O Tempo Passa e a Gente nem Percebe

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O tempo propício chegou


de um mostrar o quanto um


pelo outro sempre esperou;


e nada nos dessacralizou.






Por adoração e magnetismo


viramos o magnífico vício


de escrevermos o destino:


o calendário não ultrapassou.






Não há um só dia que não


tenhamos vivido: porque


pelas estações nós sentimos.






E sentindo: ipês seguimos.


Com o ritmo das estações


pelos caminhos floridos.

Quando se é por muito tempo invisível,
e só te põem no último lugar seja lá
qual for o motivo o melhor é não se iludir;
És o teu magnífico caminho a seguir,
não perca tempo com o que tende a se esvair.


Você não tem o dever de distrair o tédio,
de ser para o emocional o analgésico
ou de preencher o vazio de ninguém;
Não tenha dúvida que o melhor mesmo
é ficar na sua para o seu próprio bem.


Abra os seus olhos para a beleza e a delicadeza,
permitindo que a florada da Imbuia cubra
todo o seu caminho porque és em todas
as estações a sua melhor companhia;
Para que não perca por causa de quem quer
que seja a sua confiança e a sua alegria.


Esteja de prontidão para que o melhor da vida
te encontre de prontidão para viver o amor
de corpo, alma e coração com integridade;
Se proteja de verdade mesmo que na solitude
te coloquem contra a parede, que os anos passem
ou até que façam você que agora já é tarde.

Fazem guerra cognitiva
o tempo inteiro para minar
a convivência deixando
o tecido social retorcido,
Para não entrar neste circuito
escolhi a poesia como abrigo.

A busca pela coerência e pela coesão é algo que levo com disciplina e ao mesmo tempo sem encarar como carga, porque gosto de ler o mundo com clareza.

O teu coração com o meu
tocam em ritmo de Aléké
em tempo de Sumaúma
eflorescida bem na beirinha
do majestoso Rio Maroni,
nada teu não mais se esconde,
o meu beijo toca a tua fronte.


Tudo na cena nos coloca
sem nenhuma resistência
nos colocam em reverência,
e não se preocupar mais
com roteiros e decência
põe um nos braços do outro.


A noite vestida perfeita
com a cor dos negros da floresta
por nós acende em inteira festa
as estrelas para nos receber
com gala na Guiana Francesa,
sedutoramente a gente se corteja
com todo o intenso desejo
que pelos nossos poros flameja.


O toque do fim do mundo
ou próximo disso, não tememos.
Unidos pelo amor profundo
até o último passo dançaremos;
para do jeito mais absoluto
para o oceano de fogo, nascemos.

Não sei se havia
me visto antes,
Não tenho costume
de guardar datas,
Tem um bom tempo
que ele ocupa
o meu pensamento,
Ele é o mistério da década,
Talvez ele seja poeta
e nem tenha descoberto.


Quando o fez,
ele mexeu comigo,
não tenho dúvida
que ele tem algo de divino.

A memória não é uma qualquer,
sabe para quem ou não dar palco;
foi testemunha do tempo
de ateliês de portas abertas.


​Por ela ninguém foi esquecido:
a memória está íntegra,
sabe o que é ter subido e descido
o Morro de Santa Teresa
para pular Carnaval no bloco
no Largo das Neves.


​A memória sobreviveu,
e por dentro continua ainda mais viva
recordando que chegou a ir
sob chuva e fogo seja para ir na gira
ou para dançar Jongo
no quintal de uma casa desconhecida.

Quem o fez?
A pessoa mais inteligente
e mais controlada que conheci,
e ao mesmo tempo não
tenho ideia de quem seja.


Quando o fez?
No fundo nós dois
sabemos e silenciamos
algo que entre nós
ainda não explicamos.


Como o fez? Conversando,
causas e com humor ensinando,
em algum momento por razões
pessoais tive de me afastar,
não tive tempo de me desculpar,
e outras vezes por excesso
de sensibilidade e deixamos de nos falar.


Onde o fez? Melhor não contar,
deixar o amor por nós dois
crescentemente vir a falar.

Em tempo de céu fechado,
o Camboatá-vermelho
esplende sob o céu sisudo.
O corpo sente muito,
mas a alma forte resiste
e os lábios se entretêm
com a poesia que insiste.


Há um sentimento seguindo
o seu curso que não tem
nada a ver com o inverno;
embora envolto de mistério,
com um querer profundo
que tem crescido resoluto.


Tenho me preparado
para receber com o coração
o sentimento impoluto,
a embaladora convicção
de que não há mais viver
correndo do amor e da paixão.

A minha alma a tua beija
por tudo o que nos incendeia,
Onde em nós tudo passeia
em tempo de Apamate rosa
em plena eflorescência,
Deste continente austral
somos o encontro e a pertença
com arte e benquerência.


[Por tudo aquilo que põe
a rebeldia em efervescência.]

Procurar
frutas nativas
e encontrar,
O tempo pode
não voltar,
As florestas
estão a queimar.

Sempre é melhor ter alguma
direção do que nenhuma,
mesmo que peça tempo.
Assim sempre tem sido na vida,
e quando o assunto é sentimento.


A tempestade quando toca
na Palma-real jamais
diminui a beleza da memória.
O Rio Cauto canta
para não apagar a história
de Cuba, a minha e a tua.


Pátria ou morte até a última
consequência, assim ensinou
José Martí a resiliência.
No toque de Son cubano,
somos a famosa resistência.


Seguindo no ritmo que deu
origem à Salsa e a outros ritmos,
enquanto quem roeu a corda
nem nunca houve,
vamos criando à consciência,
porque quem quer viver
em liberdade precisa de paciência.

Colher nozes da moscadeira,
quando chegar o tempo.
Nadar no Rio Grande
do jeito que você sonhou.
Juntos, encontrar a foz
como ninguém encontrou.


Viver a música que você
algum dia adorou,
e nos deixar levar em ritmo
de Parang, num pique
que a gente não imaginou.


Tudo leva a crer que nos guiará
para onde coloca o coração
em totalmente disparada,
e será Granada de um jeito
que você nem mesmo imaginava.

Vamos repensar?

Sêneca — “Não é que tenhamos pouco tempo, é que perdemos muito.”

“A maior pobreza humana não é a falta de tempo, mas o desperdício da consciência. Muitos não vivem pouco; apenas passam muito tempo ausentes da própria vida.”

Carlos Eduardo Balcarse

“Tempo é vida”

O maior equívoco do ser humano é administrar o dinheiro como se fosse escasso e desperdiçar o tempo como se fosse infinito.

Tempo não é relógio. Tempo é vida. E a vida possui uma característica implacável: ninguém sabe quanto ainda lhe resta.

Planejamos os próximos anos, os próximos negócios, as próximas férias e a próxima conquista, enquanto ignoramos a única pergunta que jamais conseguiremos responder: quantos “próximos” ainda existem para nós?

O tempo é o único patrimônio distribuído de forma desigual sem que ninguém conheça o próprio saldo. Há quem possua décadas e parta amanhã; há quem tenha apenas um dia e transforme uma geração. A diferença nunca esteve na quantidade de tempo, mas na consciência com que ele foi vivido.

O homem moderno vende a própria vida em parcelas para comprar coisas que jamais conseguirão comprar de volta um único segundo daquilo que vendeu. Trabalha para ganhar dinheiro, perde tempo para ganhar dinheiro e, depois, gasta dinheiro tentando recuperar o tempo que perdeu. A conta nunca fecha, porque tempo não se negocia; apenas se consome.

A maior pobreza não é morrer sem dinheiro. É morrer sem ter vivido. É descobrir, tarde demais, que sobrevivemos aos dias, mas não habitamos nenhum deles.

Toda distração custa tempo. Todo tempo perdido custa vida. E toda vida desperdiçada cobra um preço que nem todo o dinheiro do mundo consegue pagar.

Talvez a pergunta mais importante da existência não seja “Quanto tempo eu tenho?”, porque essa resposta ninguém possui. A pergunta que realmente importa é: “O que estou fazendo com o tempo que ainda pode ser o último?”

No fim, a vida nunca será medida pelos anos que acumulamos, mas pela consciência com que ocupamos cada instante. Porque quem desperdiça tempo não está apenas perdendo horas; está gastando, sem perceber, a única riqueza que jamais poderá ser recuperada.

Carlos Eduardo Balcarse

“O tempo do tempo não está no tempo”

Dizem que o tempo está passando mais depressa. Não está.

Um minuto continua tendo sessenta segundos. Uma hora continua tendo sessenta minutos. Um dia continua tendo vinte e quatro horas. O relógio nunca acelerou. Quem acelerou fomos nós.

Talvez o maior engano da humanidade seja culpar o tempo pela velocidade da vida. O tempo não corre. Nós é que deixamos de caminhar. A pressa distorceu nossa percepção, e passamos a chamar de “falta de tempo” aquilo que, muitas vezes, é excesso de distrações, prioridades mal escolhidas e uma existência fragmentada.

Existe um paradoxo que poucos percebem: quando desejamos que um momento nunca termine, ele parece voar; quando ansiamos pelo fim de um sofrimento, cada minuto parece uma eternidade. O que muda? Certamente não é o tempo. É a consciência que habita esse tempo.

O relógio mede duração. A consciência mede profundidade.

Por isso, algumas horas atravessam a vida sem deixar vestígios, enquanto alguns segundos permanecem vivos por décadas. Há encontros que duram minutos e transformam uma existência inteira. Há anos inteiros que passam sem deixar uma única lembrança digna de permanecer.

O tempo jamais nos enganou. Nós é que passamos a viver tão distraídos que confundimos velocidade com vazio. Não é o tempo que está escapando de nós; somos nós que estamos escapando do presente.

Talvez a frase mais repetida da nossa geração — “o tempo está voando” — seja, na verdade, a confissão mais sincera de uma humanidade que já não sabe habitar o próprio instante.

O tempo não passa mais depressa. A vida é que passa mais superficialmente.

E talvez a maior tragédia não seja descobrir que a vida passou rápido, mas perceber, tarde demais, que fomos nós que passamos rápido demais por ela.


Carlos Eduardo Balcarse

12/07/2026

DE MEIO EM MEIO TERMO, NUNCA SEREMOS INTEIROS.

A mente mente.

O tempo, não.

O tempo nunca mente porque nunca promete. Apenas passa. E, enquanto passa, leva consigo a única matéria-prima da existência: a vida.

Tempo é vida.

Não porque a vida seja feita de tempo.

Mas porque tudo aquilo que o tempo leva jamais será devolvido pela própria vida.

O homem acredita que perde dinheiro.

Perde oportunidades.

Perde pessoas.

Que ilusão.

O homem nunca perdeu nada disso.

Perdeu tempo.

E perder tempo é perder aquilo de que todas as outras perdas são feitas.

Vivemos de meio em meio termo.

De quase em quase.

De depois em depois.

Adiamos decisões como se o amanhã fosse uma propriedade adquirida.

Mas o amanhã nunca pertenceu a ninguém.

Ele sempre foi apenas uma hipótese.

A única certeza do futuro é que ele se tornará passado.

E o passado jamais devolve aquilo que o presente desperdiçou.

Existe uma tragédia silenciosa.

Não é a morte.

É morrer antes dela.

Há mais vivos que andam mortos do que mortos que permanecem vivos nas lembranças.

Porque morrer é um acontecimento.

Mas deixar de viver é uma escolha repetida todos os dias.

Respirar não é prova de vida.

É apenas evidência de funcionamento.

Até máquinas funcionam.

A vida começa quando deixamos de existir por inércia.

O mais assustador não é o fim.

É descobrir que nunca houve um começo.

Há pessoas que chegam aos oitenta anos com apenas um ano de vida repetido oitenta vezes.

Confundiram rotina com destino.

Segurança com paz.

Sobrevivência com existência.

Chamaram medo de prudência.

Chamaram acomodação de maturidade.

Chamaram conformismo de sabedoria.

A mente mente.

E mente tão bem que convence o homem de que ainda há tempo.

Mas o tempo nunca esteve à frente.

Sempre esteve atrás.

É ele quem acumula tudo aquilo que deixamos de ser.

A vida não termina quando o coração para.

Termina quando deixamos de nos tornar.

Existe uma diferença brutal entre envelhecer e amadurecer.

O tempo envelhece qualquer corpo.

Mas apenas a consciência amadurece uma existência.

Quem apenas envelhece acumula anos.

Quem amadurece transforma anos em eternidade.

O paradoxo é inevitável.

Quanto mais tentamos economizar tempo, menos vida temos.

E quanto mais entregamos vida ao que realmente importa, menos percebemos o tempo passar.

Talvez por isso a eternidade nunca tenha sido uma quantidade.

Sempre foi uma intensidade.

O universo inteiro conspira contra qualquer ilusão de permanência.

Montanhas cedem.

Oceanos recuam.

Estrelas morrem.

Civilizações desaparecem.

E, ainda assim, o homem continua acreditando que pode adiar a própria vida para segunda-feira.

A maior prisão não possui grades.

Possui hábitos.

Possui desculpas.

Possui “um dia”.

O cárcere mais perfeito é aquele em que o prisioneiro acredita estar livre.

Talvez o maior fracasso da humanidade nunca tenha sido morrer.

Tenha sido viver sem jamais despertar.

Porque aquele que nunca desperta não perde a vida.

Nunca chega a encontrá-la.

No fim, restará apenas uma pergunta.

Não quantos anos você viveu.

Mas quantos dos seus anos realmente estiveram vivos.

Porque tempo é vida.

E desperdiçar tempo nunca foi desperdiçar minutos.

Foi desperdiçar a única matéria da qual a existência é feita.

Por isso, de meio em meio termo, nunca seremos inteiros.

Quem negocia a própria consciência fragmenta a própria existência.

E quem passa a vida aceitando metades descobre, tarde demais, que o inteiro nunca esteve no destino.

Sempre esteve na coragem de viver antes que o tempo termine de nos viver.

Pense nisso também:

“Tempo não é dinheiro, tempo é vida, pois nem todo dinheiro do mundo pode comprar mais tempo”

Carlos Eduardo Balcarse

23/07/26

O TEMPO DOS SEM TEMPO

A mente mente.

O tempo, não.

O tempo nunca teve pressa. Nunca atrasou. Nunca acelerou. Nunca parou para esperar alguém.

Sessenta segundos continuam sendo um minuto.

Sessenta minutos continuam sendo uma hora.

Vinte e quatro horas continuam sendo um dia.

O tempo não mudou.

Quem mudou fomos nós.

Não foi o relógio que enlouqueceu.

Foi o homem.

Vivemos repetindo que “o tempo voa”, quando, na verdade, somos nós que atravessamos a vida sem pousar em lugar algum.

Chamamos de falta de tempo aquilo que, muitas vezes, é excesso de dispersão.

Nunca tivemos tantas ferramentas para economizar tempo.

Nunca tivemos tão pouco tempo para viver.

Eis o paradoxo da civilização:

Quanto mais tentamos ganhar tempo, mais perdemos a própria vida.

A tecnologia prometeu aproximar pessoas.

Afastou presenças.

Prometeu conectar o mundo.

Desconectou o homem de si mesmo.

Prometeu economizar tempo.

Transformou cada segundo economizado em mais um segundo ocupado.

Hoje, sabemos o que acontece do outro lado do planeta antes de perceber o que acontece dentro de nós.

Estamos em todos os lugares.

E, estranhamente, ausentes de todos eles.

Perdemos o espaço.

Depois, perdemos o silêncio.

Agora estamos perdendo o tempo.

O curioso é que ninguém diz:

— Não tenho vida.

Todos dizem:

— Não tenho tempo.

Como se fossem coisas diferentes.

Mas tempo é vida.

Nunca foi dinheiro.

Nunca será dinheiro.

Dinheiro compra conforto.

Compra distância.

Compra velocidade.

Compra quase tudo.

Mas não compra um único segundo.

Nem todo o dinheiro do mundo é capaz de comprar mais tempo.

Porque tempo não tem preço.

Tem fim.

Talvez esse seja o maior equívoco da humanidade.

Passamos a vida inteira administrando dinheiro.

E desperdiçando aquilo que o dinheiro jamais conseguirá comprar.

Há quem viva correndo porque acredita que não tem tempo.

Há quem espere porque acredita que ainda tem muito.

Há quem deseje que o tempo passe.

Há quem implore para que ele pare.

E o tempo…

Indiferente às nossas vontades…

Continua sendo exatamente o mesmo.

O relógio nunca teve ansiedade.

Quem sofre dela somos nós.

Criamos uma geração que responde mensagens em segundos, mas leva anos para responder a si mesma.

Uma geração capaz de assistir horas de vídeos curtos e incapaz de permanecer alguns minutos em silêncio.

Quanto menor ficou nossa capacidade de permanecer, maior ficou nossa sensação de que o tempo desapareceu.

O problema nunca foi a velocidade do tempo.

Foi a superficialidade da nossa presença.

Quem nunca habita o instante sempre terá a impressão de que ele passou rápido demais.

Vivemos tão preocupados em registrar o momento que deixamos de vivê-lo.

Fotografamos o pôr do sol.

Mas esquecemos de olhar para ele.

Registramos aniversários.

Mas não percebemos o envelhecimento.

Filmamos a vida.

E perdemos o acontecimento.

Talvez o tempo nunca tenha sido contado por relógios.

Talvez ele sempre tenha sido contado por consciências.

Existe uma diferença entre durar e viver.

Uma vela dura.

Uma pedra dura.

Um edifício dura.

Mas duração nunca foi sinônimo de existência.

Há pessoas com trinta anos que jamais nasceram para si mesmas.

Há outras que viveram pouco e continuam eternas.

Porque a eternidade nunca foi uma questão de quantidade.

Sempre foi uma questão de intensidade.

Há mais vivos que andam mortos do que mortos que permanecem vivos nas lembranças.

Respiram.

Produzem.

Consomem.

Dormem.

Repetem.

Respiram outra vez.

Chamam isso de viver.

Mas rotina não é destino.

Movimento não é transformação.

Velocidade não é profundidade.

E ocupação nunca foi propósito.

A mente mente.

Convence-nos de que amanhã haverá tempo.

O tempo nunca fez essa promessa.

A única promessa do tempo é passar.

E cada vez que ele passa, não acrescenta um ano à vida.

Retira um.

Celebramos aniversários como se estivéssemos acumulando tempo.

Não estamos.

Estamos consumindo a única riqueza verdadeiramente finita.

Cada aniversário não representa um ano a mais.

Representa um ano a menos.

Talvez seja por isso que a infância pareça tão longa.

As crianças vivem o tempo.

Os adultos administram horários.

As crianças habitam o agora.

Os adultos visitam o agora apenas de passagem.

E quem nunca mora no presente transforma a própria existência em um eterno endereço provisório.

O homem moderno tornou-se um colecionador de urgências.

Corre para chegar.

Chega para correr.

E, quando finalmente alcança aquilo pelo qual tanto correu, já não é mais o mesmo que iniciou a corrida.

A maior ironia é esta:

Passamos tanto tempo tentando economizar tempo que, quando percebemos, já gastamos quase todo o tempo que tínhamos.

No fim, a vida talvez nunca nos pergunte quanto dinheiro acumulamos.

Nem quantos seguidores conquistamos.

Nem quantas metas cumprimos.

Talvez exista apenas uma pergunta.

Você viveu… ou apenas administrou o tempo que nunca lhe pertenceu?

Porque ninguém possui tempo.

Nós apenas o atravessamos.

E talvez o maior erro da humanidade tenha sido acreditar que o tempo passa.

Não.

O tempo permanece.

Nós é que passamos.

E um dia passaremos pela última vez.

Sem saber que aquela era a última conversa.

O último abraço.

O último sorriso.

O último pôr do sol.

A última oportunidade de existir antes de apenas ter existido.

Por isso, não diga que lhe falta tempo.

Pergunte-se por que lhe falta presença.

Porque o problema nunca foi o tempo dos relógios.

Sempre foi o tempo dos sem tempo.

E os sem tempo são, quase sempre, aqueles que passaram a vida inteira adiando a única coisa que realmente importava:

Viver.


Carlos EDUARDO Balcarse

23/07/2026

o TEMPO não tem PREÇO, tem FIM…

“O homem passou a vida tentando dar um preço ao tempo, sem perceber que o tempo sempre teve apenas um fim.“