Palavra Sábia

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Minha amizade com Noêmia e Maurício do Valle, filhos da artista me legou um saber na obra da Rosina. Sendo os dois, dos quatro filhos da artista, a convivência e a afetividade comigo, tem um peso maior, pois representam em si a historia de Rosina Becker do Valle. Essa amizade explica como Barradas, tive acesso privilegiado e legítimo às obras guardadas pela família, desde os anos de formação. Alguns destes trabalhos deixadas aos filhos e hoje em posse e propriedade legal de Ricardo V. Barradas, registram o momento em que Rosina, incentivada por Ivan Serpa no MAM-RJ, iria se tornar uma das principais pintoras naïf do Brasil. Para o mercado, por estas obras terem vindo diretamente dos filhos confere a Barradas o nível máximo de confiabilidade de proveniência deste acervo.

As verdadeiras politicas publicas de segurança sabem que em todo lugar que acontece um enfrentamento entre a policia e o trafico, e conseqüentemente uma retomada temporária da região pelo poder publico, tem que assentar um novo batalhão no local para garantir que a ordem publica permaneça.Se assim não fizerem, horas depois os antigos grupos de criminosos mais armados, voltam lentamente espalhando terror aos simpatizantes da operação na população indefesa, como revanche e com mais violência acompanhados de requintes de crueldade.

Todos vieram para esta dimensão para aprender e compartilhar os saberes generosamente. Uns preferem viajar a vários lugares do mundo para aprenderem mas outros preferem não viajar e ficando no mesmo lugar e aprendendo o mundo todo. Outros são ativos, inquietos e empreendedores mas outros são passivos, contemplativos e buscam fazerem parte do que já existe. Cada qual tem a sua própria forma de buscarem o conhecimento interior, o que deve ser respeitado por que não existe conhecimento adquirido e iluminação que seja contraria a nossa própria natureza e vocação.

Com vocês eu vou
Sempre vou
Porque a amizade
É uma benção
Uma luz
Uma graça
Sabendo cultivar
É de graça.

*EU ME QUERO DE VOLTA*


Saí de casa sem saber para onde ia. Não era exatamente uma viagem. Viagem pressupõe algum compromisso com a chegada. Eu só queria andar.


Peguei a moto cedo, antes que a cidade começasse a cobrar de mim as coisas que eu já não sabia se queria pagar. Uma mochila pequena, pouca roupa, documentos, algum dinheiro e aquela sensação conhecida de que talvez, se eu ficasse longe o bastante, certas coisas dentro da cabeça perdessem o endereço.


A estrada de serra estava quase vazia.


Subi sem pressa. Curva depois de curva. Pinheiros, barrancos, casas isoladas, pequenas vendas onde ainda se podia tomar café sem alguém perguntar se você queria açúcar. Em alguns lugares, o mundo parecia ter esquecido de atualizar a paisagem.


Eu gostava disso.


Talvez porque passei boa parte da vida fazendo exatamente o contrário.


Atualizando.


Mudando de emprego. De cidade. De mulher. De opinião. De planos. Trocando certezas velhas por certezas novas, como quem troca uma camisa suja e acredita que ficou limpo.


Quando somos jovens, ninguém nos explica direito o tamanho da brincadeira.


Dizem para estudar.


Trabalhar.


Construir.


Casar, talvez.


Ter filhos.


Comprar uma casa.


Ser alguém.


A gente acredita.


Depois descobre que existe uma diferença enorme entre cumprir o figurino e caber dentro dele.


Eu cumpri algumas partes.


Outras fiz pela metade.


E algumas fiz tão bem que quase consegui destruir a pessoa que deveria ter sido.


Foi só muito depois que percebi isso.


Na juventude, eu achava que as decepções eram acidentes de percurso. Uma mulher que não ficou. Um amigo que virou estranho. Um projeto que morreu antes de nascer. Uma porta que não abriu. Um sonho que parecia grande demais para o quarto onde eu dormia.


A gente sofre.


Depois chama aquilo de experiência.


É uma maneira elegante de não admitir que não entendeu nada.


Continuei subindo.


Em determinado ponto, parei a moto num acostamento. Havia uma venda pequena, dessas que parecem ter sobrevivido por teimosia. Pedi café. O homem atrás do balcão devia ter mais ou menos a minha idade. Talvez um pouco mais.


Ele não tinha pressa.


Fiquei olhando enquanto ele limpava o balcão com um pano que provavelmente já tinha visto dias melhores.


Pensei em quantas pessoas eu havia observado durante a vida.


Homens cansados.


Mulheres que desistiram de certas coisas sem anunciar.


Gente que bebia todos os dias.


Gente que trabalhava todos os dias.


Gente que dizia estar feliz com a convicção de quem precisava convencer a si mesmo.


Eu costumava olhar para essas pessoas de fora.


Agora começo a reconhecê-las por dentro.


Essa talvez seja uma das partes menos agradáveis de envelhecer.


Você começa a encontrar nos outros os mesmos defeitos que passou anos condenando.


O homem que você julgava acomodado.


Você.


A mulher que você achava que tinha desistido.


Você.


O sujeito que dizia não esperar mais nada da vida.


Você.


É uma espécie de justiça tardia.


A vida não manda boleto.


Manda espelho.


Voltei para a estrada.


Desci a serra em direção ao litoral. O ar mudou primeiro. Depois a paisagem. A estrada se abriu e o mar apareceu entre uma curva e outra.


Parei.


Fiquei olhando.


Não senti nenhuma revelação.


Ainda bem.


Tenho desconfiança de revelações.


Quase sempre elas duram até o próximo problema.


O que senti foi uma coisa mais simples.


Cansaço.


Um cansaço antigo.


Não do corpo. O corpo estava funcionando.


Era outro.


O cansaço de carregar perguntas que aprenderam a se reproduzir.


Quando somos jovens, procuramos respostas.


Depois de algum tempo, percebemos que algumas respostas apenas criam perguntas melhores.


E algumas perguntas não querem resposta.


Querem companhia.


Segui pela estrada litorânea.


Pequenos lugarejos apareciam e desapareciam. Uma igreja. Uma praça. Dois cachorros dormindo na sombra. Um bar aberto numa quarta-feira à tarde. Um velho sentado numa cadeira de plástico olhando para lugar nenhum.


Talvez ele soubesse alguma coisa.


Talvez não.


Essa é outra mentira da idade.


A gente imagina que quem chegou mais longe sabe mais.


Nem sempre.


Às vezes só chegou mais longe.


Foi então que lembrei de algumas coisas que eu tinha deixado para trás.


Não pessoas exatamente.


Momentos.


A adolescência.


Aquele período estranho em que a vida ainda não tinha apresentado a conta.


Eu sinto falta de coisas que, na época, pareciam insignificantes.


Uma rua.


Um quarto.


Uma conversa idiota.


Uma música tocando num rádio ruim.


Uma tarde sem obrigação.


A sensação de que ainda havia muito tempo.


É curioso.


Quando temos tempo, queremos futuro.


Quando o futuro já está parcialmente ocupado pelo passado, começamos a querer de volta algumas tardes.


Não quero voltar a ser adolescente.


Isso seria uma estupidez.


Quero apenas recuperar alguma coisa daquele sujeito que acreditava que a vida podia ser diferente.


Não necessariamente melhor.


Diferente.


Talvez seja isso que eu tenha perdido.


Não a juventude.


A capacidade de acreditar antes de exigir garantias.


Passei anos tentando viver de acordo com aquilo que parecia correto.


E algumas coisas corretas fizeram estragos.


Essa talvez seja uma das coisas que ainda não compreendi.


Como alguém pode fazer tudo conforme o figurino e, mesmo assim, terminar diante de uma vida que não reconhece?


Você trabalha.


Paga contas.


Cumpre compromissos.


Evita escândalos.


Engole algumas vontades.


Adia outras.


Diz “depois”.


Diz “agora não”.


Diz “é o melhor”.


E, quando percebe, existe uma distância entre aquilo que você construiu e aquilo que você era.


Não houve uma explosão.


Não houve música triste.


Ninguém percebeu.


Foi acontecendo.


Depois que sangra, seca.


O problema é que a pele fica diferente.


Talvez algumas coisas tenham morrido em mim em dias que eu achei que tinha apenas perdido.


Uma relação.


Uma amizade.


Uma possibilidade.


Uma versão de mim.


Aquilo não me matou.


Mas algo naquele dia morreu em mim.


Demorei para entender.


Ou talvez ainda não tenha entendido.


A diferença entre amadurecer e se acostumar é uma das perguntas que continuam me perseguindo.


Porque existe gente madura.


E existe gente apenas cansada.


Existe gente tranquila.


E existe gente que desistiu de discutir com a própria vida.


Existe gente que aprendeu a viver.


E existe gente que aprendeu a não reclamar.


Às vezes eu não sei em qual grupo estou.


Talvez nos dois.


Continuei rodando.


O vento batia no capacete e levava embora qualquer possibilidade de pensamento organizado.


Foi bom.


Minha cabeça sempre foi um lugar pouco recomendável.


Sou de carne, osso e uma confusão de pensamentos.


Nunca fui exatamente uma pessoa simples.


Durante muito tempo achei que isso fosse um defeito.


Hoje já não sei.


Talvez a simplicidade seja apenas uma forma eficiente de esconder aquilo que não conseguimos compreender.


Eu sempre vou ser uma confusão.


Não digo isso com orgulho.


Também não digo com vergonha.


É apenas um diagnóstico sem médico.


No fim da tarde, parei perto de uma praia pequena.


Não havia quase ninguém.


Tirei o capacete e sentei num banco.


O mar fazia aquele trabalho antigo de ir e voltar sem precisar justificar nada.


Pensei que talvez eu tivesse passado tempo demais tentando resolver a minha vida.


Talvez a amnésia resolvesse o problema.


Esquecer algumas coisas.


Esquecer algumas pessoas.


Esquecer certas versões de mim.


Mas logo percebi que seria inútil.


Porque não é o passado que continua nos perseguindo.


Somos nós que continuamos voltando até ele.


Voltei para a moto.


Ainda não sabia para onde iria dormir.


Também não sabia o que faria no dia seguinte.


Pela primeira vez em muito tempo, isso não pareceu uma ameaça.


Talvez porque eu tenha finalmente entendido que planejar tudo não me protegeu de nada.


Tudo correu como eu não planejei.


E, apesar disso, cheguei até aqui.


Não é uma vitória.


Também não é uma derrota.


É apenas o lugar onde estou.


A estrada continuava pela costa.


Eu podia seguir.


Podia parar.


Podia voltar.


Não havia placa dizendo qual das três opções seria a mais correta.


Ainda bem.


Passei anos demais obedecendo placas.


Naquela noite, enquanto o céu escurecia sobre o mar, pensei numa frase que não parecia minha, embora viesse de dentro:


eu me quero de volta.


Não o homem que fui.


Isso seria impossível.


Quero de volta alguma coisa que existia antes de eu começar a negociar comigo mesmo.


Antes de transformar desejo em obrigação.


Antes de confundir responsabilidade com abandono.


Antes de aprender a dizer “é assim mesmo”.


Talvez viver seja justamente isso.


Perder algumas versões de si.


Encontrar outras.


E, de vez em quando, reconhecer uma antiga no acostamento.


Parar.


Olhar.


Não tentar trazê-la de volta.


Apenas agradecer.


Depois subir na moto e continuar.


Porque existir é pouco.


É preciso viver.


Mesmo sem saber exatamente como.


Mesmo carregando perguntas.


Mesmo fazendo errado.


Mesmo descobrindo tarde demais que algumas respostas não estavam na estrada, na cidade, nas pessoas ou nos lugares para onde fugimos.


Estavam naquilo que a gente evitou olhar enquanto ainda tinha tempo.


O motor pegou na primeira tentativa.


Pus o capacete.


Acelerei.


Vamos, vida.


Me surpreenda.


Dessa vez eu não vou exigir que você faça sentido.

O mesmo sopro que apagou a chama
e te esfriou foi, sem saber, o mesmo que te salvou de virar cinzas.

É próprio do sábio mudar de opinião quando encontra novas evidências. O tolo, porém, acomoda-se às próprias certezas e permanece parado, resistente a qualquer mudança. A água que não flui e fica represada acaba se tornando um pântano. Assim também são as mentes que deixam de questionar, aprender e se transformar: quando o pensamento estagna, a ignorância encontra espaço para se acumular.

O não saber, às vezes, é preferível para evitar decepção, porém, o fato de tomar ciência do que está em oculto aos nossos olhos, nos torna mais alertas aos ataques implícitos.

Algumas vezes na vida, caímos na lama para nos salvarmos!
A sabedoria da vida protege-nos de perigos maiores, escondidos, não somos comidos, aí, tornamo-nos mais humildes e gratos!

O amor é uma porta curiosa: às vezes permanece aberta durante anos, mas nunca sabemos se fomos convidados a entrar ou apenas esquecidos do lado de fora.

Talvez a gente só se sente do mesmo lado do balcão porque, de um jeito ou de outro, os dois sabemos guardar silêncio quando dói.

- "Correr não chega mais rápido quando não sabemos para onde ir. Respirar é avançar também."

O poeta quando nasce
não chora como todos
os recém-nascidos...
Declama sem saber
o seu primeiro verso.

A natureza é a personificação
da arte e da poesia.


Ela sabe ser pintura
sem tintas nem pincel...
e poesia
sem caneta nem papel...


Ela se escreve em cores
se canta em pássaros
se move em ventos
se eterniza em ciclos...


É a artista primeira
que não precisa de mãos
pois carrega no silêncio
a beleza da criação..


✍©️@MiriamDaCosta

Existe pessoa pior de lidar do que aquela
ignorante
(no sentido de não querer saber ou aceitar um fato tal como é),
prepotente, arrogante
e, para completar e enriquecer
as “qualidades cognitivas e sociais”,
vulgar e agressiva em suas externações verbais?!!...


E, lamentavelmente, no nosso Brasil
(e não somente),
temos um número notável
de indivíduos com essas
“riquezas” de caráter e comportamento...


Mesmo com toda a riqueza de informação à disposição,
vejo muitos desinformados...
Mesmo com excelentes formaturas,
vejo muitos mal formados...
Por que será, hein?!!..


✍©️@MiriamDaCosta

Sou feita de coragem tímida
e de timidez corajosa.


A minha coragem
não sabe, e tampouco necessita,
gritar, espernear, brigar, atacar...
Ela dispensa o espetáculo,
rejeita o barraco,
não se alimenta de plateias
nem de aplausos ruidosos.
A minha coragem
age em silêncio,
sustenta-se de coerência,
permanece inteira
mesmo quando ninguém vê.


E a minha timidez
não conhece o medo
nem a insegurança.
Ela desconhece o exibicionismo,
não precisa se expor para existir.
A minha timidez é escolha,
é recuo consciente,
é abrigo do essencial,
é a dignidade de quem sabe
que nem toda força
precisa ser anunciada.


Sou essa contradição harmônica,
quem caminha baixo
mas não se curva
e paira alto,
quem fala pouco
mas não se omite
e diz o necessário,
quem escolhe emudecer
quando dialogar
não tem valor,
quem é silêncio por fora
e convicção por dentro.
✍©️@MiriamDaCosta

Os cacos de vidro não sabem
que a inveja que demonstram
pelos diamantes, no fundo,
esconde uma profunda admiração.
✍©️@MiriamDaCosta

Existe uma contradição, fruto da ignorância
do não saber/conhecer e também do caráter,
no afirmar que Trump liberou a Venezuela de um ditador.


Óh, céus da ignorância!!!


Onde um ditador pode liberar
um Nação de outro ditador?!!


Essa ignorância nasce tanto da ignorância política quanto da má-fé discursiva.


Dizer que Trump “libertou” a Venezuela de um ditador é um nonsense conceitual.


A resposta é simples e incômoda:
- Em lugar nenhum.


Isso só existe na propaganda, na ignorância política ou na conveniência ideológica.


E acreditar nessa narrativa exige ignorar o óbvio , ou seja, o autoritarismo não se
combate com autoritarismo.


Isso não é libertação , é pura propaganda política de parte.


✍©️@MiriamDaCosta

Mistério e Loucura


Ignoro minha origem,
me escapa o meu destino,
sabe-se lá, qual...


Caminho entre mistérios,
habitante do enigma,


tentando compreender,
com mãos trêmulas de sentido,
de versos e de interrogações
este mundo estranho
e muito louco
em que respiro, escrevo e
sou vida.
✍©️ @MiriamDaCosta

Bom dia!
O bom é encarar a vida com sabedoria, sem aborrecimentos, com mais tranquilidade ter compromisso de felicidade é não permitir trocar sua paz pessoal por tolices passageiras. Feliz terça-feira e bem vindo Setembro 🌻🌹🌧🌞