Oi tudo bem
JUNÇÃO DE ALMAS
(A sinfonia silenciosa da neurodivergência e do encontro)
Tudo o que é expresso através de gestos, olhares e palavras — entre presságios e enredos — vem sempre à tona em mim. Vou decifrando, no âmago de minha alma, os enigmas da vida: esses mistérios e segredos que instintivamente reconheço em ti e que se fundem em nós.
Encontrando, às vezes, a calmaria; em outras, tentamos organizar o quebra-cabeça que nos surge ao nos fundirmos no caos do mundo. Vamos decifrando que as diferenças são, na verdade, a nossa mais singela e telepática conexão.
E vamos caminhando de mãos dadas: uma hora tocando o céu, outra hora tocando o chão...
Lu Lena / 2026
NADA É ABSOLUTO
(Tudo é transformação)
A vida nos desafia, constantemente, a aceitar a transitoriedade. Quaisquer que sejam as circunstâncias, cabe a nós a responsabilidade pelas nossas interpretações do mundo. É preciso silenciar a busca por certezas definitivas — que, muitas vezes, não virão — em favor de uma existência em constante transformação. A intenção reside no fluxo, na coragem de mudar e na liberdade de ser novo a cada dia.
Nesse caminho, avistamos duas setas: uma aponta para a Vida, a outra para a Frente. Decifrar esse enigma da bifurcação é o grande desafio que confunde nossa mente, pois o compromisso com o destino é, inegavelmente, seguir adiante. Viver o aqui e o agora é a certeza da evolução da alma; é refletir sobre o espaço que ocupamos neste tempo oscilante, feito de erros, acertos e virtudes. Afinal, se não ficarmos atentos, a vida passa num instante.
Lu Lena / 2026
"Nem tudo na vida podemos ter: ou você escolhe ou vira escolha. E escolhas ficam na lembrança, e lembrança no passado."
A melhor faxineira que existe é o tempo: varre toda a sujeira, tira pó, limpa tudo, organiza gavetas, o que não serve mais joga fora e deixa a casa toda arrumada.
todo dia você faz
tudo pela última vez —
e o que se repete
é uma prorrogação que
a vida te concede.
Somos feitos de tudo: do que quebra, do que sustenta, do que molha e do que escorre. Andamos no tempo. Quem envia e quem recebe. Tudo que soltamos ao vento retorna. Somos a imagem do espelho e o que existe depois dela. Chegada e partida. O inteiro e o vazio. Fazemos planos, sonhamos, plantamos ideias. Puros no começo, vivendo num mundo cheio de regras. Podemos ser doces ou amargos – no momento certo.
Às vezes assustamos, às vezes abraçamos. Nos encontrar por dentro é o segredo. Se olhar com calma é a estrada. Enxergar longe é o que falta. Cuidar do outro e saber que ele sente como a gente é o que importa. Ninguém está acima. No final, viramos pó. Nem sempre firmes. Nem sempre limpos.
O que vale é buscar, se olhar por dentro e sentir que a Vida é um presente.
Garota diferente, que não se parece com nenhuma outra. Garota que sente tudo com intensidade, que tem um coração que domina ela por completo e um jeito teimoso que faz ela só viver o que realmente arde por dentro. Ela se perde de si, se despedaça, mas sempre dá um jeito de sair dessas bagunças dançando solta, com uma leveza que atravessa o peito… Garota estranha que me pega inteiro, que me queima por dentro e me faz amar ela mais a cada batida, a cada suspiro, a cada noite...
Você não precisará me cobrar nada, porque tudo o que eu entrego vem do sentimento. Eu não sei ser de outro jeito, não sei fazer por que preciso, só faço porque eu quero e só quero porque aquela pessoa agora faz parte da minha vida, a dor dela é minha dor, as alegrias dela também me fazem felizes.
A arte está presente em tudo, até nas formas mais simples de viver.
Há quem a valorize todos os dias, enquanto outros se apropriam dela sem conhecê-la, sem entendê-la por inteiro. Enriquecem suas vidas explorando o “menor abandonado”, aquele que encontrou na arte o único refúgio para sobreviver e mesmo assim, pouco se fala do verdadeiro valor da arte.
Aceitamos qualquer preço por não reconhecer isso.
Se tudo o que envolve a arte fosse realmente valorizado, muitos artistas teriam morrido ricos com capital financeiro e não apenas lembrados depois de morrer.
Enfim, seguimos “vivendo da arte”…
— Mara Ferly
De tudo não sei nada
Tenho apreço pela mais desimportantes
das palavras
E sobre as grandezas do nada eu quero
saber tudo
Que mania é essa que as pessoas têm de usarem verbo no infinitivo (?)
Talvez, só talvez, prefiram a brevidade do que o infinito.
Às vezes, tudo o que você precisa é parar um instante, sentir o chão sob os pés e lembrar que o tempo também trabalha a favor de quem não desiste.
"Antes de comemorar a venda, calcule o lucro! Dinheiro que entra não é tudo seu: uma parte paga o que gastou, o lucro é o que fica no seu bolso no final." 💸🧠
Tudo que é belo atrai o poeta, assim todas as mulheres lhe fascinam, contudo, apenas a musa lhe completa, a sua noção errônea de completude.
Sem vinho, provavelmente não haveria humanidade.... Eis tudo o que é a vida: Amor, prazer e amizade. ”
ELA FINGIA
Ela fingia entender tudo o que eu dizia.
Ela fingia saber o que não sabia,
enquanto eu tentava explicar,
enquanto eu tentava explicar
o caos deste mundo,
a falta de amor,
a busca da paz,
o inferno e a dor.
Ela nada sabia de filosofia,
nem de poesia, de Pessoa ou Drummond.
Ela tampouco sabia de democracia,
ou de anarquia de Foucault a Proudhon.
Mas ela sempre aceitou minha fantasia.
Ela sequer perguntou sobre a minha ironia:
de me achar tão sabido
e o sentido da vida não ter entendido,
que, segundo ela, era viver
bem distraído,
que, segundo ela, era esquecer
o mal sofrido.
Diante da angústia e da constatação de que tudo acaba no niilismo — nome dado ao empenho de alcançar o vento —, o homem se depara com a finitude inevitável e não encontra sentido na busca por poder, dinheiro ou fama. Tudo o que se faz debaixo do sol é vaidade, competição para vencer o outro. No entanto, é apenas no outro, no convívio e na partilha com o semelhante, que se pode encontrar alguma razão ou sentido, aquilo que às vezes chamamos de felicidade.
Evan do Carmo
Tudo o que amei, amei sozinho. A solidão é o estado original da alma quando ela não negocia consigo mesma. É nesse espaço sem plateia que o amor existe inteiro, sem função, sem utilidade, sem promessa. Só somos nós quando estamos sós. O resto é adaptação ao olhar alheio, ruído social, sobrevivência simbólica.
Sou um completo desconhecido para os outros. O que chega até eles são fragmentos, gestos toleráveis, versões aceitáveis. O essencial não atravessa. A identidade real não circula, não se presta, não se oferece. Ela permanece recolhida, densa, silenciosa. A alma humana não se deixa tocar sem perder forma.
Minha canção nasce no silêncio. No silêncio onde se cria o absurdo. Onde o impossível se organiza. Onde a palavra não explica, apenas existe. No silêncio onde se esconde o medo. O silêncio sustenta aquilo que não pede tradução, aquilo que não aceita clareza.
Essa é a autópsia da alma humana. Amar sozinho. Pensar sozinho. Existir sem testemunha. Permanecer inteiro longe da compreensão. O que importa não se anuncia. Não se justifica. Não se resolve. Fica. Em silêncio.
