Onça
Acho que quase todo mundo já teve uma amiga traíra, aquela própria onça, também amiga da onça, mas como não sou rancorosa...
A vida não pode ser encarada apenas por esse prisma e que nada de achar que a amiga te traiu merecidamente, mas é que as revelações dos acontecimentos fez você conhecer aquela falsa amiga que você confiava tanto. Então, caracterizo como puro aprendizado. Em todas as situações preferi ficar quieta e me afastar, evitei a discussão, a desarmonia. Me afastei de certo modo de um mundo pleno de futilidades. Liguei meu botãozinho no modus vivendi e continuei minha caminhada sem aquela amizade. Depois de tempos e anos você percebe que aquela amizade jamais se encaixaria porque no mínimo seus valores são diferentes e suas prioridades mais ainda, vocês apenas morgavam uma conversa sem pé nem cabeça, um blá blá blá de qualquer ordem. Uma mulher linda, desejável e inteligente não precisava competir com você. Eu tenho alma romântica e é penoso ter esse tipo de alma porque você idealiza sempre o melhor e o mais lindo, o mais perfeito possível e até em relações de amizade você precisa sentir a intensidade de borboletas no estômago. Depois de tantos tombos fiquei cansada, desiludida, dura e fria, não discuti, não argumentei, não disse nada (fuja dessa característica), apenas me afastei porque a vida é uma troca, você salva meus dias e eu salvo o seu. Hoje fico pensando que foi melhor assim apesar de tudo.
Não mexe comigo...se eu estiver na minha razão é isso mesmo?...viro uma onça...então pense bem antes.
Amigo da onça – Histórias engraçadas
Numa entrevista de emprego:
- Muito bem meu rapaz!...Eu até que gostei de você, achei você bastante simpático. Vamos fazer um último teste:
- Vamos dizer que você está no pantanal e de repente aparece uma onça enorme, o que você faz? Perguntou a entrevistadora.
- Se eu tiver uma arma eu atiro nela. Disse o entrevistado.
- E se o senhor não tiver uma arma?
- Aí eu pego uma faca e vou pra cima dela. Cheio de valentia respondeu o entrevistado.
- E se você não tiver uma faca? Continuou a entrevistadora.
- Aí eu saio correndo.
- E se o senhor não puder correr?
- Tem certeza que a senhora gostou de mim?
Mágoas de Caboclo
Ah! como eramos felizes
Vivendo lá na choupana
Ao pé da serras da onça
Plantávamos milho, feijão e cana
Fazíamos as nossas festas
No lindo mês de santana
Nossas vidas com certeza
Eram um lindo mar de rosas
Vivíamos sempre felizes
Da casa para nossa roça
Mesmo nós dois sozinhos
Fazíamos nossas troças
Mas como tudo acontece
Na vida de muita gente
Que vive rindo e feliz
Alegre e sempre contente
Eu fui pego de surpresa
Pela sanha da serpente
Nunca pensei que na vida
Um dia eu fosse passar
Por momentos tão difíceis
De dor e muito penar
Com o coração sangrando
Jurando não mais amar
Meus senhores a minha vida
É dividida em duas
Uma quando era feliz
Fazendo versos pra lua
A outra de sofrimento
Jogado em plena rua
Lembro-me como tudo aconteceu
Era mês de santana
Mês de festa e alegria
Era o mês da cana
Íamos para a cidade
Passar por lá uma semana
Que semana de alegria
De festa e divertimentos
Esquecíamos as preocupações
Pra nós só tinha o presente
Logo, logo após a missa
Tínhamos divertimentos
Tinha leilões nas barracas
Apresentação de mamulengos
As disputas das rainhas
Uma do vasco outra do flamengo
Pediam ajuda a nós
Cheias de graça e dengo
Mas em uma dessas noites
Que estávamos a brincar
Notei que tinha um sujeito
Há muito a observar
Eu e minha Maria
Com lampejo no olhar
Eu fiquei desconfiado
Logo com o sujeito
Que não deixava de olhar
Como se eu fosse suspeito
Se fosse para a Maria
Era falta de respeito
Mas o tempo foi passando
E caiu no esquecimento
O cara que nos olhava
Até a poucos momentos
Pois eu queria era paz
Sem haver constrangimento
Já tinha bebido muito
Eu ria por brincadeira
Foi quando olhei pro lado
Meio zonzo da bebedeira
Maria não estava ali
Estava só a cadeira
Muito longe de pensar
No que ia acontecer
Pedi mais uma cerveja
Pra nossa turma beber
Senhores, nesse momento
Começou o meu sofrer
Esfreguei logo os olhos
Sem poder acreditar
Que era minha Maria
Que estava a conversar
Com aquele almofadinha
Don Juan desse lugar
Era sim a minha mulher
A razão do meu viver
Que por muitos e muitos anos
Soube me compreender
O que estava acontecendo
Não podia entender
Foi quando, senhores, eu vi
O cabra abraçar Maria
Eu juro não vi mais nada
Só o meu sangue fervia
Quando voltei a mim
Estava numa delegacia
Eu estava sujo de sangue
De quem eu não sabia
Só podia ser do sujeito
Autor da patifaria
Senti logo um arrepio
E se fosse de minha Maria
Foi quando o delegado
Falou com vós alterada
Cometeste um grande engano
Mataste a pessoa errada
Pois sua esposa era
Simbolo de mulher honrada
Não pude ouvir mais nada
Nada mais me interessava
Só sei que estava vivendo
O reverso da medalha
Por culpa exclusiva e total
Do crime e da cachaça.
Literalmente existe dois tipos de amigo. O seu amigo e o amigo da onça. Você já parou para analisar qual deles você tem?
Na vida nada se perde,
tudo é aprendizagem.
Gélson Pessoa
Santo Antônio do Salto da Onça RN
03/05/2025
Como Dois Animais
Uma moça bonita
De olhar agateado
Deixou em pedaços meu coração
Uma onça pintada
E seu tiro certeiro
Deixou os meus nervos
De aço no chão
Foi mistério e segredo
E muito mais
Foi divino brinquedo
E muito mais
Se amar como dois animais
Meu olhar vagabundo
De cachorro vadio
Olhava a pintada
E ela estava no cio
Era um cão vagabundo
E uma onça pintada
Se amando na praça
Como os animais
Ter medo também é importante.Você confiaria em abraçar um leão ou uma onça?Agir com cautela pode salvar sua vida.Não virar o rosto quando tiver tomando uma bebida para evitar um possível "boa noite cinderela"não te faz um esquizofrênico.Os indianos têm muito cuidado com os alimentos.Logo, eles mantêm a porta da cozinha trancada e seu acesso é permitido apenas às pessoas de confiança.Isso é algo que faz parte da cultura indiana,ou seja,não é considerado esquizofrenia.Portanto,continue tendo cuidado com os perigos do mundo,mas não exagere.
Nós somos pó estelar
que o vento sopra na vida.
Santo Antônio do Salto da Onça RN
Terra dos Cordelistas
18 agosto 2024
A Onça Parda Campeira
Na fazenda, acho que o único que trabalhava era eu. A propriedade pertencia ao cunhado do meu cunhado, e fiquei com a incumbência de cuidar dos porcos. Coisa simples: dar comida, tratar os que tinham alguma ferida, passar remédio nos recém-castrados, separar os leitões maiores dos menores, ajudar as porcas a parirem e mais uma infinidade de tarefas. Nessas lidas ia a manhã inteira.
O local onde ficavam os porcos distava uns três quilômetros da sede da fazenda. Logo no segundo dia, fui presenteado com uma égua enorme, branca e muito arisca. Mas, como diz o ditado, cavalo dado não se olha os dentes. Agradeci o presente e comecei a colecionar os tombos que ela me proporcionava.
Com o passar do tempo, ficamos parceiros.
Todas as manhãs eu ia até o pasto onde ela ficava, passava uma corda em seu pescoço e procurava algum lugar mais alto para conseguir montá-la. Voltávamos então para onde ficavam os arreios. Primeiro eu a escovava enquanto ela mastigava algumas espigas de milho. Escovar o animal e alimentá-lo faz parte do relacionamento entre cavalo e cavaleiro. Depois eu a arreava, montava usando os estribos e seguíamos viagem.
Eu tinha também outro amigo de quatro patas: um cachorro chamado Dourado, meu companheiro inseparável de aventuras.
No caminho até os chiqueiros havia alguns moradores antigos da fazenda que já nos conheciam. Tinha um tamanduá-bandeira já velhinho, mas que ainda insistia em nos ameaçar. Ficava em pé e abria as garras numa pose de combate impressionante. O Dourado adorava provocá-lo.
Mais adiante vinham as emas com seus filhotes. Já estavam acostumadas com nossa passagem diária, mas nunca deixavam de defender suas crias.
Nossos dias eram cheios de aventuras. Vez ou outra o Dourado encontrava algum outro bicho e lá ia ele infernizar o coitado, principalmente se fosse um tatu, sua maior diversão. Não queria machucá-lo; só brincar. Ficava fuçando o buraco até o tatu desaparecer lá no fundo.
Certa manhã, por volta das oito horas, quando chegamos ao criadouro dos porcos, avistei um animal amarelado próximo aos chiqueiros.
Na noite anterior, durante o jantar iluminado por lampiões e embalado por muita conversa — a maior parte delas mentira — o irmão do meu cunhado comentou que tinha ouvido falar de uma onça-parda que andava pelos lados da taboca, lugar onde ficavam os porcos. Segundo ele, a danada estava de olho em algum leitão.
Pronto.
Na minha cabeça, aquele bicho amarelado só podia ser a famosa onça comedora de porcos.
Virei a égua na mesma hora e fizemos o caminho de volta em metade do tempo habitual.
Cheguei à sede esbaforido:
— A onça está lá no chiqueiro!
Contei que era amarela, enorme e do tamanho de um bezerro.
A reação foi imediata. Pegaram o jeep, colocaram os cachorros caçadores — conhecidos como americanos — na carroceria, apanharam a espingarda cartucheira e partiram para a caçada. O Dourado foi junto, afinal era testemunha ocular do ocorrido.
No dia anterior, uma porca que estava parindo havia me mordido e arrancado um bom pedaço do cano da minha bota. Por isso, naquela manhã eu estava usando chinelos. Achei até melhor, porque não precisaria me aproximar muito da fera.
Ao chegarmos à taboca, meu cunhado e os cachorros, exceto o Dourado, entraram no meio dos bambuzais.
E então começou o espetáculo.
Latidos.
Gritos.
Correria.
Um tiro.
Depois... silêncio.
Alguns instantes mais tarde veio o chamado:
— Pode vir! A onça está morta!
Considerando que eu estava de chinelos e morrendo de medo, avancei devagar, muito devagar.
Foi quando ouvi um grito:
— A onça está viva! Corre!
Ao mesmo tempo, escutei um barulho infernal de bambus quebrando, como se o animal estivesse vindo direto na minha direção.
Eu simplesmente voei.
Perdi os chinelos.
Corri como nunca tinha corrido na vida.
Cheguei em segundo lugar.
O Dourado chegou em primeiro.
Minutos depois apareceu meu cunhado, rindo tanto que mal conseguia falar. Acho que até os cachorros americanos estavam rindo.
Finalmente ele conseguiu explicar:
— Sua onça era um veadinho-campeiro!
O bicho era extremamente comum naquela região do Mato Grosso. Eu mesmo já tinha visto dezenas deles por ali. Mas naquela manhã, por algum motivo, ele havia se transformado numa onça-parda enorme, do tamanho de um bezerro.
No jantar daquela noite ninguém falou de outra coisa.
A famosa onça-parda campeira virou assunto obrigatório da mesa.
E nós rimos muito.
A ONÇA, O URSO E O MORANGO.
Há uma profunda lição escondida nesta singela narrativa.
Um homem encontra-se suspenso entre dois perigos inevitáveis. Acima dele, um urso feroz ameaça sua vida. Abaixo, seis onças aguardam o instante de sua queda. Não existe saída fácil. Não existe segurança. Não existe garantia de sobrevivência.
E, no entanto, em meio ao terror, ele percebe um morango.
Um fruto simples.
Pequeno diante da imensidão dos problemas.
Insignificante diante da ameaça da morte.
Mas real.
Ao levar o morango à boca, ele experimenta algo extraordinário: a vida continua acontecendo naquele instante.
O urso não desapareceu.
As onças não fugiram.
O barranco continuou perigoso.
Mas o sabor do morango também era verdadeiro.
Assim é a existência humana.
Quase todos carregamos preocupações acerca do amanhã. Há contas a pagar, enfermidades a enfrentar, saudades que machucam, conflitos familiares, decepções afetivas, inseguranças e receios quanto ao futuro. O urso e as onças mudam de forma, mas estão sempre presentes.
Muitas vezes acreditamos que somente seremos felizes quando todos os problemas forem resolvidos.
Entretanto, a vida raramente nos oferece um período completamente livre de dificuldades.
Quando vencemos uma preocupação, surge outra.
Quando ultrapassamos uma prova, uma nova experiência nos convida ao crescimento.
Se condicionarmos nossa felicidade à ausência de desafios, talvez jamais a encontremos.
O morango representa aquilo que ainda existe de belo, mesmo quando tudo parece ameaçador.
Representa o sorriso de uma criança.
A voz de um amigo.
A chuva sobre a janela.
O abraço sincero.
A oração silenciosa.
Um livro inspirador.
A paz de uma consciência tranquila.
O perfume de uma flor.
O nascer do Sol.
Os pequenos milagres cotidianos que frequentemente ignoramos por estarmos excessivamente concentrados nos perigos.
Sob a ótica espiritual, essa história nos recorda que a vida não é feita apenas das provas que enfrentamos, mas também das bênçãos que recebemos durante a caminhada.
Quem aprende a perceber os morangos espalhados pelo caminho desenvolve gratidão.
E a gratidão não elimina as dificuldades, mas ilumina a maneira como as atravessamos.
Os desafios continuarão existindo.
Os ursos continuarão rugindo.
As onças continuarão esperando.
Mas também continuarão existindo morangos amadurecendo nos galhos da existência para aqueles que conservam a sensibilidade de percebê-los.
Não adie a alegria para um futuro incerto.
Não espere que tudo esteja perfeito.
Não aguarde a ausência das tempestades para contemplar o céu.
O melhor instante para viver, amar, agradecer e ser feliz é este que pulsa agora diante de você.
Olhe ao redor. Talvez o seu morango esteja mais próximo do que imagina. E a vida, silenciosamente, esteja convidando você a saboreá-lo.
O amigo da onça.
Amigo da onça é aquele “amigo” que vive deixando você em situações pouco confortáveis, só lembra de você para pedir alguma coisa e para ele você é apenas mais um.
Faça um favor para você. Identifique o amigo da onça e deixe a amizade dele para os outros.
Afinal, você não é uma onça!
Não escrevo para agradar ninguém, nem para cutucar a onça com vara curta, escrevo pra cutucar a mente com vara curta.
Toda mulher tem uma ligaçao com a lua ...toda mulher tem um lado onça...e toda mulher gosta da noite...e qual mulher não tem la seus misterios..
MESTIÇA
Lá nas entranhas
Sou bicho, onça,
Peixe, ave, preguiça
Alguém não absoluta
Sou construção.
Sou a cor de várias cores
Cigana, mística
Mistura, sabores, dores,
Tenho tempero,
Trovão, relâmpago,
Tempos diversos.
Orno o cabelo
Gosto de ser múltipla...
O brilho? Deixo e vou deixando
Um pouco por retinas.
Clécia Santos
