Obrigada pela noite
No silêncio desta
noite nos prevejo
no giro do carrousel
dos teus abraços
e adorando os seus
beijos no melado
doce dos teus lábios.
Na galáxia dos teus
olhos profundos
navego ao ponto
de perder horas a fio
nos teus castanhos
e sublimes mistérios
de nossos desidérios.
É a lembrança do
que não vivemos,
porém sentimos
como já nós nos
conhecêssemos,
e silenciosamente
nos pertencemos.
De maneira mística
a sua presença
e a ausência capto
como estivesse diante
das minhas vistas,
Não fazes nem idéia
de cada sonho que
venho embalando
e reinaugurando
o Ano Novo a todo
o romântico instante.
A verdade nós dois
sabemos o quê já
está escrito sobre
tudo aquilo que
nos faz a cada
dia mais unidos
e mais absolutos.
No Médio Vale do Itajaí
a chegada da noite,
A vontade paira livre,
o pensamento no Centro
da Cidade de Rodeio.
Reunida com a revoada
dos Quero-queros,
A tão romântica balada
e a poética embalada
emprestam asas
que retribuo silenciosa.
Porque nos leio e possuo
como quem aceita firme
o desígnio da primorosa
forma profunda e poderosa
de ser o destino aceito.
Ao Poeta da Aviação...
Numa noite sem igual,
tocando com as mãos
o Hemisfério Austral
na Praia do Campeche,
em Santa Catarina,
desejo estar na sua
tão doce companhia.
Relembrar quando
toquei o seu coração,
render homenagem
ao poeta da aviação,
e permitir que invada
sutilmente a sedução.
Ter a confirmação
ao olhar nos olhos,
e ler no teu sorriso
lindo entre os lábios
o verso tão sonhado:
“Só você terá
estrelas que sabem rir”,
Sem dar uma só palavra
fazer o instante festejado
pela fiel certeza do amor
de vez ter nos encontrado.
Anna Flávia Schmitt Wyse Baranski
Não existem músicas ou jazz
que me interessam mais
do que os sussurros de meia-noite
capazes de pacificar terras inteiras:
Sempre que saem da sua linda boca,
que esquentam a minha nuca fria,
e que me fazem absoluta e louca.
[Quem dera se verdade fosse,
mas é devaneio místico e poesia].
A noite não somente
no sentido subjetivo
no Hemisfério Austral,
agora parece destino.
Tudo em nós é indígena,
e absolutamente latino,
têm rumo e atravessa.
Os olhos não esquecem
nunca de olhar para o alto.
Meus olhos são teus olhos,
e os sonhos são os mesmos,
De pé e jamais de joelhos,
nós sabemos da onde viemos.
A tua alma é a alma da minha,
e a minh’alma é a tu’alma.
Seja em paz ou quando aflita,
o que é sobrenatural nos alia.
Sem olhar para cartilha,
sem fingir que nada afeta
e para deixar o alerta:
que as raízes doem com real motivo
onde e porque o povo sofrido
está sendo reprimido pelo despotismo.
Discreta lágrima sutil que desce
com o sabor do Salar de Uyuni.
Continental evidente tem
sido o tamanho do desajuste.
Não te vejo, sei que me vês,
sentimos muito por dentro.
E sem dizer uma palavra
plantamos um jardim inteiro
e em silêncio de maio,
em tempo de re(viver)
o legado de Roque Dalton.
Quem dera ser no seu céu
a sua Lua Cheia de Ano Novo,
À iluminar sua a noite escura,
e que sei que lhe foi imposta;
Enquanto não chega a aurora,
beijo-te com poesia amorosa,
onde até não me for possível.
(Em ti sei que há tempos existo).
Tão cedo voltaremos a ver luz solar,
só sei que a noite será longa,
e o Deus da Guerra acordou,
para dançar pelos hemisférios da Terra,
que até o Muricizeiro balançou;
Não sabemos a que horas tudo terminará
- ou se algum dia realmente terminará.
Agora, vem prá perto, me deixa ensinar
como se observa o céu a qualquer hora,
Não estamos em tempos de nos descuidar,
o desamparo que nos encontramos
só podemos contar é com o nosso olhar.
Não nego que o coração permanece
apaixonado mesmo depois deste tempo todo,
ansioso e obcecado para te pertencer,
para que leve sensualmente em sua mente,
e igualmente encantado no seu coração;
sou seu destino que não pode ser esquecido,
você virá em breve para caminharmos lado a lado.
Bastou uma noite ao seu lado e a felicidade estendeu-se em púrpura sobre a eternidade dos meus dias.
A escrita me encontra na noite, instante em que a melancolia se aproxima e se torna minha mais fiel companhia.
Noite fria, chuva martelando o telhado, vento que uiva nas copas. As ruas estão vazias, a cidade ilumina apenas o que é frio, que não tem vida, não vejo ninguém, como se a cidade tivesse recuado para dentro de si. Caminhar nessa chuva é rasgar-se por dentro, poucos têm estômago para esse abandono.
Perdi a esperança, reencontrei na manhã, a primeira luz trouxe novo ponto de apoio, até a noite mais longa se dobra ao sol, a esperança volta com cada amanhecer.
Há um eco que rasga a montanha, é o som do amor em busca. Nenhuma noite é tão densa que impeça a voz de chegar. O pastor caminha, cansado, mas a fé o guia, mansa, até que o pranto se cala no peito que volta a pulsar.
Mesmo na mais longa noite, o amanhecer não se esquece de nascer. O tempo da dor é apenas o intervalo da transformação. A alma, quando confia, floresce até sob o frio da espera.
A noite testa a coragem, a aurora revela o rosto da esperança. Onde a alma clama, nasce um caminho, ande, que há um propósito esperando.
A primeira luz trouxe a esperança escondida, a manhã devolveu o que a noite tentou levar, renascemos tantas vezes quanto amanhecemos, a luz é promessa de novo começo.
