O Tempo Passa e a Gente nem Percebe
A como eu amo o jeito que ele me deixa livre e ao mesmo tempo me prende;
A sim,
Eu tenho tempo pra tudo, mais adoro abrir mão de tudo pra ficar com ele;
Eu posso fazer o que eu quiser, mais amo fazer de tudo pra ver ele feliz;
Eu amo o jeito dele deixar eu ser eu mesma,
O jeito dele rir das minhas palhaçadas;
Adoro tudo isso;
Eu amo tudo isso em você,
Porque ele ama tudo em mim!
Ilusão do tempo
O tempo não é senhor de tudo —
não traz respostas, nem resolve caminhos.
Não constrói certezas,
nem garante destinos.
O tempo não pesa a dor,
não a aumenta, nem a faz cessar.
Não nos torna mais conscientes,
nem nos ensina, por si só, a mudar.
Seguimos acreditando em suas promessas,
como se nele houvesse redenção.
Mas, no fundo, nos enganamos —
é nossa a escolha, não sua, a direção.
E às vezes, silencioso e sutil,
o tempo apenas nos distrai...
um intervalo disfarçado de cura,
onde nada realmente se transforma — só passa.
Um dia, quando o tempo tiver curado as feridas e a distância tiver trazido clareza, você vai olhar para trás e entender o tamanho do amor que deixamos se perder no meio das brigas e das desconfianças, mas espero que também veja a gratidão por termos crescido, aprendido e seguido em frente, cada um no seu caminho.
Aquela noite ficaria gravada na memória do tempo — um ponto de inflexão silencioso, o prenúncio de algo que mudaria para sempre o destino da humanidade.
"Afinal, com a convivência pelo tempo, há pessoas que perdem o valor que antes tinham e, não obstante, vão-se como a correnteza."
" O tempo pode afetar as relações e fazer com que as pessoas percam o valor ou a admiração que tinham umas pelas outras. É como se a convivência prolongada pudesse desgastar a apreciação mútua, e as pessoas acabassem se afastando como a correnteza de um rio."
Carta IV — A Solidão: Reflexão sobre a solidão e o tempo
Mais oito anos haviam se passado, e as rugas no meu rosto tornavam-se evidentes; os meus ossos perdiam cada vez mais a força; o tempo revelava-me o cansaço. A solidão sufocava-me como espinhos na garganta; os meus lábios secaram como um rio sem água; a sede matava-me aos poucos.
Já não havia urina no meu organismo. Tentei beber as minhas próprias lágrimas, mas também secaram. Os ratos já não me alimentavam; agora alimentavam-se da minha carne. Meus cabelos caíam sozinhos como folhas de uma árvore, e a minha pele amolecia como mingau. Os meus olhos enchiam-se de fadiga; sofria de insónia. O corpo produziu bactérias que me corroíam por dentro.
Quis suicidar-me, mas não encontrava forças para fazê-lo. Já não restou dedo algum nas minhas mãos: devorei-os todos para terminar de vos escrever esta carta.
O fundo das paredes oferecia um profundo silêncio. Ainda assim, era meu desejo voltar a ouvir, só mais uma vez, o grito alegre das crianças na aldeia de Kandembe; o canto dos pássaros na floresta de Mayombe; o canto do galo nas madrugadas; o sorriso das senhoras quitandeiras no mercado de Kalukembe.
Infelizmente não pude concretizar esse desejo. As correntes no meu pescoço e as grades que me prendem não me permitem realizá-lo. Aliás, já não me resta muito tempo. A solidão tornou-se um vício que se alimentava da minha penúria e dos traumas da minha lembrança. Quanto mais próximo dela eu me encontrava, mais perto me sentia da morte.
Talvez…
Será que devo arrepender-me das minhas escolhas?
Será que fui ingénuo ao preservar os meus ideais?
Será este o preço a pagar por ser diferente deles?
De que vale estar livre do calabouço, se lá fora continuarei a ser escravo?
De que adianta recuperar a voz, se lá fora me haverão de retirá-la?
De que vale livrar-me destas correntes, se lá fora existirão outras algemas à minha espera?
Aqui, ao menos, ainda posso falar, pensar alto e questionar.
E lá fora?
Não me haverão de censurar por pensar?
Não me haverão de açoitar por falar?
Não me irão condenar por contestar?
Não me irão matar por questionar?
A dúvida, o ceticismo e o remorso ganharam espaço na minha mente e no meu coração.
Tentei conversar com as paredes, mas elas não possuíam ouvidos. Procurei perguntar aos espíritos daquela masmorra, mas já haviam partido. As caveiras ao meu redor exigiam silêncio. E as únicas coisas que ainda podiam dialogar comigo eram a morte e a solidão.
TANQUE DE BETESDA
Há tanto tempo espero minha bênção, quem se importará?
Todo mundo tem um motivo pra correr, resolver a própria vida, caminhar e viver… quem se importará?
Mas um dia alguém me olhou, e seu olhar em mim fitou, e enxergou em mim além daquilo que aparentemente sou.
Estendeu-me a sua mão, e me pôs de pé, e restaurou a minha vida: o homem de Nazaré.
Mas um dia alguém me olhou, e seu olhar em mim fitou, e enxergou em mim além daquilo que aparentemente sou.
Estendeu-me a sua mão, e me pôs de pé, e restaurou a minha vida: o homem de Nazaré.
CÍCERO MARCOS
A fumaça evapora e parte do tempo vai embora ou fica sem sua hora. O fogo que queima é o estrago do trago mas melhor que o amargo de cena do povo. Só quero d-novo viver o bom sopro de mente pacífica bridando com quem fica.
A gota de orvalho cai, e o sopro do vento revela que o tempo segue seu curso, um novo dia está por nascer. Ainda que a noite traga dores e o frio da madrugada nos envolva, persista. O amanhecer não apaga o passado, mas oferece a chance de recomeçar com mais sabedoria.
(Izaias Afonso)
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