O Valor do ser Humano Rubem Alves
O Fractal
Observando na profundidade do “Angström”.
A ínfima parte do milímetro divide o espaço ao ponto máximo de definição.
Ser o mínimo e constituir o máximo na evolução.
Montar o todo e não desprezar o ponto.
Um ponto padrão no seio da mesma repetição.
O universo infindável,
Muito ou pouco decifrável.
Contudo feliz de ser o que quis.
Quero ver e aprender a geometria do crescer.
Crescer orgânico e real de ser um animal.
Faxina
Roteiro não é rotina.
É necessário faxinar a alma,
Limpar o esqueleto com lustra móvel
Esfregar o músculo ósseo com amoníaco,
Desentupir as veias e artérias com cloro puro.
Limpar, faxinar e fazer brilhar;
Valor humano em cada olhar.
SERÁ?
Será que o mioma se traduz em mim? Será que meu saber remete ao aliciamento de postura? O que será que será? Será e não é, é e não foi, foi e não será nada do que almeja ser. É e não se detém no presente. Foi e não se encontra no passado. Será e não se visualiza no futuro. Só tem consciência de pertencer, exclusivamente, ao seu livre-arbítrio, equivocado ou não. É senhor de todas as suas mazelas. Responde exclusivamente ao seu querer. Mesmo assim, é mais tentado que todas as pessoas conhecidas, também é menos cobrado do que todos conhecidos e, por fim, tem mais agrados que todos que consigo se comunicam. Sua renúncia é mais comprada que muitas abnegações conhecidas.
O será se converte em ser. O ser se conforma em atender. Atende aos desejos próximos com o intuito de responder aos agrados, e confortos, de quem se sente melhor trocando informação contigo. Não que se tenha informação privilegiada, apenas por possuir conhecimento sobre os vários estados de consciência. Estudar e querer entender os inúmeros estados de pensar o mundo. Por mais que nunca se entenda o raciocínio vigente,
aquele que se dispõe a estudar o pensamento geral da humanidade contemporânea, sofre os efeitos desestabilizadores remetentes ao vínculo material de existência.
Um desabafo mal fundamentado, por falta de parâmetros reais, conduz o ser diferente ao renunciar vago das ações. É a desculpa precária por seu viver autômato recheado de iniquidade e fundamentado na omissão pacífica de agir sobre o próximo. É corrompido pela facilidade extrema de se obter o alienador de mente. É alienado por todos os lados de seu existir, envaidece sua conduta com elogios em seu existir solidário, embriagam sua postura com exigências de sua presença, compram sua companhia com o fim de se denominar sábio e inteligente. O status financeiro não satisfaz as suas necessidades intelectuais, por mais grana que possua, almeja possuir o conhecimento social que só se adquire com o gosto pela cultura. Não quer o ofício de buscar a cultura, prefere comprar o conhecimento cultural oferecido por aquele que o adquire involuntariamente, e que se diz valioso ao saber comum do senso comum.
Como aprendizado para o ser que se vende, e considera-se importante para pesquisar a vida, fica a lição do tão suscetível se tornou. Virou um joguete na mão de quem o acompanha, e o nutre, em suas reflexões exclusivas. Criou-se uma dependência da vaidade, alimentada pelo prestígio sem compromisso de quem convive com o possuidor da cultura, preenchendo o vazio de nada possuir no material com a ilusão de ser útil ao leigo afortunado. Um iludir de valor que corrompe o agir de quem pode muito oferecer ao outro.
Desejos fomentados no domínio do pensar, tornando-o prepotente orador que a si deseja exaltar.
O que será que salva? O ser em tamanha corrupção. Será sua palavra? Ou sua erudição? Será sua postura? Ou será sua educação? Será salvo por sua ingenuidade? Ou sua boa intenção? Será que se impõe? Ou será que se corrompe? O que será que faça, sempre terá uma calma, de ser o único que é, sem nunca mal a ninguém querer, de ser o único que é, sem nunca parar de descrever. Será que está salvo por tanto escrever? Só o tempo irá dizer.
Vem comigo
Vem comigo, vem comigo e vem comigo.
Não siga meu caminho e não ouça o que digo.
Não vou e nem sigo, mergulho.
Imerso no ambiente inebriado, quase ou pouco,
Um tanto sufocado.
Sufocado pelo excesso de ar puro.
Inebriado de tantas vantagens.
Poucos progressos e muitas qualidades.
Desculpe não ser,
Muito menos não ter,
Nem querer poder,
Involuntariamente acontecer.
Agradecer todo amanhecer.
Cantar com o galo
O raiar sagrado.
De ser o que sou
E ir aonde vou.
Vou por saber que volto,
Volto por possuir valor,
Valorizo a livre ação
Vinda da mais pura intenção.
Intenta o igual no comparar,
Compara a diferença
Com o equivalente alheio,
Alheio ser de valores humanos,
Humano que não quer união
Nos direitos do coração.
Acima há a razão,
Ao lado o irmão,
Na frente o tempo,
Atrás a sensação,
Abaixo só reflexão.
Pensamento e ação.
Sempre reto no torto possuir,
Confio e não confio em mim,
Sou o que sou assim,
Por acreditar não ter fim.
Não visualiza o infinito,
Não modela o eterno,
Vai sempre na confiança
De sua inabalável esperança.
No devido lugar
Estando no seu devido lugar,
Devido ao adquirido por querer estar ali,
Querido por se sentir bem estando aqui,
Sentido realizado em estar aonde está.
Saindo ou entrando, segue realizando,
Realiza e cumpre seu devir indefinido,
Muito gesto e pouco escrito,
Pouco feito e muito dito.
Sempre esteve onde está,
Volta sempre ao mesmo lugar,
Circulando no espaço fechado
Que a cerca fincou.
Um lugar em que consegue trafegar
Com a liberdade de conquista
Por uma conduta adquirida.
Tem, teve e quer sempre ter,
A autonomia de ser o que quis e quer ser,
Vitória no realizar de sua ação
Adquirida por sua intenção.
Vai, vai e vai meu irmão,
Extrai ao Máximo a sua dimensão,
Sempre agradeça sua altura,
Defenda sua largura,
E estude sua profundidade.
Dentro de sua demarcação,
Permita somente que impere
A paz, a tolerância, a solidariedade,
A entrega e a piedade.
Muito amor.
Esteja onde for.
Sem dar valor ao tamanho da propriedade,
Dê sempre ênfase ao existir da reciprocidade,
Derrube a divergência no existir das vontades,
Intermedeie os conflitos através do motivo que o faz existir.
É simples assim,
O difícil é aceitar o espaço que lhe coube,
Acatar o quê lhe fez assim,
Entender o quê é melhor,
Sem permitir que a vaidade sucumba no seu sentir.
Abandonar a vaidade,
O orgulho transformar em amor.
Ao que possui,
O fracasso que atribui ao alheio
Convertê-lo em cheio,
Transformar a culpa,
Que vem de dentro ou de fora,
Em uma mudança de hábito agora.
No curso da vida, plantamos videira, na intenção de colher uvas saudáveis, é cedo ou tarde vamos colher frutos conforme o jeito que tratamos a planta.
A verdadeira felicidade nos coloca num estado de plenitude e paz que independe das pessoas, lugares, fatos ou circunstâncias!
Que em meio a correria do dia a dia não nos falte tempo para as pessoas e os momentos que são raros, caros e realmente importam!
O que ampara as crenças mais arraigadas das pessoas é realmente algo passível de criterioso estudo, investigação, compreensão e entendimento!
Não sabemos a força que move uma pessoa ao decidir perseguir um objetivo, muito menos o preço que se dispõe a pagar para atingi-lo!
Não existe um padrão que permita assistir as necessidades alheias nem do ponto de vista da essencialidade muito menos da fundamentalidade. Talvez por isso mesmo, seja tão difícil entender e atender com assertividade as necessidades alheias!
Temos o livre arbítrio da escolha e por isso devemos carregar sem parcimônia o peso de suas consequências!
Apesar de algumas crenças parecerem limitadoras, elas podem nos direcionar para um arsenal de potencialidades!
