Olhos Alma
Nos teus olhos tenho
oceanos a cruzar,
Nunca vou os dominar
porque tu és meu
e feito de liberdade;
Na tua pele tenho
a poção do transe perfeito,
Nos teus passos
o caminho indelével
deste continente inabalável
profundo e místico
que nos une na poesia sidérea
sob a regência da Via Láctea.
Nos teus olhos tenho
o refúgio perfeito,
Nos passos da mazurca
marcada ao nosso jeito
repleto de poesia afetiva
e no calor do teu corpo
o doce acolhimento:
Revelo determinada
que de ti não desistirei,
e de nós dois jamais irei.
Na altura dos olhos,
muito mais altas
do que os sonhos,
as nossas mãos
começaram serenas
a se enamorar no ritmo
da Valsa de Mão Trocada,
Que num estalo fez
de mim por ti gamada.
Os gaúchos e as prendas
a rodopiar começaram
no salão a se alternar,
Não quis fazer nenhum
esforço para disfarçar.
A poesia romântica
do seu perfume a partir
deste dia nunca mais
eu consegui olvidar:
Você não vai se segurar.
O destino nos colocou
em caminhos apaixonantes,
Vivemos com os nossos
olhos sempre brilhantes,
o coração cheio de amor
e os nossos dias são festejantes,
Por isso hoje mais do que
nunca estamos celebrantes.
Não tenho vontade,
olhos e tempo
para ficar buscando
OVNIs, balões
e cultivar emoções
que nada elevam;
Ando mesmo é
fugindo de inundações
e domando o ego
diante do calendário
em nome do que é certo.
Pierrôs e Colombinas
sobreviventes destes
tempos estranhos
buscando motivos
nos signos do Zodíaco
para comemorar
o Carnaval em Veneza
para dar a si mesmos
uma aparente trégua
num mundo que
a paz não mais venera.
E eu apenas sonhando
viver do nosso amor,
ganhar o seu beijo
com sabor de frutas frescas,
e quando chegar o destino,
sem pressa contar estrelas
no céu de Kabul contigo
e sem querer outra coisa
a não ser recíproco carinho
celebrando o quê é infinito.
Olhando no fundo
dos olhos dançando
mazurca juntos
sob a luz da Lua,
Sentindo quentura
do amor e do desejo,
Sonho inabalável,
Poesia, paixão e doçura
que não cabem na coreografia.
Namorando com os olhos,
sarandeando com as pontas
da saia e você sapateando,
Vamos neste tatu com volta
no meio pelo salão bailando,
Todo mundo percebeu que
estamos nos apaixonando.
Batucando sobre a mesa,
dos pés a cabeça
com o fogo dos teus
olhos você me acendeu
com toda certeza,
Só foi o pandeiro e o cavaco começarem a tocar,
Você me tirou para sambar
este bonito samba de mesa
que fez na vida a gente
nunca mais se desgrudar.
O Quilombo dançante
no Pagode de Amarantes,
E teus olhos brilhantes
mais do que diamantes
dançam com os meus;
O amor é o início,
o ritmo e o último destino
que nas estrelas foi escrito,
e a cada dia mais tenho
certeza de que você é meu.
Mergulhando profundamente
nos teus olhos e girando
ao som do Tambor de Crioula,
Iniciando um capítulo romântico
sem dizer uma palavra,
Eu recebo o seu amor
com toda a sedução devota,
Você está conhecendo pela primeira
vez na tua vida o quê é poesia,
caindo na minha graça
e se encontrando na minha folia.
Estarei sempre em tudo
e rumo ao que me pônha
diante da tua presença,
Nos teus olhos o poema
se encontra e no giro
desta Caninha Verde
o amor tomou conta,
E não há mais regresso
porque nós sabemos
o quê e como faremos.
De olhos fechados vejo
você colhendo flores
de um Manacá-da-Serra
cobrindo os meus cabelos
como se prepara para uma
festa e para tirar fotografias,
Uma foto você vai colocar
num lindo porta retrato
e outra você vai levar
como juramento apaixonado
na sua carteira pelo fato
do amor ter nos encontrado
e feito melhor os nossos dias.
Ainda sou aquela moça
do vestido vermelho
que pego carona o tempo
todo nos seus olhos,
instigando intrépida
a curiosidade no coração,
sigo no seu pensamento
e com expectativas povoando
a imaginação a todo momento.
Se eu pudesse comparar
os teus olhos compararia
com as Cerejas do Rio Grande,
Você me olha com delícia,
e me faz querer ser poesia.
Os teus olhos observando
os meus passos lembram
o voo do Sabiá-Laranjeira
ao redor do Chal-Chal,
E fazem sentir como se eu
fosse um poema sem igual.
Quando faltam respostas,
eu olhos para as estrelas,
Quando sobra a indiferença,
eu escrevo poemas,
Nenhum silêncio é sentença,
o quê mais vale nesta vida
é ouvir a percussão do Camboatá tocado solenemente pela ventania.
Olhos e língua com
cor de fogo verde,
mente amaldiçoada
e aura esverdeada,
Tem gente que vive
em estado de Minhocão
sem valer absolutamente nada.
Quando deixam
de te olhar nos olhos,
Quando deixam
de te emprestar os ouvidos,
Quando deixam
de falar inexplicavelmente contigo,
Quando absolutamente
nada conspira a seu favor,
Sempre será o livro que continuará
te fazendo companhia,
viajando, debaixo da chuva,
no meio da guerra
ou quando você se encontrar
absolutamente sozinho.
O livro ensina a ser e a não ser,
por isso escolha bem o seu livro
como quem escolhe o melhor amigo.
Os seus olhos brilharam
mais do que uma constelação
quando me viram
no meio desta multidão,
Você me convidou para dançar
o rasqueado cuiabano
para defender a tradição,
E lá nós dois fomos
rodopiando no meio do salão.
Os teus dias não têm sido
mais os mesmos,
Os teus olhos brilham
quando você ouve
o meu nome,
Por mim você está
a cada dia mais derretido
e anda muito mais romântico.
Eu sei que você quer
me convidar para dançar
na roda o Curitibano contigo,
no teu bolso sei que guarda
com amor um versinho,
e quando a minha cintura
você apertar não
vai querer outro abrigo.
