Outros
Minh'alma vaga pelo firmamento
em busca de uma estrela maior,
só encontra a saudade de outros tempos
quando encontrava o amor.
Meus passos em andanças variadas,
alguns aqui e outros bem mais acolá,
levam-me a observar discrepâncias
que a vida sempre tece sem parar
Pessoas falando de grandes amores,
outras querendo a bondade exaltar,
algumas impondo-nos suas flores
sem no entanto de nenhuma cuidar
Noto a grande e urgente necessidade
de estar sempre num palco para aparecer
numa mostra de sua interior realidade,
são inseguras, fazem isso para não sofrer
Nem tudo o que imaginamos é verdade.
Nem tudo o que achamos que os outros estão pensando ou fazendo é verdade.
Nem todas as ações que pensamos serem as corretas, são realmente boas.
A nossa cabeça cria milhares de pensamentos bons e ruins todos os dias e cabe a vocêdecidir se vai escuta-los ou não.
Natal chegando e o papai noel já olhando os perfis no facebook. Alguns ganharão roupas, outros, um dicionário.
O nascimento e a morte de qualquer fenômeno estão ligados ao nascimento da morte de todos os outros fenômenos. Aquele que contém muitos e o muitos contém um. Sem esse, não pode haver muitos. Sem os muitos, não pode haver um.
Africa dorme na esperança de entrar no paraíso após a morte e os outros a fazerem o paraíso nas próprias cidades.
Somos instantes que deixam marcas na vida de outros e colecionamos marcas das outras pessoas em nosso ser, ter empatia nessa troca de energia é essencial.
À PAZ:
Aqueles que não se tocam
Se abraçam ou se beijam
Não os conhecem
Uns aos outros
Tampouco, se amarão
Enquanto os homens
Dividirem territórios
As metástases da guerra
Triunfarão
E findará ao triunfo
Do único reino.
NATUREZA EM FÚRIA
As frias folhas das arvores
Em noites de vendavais
Voam para outros ares
E ao tempo se perfaz.
Sob o rígido bico do pássaro
Erguem-se noutros patamares
E na busca de seu compasso
A natureza fria finda os mares
As flores furtam as cores
As águas não vertem mais
As aves em dissabores
Perdem ninhos e portais
E o núcleo da terra em fúria
“Mata” feito canibais.
Nicola Vital
POEMA ÍNTIMO II
São muitos os que estão comigo.
Muito mais aqueles que me acompanham.
Outros, diversos, me “abraçam”...
No entanto, muito, muito mais
Que os muitos...
São os poucos a me afagarem!
Sigo caminhando nesta ilusão.
Nas calçadas repletas...
Nas entranhas dessa procissão ...
Me vejo em todos os rostos.
Me sinto em todas as mãos.
Não fico, não sigo, não saiu
Do chão.
Se penso que sou ...
Sou a solidão.
Meus amigos.
Estou indo embora para outro lugar. Lá certamente encontrarei outros colegas de trabalho, construirei novos amigos. Terei um papel em branco para escrever uma nova história.
E quando começar redigir essa nova história lembrarei de VOCÊS, sempre solícitos, atenciosos. Pela manhã a me desejar um bom dia e bom trabalho (incansáveis baixas no intuito de saberem se eu precisava de apoio), à noite, cansados, exaustos, retornando aos nossos lares, com a certeza do dever cumprido e na esperança que o amanhã será ainda melhor, me diziam: Bom descanso, vai com Deus. No outro dia: Como tu estás? Como é bom ter amigos! Nesse momento eu entendo o quanto foi oportuno aquela frase de Elmer Gedeon: Só existe uma coisa melhor do que fazer novos amigos: conservar os velhos. E é nessa linha de pensamento que me regozijo em saber que não os perderei, pois conservarei-os feito os pergaminhos a resistir ao desgaste causado pelo tempo.
Culpo-me por não acreditar ser digno, ser merecedor da tua altaneira amizade. Deveria ter me doado mais, ter sido mais presente. Mas nem por isso VOCÊS se furtaram em me dá atenção.
Parto para um lugar Longínquo, repleto de verde.
“Minha terra tem primores,
Que tais não encontro eu cá;
Em cismar — sozinho, à noite —
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.”
Com a consciência me acusando que poderia ter feito mais um pouquinho por VOCÊS, mas confortado por nunca terem me exigido nada além da minha singela amizade.
Peço-lhes, permissão para quebrar o protocolo de etiqueta virtual e gritar bem alto: MUITO OBRIGADO POR TUDO!!!
Olhos cheios de lágrimas, coração apertado, corroído por um sentimento a que chamamos de saudade. Despeço-me.
A partir do momento que deixas de viver a sua vida e passas a viver a vida dos outros, é que a sua já não faz mais sentido.
O ser humano pode negar aos outros por egoísmo, mas já mais lhes fechará as portas arquitetadas pelo destino.
