O Valor do ser Humano Rubem Alves
Há dores que cortam mais fundo por virem de onde o coração se apoia. Ser interpretado e julgado por quem menos se espera é como uma traição sussurrada, um espinho cravado na carne da confiança. Imagine o peito aberto, vulnerável, oferecendo suas camadas mais íntimas a um amigo, um amor ou familiar – aqueles que juramos serem escudos invioláveis. E, de repente, os olhos deles se estreitam, reinterpretando palavras sinceras em veneno, ações puras em egoísmo. Não é o julgamento alheio que fere, mas o eco da decepção em quem nos conhece o suficiente para ferir com precisão.
Esse sentimento devora por dentro: uma náusea de dúvida, onde o "eu" se fragmenta em espelhos distorcidos. Por que eles, os guardiões da nossa essência, nos leem errado? Surge a solidão absoluta, o medo de se expor novamente, o peso de máscaras eternas. No entanto, nessa ferida, brota lição – a de que a verdadeira interpretação nasce do autoamor, não da validação externa. Ainda assim, a cicatriz lateja, lembrando: a maior dor é a de quem nos viu e escolheu não enxergar.
O RASCUNHO DO CRIADOR
(Para encontrar a essência no solo fértil do ser)
Mergulho dentro de mim mesma e fico submersa. É um mergulho vertical em busca do âmago da minha própria essência. Deixo que o sopro do destino me direcione para o caminho que o Criador rascunhou e soprou ao vento, desde que eu era semente plantada em solo fértil e germinei raiz, esperando a floração.
Lu Lena / 2026
“O desapego dos bens materiais não está necessariamente em não possuir, mas em não ser possuído por eles — e é isso que a conversão verdadeira começa a operar.”
O Estado de ser e os problemas do Ser
Agilson Cerqueira
Inebriar-se ou embriagar-se não é fugir — é um método.
Um experimento contra a tirania da inconsciência.
Pois existir, quando plenamente percebido, não é um dado — é um privilégio.
A lucidez não ilumina: ela expõe.
E o que ela expõe não é o mundo, mas a impossibilidade de habitá-lo sem fissuras.
Há, portanto, uma tensão irreconciliável:
entre o esquecimento, que dissolve o ser, e a consciência, que o torna insuportavelmente nítido.
Não se trata de escolher entre dois estados, mas de reconhecer que ambos falham.
O esquecimento falha porque não sustenta.
A lucidez falha porque sustenta demais.
O sujeito, então, não é algo estável —
é um movimento de oscilação.
Um pêndulo sem centro.
Aquilo que se chama “eu” não passa de um intervalo entre percepções, uma tentativa precária de continuidade num fluxo que não admite permanência.
Conhecer-se torna-se impossível,
não por falta de profundidade,
mas por excesso de instabilidade.
O ser não é oculto — é inconsistente.
E talvez por isso o outro se torne intolerável: não por diferença, mas por revelar que também ele sustenta, com igual fragilidade,
a ficção de existir.
Recusar-se a ser o outro
é, no fundo, recusar a evidência
de que não há saída fora dessa condição.
Ser é estar preso numa estrutura sem fundamento, onde o instante é tudo o que há — e, ainda assim, não se sustenta.
O agora não é presença: é ruptura contínua.
Assim, as palavras “loucura e lucidez”
perdem o sentido.
Porque ambas partem do mesmo erro:
acreditar que há um estado correto do ser.
Não há.
O que existe é apenas a consciência
tentando justificar o fato bruto de estar aqui.
Sem motivo.
Sem centro.
Sem garantia.
E talvez o pensamento mais radical
não seja compreender isso
— mas continuar, mesmo assim.
"Ser luz não é brilhar o tempo todo,
é ter a coragem de acender a própria chama
mesmo quando o vento sopra forte.
Você é a prova de que a beleza pode florescer em qualquer solo."
--------------------------- Eliana Angel Wolf
Torna-se digno de ser ouvido o homem que, depois de anos vivendo o que pensa, fala com a autoridade das próprias ações.
Viver com substância é ser autêntico, alinhar escolhas aos próprios valores e produzir força suficiente para também servir aos outros. A busca cega por satisfação pessoal empobrece a alma; a verdadeira vida pede congruência com o universo.
O invejoso se torna coadjuvante na vida alheia; onde há inveja, a vida do outro deixa de ser apenas do outro.
