Ontem

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Ontem me guiou,
Hoje me guardou,
Amanhã, o meu Deus já preparou!

Obrigado Senhor.

Pássaro

Aquilo que ontem cantava
já não canta.
Morreu de uma flor na boca:
não do espinho na garganta.

Ele amava a água sem sede,
e, em verdade,
tendo asas, fitava o tempo,
livre de necessidade.

Não foi desejo ou imprudência:
não foi nada.
E o dia toca em silêncio
a desventura causada.

Se acaso isso é desventura:
ir-se a vida
sobre uma rosa tão bela,
por uma tênue ferida.

Cecília Meireles
MEIRELES, C. Antologia Poética. Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira, 2001.

E foi da pior forma que eu aprendi que você não me amou ontem, não me ama hoje e não vai me amar amanhã.

(...) todos os relógios estão parados, não sei se é ontem, se hoje ou amanhã, se é sempre, e nunca mais, estou solta aqui, completamente só, não há relógios, não há relógios e o tempo avança liberto, sem fronteiras nem limitações, uma bola de arame farpado, o sentimento vai se adensando em mim, transborda dos olhos, das mãos, sai pela boca em forma de fumaça, sinto meus lábios ressequidos, machucados, o gosto amargo, a bola cresce estendendo tentáculos, no meio dela eu me encolho cada vez mais, presa num círculo que cresce até explodir na vontade contida de gritar bem alto, bem fundo, rouca, exausta, correndo, esmagando as folhas de um outro outono, de um outro tempo, ainda este, o tempo, o outono, a tarde, o mundo, a esfera, a espera em que estou pra sempre presa.
Caio Fernando Abreu, in Inventário do ir-remediável

Sem sentido

Desde ontem eu me sinto assim, confusa, cansada, sem sono. A noite chega e eu começo a pensar na vida, no sentido dela...às vezes penso bem, e acho que ela não tem um. Será que eu posso dizer assim? ''A vida não tem nenhum sentido''? Não sei. Não sei. Talvez essa seja a verdade. A nossa existência só é satisfatória porque vivemos. Será que vivemos mesmo ou só existimos?

Eu não luto por nada. Sei que sou fraca e que não irei conseguir ganhar. Nada. Não seja tola, eu sou a boba daqui. Aquela que sempre deixa ser guiada pelas emoções.

O mundo gira e será mesmo que bota tudo no seu devido lugar? Talvez. Talvez seja isso que incomoda as pessoas. Elas nunca sabem se o destino vai ficar a favor delas. Sempre esperam mais dos outros e nunca cobram de si mesmas. Eu sei como é isso.

Me sinto estranha quando falo com outras pessoas. Nunca sei como me comportar diante delas. É tudo tão esquisito e sem sentido. Nem sei o que falo mais, meus pensamentos vão chegando a minha mente e logo vou escrevendo sem nenhum tipo de objetivo, estou apenas escrevendo, escrevendo… agora, respirei e vi que me perdi entre as palavras. Ficarei em silêncio.

O fácil nem cogitei, o difícil eu fiz na hora, o impossível eu fiz ontem, e o milagre eu faço agora.

Viva só o hoje , Pois amanhã você pode ver ,que tudo não passou de ontem !

"O ontem acabou. Não tenho mágoa de nada e nem saudade de nada. Vivo o hoje. Tenho alegria de viver, adoro a vida."

Ontem(s) e hoje(s), amores e ódio,
adianta consultar o relógio?
Nada poderia ter sido feito,
a não ser o tempo em que foi lógico.
Ninguém nunca chegou atrasado.
Bençãos e desgraças
vem sempre no horário.
Tudo o mais é plágio.
Acaso é este encontro
entre tempo e espaço
mais do que um sonho que eu conto
ou mais um poema que faço?

O tempo de uma fotografia
Não era nem ontem, e nós éramos um rostinho inocente posando para um retrato escolar. Olhinhos apertados, espertos, ávidos por ver a vida crescer. Crescemos nós. Já no mundo adulto, aquela foto da escola perdeu-se em alguma caixa parda que guarda fotografias do tempo em que elas eram reveladas. Eram aguardadas no suspense de seu conteúdo. Havia prazer em esperar. Fala-se disso:

_ As fotos ficaram boas? _ Vem aqui em casa pra ver!. Diálogos dos século passado.O mundo adulto, hoje, é cheio de pressa. Nem bem viveu-se algo, e esse algo já foi postado em alguma rede. Desfruta de uns segundos de visibilidade, para depois perder-se, em memórias cibernéticas. Será que as crianças de hoje ainda tiram fotos do tipo grupinho escolar? Todas as carinhas reunidas, professora do lado, e um fotógrafo gorducho mandando fazer xis.Não há muito tempo para esperas e aguardos. Hoje, é tudo para hoje. Será que no meio de tanta aceleração, dá tempo de se perguntar onde estarão aqueles meninos e meninas do nosso retrato escolar? Caminhos que nos engolem enquanto tentamos acrescentar alguns minutos à mais nas nossas horas corridas, e lá se foram os nossos primeiros melhores amigos.

A que se presta esta nostalgia? Serventia prática, nenhuma! Pensamentos miúdos não se prestam. Eles prezam. Prezam alguma coisa de valor que vai se perdendo pra não se perder tempo, e que podia ‘não’.

Podia-se não perder contato com as pessoas queridas.Podia-se responder os e-mails com muito mais palavras.Podia-se telefonar ao invés de encurtar tudo por sms.Podia-se ganhar da preguiça e chamar amigos pra um jantarzinho.Podia-se ultrapassar o tédio e organizar uma viagem.Podia-se fazer mais visitas, pra se ver ao vivo e à cores.Podia-se escrever uma carta, pra lembrar da própria caligrafia.Podia-se largar mão de artificialidades e conversar com mais vontade.Podia-se deixar pra lá a vaidade, e expor os sentimentos com mais verdade.Podia-se deixar o orgulho de lado e procurar reacender os afetos congelados.Podia-se dar um tempo aos formalismos das relações, e sair por aí, abraçando os outros,beijando os outros, olhando nos olhos dos outros…

Podia-se redescobrir aquele amigo, daquele tempo, e surpreender…

Em meio à tantas metas e prazos, a gente sabe que é na companhia do outro, na intenção e na atenção dedicados à amizade e ao encontro que a vida faz sentido. Sem perder tempo com as miudezas que importam, perdemo-nos todos. Perdidos e acelerados, periga que um dia, a gente não se ache mais.

‘Ultimamente têm passado muitos anos.’

Hoje é o dia! Não quero pensar no ontem, nas noites passadas ou tardes frias, nem no amanhã, que não podemos mudar, mas no dia de hoje, tempo de viver e amar.

Ontem eu me escondia do mundo, hoje decidi desafia-lo. Tudo na vida é uma questão de fase. Tudo muda ao seu tempo, mas não existe mudanças quando ela não começa por você mesmo. Não siga padrões, desafie a você mesmo. Se atreva a desafiar a vida, sinta, chore, experimente, descubra um "novo eu".

Exu matou um pássaro ontem, com uma pedra que só jogou hoje.

"A pessoa fria de hoje, é a apaixonada de ontem."

Ontem descobri diante de tudo aquilo que era pra ser segredo, o quanto ainda te quero. Quero da maneira inteira, em virtudes e defeitos que te compõe em prosa. Prosa poética, daquelas que deixam o coração em qualquer parte do corpo, porém, visível. Quem chega, percebe o brilho que o olho tem, o sorriso largo, as risadas sem sentido.
Hoje ao acordar, lembrei que os pensamentos que me enfeitaram durante a noite não passaram de saudade. A carência de companhia, do teu jeito sereno e vaidoso de ser. E, de repente, acabou. Acabou com os meus sentidos que já não querem mais entender porque o meu pensamento insiste em te querer dessa forma, sem forma, mas pra mim, feito pra mim. Era você quem eu queria, sim, foi assim que permaneci durante todo esse ano, te querendo sem achar que o tempo era demais para a tua demora.
Mas, amanhã, nesse futuro que não sabemos para onde vai, e nem se chegará, desejo te encontrar algum dia, e te entregar se ainda for possível, todas as minhas palavras que ficaram sem saber para onde ir com a tua ausência. Foi saudade, e eu digo só para ela, nada mais.

A regra é: geléia amanhã e geléia ontem... mas nunca geléia hoje.

"Espero até quando eu achar que vale a pena, eu estava aqui ontem, estou hoje e estarei amanha, porém quando eu não estiver mais pode ter certeza de que não voltarei."

Sou movido por duas filosofias principais, sei mais sobre o mundo hoje do que eu sabia ontem. E diminuir o sofrimento dos outros. Você ficaria surpreso quão longe que você recebe.

Ontem eu acreditava em todas as mentiras, hoje eu duvido de todas as verdades.

Dois grandes destinos

Ontem, dois grandes destinos
Dois sonhos divinos
Dois alegres ideais
Hoje, dois olhos tristonhos
Duas mortalhas de sonhos
Desilusões, nada mais

Ontem nos nossos passeios
Havia música e enleios
Perfumes, flores e canção
Hoje pela nossa estrada
Resta uma sombra enlutada
Folhas secas, solidão

Ontem a lua furtiva
Testemunha festiva
Nós dois conversando a sós
Hoje, triste e pezarosa
Se escondeu, fugiu de nós

Ontem nossas mãos unidas
Apertavam nossas vidas
Na febre do nosso amor
Hoje distantes e vazias
Apertam nas noites frias
Um nome, um verso e uma flor

Ontem, dois grandes destinos
Dois sonhos divinos
Dois alegres ideais
Hoje, dois olhos tristonhos
Duas mortalhas de sonhos
Desilusões, nada mais