O teu Rosto poema
Não busque marcas do tempo no meu rosto,
Pois a alma de loba não sabe envelhecer.
Minha juventude é um fogo, um posto,
Onde a beleza e a força vêm florescer.
---- Eliana Angel Wolf
Sob a tempestade que açoita o rosto, ela não se curva;
é na chuva que sua força se faz melodia e oração.
Seu passo é firme, mesmo quando o mundo turva,
e cada gota que cai é testemunha de sua determinação.
-------- Eliana Angel Wolf
As Mãos que nos Plantaram
Nas marcas do seu rosto, a história da terra,
O suor que pingou onde a vida floresce.
Sua voz, uma moda de viola que encerra,
A dor do cansaço, a força que cresce.
Com mãos calejadas, plantou o sustento,
Do pão na mesa ao exemplo de herói.
Nos deu o abrigo, acalmou nosso vento,
E o amor que plantou, agora nos constrói.
Se antes o senhor guiava o caminho,
Na lida da roça, sob o sol a brilhar,
Hoje nos cabe ser o seu ninho,
Cuidar do seu passo, ser o seu descansar.
Não se preocupe, paizinho, estamos aqui,
Como raízes fiéis, segurando o seu chão.
Todo o amor que nos deu, guardamos em si,
Devolvendo em zelo, com o coração na mão.
Seus netos, seus filhos, o seu legado vivo,
Cantando baixinho o que aprendeu a ensinar.
Obrigada por tudo, por ser nosso motivo,
Agora é a nossa vez, pai, de te cuidar.
----------------- Eliana Angel Wolf
Fios loiros de cabelo invadindo o espaço do rosto
Dermatite no pescoço por uso de lâmina de barbear
No lado esquerdo barba regular e sinais no lado oposto
Marcas de experiência na base dos olhos, talvez de tanto brincar.
Quando criança sonhava em jogar
Mas achavam que eu deveria só estudar
Acabei não me tornando jogador, nem engenheiro
No fim das contas me tornei arteiro.
Beleza
A beleza não mora só no rosto pintado
Nem no jardim que o sol ilumina ao amanhecer
Ela vive no sorriso que desata o nó
Na mão estendida a quem precisa se encontrar
É no canto do pássaro na madrugada fria
Na textura da terra molhada de chuva
No silêncio que acalma a alma agitada
E na força que há em cada nova luta
A beleza é o gesto simples, sem demora
O olhar que entende sem precisar falar
É a cor do céu ao entardecer, que se embora
Mas deixa em nosso peito um brilho a brilhar
Raio que todos seduz
Rosto angelical
Olhar que a paz reluz
Presença do divino amor
Alma gêmea de Jesus.
Pequena caminhada
Que o anjo conduz
Na terra eternizada
Nessa passagem da luz
Giovana, Giovana, Giovana.
Guardinha ao longe apitando,
meus olhos te flertando,
que no teu rosto se perdeu...
Meu corpo cansado,
relaxando em seus braços,
outra vez anoiteceu!
Carta à minha alma gêmea
Ainda que eu não saiba teu nome, teu rosto vive em mim como um eco antigo. Há algo em mim que te reconhece, mesmo sem nunca ter te tocado.
Talvez sejamos feitos da mesma luz, do mesmo silêncio que dança entre as estrelas. Quando o mundo pesa, é tua lembrança que me alivia, como se tua existência me soprasse coragem.
Não te busco com pressa, porque sei que o tempo da alma é diferente. Mas quando nossos caminhos se cruzarem, não haverá dúvida — só um profundo “enfim”.
E se já nos encontramos, que essa carta te alcance como um sussurro, lembrando que o amor verdadeiro não precisa de provas — só de presença.
Com tudo que sou, com tudo que ainda serei, te espero com leveza, como quem espera a primavera.
Vestes da Alma
Na seda que cobre o rosto, não há disfarce — há revelação. A vestimenta não oculta, ela molda o espaço onde o olhar respira.
Os olhos, espelhos do invisível, falam com o ar, sem som, sem pressa. São letras desenhadas no vento, caligrafias da alma em movimento.
Em árabe, dançam como poeira dourada: العيون مرآة الروح — os olhos são espelho do espírito. Em hebraico, gravam luz no silêncio: העיניים מראה לנשמה — o olhar revela a essência. Em sânscrito, flutuam como mantras: नेत्राणां प्रधानं मानं — os olhos medem o coração.
E assim, entre véus e vozes, a alma se veste de mistério, mas nunca se esconde. Ela se mostra — nos olhos que sabem falar com o ar.
As luzes do picadeiro se apagaram,
O eco das risadas já sumiu.
As tintas que no rosto desenharam
A falsa alegria... o tempo esbofeteou e destruiu.
Diante do espelho borrado,
A máscara de outrora desabou.
O homem que vivia fantasiado
Olha o vazio que restou.
Havia um tempo em que bastava encostar o rosto na janela
e acreditar que o amanhã traria algo bonito.
O coração era pequeno, mas cheio de fé.
A gente esperava o inesperado,
ouvia o sussurro dos ventos,
e sorria, mesmo sem saber o motivo.
Porque, no fundo, a alma já sabia:
tudo o que é verdadeiro chega no seu tempo.
— Edna de Andrade
O Rosto e o Rastro
O olho avista o traço, a curva, a cor,
E apressado o peito chama de amor.
Mas o que brilha na luz do meio-dia
É apenas o eco de uma fantasia.
Pois o rosto é o porto, a fachada, o cais,
O amor, porém, habita em águas mais profundas e reais.
Não se ama o brilho que a retina consome,
Mas o peso do silêncio e o jeito que ela diz seu nome.
É preciso o cansaço, o riso sem jeito,
Conhecer o defeito que mora no peito.
Só quando a máscara o tempo desfaz,
É que o "gostar" descobre do que o "amar" é capaz.
A beleza atrai, convida e seduz,
Mas só o que é alma sustenta a luz.
Se o rosto é o livro que a gente folheia,
O amor é a história que o sangue semeia.
A Porta e o Altar
O rosto é a porta que a vista franqueia,
Mas o amor só acende onde a alma ceia.
A moldura é de vidro, o espelho é de luz,
Mas o que me prende é o que em ti me conduz.
Não se ama o brilho que o tempo consome,
Mas o rastro de vida que mora em seu nome.
O Rosto da Fé
Um relâmpago atravessa minha mente, e meus pensamentos tornam-se mais claros. Minhas mãos tremem enquanto ergo os olhos para o céu.
O rosto da fé em um mundo sem fé.
Acredito que, no amanhã, muitos desejarão que as mentiras sejam aceitas como verdades e que as verdades sejam banidas.
Por um breve instante, fiquei pensativa. Apenas uma interrogação perdida entre o meu tempo e o meu espaço.
Mas a dúvida me alcançou:
E se o invisível se tornar visível aos nossos olhos?
Será que entraremos, então, em um novo ciclo: um mundo sem fé, mas com o rosto da fé?
Estaremos realmente preparados para mudanças tão radicais?
Uma interrogação perdida, pairando na noite, faz nascer em mim a certeza de que a fé pode ser o nosso último recurso diante de uma fatalidade emocional.
Questionaram a minha fé.
Minha fé?
Ela é somente minha.
Mas torço pela sua.
O olhar dela anda comigo dia e noite,
sem eu vê-la,
sem eu conhecê-la.
Não tem rosto completo,
não tem história contada,
mas pesa como quem ficou.
É presença sem encontro,
companhia muda,
sombra que não larga.
Ela caminha nos meus passos,
vigia meus silêncios,
habita o que não aconteceu.
E mesmo sem ter existido de fato,
ela existe em mim.
Hoje o vento trouxe o cheiro do tempo
e bateu no rosto sem aviso.
Tinha gosto de estrada,
de coisa vivida,
de lembrança que não vira saudade,
mas pede atenção.
Poema — Lua em Silêncio
Por Sariel Oliveira
A lua me conhece
mais do que qualquer rosto
que já tentou me decifrar.
Ela viu meus silêncios
sentados na calçada da madrugada,
viu minhas guerras escondidas
atrás de um sorriso cansado.
Enquanto o mundo dormia,
eu conversava com o céu
como quem procura abrigo
em algo que nunca responde…
mas também nunca vai embora.
Há noites em que a lua
parece carregar minhas dores
penduradas em sua luz fraca.
E eu fico olhando,
tentando entender
como algo tão distante
consegue morar tão perto de mim.
Talvez algumas almas
não nasceram para o barulho.
Talvez fomos feitos
para existir em fases,
como a lua.
Às vezes completos.
Às vezes partidos.
Às vezes escondidos do mundo
tentando sobreviver no escuro.
E mesmo assim…
continuamos brilhando.
— Sariel Oliveira
Há momentos em que a vida coloca diante de nós um espelho invisível. Nele não vemos o rosto, mas as escolhas que evitamos fazer. A maioria das pessoas acredita que o destino é moldado pelo acaso, pela sorte ou pela vontade de forças externas. O verdadeiro cárcere do homem não está no mundo, mas na inconsciência que paralisa sua vontade.
A luz que revela aquilo que fomos condicionados a ignorar. E quando a consciência desperta, nasce também a responsabilidade. Não existe evolução sem decisão. Cada escolha é um portal: ou expandimos nossa essência ou fortalecemos as correntes que nos mantêm presos ao medo, à procrastinação e à ilusão do conforto.
Muitos desejam transformação, mas poucos aceitam a disciplina necessária para atravessar o próprio abismo interior. Constância não é motivação passageira. É continuar mesmo quando a mente cria desculpas, mesmo quando o mundo silencia os teus esforços e ninguém reconhece tua batalha. O iniciado compreende que fazer o que precisa ser feito é um ato sagrado de domínio sobre si mesmo.
O caos interno sempre tentará convencer-te a desistir. Mas aquele que governa a própria mente deixa de ser escravo das circunstâncias. A verdadeira iluminação não acontece apenas ao compreender grandes mistérios, mas ao agir diariamente em direção àquilo que a alma sabe que deve se tornar.
A culpa escorreu pelo rosto do rapaz, que soluçava perante seu maior pecado.
(do conto A Boca do Coiote, livro: Entre um Café e as Palavras que Dançam)
O SEU ROSTO É A EXPRESSÃO DE UM LINDO DIA. By Harley Kernner
É impossível ver um dia tão belo e não sorrir…
É inevitável encontrar uma rosa e não lembrar do amor…
Mas o que realmente me desafia
é olhar para você e conseguir calar o que o meu coração diz!
Você e a rosa têm o mesmo encanto,
lindos como o próprio amor,
são perfumes suaves que conquistam corações,
trazem luz, alegria e inspiração a este seu amigo poeta.
Sinto-me tão feliz ao ver o seu sorriso,
ao conhecer esse seu jeito doce, meigo e único de ser.
Você e a rosa são igualmente belas,
mas há uma diferença que o tempo não pode apagar:
a rosa desabrocha, encanta, e logo com o tempo desvanece…
Você, porém, permanece e será para sempre eterna,
pois carrega a presença de Cristo dentro do seu coração!
Harley Kernner.
Arquitetura de: Poesias e Crônicas.
