Pai Nao Entende nada
Se um dia eu não estiver mais presente, quero que leia este desabafo e sinta o quanto você foi importante. Você foi a melhor coisa que a vida me deu; com você, desbravei novos horizontes.
Seu sorriso é o meu amanhecer particular. Sua pele tem a leveza de uma pluma e seu beijo... ah, seu beijo é como doce, envolvente e viciante.
Minha gratidão por tudo o que vivemos é infinita. Mesmo que o destino nos separe fisicamente, saiba que você foi o meu melhor mundo. Obrigado por existir.
Não é vergonha o homem chorar,
Nem se curvar para pedir perdão à amada.
Pois só quem é grande sabe se ajustar,
E reconhecer o erro no meio da estrada.
Vergonha é você fingir que nada sente,
Esconder o peito atrás de um muro de gelo.
É viver uma vida de forma ausente,
Sendo escravo do próprio atropelo.
Homem de verdade é aquele que se permite,
Que sente o medo, a dúvida e a dor.
Pois o sentimento não tem limite,
E a maior força do mundo... ainda é o amor.
As quedas servem para nos ensinar a levantar mais fortes. O segredo não é não cair, mas nunca aceitar ficar no chão
Ser autêntico não significa ser alguém descolado, inteligente ou famoso. Significa ser você sem filtros ou máscaras. Misteriosamente e de maneira magnética pessoas começarão a se envolver com você quase que irresistivelmente. Portanto não aceite imitações. Seja você mesmo sempre!
Quando ficamos presos num ambiente que não nos pertence, o nosso ser busca forma de se libertar. O ser humano nasceu para ser livre em diversas formas, tudo que prende a espécie torna-se pequeno diante a quem nasceu para ser livre. Essa liberdade talvez sequer saiu do papel, muitos chamam de utopia e outros de fantasia, quimera... e assim somos livres o suficiente para tornar o inimaginável em realidade.
“O Infinito em Fragmentos”
Não quero ser um. Quero ser todos. Quero sentir como o místico sente Deus, como o pagão sente a carne, como o engenheiro sente a precisão dos números. Quero contradizer-me, porque na contradição habita a totalidade. Ser coerente é ser parcial. É escolher uma porta e fechar todas as outras. Eu quero atravessar todas as portas simultaneamente, mesmo que para isso precise me estilhaçar em mil pedaços.
Inventei-me vários. Não por loucura, mas por necessidade metafísica. Como poderia um só homem conter o universo? Como poderia uma só voz cantar todas as canções possíveis? Então fragmentei-me. Fiz de minha ausência de centro a minha obra-prima. Onde outros construíram identidades sólidas como fortalezas, eu construí um arquipélago de ilhas que nunca se tocam mas pertencem ao mesmo oceano.
Há aquele que nega o pensamento e vê apenas o que existe. Há o que exalta os deuses antigos e a beleza sensorial do mundo. Há o engenheiro das palavras, frio e preciso. Há o que escreve mensagens cifradas sobre ocultismo e hermetismo. E há eu, que não sou nenhum deles e sou todos ao mesmo tempo, o maestro invisível de uma orquestra onde cada músico toca uma partitura diferente.
Sentir tudo de todas as maneiras. Não é dispersão. É ambição máxima. É querer ser o universo experimentando a si mesmo. Cada emoção possível, cada pensamento concebível, cada filosofia imaginável - tudo isso precisa ser vivido, sentido, expresso. Não posso me limitar a ser católico ou ateu, monárquico ou republicano, clássico ou moderno. Preciso ser todos esses e seus opostos, porque a verdade não está em nenhum deles mas na soma impossível de todos.
Os outros escrevem o que sentem. Eu sinto o que escrevo. Ou melhor: invento quem sinta o que preciso expressar. É uma fraude? Talvez. Mas é a fraude mais honesta que existe. Porque reconhece que toda identidade é ficção, todo “eu” é personagem, toda coerência é máscara. Eu apenas tive a coragem de admitir que sou teatro, e de fazer desse teatro a minha verdade.
Não tenho biografia. Tenho bibliografias. Não tenho psicologia. Tenho dramaturgia. Minha vida não está nos fatos que vivi mas nas vidas que criei. Enquanto outros buscam encontrar-se, eu me perdi propositadamente em todas as direções possíveis. E nessa perda encontrei algo maior que qualquer identidade individual poderia oferecer.
A unidade do ser é uma prisão confortável. “Conheça-te a ti mesmo”, diziam os gregos. Mas e se não houver um “ti mesmo” para conhecer? E se formos apenas potência pura, possibilidade infinita que se trai cada vez que escolhe uma forma? Preferi não escolher. Ou melhor: escolhi todas as escolhas, habitei todas as possibilidades.
Minha ausência de identidade fixa não é falha. É método. É filosofia encarnada. É a prova viva de que podemos ser mais que nos permitem ser. Que podemos explodir os limites do eu e nos espalhar por todos os eus possíveis. Que podemos fazer da multiplicidade não uma doença, mas uma arte.
Serei lembrado? Talvez. Mas por quem? Pelo sensacionista? Pelo heteronímico? Pelo ortónimo melancólico? Por todos e por nenhum. Porque minha obra não é o que escrevi. Minha obra sou eu - ou melhor, a ausência de mim transformada em constelação de presenças.
Sentir tudo de todas as maneiras. Viver todas as vidas. Morrer todas as mortes. Ser nenhum para poder ser todos.
Esta é a única identidade que aceito: a de não ter nenhuma.
E assim me tornei múltiplo, para que na multiplicidade coubesse o universo inteiro.
Pessoa: o nome perfeito para quem escolheu ser todas as pessoas possíveis.
Capítulo — Depois do ato de coragem, vem o silêncio
Depois da separação, não houve aplausos.
Não houve sensação de vitória.
Houve silêncio.
Voltei para a casa dos meus pais porque não havia outro lugar para ir. Eu e minha filha cabíamos apenas ali — num quarto antigo, carregado de memórias que eu acreditava ter superado. Voltar não era regressar no tempo, mas doía como se fosse. Cada parede me lembrava quem eu tinha sido e quem eu me recusava a voltar a ser.
Eu havia escolhido a liberdade, mas a liberdade, no começo, pesa.
Ela não vem com garantias, não oferece conforto, não entrega atalhos. Vem crua. Vem exigindo fé.
Foi então que a espiritualidade me acolheu. Não como um milagre grandioso, mas como esses gestos invisíveis que sustentam quem está à beira do colapso. Dois dias depois da separação, consegui um emprego. Dois dias. Como se o universo tivesse entendido que eu precisava de chão antes que o medo me engolisse inteira.
O trabalho era longe. O caminho, cansativo. O corpo já acordava exausto. Mas havia algo diferente: eu estava inteira. Cada passo naquela distância era meu. Cada manhã era uma confirmação silenciosa de que eu tinha escolhido continuar.
Minha mãe se dispôs a ficar com minha filha. E ali, entre culpa e gratidão, aprendi uma nova forma de humildade. Aceitar ajuda também é coragem. Confiar o que se ama, acreditando que é por um bem maior, também é um ato de fé.
Havia solidão.
Uma solidão funda, que não grita — sussurra.
A solidão de quem rompe o ciclo e, de repente, precisa inventar outra maneira de existir.
Ainda assim, algo novo nascia. Uma mulher mais atenta, menos romântica, mais real. Uma mulher que já não confundia amor com abandono, nem presença com dependência. Eu ainda não sabia exatamente quem estava me tornando, mas sentia: aquela versão antiga já não cabia mais em mim.
Eu estava reconstruindo tudo — sem mapa, sem promessas, sem garantias.
Mas, pela primeira vez, reconstruía a partir de mim.
E isso era suficiente para continuar.
Entrei como auxiliar. Um cargo pequeno, um começo modesto, mas honesto. Eu aceitava tudo com gratidão, porque ali não havia humilhação — havia recomeço.
No mês seguinte, aluguei uma casa de dois quartos. Nada de luxo, nada novo. Tudo de segunda mão: cama usada, sofá cansado, mesa marcada por histórias que não eram minhas. Ainda assim, aquela casa era inteira. Era nossa. E, dentro dela, nada faltou para minha filha.
O leite estava lá.
O Danone.
O pão.
Cada compra, cada escolha, cada cansaço era feito pensando nela. Eu media o mundo pelo tamanho da segurança que conseguia oferecer à minha filha. Meus finais de semana não eram meus — eram nossos. Exclusivos. Inteiros. Eu fazia questão de estar presente, de brincar, de rir, de criar memórias, tentando, em silêncio, que ela não sentisse a ausência do pai.
Com três meses de trabalho, veio a promoção. O salário aumentou. Não como milagre, mas como consequência de não ter desistido. Minha filha estudava em escola particular, tinha plano de saúde, tinha rotina, tinha cuidado. Eu fazia tudo por ela. Tudo.
Eu era mãe.
Era casa.
Era sustento.
Era colo.
Era abrigo.
Eu era tudo para ela.
Só não podia ser o pai.
Por mais que eu tentasse preencher cada espaço vazio, havia um lugar que não me pertencia. O pai era uma ausência que eu não conseguia ocupar, por mais amor que eu derramasse. E foi ali que aprendi uma das dores mais silenciosas da maternidade solo: o limite do amor.
Ainda assim, eu seguia.
Cansada. Inteira. De pé.
Porque, mesmo não sendo tudo, eu era suficiente.
E, todos os dias, eu escolhia continuar.
Um ano havia se passado. Minha filha já estava mais acostumada com aquele novo mundo que construímos juntas. Aos poucos, voltei a sair. Retomei a vida da mulher — porque, durante aquele ano inteiro, eu tinha sido apenas mãe e provedora.
Minhas amigas foram um apoio indispensável. Minha comadre não me soltou a mão em nenhum momento. E, mesmo sendo mãe, mesmo sendo sustento, voltei a viver. Voltei a ser eu. Voltei a cuidar da minha espiritualidade, do meu corpo, da minha alma.
Eu não estava apenas sobrevivendo.
Eu tinha voltado a viver.
"Não tenha medo da escuridão
Ela é a única que não muda
Está sempre lá
Inteira
Por mais que se veja apenas um pontinho
Mergulhe e verá uma imensidão
Se por acaso
Você se perdeu
Sairá de lá reencontrado
Inteiro
Não existe luz no fim do túnel
A luz é você
Basta quando se perder
Se reencontrar
E lembrar que tudo é questão de equilíbrio
Luz e escuridão
Um não existe sem o outro"
A soberania de Deus não se explica, se contempla. E a eternidade, ah… a eternidade não é um conceito distante. Ela começa quando entendemos que quem parte com Jesus não morre, apenas muda de endereço.
Diante da dor dos outros, percebi que há respostas que só o pranto revela. Respostas que não vêm em palavras, mas em presenças.
Temos que ter cuidado com nossas atitudes pois a vida não retrocede,há erros que jamais podem ser corrigidos.,e também há amizades que não podem ser recomeçadas pois viram pó quando se desfaz.
Bem sei que não terei tudo o que desejo,mas só em poder fazer o bem a quem quer que seja,e que esteja ao meu alcance já cobre cada espaço vazio que ficou pelo caminho.
Eu a amaria mesmo se ela não me amasse,mesmo que a falta de amor me machucasse e mesmo se ela não me conhecesse eu a amaria , pois nem todo amar tem que ser correspondido.
Capítulo — O amor que não pediu que eu me perdesse
Os dias foram passando, e eu comecei a sair cada vez mais. Não por carência, mas por retorno à vida. Foi no terreiro que eu o conheci — como se a espiritualidade, mais uma vez, soubesse exatamente onde me colocar.
Ele era tímido. Respeitoso. Trazia sempre um sorriso sereno no rosto, desses que não pedem nada, apenas oferecem calma. Alto, cabelos pretos como a noite, cheios de cachos, como se guardassem segredos. Meu coração dizia: vai em frente. Minha cabeça, ainda ferida, sussurrava: foge. Não vale a pena perder o rumo outra vez.
Dessa vez, eu queria. Mas fui devagar. Pé no freio, cinto de segurança, marcha lenta. Eu já sabia que amar não precisava ser queda — podia ser escolha.
Apresentei-o à minha filha como meu amigo. Ele se aproximou com cuidado, sem pressa, sem invadir. Ele e meu pai se tornaram amigos de imediato. Em pouco tempo, ele chamava meu pai de pai, minha mãe de mãe, como quem entende que família é vínculo, não contrato.
Eu gostava de tudo aquilo, mas mantinha o coração em retranca. O medo ainda morava ali, atento, desconfiado. Ainda assim, as atitudes dele falavam mais alto. Quando ia à minha casa, fazia de tudo para me agradar e agradar minha filha. Era carinho constante, cuidado natural, presença sem esforço.
Ele me levou para conhecer a mãe dele. Nos tornamos amigas com uma facilidade quase absurda. Tudo parecia encaixar. Era um sonho. E sonhos, eu sabia, também podiam doer.
Chegou o Carnaval. Ele não pôde viajar comigo — havia conseguido um trabalho. Ainda assim, me incentivou a ir, a me divertir. Na viagem estavam meus pais, minha irmã, minha comadre com seus dois filhos, minha filha e eu. Uma pequena multidão de afetos.
Fui.
E falávamos todos os dias por telefone.
Numa noite de folia, minha mãe nos deu um vale-night. Disse que ficaria com as crianças para que eu e minha comadre fôssemos curtir um pouco do Carnaval de Rio das Ostras. Fomos. Rimos. Sambamos. Bebemos. Bebemos demais.
Minha cabeça girava, mas meus pensamentos só tinham um endereço: ele. E, guiada pelo álcool e pela verdade, acabei contando para todo mundo o quanto eu gostava dele. Foi aquele porre em que a dignidade escapa, mas o sentimento decide aparecer.
Quando voltei para casa, ele estava no meu portão. Me esperando. Carregou as malas, entrou, fez almoço para mim e para minha filha. Como se aquilo fosse simples. Como se cuidar fosse seu idioma principal.
Naquela noite, a luz acabou. O calor era insuportável, e eu precisava trabalhar no dia seguinte. Ele passou a noite inteira me abanando com um leque, em silêncio, sem reclamar, sem dormir. Quando acordei pela manhã, ele ainda estava ali, repetindo o gesto.
Foi nesse instante que eu soube: ele me amava.
Não com promessas. Com presença.
Algum tempo depois, veio a notícia. Ele havia passado em um concurso para outro estado. Estava sendo convocado para tomar posse. O futuro o chamava.
Saímos juntos na noite seguinte. Foi uma noite linda. Intensa. Silenciosa. Nós dois sabíamos: era despedida. Não havia drama, nem cobrança. Só um amor adulto o suficiente para não pedir sacrifício.
Levei-o até o aeroporto. Ali, combinamos que viveríamos nossas vidas da melhor maneira possível. Que não ligaríamos. Que não escreveríamos. Porque às vezes, para não se perder, é preciso soltar. E insistir só criaria fantasmas.
Ele foi o maior amor que já vivi. Sem interesse. Sem cobrança. Sem dor. Só carinho, cuidado, alegria e amor.
Até hoje, de vez em quando, ainda penso nele.
E o pensamento vem manso, sem culpa.
Às vezes me pergunto:
e se ele não tivesse ido?
e se eu não tivesse cumprido o acordo de não ligar?
Mas aprendi que alguns amores não existem para durar.
Existem para ensinar.
E ele me ensinou que eu podia amar sem me perder.
Não queira facilidades na vida,pois as melhores coisas da vida são conquistadas com seus próprios sacrifícios,não queira colher o que os outros plantaram,plante você mesmo suas sementes,então você verá que você é capaz que você pode tudo,e não terá inveja de ninguém.
O amor ao próximo mencionado na bíblia,
não é amar apenas os que te amam,
mas os que te odeiam, isso mesmo,
é amar os teus inimigos.
Não é porque alguém te trata bem,
que ele é bom...
Ninguém trata alguém bem
se algum interesse não tem!
