O Valor do ser Humano Rubem Alves
Todo espírito preocupado com o futuro é infeliz. O mais corriqueiro dos erros humanos é o futuro. Ele falseia a nossa imaginação, ainda que ignoremos totalmente onde nos leva. Quando pensamos no futuro, nunca estamos em nós. Estamos sempre além.
O medo, o desejo, a esperança jogam-nos sempre para o futuro, sonegando-nos o sentimento e o exame do que é, para distrair-nos com o que será, embora o tempo passe e já não sejamos mais.
Você pode espelhar alguém pelo seu caráter, sua personalidade... mas nunca será o reflexo do que representa a perfeição, nem encontrará em ninguém tamanha qualidade, pois somos sujeitos a falhas. Tenha maturidade o suficiente para absorver o que há de bom nas pessoas e compreender que você pode transparecer resquícios de erros pessoais os quais não não conseguiu enxergar em si mesmo, mas que é visível aos olhos alheios.
Só por hoje não estou... empoderado!
Só por hoje não tenho nenhum... pertencimento!
Só por hoje continuo não acreditando em governos!
Só por hoje, e desde sempre, eu não acredito em salvadores de pátrias e almas- são embusteiros!
Só por hoje não acredito em absolutismos- científicos, religiosos ou ideológicos!
Só por hoje continuo acreditando que só o questionamento e a dúvida são a base do saber e da liberdade!
Só por hoje tenho a certeza que o único estado que conduz à liberdade é o de homens cujo estado de espírito é livre e contestador!
Na pratica não e tão fácil assim, mas amar é necessário... A humanidade precisa se humanizar. Errar é humano, amar também.
Como seres humanos, devemos nos permitir sonhar, mesmo que nossos objetivos pareçam distantes. Toda grande meta dá um sentido à nossa vida e nos faz desfrutar do caminho, que em geral é mais agradável que o próprio objetivo.
Devemos sempre nos lembrar de que as tecnologias que tornaram os meta-humanos viáveis foram originalmente inventadas por humanos, e eles não eram mais inteligentes que nós.
Os muros não impedem que as armas saiam dos Estados Unidos, para causar destruição entre os países vizinhos...
Em qualquer tipo de organização nenhum capital humano é novo demais que não possa aprender ou velho demais que não possa se adaptar.
Violência gera mais violência, então tenha consciência.
Abuso infantil, maus-tratos a animais, como o ser humano pode ser capaz?
DITO POPULAR: Errar é humano!
Não se pode dar tal desculpa para continuar fazendo as mesmas coisas que "agridem" a Deus e ao nosso próximo, nos reduzindo a nada e retirando a nossa alegria de vencer.
Entre eus e espelhos
Sou mil, sou um, sou tantos em mim,
um reflexo que muda, começo sem fim.
Na dança da vida, me moldo e me faço,
sou brisa que pensa, sou fogo e sou laço.
Nos olhos do mundo, busquei direção,
mas foi no silêncio que ouvi meu coração.
Entre luz e sombra, me vi verdadeiro,
um gênio sensível, um ser passageiro.
O amor que carrego, às vezes me dói,
mas pulsa tão forte, que nada destrói.
Sou criança, sou velho, sou puro e complexo,
sou o erro e a cura, sou verso sem nexo.
Não há “eu” maior, nem “eu” menor,
só versões que dançam no tempo sem dor.
E se tudo é mudança, sou rio e sou fonte,
caminho incansável que segue seu monte.
E ao fim deste voo em palavras e ar,
descubro que o viver é apenas amar.
Que o mais belo do ser, no fundo, é sentir,
e o mais forte dos “eus” é o que escolhe existir.
Assim como a água que corre no rio, o coração humano também segue os seus instintos mais básicos.
(Hideo Kuze)
O Gondoleiro do Amor
Barcalora
Dama Negra
Teus olhos são negros, negros,
Como as noites sem luar...
São ardentes, são profundos,
Como o negrume do mar;
Sobre o barco dos amores,
Da vida boiando à flor,
Douram teus olhos a fronte
Do Gondoleiro do amor.
Tua voz é cavatina
Dos palácios de Sorrento,
Quando a praia beija a vaga,
Quando a vaga beija o vento.
E como em noites de Itália
Ama um canto o pescador,
Bebe a harmonia em teus cantos
O Gondoleiro do amor.
Teu sorriso é uma aurora
Que o horizonte enrubesceu,
— Rosa aberta com o biquinho
Das aves rubras do céu;
Nas tempestades da vida
Das rajadas no furor,
Foi-se a noite, tem auroras
O Gondoleiro do amor.
Teu seio é vaga dourada
Ao tíbio clarão da lua,
Que, ao murmúrio das volúpias,
Arqueja, palpita nua;
Como é doce, em pensamento,
Do teu colo no langor
Vogar, naufragar, perder-se
O Gondoleiro do amor!?
Teu amor na treva é — um astro,
No silêncio uma canção,
É brisa — nas calmarias,
É abrigo — no tufão;
Por isso eu te amo, querida,
Quer no prazer, quer na dor... Rosa!
Canto! Sombra! Estrela!
Do Gondoleiro do amor.
A diferença entre o casamento e o divórcio é que o casamento é a crucificação e o divórcio a ressurreição.
Saber usar a maré. — Para os fins do conhecimento é preciso saber usar a corrente interna que nos leva a uma coisa, e depois aquela que, após algum tempo, nos afasta da coisa.
Origem do cômico. — Quando se considera que por
centenas de milhares de anos o homem foi um animal
extremamente sujeito ao temor, e que qualquer coisa repentina ou
inesperada o fazia preparar-se para a luta, e talvez para a morte, e
que mesmo depois, nas relações sociais, toda a segurança
repousava sobre o esperado, sobre o tradicional no pensar e no
agir, então não deve nos surpreender que, diante de tudo o que seja
repentino e inesperado em palavras e ação, quando sobrevém sem
perigo ou dano, o homem se desafogue e passe ao oposto do
temor: o ser encolhido e trêmulo de medo se ergue e se expande —
o homem ri. A isso, a essa passagem da angústia momentânea à
alegria efêmera, chamamos de cômico. No fenômeno do trágico,
por outro lado, o homem passa rapidamente de uma grande e
duradoura alegria para um grande medo; mas, como entre os
mortais essa grande e duradoura alegria é muito mais rara que as
ocasiões de angústia, há no mundo muito mais comicidade do que
tragédia; rimos com muito mais freqüência do que ficamos
abalados.
A vida sempre coloca em nossa frente várias opções. A escolha é livre, mas, uma vez feita a opção, cessa nossa liberdade e somos forçados a recolher as consequências.
