Olhos Alma
Nella città IV - Substância
O que em mim permanece silencioso
é também o que, em mim, permanece vivo...
É o que não foi capturado,
nem domesticado pelo hábito,
muito menos reduzido
à conveniência do sentido.
Desde muito cedo, crio meus próprios mitos para não embarcar nos devaneios e nas fantasias de ninguém.
Entre poucos verdadeiros amigos e irmãos de antigas jornadas, os carinhos nunca cessam, nem as eternas conversas de alma silenciosas que mil palavras do dia a dia, sem a amizade, não dizem nada. Entre os verdadeiros amigos, o olhar de ternura é a melhor saudação de chegada e a certeza da união e do amor para sempre, por palavras mudas ditas pelo coração, na nova partida, um breve até logo para um novo encontro mais à frente.
Algumas vezes amanhece e o incomodo perante todas as injustiças e as cobiças humanas sem sentido por uma existência tão tênue e passageira, não permitem invadir minha alma de fé nas prosperas mudanças, vida mais calma, e dormir.
A arte consegue falar e preencher lacunas em nosso espirito, que a mente aprisionada a velhos conceitos, que muitas das vezes não significam nada mas por limites equivocados, não consegue ver e dizer.
A harmonia do abstrato vence a milimetra do concreto por um milhão de vezes, a espontaneidade no erro que surge o acerto. Assim como a emoção vence a razão por muitas vezes pois do que nos valem a regras para todos se não temos a liberdade de muda las diante de um antigo erro.
Em alguns momentos isolado em profunda solidão, costumo falar sozinho e eu mesmo me respondo, mas nem sempre concordo.
Oro incessantemente pelos meus desafetos, pois a muito tempo já perdoei a mim e a eles. Deus tenha piedade de seus perpétuos rancores, que lhes envenenam suas breves estadas, assim como o mau de suas loucas soberbas em acharem que sempre estiveram e estarão certos por toda eternidade em seus frágeis pontos de vista.
Pela boa moral da vida espiritual ruma a divina luz, a capacidade de perdoar, deve ser sempre bem mais forte do que a capacidade de revidar e se vingar.
Na grande exposição criativa natural que é a vida, os vários animais racionais e irracionais enxergam, sentem o paladar e o olfato, percebem as vibrações energéticas e ouvem, isto são meras faculdades biológicas inerentes da existência. No entanto o gênero humano, com a trilogia perceptiva da mente, sentimentos e emoções conseguem estabelecerem conexões, e ver muito além do que está materialmente exposto. E é pela arte o melhor e maior exemplo, disto.
As primeiras obras de todos os artistas na história das belas-artes universais sempre são as mais valiosas e cobiçadas pelos mais exigentes museus e colecionadores. Quando o artista, inicia uma produção a alma e o espírito da arte propriamente dita, se esvai pouco a pouco, por conseguinte dentro da continuidade.
A falta do sincero perdão a toda injustiça no espirito, cativa a vida plena em liberdade, atormenta e gera pouco a pouco dores, sofrimentos, imperfeições e disfunções crônicas, incuráveis no corpo físico, onde habita a imperfeita alma.
O mais cruel vazio da alma e o abismo da existência só pode ser sentido e vivido de forma ampla no meio de múltiplos olhares e dos movimentos desordenados e eufóricos de uma estranha gigantesca multidão.
Cálices de cristal e líquidos nobres....em alguns textos antigos o Papa João XXIII nos alertava que é durante às refeições, que nós humanos comensais ( aqueles que comem) resolvemos os maiores de nossos problemas..Parece que estamos sempre a espera de uma boa refeição, em um bonito lugar, com uma boa companhia, para alimentar nosso coração, espirito e alma....inquietos pela vida.
