Os Seres Vivos
Ninguém morre de fato, porque todos que morrem continuam vivos nos corações, nas lembranças, nas ideias, nas obras, na vida.
O Jazigo dos Vivos
Naquela família, os mortos pareciam descansar mais do que os vivos.
O velho jazigo de granito havia sido adquirido muitos anos antes por um homem prudente, quando ainda caminhava sozinho pela vida. Não o comprara por vaidade, mas porque acreditava que até o descanso final merecia dignidade.
O tempo passou. O homem encontrou o amor na maturidade e decidiu casar-se. Foi então que aquilo que sempre pertencera apenas à sua história passou, misteriosamente, a despertar o interesse daqueles que jamais haviam perguntado onde ele desejava repousar.
Vieram exigências disfarçadas de conselhos, mentiras vestidas de preocupação e ordens apresentadas como se fossem dever moral. Chegaram a afirmar que o próprio cemitério exigia a mudança da titularidade do jazigo. Bastou um telefonema para que a verdade surgisse inteira: ninguém havia feito qualquer exigência.
Mas aquela mentira era apenas uma entre tantas.
Muito antes do casamento, outro patrimônio havia sido inserido em uma estrutura societária criada sob o argumento de proteger os bens da família. A antiga casa da mãe permanecia registrada em nome de apenas um dos irmãos, enquanto participações eram distribuídas entre parentes como se a confiança pudesse substituir a justiça.
O único imóvel particular daquele homem também fora levado para dentro da mesma estrutura. O que lhe prometeram como proteção transformou-se em uma longa batalha para recuperar aquilo que sempre lhe pertenceu.
Depois do casamento, antigos sorrisos perderam a doçura. Pessoas que durante décadas se apresentaram como amigas revelaram um rosto desconhecido. O incômodo não era a união do casal. O verdadeiro desconforto surgia quando alguém deixava de aceitar o controle silencioso exercido durante tantos anos.
Há famílias que disputam terras.
Outras disputam casas.
Algumas, infelizmente, disputam até o lugar onde alguém um dia descansará em paz.
O mais triste, porém, não era a existência de um jazigo, de um imóvel ou de documentos. Era perceber que a ganância conseguira ocupar o espaço onde antes existiam afeto, confiança e respeito.
No fim, compreendeu-se que o mármore jamais sepulta a verdade. Ela permanece viva, esperando apenas o momento de emergir, desmascarando as mentiras construídas pela ambição.
Talvez o maior sepulcro não seja feito de pedra.
Talvez seja o coração de quem enterra o amor antes mesmo de sepultar os seus mortos.
© 2026 Márcia Reis Nazar
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"Existem dois mundos: o primeiro é aquele que habitamos enquanto estamos vivos; o segundo é aquele em que acreditamos existir depois da morte."
(FURUCUTO, P. D., 2026).
“Tenha sonhos.
Os sonhos nos mantêm vivos.
Mantêm nossa alma jovem.
Os sonhos são uma fonte eterna, que jorra esperança para o futuro.”
Sou escritora ...amo as palavras e os livros... escrever mantém meus sonhos vivos... sou um mistério para mim mesma..
Os mal educados e agressivos, são mortos vivos que criam um mundo nocivo, insuportável, trazendo sofrimento ao que é amável.
Precisamos sonhar. É o sonho que nos leva a seguir adiante. É o que nos mantém vivos e esperançosos.
Há pensamentos que não procuram respostas. Permanecem vivos apenas para impedir que a alma adormeça na confortável mentira da tranquilidade.
Há luz e escuridão em nossos corações
Elas nos dão propósito para estar vivos
Buscar o equilíbrio é o que nos mantém seguindo em frente
Para descobrir que nascemos para estar vivos
- To Be Alive
Acaba bem
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Todo meu passado
Num recorte de papel
Está contado.
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A vida em versos vivos
Se vos conta
De um amor que não tem conta.
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Se era ela a pretendida
Eu já não sei,
Sei apenas não ser eu pretenso dela.
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Todo meu escrito
Num papel amarelado
Pelo tempo mal tradado!!!
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Minha vida numa fábula
Se vos conta...
A história não acaba bem.
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Edney Valentim Araújo
1994...
Toda grande transformação começa quando enterramos, ainda vivos, a versão de nós que insiste em sobreviver onde o futuro já não a aceita.
