Paisagem
Poesia é a arte, o poeta é apenas seu tradutor. Não pode fugir disso, pois foi o escolhido.
A poesia não tem explicação, não pode ser definida e cada um a sente de uma forma.
Crítica
Existem muitos poemas
Tecidos sob as nuvens
Cujos repetidos temas
Nada mais intuem
São reles afirmações
Sequências de quase nada
Daqueles que sem inspirações
Querem dos outros a estrada
A lua borda em suave luz
sobre as paisagens e quintais,
à uma reflexão nos conduz
- que esta noite seja de paz
Não olhe pra trás se resolveu sair de onde algo lhe fazia mal. Olhe para a frente e siga leve, esquecendo tudo que não deu certo. A vida ensina e mostra novos momentos e que sejam melhores.
Uma brisa outonal, que por aqui passeia, traz um perfume de saudade do que foi, do que não foi e do que poderia ter sido. Ela deixa também o coração com um gostinho de quero mais, mas nem ele sabe do quê. Apenas a percebemos quando nos envolve em carícias, perpassa os ramos, dança entre as flores e rompe qualquer espaço, fazendo um brinde à poesia dela mesma, pois é a própria.
É a vida acontecendo no crepuscular outono de todos nós. O tempo promete a virada, o calor forte arrefece aos poucos e pela paisagem já sente-se o ar de boas vindas à alguma chuva e frio.
Vem a leve chuvinha,
cai devagar em doce prece,
a natureza se esbalda
e verdejando agradece...
Pingos, pingos, pinguinhos,
chuva calma e persistente,
que devagar, bem de mansinho,
é para todos um grande presente
A linda tarde pede calma,
mas ela é a própria
que assim veste -se,
entra n`alma provocando
admiração e prece
Do alto de seu esplendor
de um horizonte qualquer,
chegam os raios de sol
aquecendo o nosso viver
nova manhã, esperança irradia,
refeitos do cansaço, seguimos
para onde o dever anuncia
Voa ave,
encontre as nuvens
Voa sem parar,
segue teu destino
sinta tua liberdade,
feliz sempre serás
olhando em detalhes a paisagem,
pouse nela teus olhos, por nós,
pois nunca a veremos
com seus mistérios,
voa por nós e nossa pequenez
em não descobrir o que há mais além...
Manhã de inverno
coberta por um céu muito azul,
o frio leve se faz sentir
na brisa que teima em passear
pelas paragens dos rostos,
que tocados devagar
acordam do sonho,
se agitam,
seguem,
a vida está aí,
a tudo de nósexigir
que sigamos então a realidade
da qual não podemos fugir...
Manhã linda, quase primaveril,
no céu o tom azul forte se faz
doando o belo ao olhar
do coração em busca de paz
Manhã linda, quase primaveril,
muita luz reflete a paisagem
doada pelo sol que não falha
fazendo do novo dia, nova viagem!
A manhã linda e serena
é um convite para cismar
sob prelúdios da brisa
que por aqui sempre está
O céu e a paisagem sorriem
como também sorri o coração
envolto em esperançosa viagem
indo em tua direção...
A alegria deve tomar conta de nosso coração, a cada nascer do novo dia, seja em qualquer estação do ano.Auréolas douradas de sol penetram a paisagem, fora e dentro de cada um. Sim, pois o nosso interior, a nossa alma, também possui paisagens de sonhos.
Bendito seja o alvor de cada manhã, onde pássaros voam rasantes, sob o som de harpas mistrais das brisas que vem de longe.
Eleve seu espírito, respire fundo e agradeça pela vida, por mais um dia dela.
Vem de longe
o vento mansinho,
perfumando a noite,
a bailar,
traz vozes em carinho
meu coração quer tocar
fico em êxtase, vou ouvindo
a canção que talvez
seja só minha
e ainda não consegui decifrar
As vezes há a necessidade
de parar a mágica euforia,
das letras em descompasso,
na presente e constante melodia
Apenas guardar as palavras,
como em um ninho secreto,
acarinhando o coração,
ali dentro, o amor discreto
Porque ele é verdadeiro,
calmo, alegre e profundo,
não precisa ser posto ao vento
para ser espargido ao mundo
Apêndice
§
Um simples fio de beleza, excede minha casa;
constrange-me, o clamor da arte
A paisagem é meu poema.
Pêndulo
Aranhas tecem os fios da vida
nos penduram no desconhecido,
lançados à nossa própria sorte
enquanto balançamos neste fio.
Cabe a cada um de nós decidir
o que é mais importante:
Curtir a paisagem,
ou tremer de medo e de frio?
Eu escolho a paisagem…
Na janela
A pandemia me fez gostar de assistir as tardes.
A tela, que é sempre a mesma, cada dia apresenta um momento perfeito...
Pandemia
Agosto chegando...
tenho viajado muito desde março.
Minha casa é a nave que me transporta.
Vou mudando de janela,
para aproveitar melhor a paisagem
e a dança das luzes com as sombras.
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