Olhar Vazio
O peso das coisas que não vieram
Há um espaço em mim
que não é vazio —
é cheio demais
de tudo o que não aconteceu
Um lugar onde a esperança dormia
e acordou sozinha,
sem motivo
sem futuro
Não sei mais em que parte do corpo
se guarda o que nunca se teve
mas eu guardo
como quem protege cinzas quentes
como quem segura vento nas mãos
Não foi uma perda
foi uma ausência
que chegou tarde demais
pra ser evitada
e cedo demais
pra ser entendida
e eu sigo
com esse silêncio barulhento
com essa dor sem nome
pedindo a mim mesma
pra sobreviver mais um dia
Vazio Dominical Comum
(CLARA COSTA) Cravejar o que
há de bom no que é difícil
Ser peregrino no que não se
tem coragem de tornar dito
Eu movo, eu morro, eu tento.
E por mais que tudo isso não lhe acalente
Lhe traz a insanidade real que é necessária
Tudo basta ao ponto que nada dói
E tudo precisa doer
E o todo precisa arranhar.
É preciso fincar as unhas no corpo e nas mãos
Para que assim se descame um ser
E nasça um outro, que seja um outro
alguém ou uma outra imagem
Subversa ao tão metódico ser humano igual
E rasgue a carne, mas estanque o aprendido.
Seja nu, seja real
Veja as gotas invisíveis da lágrima
que te tornará mais do que visível
aos olhos do olho que te assiste
em um cenário dominical tedioso
que reverbera o silêncio e o vazio.
Sou o vazio cheio
Sou o que não sou.
E sei-o.
Não cheguei a ser,
nem me esperei.
Mas trago em silêncio
um mundo inteiro —
os sonhos que não vivi,
os gestos que não fiz,
as palavras que ficaram por nascer.
Sou o vazio cheio
de tudo o que poderia ser.
E nisso, talvez,
seja mais do que nunca fui.
Quando o vazio que sentimos é resultado do afastamento da nossa essência e princípios, nada nem ninguém poderá nos preencher.
frustrado, perdido, vazio, tédio? Nada que um pouco de pressão não te coloque nos eixos. Uma pessoa livre deveria ocupar a mente com a pressão e alinhar com a vontade.
A mente é um mar imaginário onde você pode se perder, se encontrar e até mesmo se afogar no vazio das próprias incertezas e ilusões.
Aquele que busca o amor no dinheiro e na aparência encontrará apenas o vazio do efêmero. A verdadeira união nasce onde a alegria reside, no simples prazer de ver o outro feliz e, com isso, serem felizes juntos.
Fragmentos para um amor morto
Teu nome
ainda arranha
meu sono.
No prato vazio,
mastigo tua ausência
como pão duro.
Minha boca chama —
mas só responde
o silêncio.
Um lençol,
um cheiro,
uma falta.
Teu corpo foi,
mas tua sombra
não desaprende.
Grito teu nome
e ele volta
sem carne.
A noite me veste
com tua ausência:
lã fria,
sangue lento.
CHUVA
Numa tarde chuvosa,
Nasce o vazio que aflora.
O peito aperta,
A alma chora.
A vida perde a cor,
O sol deixou de brilhar.
A alegria da lugar a dor,
A tristeza toma conta do olhar.
Me pergunto o porque?
Me questiono o pra que?
Que sentido existe e sofrer?
O que eu fiz da vida para não ter prazer?
Onde esta a alegria?
Para onde foi a vida?
Não tenho respostas,
Não encontro solução.
Só me resta suportar,
Só me resta apreciar a solidão.
olhe onde estou
vê o vazio que agora sinto?
não, vazio não, o espaço está bem cheio
e eu sinto que estou chegando ao fundo
fica cada vez mais escuro aqui
seu orgulho está bem?
diga a ele que não será necessário mais esforço
ele já me empurrou o suficiente
não consigo nem mais enxergar a beira
(eu cheguei ao fundo)
O Colapso dos Muros da Alma: Uma Peregrinação ao Vazio
Quando os muros erguidos com o sangue da alma desmoronam, não há mais abrigo para os segredos entranhados na carne do ser.
Cada tijolo, moldado pelo sofrimento silencioso de anos, dissipa-se como fumaça ao vento, revelando a nudez crua de uma existência outrora protegida.
Exposto, o âmago do ser torna-se espetáculo: os olhares alheios, alguns compassivos, outros carregados de adagas morais, trespassam a dignidade,
transformando-a em teatro para a condenação ou a piedade.
A verdade, agora desvelada, escorre como um rio sem leito, arrastando consigo os segredos mais sombrios, aqueles que fermentaram nas sombras da alma.
Nesse palco de vulnerabilidade, o ser contempla o paradoxo da libertação:
a mesma verdade que o despoja de suas máscaras também o condena à solidão do julgamento alheio.
Resta-lhe, então, a quietude da inexistência, não como fuga, mas como ato último de soberania.
É o fim de um ciclo que começou na infância, quando o primeiro tijolo foi cimentado com lágrimas,
e o sofrimento tornou-se arquiteto involuntário.
A inexistência, aqui, não é derrota, mas epílogo de uma narrativa escrita em sangue e silêncio.
Bem-vinda, inexistência!!!
Não como abismo,
mas como repouso das perguntas não respondidas.
O ser, agora desintegrado, retorna à quietude primordial,
onde segredos e dores dissolvem-se no vazio que precede até mesmo a linguagem.
O vácuo quântico não está vazio; é o campo infinito onde todas as respostas dormem em silêncio, esperando serem observadas.
Um dia, aos prantos, escutei do vazio que me confortava que não era preciso o medo de chorar, pois chorar limpa a sua alma.
- Relacionados
- Frases de efeito que vão te fazer olhar para a vida de um novo jeito
- 87 frases de pensamento positivo para olhar o lado cheio do copo
- Frases sobre violência que ampliam o olhar e fortalecem opiniões
- Envelhecer: frases engraçadas para olhar o tempo com bom humor
- Olhar Horizonte
- Vazio
- Brilho no Olhar
