Oi tudo bem

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Enraizada de tal forma
na minha amada Pátria,
Que tudo de minh'alma
no próximo se replica,
Até o meu alcance revira
quando o Minhocuçu
dança e a terra respira,
em cada grão se apega,
e encontra o que inspira.

Emergir o lado monomaníaco
por celebrar com audácia tudo
o que traz para perto o erotismo.


Entre afagos e digitopressões
sensuais aliviando as tensões,
e escapar do mundo virado.


Porque a entrega é amazônica
onde convergem permanecer
e nesta doçura de estremecer.


Cobri-lo como se fosse uma
deidade com uma manta feita
de Seda de Miriti sob a Lua.


Deixar que o descanso ofereça
tudo o que não posso oferecer --
diante de ti não posso arrefecer.

De tudo o que é mais
íntimo e genuíno,
Que há alguma
surpresa no destino,
não mais duvido.


Tudo segue do jeito
que tem que ser,
E bem brasileiro
na onírica Caatinga,
que lições ensina.


O Juazeiro em vigília
saúda o Sol se pôr,
Para o Mandacaru
florescer cheio amor,
sem tempo a perder.


O amanhecer virá
com a cor do céu
do seu lindo olhar,
e com o Sol do seu
abraço acolhedor
que irá me dar
pleno e comovedor,
todo o seu calor -
digno de se emaranhar.

Não é pranto, é tudo
e mais um pouco,
o que a tua indiferença
não me permitiu falar,
É um cristal partido
no solo do tempo
que me fez meditar.


E agora jaz congelado
na mais plena forma,
que nem mesmo
o rio do teu remorso
jamais fará com
que eu volte atrás.


Dei milhões de passos
todos acrobáticos,
e fui para os braços
do giro do mundo,
certa que não vamos
mais nos encontrar;
Porque quem decidiu
não me escutar,
nunca irá me respeitar.

Dar espaço para tudo
melhorar entre nós,
onde eu e você tenhamos
sempre a nossa voz.


O mundo está em guerra,
nós não precisamos dela,
e nem que ela venha ser
puxada para a nossa terra.


Só quero que saiba que
floresce a Paineira Rosa,
os guarás sobrevoam,
e tudo sempre passa.


Fazer daqui um lugar
melhor é voto particular,
que cabe cada um levar
sem deixar se perturbar.

Do Pico do Montanhão
e por cada rincão
no Médio Vale do Itajaí,
Tudo por aqui brinca,
vem vestida de folia
e passear por Rodeio
para brindar a poesia
que ainda não li,
e sequer não escrevi.


Não me preocupo ser
lida ou esquecida,
O que importa é que
a poesia foi escrita;
Melhores sempre
serão os poetas que
virão depois de mim,
É por isso que escrevo
nos muros do tempo.


A vida com inspiração
e a cada nova ironia
pode ser lida no curso
do Rio Itajaí-Açu,
tal qual a convicção
de que a melhor poesia
nunca será a minha,
E sim principalmente
aquela que não escrevi.

A Lua Crescente sob Rodeio,
ao iluminar o objetivo intrínseco
de tudo o que se passa em nós,
da natureza e da realidade,
Com os teus raios ilumina
a memória inabalável de quem
protegeu a profundidade
do julgamento daqueles que
ignoraram a beleza de deixar-se
ser pássaro todo colorido
ao longo da travessia até
chegar no Médio Vale do Itajaí.


A Lua dos poetas infantes
e dos jovens que não desistiram,
depois de tudo o que passaram,
Com estes raios tocaram
os sentidos como se fossem
de uma harpa quebrando
o nosso silêncio citadino,
Os traços do Irredentismo
no jardim secreto continuam
mais vivos do que antes,
porque sabemos quem somos,
e da onde todos nós viemos.


O Romantismo do teu peito
para o meu tem escrito
poesia, músicas e feito ritos,
Sem emboras e sem medir
as consequências porque
o amor têm sibilado versos
de resistências e da possibilidade
de ser de correspondido,
Sem dizer uma palavra, falamos
o mesmo idioma, bem sabes disso.

Novo Horizonte


Como é lindo ver o Sol
nascer em Novo Horizonte,
E lembrar tudo o que fez
a gente na vida crescer,
Com a chegada dos alemães
e italianos pela rota
do amado Rio Grande do Sul,
A nossa cidade surgiu
em meio ao verde, canções
e devoção por Santa Lúcia.


Quando você chegar vou
te levar para ver de perto
o Salto do Rio Bonito,
Verás que Novo Horizonte
pode te surpreender
como destino escolhido,
Em noite de céu aberto
tocarás estrelas comigo.


O nosso lugar acolhedor
no Oeste de Santa Catarina,
Tem na mesa herança e sabor,
Por esta terra nós temos
muita gratidão e infinito amor.

A tez, o sangue e o perfume
são de Cattleya intermedia,
Do Sudeste ao Sul, tudo meu,
inclusive a visível poética.


Os tempos seus, na verdade,
são mais meus do que seus;
Não preciso de pressa porque
confio plenamente em Deus.


A preparação da travessia
do meu peito ao seu tem
algo de Via Láctea que ilumina,
e os olhos rejeitam perder a vista.


Quando você chegar não faço
nenhuma questão de ser forte,
Ou até mesmo ter razão absoluta;
para mim, o suficiente é ser sua.

Quando o ódio acampa,
não se esqueça que para tudo
sempre existe esperança.


Deus nos ergue das profundezas
e da condição aberrante
existencial de criatura,
creio n'Ele de maneira profunda.


Repudio existencialmente
a máxima literária que um dia
foi escrita por uma pluma sofrida:


"El corazón humano es un ángel caído".


Mary Shelley, lado a lado,
com a morte teve convívio,
e com ela escreveu o seu destino.

A noite não somente
no sentido subjetivo
no Hemisfério Austral,
agora parece destino.


Tudo em nós é indígena,
e absolutamente latino,
têm rumo e atravessa.
Os olhos não esquecem
nunca de olhar para o alto.


Meus olhos são teus olhos,
e os sonhos são os mesmos,
De pé e jamais de joelhos,
nós sabemos da onde viemos.


A tua alma é a alma da minha,
e a minh’alma é a tu’alma.
Seja em paz ou quando aflita,
o que é sobrenatural nos alia.


Sem olhar para cartilha,
sem fingir que nada afeta
e para deixar o alerta:
que as raízes doem com real motivo
onde e porque o povo sofrido
está sendo reprimido pelo despotismo.


Discreta lágrima sutil que desce
com o sabor do Salar de Uyuni.
Continental evidente tem
sido o tamanho do desajuste.


Não te vejo, sei que me vês,
sentimos muito por dentro.
E sem dizer uma palavra
plantamos um jardim inteiro
e em silêncio de maio,
em tempo de re(viver)
o legado de Roque Dalton.

Tudo ao seu redor te ensinou
a ser forte, não nego,
O que vi me fez enamorada,
aprecio e presto reverência
à cada nuance moldada
que há de me fazer abrigada.


Cada demonstração sua,
há de ser recompensada
com a minha vulnerabilidade,
O meu nome há de ser
trocado facilmente pelo seu
- e nos reconheceremos
totalmente liberdade,
nos queremos de verdade.


A potente sedução retomou
a ordem natural das polaridades,
Não nos rendemos ao comum,
somos o que somos:
amor, corpos e sonhos.


Transmutar-se para a cena
de cristais derretidos na caverna
rendidos à êxtase e aos delíquios
têm sido repassados na cabeça
como um roteiro de cinema,
desde a primeira vez que te vi
não consegui mais ser a mesma.

O está escrito o descanso jubiloso
na fortaleza do seu forte peito,
ser a tua fome e forma reino,
não nego que tem sido o meu desejo,
é algo que toda hora prevejo.


Em nós existe o encontro
do nossos hemisférios
além do inverno que se aproxima,
Como lianas, cipós e trepadeiras
em agarramento nos dosséis
das florestas da América do Sul,
com apetite de feras não há mais
nada na vida que nos renda, e preencha.

Quero tudo ao mesmo tempo
sincronicamente e sinfonicamente.
Por ambição requintada inspirar,
e dar os mais amorosos suspiros,
E, sobretudo, ler os versos contidos
nas linhas da tua íris misteriosa:
as tradições românticas dos povos.


Envolvida, o meu corpo inteiro
treme e a boca saliva como
se estivesse diante de uma vitrine de doces,
só de pensar na sua mão deslizando
serena e forte na minha cintura.


Tudo isso é mais do que o suficiente
para me enlouquecer o dia todo,
sobre aquilo que sou capaz de te orgulhar
em público e bagunçar quando
tivermos o nosso paraíso particular,
com um canteiro de sálvias escarlates,
para receber uma grinalda entrelaçada
pelas tuas mãos habilidosas quando
chegar a florada para me enfeitar.


Querer sentir que sou o território
do alfa ao ômega — a sua propriedade,
o seu melhor assunto e a sua liberdade;
Tudo o que excita, livra e fascina,
por ser a mais feminina, a mais viciante,
a mais segura e a mais alucinante.


Em cavalgação orientada, devagar,
quando sem testemunhas você se enredar
nos meus cabelos e a gente se encaixar,
do teu jeito favorito me reivindicar
com delicadeza, delícia e firmeza:
ninguém vai nos distrair ou segurar,
viveremos sob a lei da nossa natureza.

Cultivar com constância romântica
tudo o que une e é de elegância;
aprender a lidar, lado a lado,
com as senhas da pele e do charme;
ser laço e nó que ninguém desate.


Nas tuas mãos ser fogo para brincar,
aquecer o chá de mulungu
e o necessário o tempo nunca apagar;
nas tuas mãos entregar o poder
e deste gesto profundo me orgulhar.


Possuir a tua existência por dentro,
ser a existência cativa sem regresso
e sem pressa por reconhecimento,
do sussurro à mútua leitura ótica,
como falantes do idioma do encantamento.

Sem hora para começar e sem pensar,
todo o lugar será sempre o lugar,
porque pertencer foi escolhido como lar,
e nele encontrar razões para voar,
pousar, descansar e jamais pensar dele ir.

​O meu olhar de longe alcança
tudo o que você reserva.
És a minha diversão favorita
e o meu território de paz,
tudo o que faz a diferença
como ninguém na vida faz.


​O teu olhar de longe alcança
igual o que suscito,
como a tua principal distração favorita,
como teu porto seguro exclusivo
e todo cheio de poesia.


​Aguardo que assuma o controle
para que nós o percamos em nós,
porque o amor tem o nosso nome;
e a urgência é faminta da nossa fome.


Embora o Ipê-amarelo-da-mata
floresça em agosto, não somos diferentes:
em julho, como ele, começamos
a dar os primeiros sinais amáveis
ainda longe do litoral catarinense —
no que se tenta controlar e sente.

Da Mata Atlântica à Amazônia,
ter tudo e mais um pouco:
do coração e frutos de juçara,
que nasceu para alimentar,
e merece sempre ser preservada.


Juçara bonita e tão rara,
que além das gentes sustenta
tucanos, jacus, jacutingas,
e os versos deste poema.


Juçara esquecida e tão cara,
que além das gentes sustenta
sabiás, periquitos, maritacas,
e cujas folhas são capazes
de cobrir com beleza as casas.


Juçara magnífica e tão rara,
que além de alimentar as vistas,
sustenta macacos-prego, cotias,
esquilos, e que aos músicos
emprestara ritmo e inspiração
para mais de uma latina canção.


Da Mata Atlântica à Amazônia,
que alimenta mais do que sabemos,
e está deixando de existir para todos:
para os catetos, tatus, capivaras e antas,
e daqui a pouco até para as esperanças!


O interesse no futuro, percebi que não existe,
e pergunto sem resposta neste quase luto:
— Será que é de fato o que queremos?
Chegamos no ponto de vivemos ou vivemos.

Tudo e todos, sem ninguém sobressair uns aos outros, fazem parte da tapeçaria histórica e cultural de um país.

Tudo o que une o arquipélago
e o continente ao povo originário,
surgiu fortemente na mente,
Atacama, Chané, Charrúa e Chorote,
e vejo que vir a encontrar
os teus olhos não é questão de sorte.


Tudo o que une o continente
e o arquipélago ao povo originário,
trago comigo simplesmente,
Chulupí, Comechingón, Diaguita e Guaraní,
não nego que te admiro desde
o primeiro dia que eu te vi.


Tudo em mim tem a cor de Ceibo
que do continente mira o arquipélago,
e com um poemário e profundo jeito,
Huarpe, Kolla, Lule, Mbyá Guaraní,
e esperar o que há para ser revelado,
todo o dia é mais um que resisti.


Na ventania e no curso do rio
que encontra o mar há algo
que entre nós está para surgir,
Ao escutar canções e sentir algo
Mocoví, Ocloya, Pampa e Pehuenche,
em revelação no sul do sul continente.


Do arquipélago, do continente,
do rio e o encontro com o mar,
Tudo nos leva a nos encontrar,
porque temos a urgência de amar;
Pilagá, Quechua, Ranquel e Sanavirón,
sabemos as rotas para os encontrar.


Seja na terra, na água ou no ar,
está escrito no Hemisfério Austral
que o que há de mais romântico há de brindar;
Selk'nam, Tapiete, Mapuche e Tehuelche,
Nada deles a gente nem por
um instante a gente não esquece.


Não é hoje que tenho escrito
que a gente se combina e se merece;
Não há nada que desvie o destino
quando conhece da raiz até o caminho
em cantos de Toba, Tonocoté, Vilela e Wichí,
não me importo com quem duvide
ou pensa que o céu é o limite,
ou pense que a história acabou ou esqueci.

Tudo o que deve ser feito para impedir a radicalização deve ser feito na surdina. Radicais gostam de visibilidade para montar um triplex nas cabeças vazias.

Eu não preciso ter razão em nada, mas gosto de aprender tudo o que me é proporcionado.