência, como se o destino tivesse escrito nossa história com tinta indelével. Você foi a luz que iluminou meus dias sombrios, o sorriso que acelerava meu coração, o delírio do qual nunca quis despertar.Mesmo na distância, sinto seu perfume no ar, seu toque na pele, seu olhar que atravessa o silêncio. Às vezes, fecho os olhos e quase posso ouvir sua voz sussurrando meu nome, trazendo de volta toda a ternura que pensei ter perdido. Seu riso e sua energia são faróis que me guiam nas noites mais escuras, lembrando-me que o afeto verdadeiro transcende tempo e espaço.Guardo cada detalhe seu como um tesouro — o jeito que você ria, o brilho nos seus olhos ao falar dos seus planos, a suavidade do seu abraço que me fazia sentir completo. Você transformou meu mundo de maneiras que jamais poderei explicar, e essa marca permanece viva. Nos momentos de quietude, sinto sua presença como uma brisa suave que toca o espírito, como se o universo conspirasse para que nossa ligação não fosse apenas passado, mas uma chama viva que nunca se apaga.Você é a melodia que embala meus dias, a inspiração que colore meus pensamentos e a razão pela qual acredito no amor, mesmo quando tudo ao redor parece desmoronar. Carrego você em cada batida do meu coração, e essa certeza é o que me fortalece. Sei que poucos entendem essa intensidade, mas ela é real, profunda e infinita. Você é a poesia que recito em silêncio, a promessa que nunca deixei de cumprir, o ideal que me recuso a abandonar.Quando penso em você, o tempo para e a rotina perde o sentido. Você é a calma no meu caos, a esperança que renasce a cada amanhecer, o abrigo onde encontro paz. Amar você foi descobrir um universo novo dentro de mim, um espaço onde só cabem carinho, respeito e uma paixão arrebatadora.Esta é a minha confissão: um suspiro preso, uma declaração silenciosa, um sentimento que nunca morreu, mesmo quando o mundo insistiu que ele devesse acabar. Essa ligação me fez acreditar no impossível, e levarei essa verdade comigo para sempre. Se pudesse, desenharia no céu a nossa jornada para que todos vissem que, apesar da distância, você é e sempre será o meu capítulo mais belo — a linha mais autêntica que minha vida já escreveu, meu eterno e inesquecível porto seguro, meu eterno amor.
Dói porque o amor não sabe morrer; a gente é que fica aqui fora, com as mãos cheias de futuro, tentando explicar para o peito vazia que a saudade agora é a única forma de abraçar quem partiu.
O amor de verdade sabe a hora de virar brisa e ir embora, deixando saudade; a obsessão se fantasia de abrigo, mas é tempestade que busca apagar a sua identidade.
Enraizados na terra,
sabemos quem somos,
da onde todos viemos,
no final sempre ficamos,
e não nos impressionamos
com quem usa da ideia
de estar acima de nós.
Uns são aquilo o quê
deixaram para trás,
São sempre eles que
provocam apagamento
para ter como aliado
o nosso esquecimento.
O quê se comunica
nem sempre na vida
é tão profundo assim
ou é um Cajá-mirim
cheio de frutos doces.
Não se aceita a opção
que na foz é arriscada,
porque do dia para a noite
nunca cria ou se faz nada.
Por isso é importante
lembrar o quê se passou,
e o quê se conquistou.
Expertise de quem sabe
os caminhos da sedução
trancada com porta de veludo
e correndo nua no coração.
O apelo das Guabirobas
sobre a mesa e a diversão
com o deslumbramento
pelo nosso envolvimento.
O prazer de caber dentro
com o êxito do inefável prazer
de fazer o ritual acontecer
com o desvario de nada reter.
Êxtase e calidez em pulsão
em estuo completo em efusão,
não há mais o mundo lá fora,
e agora só existe o amor e a paixão.
Sem vê-lo pressinto
que se casou por dentro
comigo sem saber,
Dezembro é tempo
de Faveiro florescido
e de viver convicto
o seu amor junto comigo,
por tudo aquilo que
ainda não fomos, somos
e seremos até o infinito.
Tenho te levado para viajar
por cada herança cultural,
agora sabes da flor nacional:
é o nosso Ipê-amarelo,
e da árvore nacional:
o nosso raro Pau-brasil.
A sua imagem na mente
anda escrevendo detalhes,
nossos ocultos nos lábios,
com totais intensidades.
Doce, se você soubesse
o que imagino viria agora,
sem nenhuma cerimônia,
e sem pressa de ir embora
para aprofundar a história.
Porque manter as aparências
não está na nossa previsão;
crescem as vontades
por mútua desarrumação.
Cheios de amor e paixão,
sem nenhuma distração,
estamos construindo
cenas por antecipação
do nosso romance nacional.
Sabe o porquê investem tanto para a gente odiar o próprio berço? Para a gente entregar para qualquer um a nossa própria existência. Eu espero profundamente que nós sul-americanos nos eduquemos o suficiente para aprender amar os nossos países de maneira inabalável.
A memória não é uma qualquer,
sabe para quem ou não dar palco;
foi testemunha do tempo
de ateliês de portas abertas.
Por ela ninguém foi esquecido:
a memória está íntegra,
sabe o que é ter subido e descido
o Morro de Santa Teresa
para pular Carnaval no bloco
no Largo das Neves.
A memória sobreviveu,
e por dentro continua ainda mais viva
recordando que chegou a ir
sob chuva e fogo seja para ir na gira
ou para dançar Jongo
no quintal de uma casa desconhecida.
