O Tempo Passa e a Gente nem Percebe

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“A leitura é a chave invisível que abre todas as portas do tempo, pois cada página nos conduz a um instante infinito.”

Roberto Ikeda

Quem gasta muito tempo orando, peca muito menos; mas quem negligencia a oração, fatalmente viverá cometendo erros e tropeços. A comunhão com Deus cria em nós uma aversão ao pecado e nos fortalece contra as tentações diárias da carne.

Tempo

O tempo me chegou como um feroz devorador, mas devorou meu medo e a minha dor. Ele me deixou mais livre, solta e leve feito vento.
O tempo me fez ventar!
Nildinha Freitas

Querer exibir o corpo de maneira intencional e, ao mesmo tempo, fingir que a provocação não existe é a marca registrada de quem quer causar o caos, mas não aceita ser responsabilizada por ele.

Eu tenho mil faces e, de tanto mudá-las,
Já por tanto tempo, já não lembro mais
Do meu verdadeiro rosto.

Não gaste tempo retocando muito a sua vaidade:
invista horas suficientes para fazer a bondade.

Gaste tempo em coisas que edificam sua vida,
pois para onde vai, disto depende a sua alma.

Para quem gosta de ler um bom livro nas mãos, tempo e distância são investimentos.

Os que corrigem suas falhas de caráter e abandonam seus hábitos viciosos, obterão à tempo a perfeição do espírito, sem encontrar resquícios das deficiências da própria alma.

O que é que se ensina nas escolas em relação a preciosidade do seu tempo? Preencha sua vida com instruções sábias e elas lhe farão um obreiro, um doutor ou um empresário.

Por muito tempo eu quis ficar; tentei de tudo, abri mão dos meus sonhos, até envelheci.

Predominante espectro do paradoxo do tempo e o sonho do espaço.
​A percepção da originalidade alinha-se ao foco e à tonalidade — escolhas feitas pelas partículas que se espalham do pincel. Nas variações do destino, vemos aglomerados de tinta sobreposta ajustando as arestas. Os contornos ganham forma nas sombras implantadas em azul-celeste, vermelho, branco e preto.
​O vento sopra sobre a tela, e a tinta fresca revela uma nova onda de iluminação.
​Por Celso Roberto Nadilo

Sabor natural diante diálogo contemporâneo no vasto tecido do tempo pequenos lampejos de lucidez.

Nas sensações do tempo, vemos os experimentos do meio-dia.
​Dentro de duas horas, o sono perdura numa retórica dominical. Na televisão, a programação fútil exibe a simplicidade e a ostentação: ricos se divertindo com pobres na ilusão da dopamina sintética, prêmios, desafios e futilidade humana em exibição barata. Sem margem para escolhas, passa o filme de trinta anos atrás, o jogo comprado e a propaganda eleitoral obrigatória. Na tela, a reportagem sobre a violência alterna com animais fofos — e, num piscar de olhos, já é hora da madrugada.
​O churrasco de domingo, o almoço em reunião, o come-e-bebe: no fim, a marmita leve para a janta. Depois da bebedeira e do jogo, a euforia se dissipa e dá lugar à dor de cabeça. A farmácia 24 horas está aberta. Mais algumas cervejas. Volta para casa, vai para a cama.
​O dia recomeça. Ônibus cheio, trânsito parado. "Está atrasado, vamos descontar." O contracheque cai na conta e, neste mês, não sobrou nada. Vamos fazer hora extra até a madrugada. A noite acabou: trabalho o dia todo, a noite toda.
​Mas tem festa na sexta-feira.

O tempo tem um jeito curioso de ajustar as coisas. Ele não apressa, mas também não esquece. Cada palavra dita, cada gesto feito, volta, mais cedo ou mais tarde, no silêncio que ensina.

O grande dia sempre chega, e quando chegar, não haverá volta. O tempo cobra, mas faz isso com elegância: devagar, frio, e no exato momento em que a consciência desperta. IV

Arrume a casa todos os dias, mas arrume de um jeito que lhe sobre tempo para viver nela.

Triângulo da Vida


Jovem: Tem tempo e saúde, não tem dinheiro.
Adulto: Tem dinheiro e saúde, não tem tempo.
Idoso: Tem dinheiro e tempo, não tem saúde.

⁠"Mesmo que o tempo não esteja ajudando, SORRIA..."

ALGUMAS PESSOAS NÃO FICAM EM NOSSAS VIDAS. FICAM EM NÓS.

Há pessoas que o tempo leva, mas não consegue retirar. Elas deixam de ocupar a cadeira, de atravessar a porta, de telefonar no fim do dia, de perguntar se chegamos bem. Um dia percebemos que já não fazem parte da rotina e, no entanto, estranhamente, continuam fazendo parte de nós. É uma das contradições mais bonitas e dolorosas da existência: alguém pode deixar nossa vida sem conseguir deixar aquilo que somos.
Talvez porque presença e permanência sejam coisas diferentes.
Presença é corpo, voz, abraço, convivência. Permanência é aquilo que sobrevive quando tudo isso já não está.
Há pessoas que permanecem durante décadas ao nosso lado e quase não modificam nossa essência. Outras passam por um pequeno trecho de nossa história e deixam marcas tão profundas que, muitos anos depois, ainda encontramos seus vestígios em nossos pensamentos.
Elas ficam numa palavra que aprendemos.
Num conselho que finalmente compreendemos tarde demais.
Numa música que evitamos ouvir porque conhecemos o caminho que ela percorre até chegar ao coração.
Num prato cujo cheiro devolve uma cozinha inteira à memória.
Num jeito de sorrir que, sem perceber, herdamos.
Num gesto que repetimos e de repente pensamos: “Era exatamente assim que aquela pessoa fazia.”
É então que compreendemos:
ninguém permanece apenas nas fotografias.
As pessoas permanecem também naquilo que modificaram em nós.
Talvez seja essa a forma mais misteriosa de continuidade humana.
Somos feitos não apenas de nós mesmos, mas também dos encontros que tivemos.
Carregamos pedaços daqueles que nos ensinaram alguma coisa, daqueles que nos amaram, daqueles que ferimos, daqueles que nos feriram, daqueles que seguraram nossa mão quando o mundo parecia grande demais.
Até algumas despedidas acabam participando da nossa construção.
Porque há pessoas que nos ensinaram pela presença.
E outras que somente conseguimos compreender depois da ausência.
O tempo passa e faz seu trabalho inevitável. Os rostos envelhecem nas fotografias enquanto permanecem jovens em determinadas lembranças. As vozes começam a perder detalhes. Algumas datas escapam. Certas conversas já não conseguimos reconstruir completamente.
E isso assusta.
Tememos esquecer.
Como se esquecer um detalhe significasse perder novamente aquela pessoa.
Mas talvez a memória mais profunda não esteja na capacidade de recordar exatamente o som de uma voz ou a roupa usada numa determinada tarde.
Talvez esteja naquilo que essa pessoa deixou incorporado em nossa maneira de existir.
Se alguém nos ensinou bondade e continuamos sendo bondosos, alguma coisa dela permanece.
Se alguém nos ensinou coragem e um dia encontramos força justamente quando pensávamos não possuir nenhuma, talvez aquela pessoa ainda esteja ali.
Se fomos profundamente amados e, por causa disso, aprendemos a amar melhor, então aquele amor não terminou quando a presença terminou.
Ele mudou de endereço.
Passou a morar em nós.
E talvez seja por isso que algumas ausências doem tanto.
Não choramos apenas porque alguém foi embora.
Choramos porque alguma parte da nossa própria história caminhava naquela pessoa.
Quando ela parte, parece levar consigo uma língua que somente nós dois falávamos, determinadas piadas que ninguém mais compreenderá da mesma maneira, pequenos rituais, apelidos, olhares e silêncios que nunca precisaram de tradução.
Há universos inteiros que existem somente entre duas pessoas.
Quando uma delas parte, a outra torna-se a última guardiã daquele mundo.
Isso é saudade.
Não apenas desejar alguém de volta.
Mas continuar carregando sozinho um lugar que antes era habitado por dois.
Por isso talvez não devamos lutar tanto contra a saudade.
Ela dói, mas também testemunha.
Diz silenciosamente: “Aqui existiu alguém importante.”
E existe dignidade nisso.
Ter amado alguém suficientemente para sentir sua ausência significa que, por algum tempo, duas existências deixaram de ser completamente separadas.
Uma entrou na história da outra.
E depois disso nenhuma despedida consegue desfazer totalmente o encontro.
A vida continuará.
Novas pessoas chegarão.
Outras também partirão.
Nós mesmos um dia seremos ausência na vida de alguém.
E talvez essa seja uma das perguntas mais profundas que podemos fazer enquanto ainda estamos aqui:
o que ficará de nós dentro daqueles que amamos?
Talvez não sejam nossas conquistas.
Talvez ninguém se lembre de quanto trabalhamos, do que possuímos ou de quantas vezes estivemos certos.
Mas alguém poderá lembrar que fomos gentis quando poderia ter sido diferente.
Que ouvimos quando aquela pessoa precisava falar.
Que oferecemos um abraço numa tarde difícil.
Que fizemos alguém rir quando a vida estava pesada.
Que dissemos “eu te amo” enquanto ainda havia tempo.
E então talvez compreendamos que permanecer nunca significou impedir uma despedida.
Permanecer é deixar alguma coisa boa de nós vivendo no outro.
Porque algumas pessoas realmente não ficam em nossas vidas.
O tempo, a distância, as escolhas e a própria morte podem levá-las para lugares onde nossos braços já não conseguem alcançar.
Mas existem lugares aos quais nem o tempo tem acesso.
E quando alguém conseguiu chegar até lá, quando alguém participou profundamente daquilo que nos tornamos, já não importa apenas quanto tempo permaneceu ao nosso lado.
Porque algumas pessoas vão embora da nossa história cotidiana…
mas continuam escrevendo, silenciosamente, dentro de nós.

O tempo voa


Em muitos lugares,
Entre tantas pessoas,
Muitos aprendizados,


O tempo é curto,


No resgate de uma vida,
Doces são as memórias,
Lindas são as fotografias.