O Valor do ser Humano Rubem Alves
O ser humano é o ser mais patético que existe.
nascer podre, procriar de forma podre, nascer um podre para gerar mais podridão.
Um ser humano pode ser rico mesmo sem ter dinheiro se tem ao seu lado pessoas que o amam; mas pode ser miserável ainda que milionário se a solidão é sua companheira.
A força, a inteligência e a espiritualidade são recursos natos do ser humano. O desafio é o equilíbrio destes recursos buscando a melhor adaptação que a natureza nos solicita para sobreviver de forma saudável o maior tempo possível.
Conversa. Um ato tão natural do ser humano, algo tão simples. Mas também um grande poder: o de criar desastres ou concertar coisas. Existem diversas formas de conversar e eu sempre me dei bem com a forma verbal mas... Tudo passou a ser tão fútil. Meninas da minha idade conversam sobre vestidos, festas, garotos. Meninos da minha idade conversam sobre futebol, jogos, ou sei lá o que. E, no meio termo, tem eu. Eu não gosto de conversar sobre vestidos ou meninos, eu gosto de conversar sobre coisas interessantes. Gosto de ter conversas que me façam refletir, tirar algum aprendizado ou novo ponto de vista daquele assunto. Tem se tornado cada vez mais difícil conversar na escola porque, por mais que eu tente, não consigo gostar de falar sobre vestidos ou festas, eu não consigo. E cansei de tentar. Cansei de ficar só ouvindo porque eu não tenho argumentos. Será que é tão difícil conversar sobre algo interessante? Não me leve a mal, eu amo uma fofoca, mas nada de novo acontece. É sempre a mesma coisa: fulana tá gostando de alguém, ciclano brigou com a mãe... São sempre as mesmas coisas, só muda a pessoa.
As conversas se tornaram vazias e eu já não sinto mais vontade de conversar sobre os mesmos assuntos todos os dias. Não da para conversar sobre o futuro, profissões, ou, até mesmo, flores?
Estou cansada de chegar na escola e falar sobre os mesmos assuntos. Não vou negar, eu sempre dou risada nas conversas mas, às vezes, o tipo de conversa que eu quero não é do tipo que faz rir.
Só quero que as pessoas comecem a conversar sobre coisas úteis, não fúteis.
Todo ser humano tem seu ponto de vista, uma pergunta feita a você que possa muda-lá, não é digna de ser vivida, olhe para dentro de você e peça perdão aos seus princípios.
Seguir tentando evoluir como ser humano num mundo onde você é julgado por um erro é uma atitude de grande resistência.
Punição.
É justo punir o ser humano por ser falho? Possivelmente. No entanto, essa é literalmente sua função, falhar, aprender e repetir. É algo cíclico, interpreto como a epistemologia de Sócrates, ironia e maiêutica. Perguntar, responder, repetir. Falhar, aprender, repetir. Ambas teorias são farinha do mesmo saco, embora disfarçadas como psicos diferentes, talvez como os liberais e conservadores na época de Dom Pedro II. Somos nós então capazes de julgar o outro ser humano? Sequer deveríamos ter esse direito? Somos mais falhos do que Crasso, mas ainda assim nos cremos mais capazes do que Júlio César. O ser humano erra, e provavelmente é isso que deu origem a palavra humano, mas ainda assim temos que pagar pelo nosso equívoco. A única pergunta é, qual é o preço justo a ser pago? E principalmente, quem define isso? Os outros seres humanos, cujo a essência também é falha? Ou serão os deuses, os quais ninguém sabe a veracidade da sua existência. “Você não tem vergonha do que fez? Olhe para si mesmo” gritam as massas. Afirmação errônea, óbvio, mas talvez este deva ser o real motivo da vergonha, olhamos demais para nós mesmos. O único motivo pelo qual não nós afogamos como Narciso, é porque aprendemos a nadar, não porque deixamos de contemplar excessivamente a nós mesmos. Um sábio amigo meu uma vez me disse “Num mundo de monstros, ninguém é vilão”, acredito nessa afirmação como acredito na existência da gravidade, formato geoide da terra e eficácia da vacina. O falho ser humano deve ser constantemente relembrado de que toda história tem três lados, o da vítima, do vilão, e a verdade. Caso contrário, estaremos eternamente condenados ao caos.
humano precisa deste ato acusatório, Ama ser detrator.
Adora o ofício religioso de fofocar.
O qual acredito também a grosso modo ser um paliativo, uma espécie de endorfina pra cura da dor ainda que momentânea.
O ser humano falha quando prejudica a outrem, e não tem a capacidade de reconhecer o próprio erro, e redimir-se, e pior, acredita ser a limpeza de Deus em sua vida, protegendo-o e livrando-o de todo mal. Santa hipocrisia. A virtude seria reconhecer as falhas, e corrigi-las. Errar é humano!
Aquele que expõe suas fraquezas não é um fraco.
E sim, um ser humano.
Não queira ser um super-herói.
Seja aquilo que você foi chamado pra ser... Uma pessoa.
