O Tempo Passa e a Gente nem Percebe
Mar
Nada mais
Que deserto
Apesar
de tudo que a gente pensa
A única diferença
Entre Mar e deserto
é a água e a sua ausência
Tudo mais
é Sol por cima
há vida por sob ambos
e dispersos caminhantes
Tudo mais
Assim como era antes
Compara-se a isso
A única diferença
É estarmos atentos
ou não
No momento certo
A própria vida
Ilusão concreta
Algo errado
Que deu certo
ou não
Tudo mais é atravessar
O Mar
Deserto
Solidão!
Edson Ricardo Paiva.
"A melhor maneira de evitar desentendimentos com gente que só nos aceita quando a gente concorda em tudo com elas é considerá-las mortas. Mas isso deve durar somente até o dia em que a gente morrer"
Edson Ricardo Paiva.
Quando a gente era criança
Existia uma lenda
Sobre um pote de ouro escondido
E que nem todo mundo o encontra
Havia um segredo
Eram coisas que se queria
Sem saber bem ao certo o que era
E talvez estivessem por perto
Quando o certo
Era antes responder pra si
Que, se a gente conquistasse
Todo o ouro que existe no mundo
Pra que será que ele servia?
A vida, uma estrada bem larga
Felicidade, uma senda
Enquanto isso
A gente ia sentado
Nas janelas do trem da vida
Pesquisando em mapas e fotografias
E perdia as mais belas paisagens
O tempo apressado, pediu pra passar
E eu deixei
O tesouro não era um pote
Nem bau, nem nada assim
O segredo da vida, é a vida
Que se encontra espalhada
No caminho a ser percorrido
Pra poder ser vivida
Um pouquinho a cada dia
E todo dia ela muda
O tesouro da vida é um sorriso
Um resto de melodia
É saudade que gruda
Então, se é possível sorrir, ainda
Faça isso em cada dificuldade
O pote de ouro da vida
Não era uma lenda
A mentira escondida, era sobre o valor
Das coisas que o dinheiro compra
Há tesouros diferentes
De vida pra vida
E se tornam semelhantes
Na medida em que você percebe
Que os tesouros de maior valor na vida
Vem de graça, na graça da vida
E eles não estão à venda.
Edson Ricardo Paiva.
A água cristalina
O copo
A colina que se vê de longe
O topo
A alegria de existirem
A gente as vê
Mas o olhar atravessa
São respostas
Goste a gente ou não
São só palavras
A água, por cristalina que seja
Não lhe sabe a essência
Conhece-lhe o gosto quem prova
E surgem só novas perguntas
Não há cor
E seu rosto é inexistente
Abstrata como a dor
Quem a sabe presente
Não nos cabe vê-las
Nem se podem tocá-las
Quem as sente
É tocado por elas
A vista lá do alto da colina
Só conhece quem subiu
E não se pode estar
No topo de todas elas ao mesmo tempo
Mas o tempo é sempre eterno
Pra quem sempre espera
Mesmo que a dor as devore
E que a água se transforme em chuva
Brilhante como as estrelas
E que todas as estrelas chorem
Mesmo que todas as pessoas
Enxerguem a chuva
E não neguem que sejam boas
Apesar de tanta transparência
Ninguém sabe a essência
Do que não é dado saber
Apesar
Da eternidade da espera
Não se sabe nada sobre a eternidade.
Edson Ricardo Paiva.
Fica tudo num bornal
É uma questão de perceber
A sutileza constante
O quintal é a vida da gente
E, ao que tudo indica
Pode até parecer diferente
Mas, semente semelhante
Gera sempre
Coisa igual a todo instante
Pois a vida nunca foi
Um lugar que fica ali na frente
Não lhe importa
O quanto a gente corra
Pois o tempo não descansa
Entre um sonho e uma lembrança
É tudo imagem somente
Onde a verdade
Está sempre dentro da gente
Num lugar que nada esconde
Porque sempre
Há de chover e fazer Sol
Só o presente interessa
Fica tudo em um alforge
É uma questão de olhar
Onde a vida da gente é o quintal
Não importa nunca a nossa pressa
Coisa que o tempo não tem
Nem precisa
Que, por ser portador da verdade
Sempre há pedras no caminho
O tempo nunca tropeça
E também não pisa em espinhos.
Edson Ricardo Paiva.
A gente vai vivendo a vida
Correndo as estradas do mundo
Repletas de descidas
e fartas encruzilhadas
A gente vai vivendo
a vida torta
Por essas estradas
Sem intendência ou fiscalização
Somente um pedaço de chão
esburacado
Só
A gente vai vivendo
essa vida sem parada
Juntando ao longo do caminho
o pó das diversas estradas
Esperando pelo dia
Em que alma parta
E que todas as lembranças
Sejam inexoravelmente
Engolidas pela terra
e esquecidas
E a gente
um dia também vire pó
espalhados pelas tantas estradas
de outras vidas
Edson Ricardo Paiva
As coisas
Que a gente sente
São coisas sentidas
Pela gente somente
Apesar de parecer
Que todo mundo sente
Mas ninguém jamais
Poderá saber ou sentir
do jeito que a gente sente
O coração
é um buraco sem fundo
Mas ali cabem somente
As coisas
que apenas a gente sente
Umas coisas passam depressa
Outras, arraigadas e enraizadas
Doem profundamente
Como podem ser profundos
Todos buracos sem fundo
Que existem no mundo
Tudo isso
Parece mentira
Mas na realidade
a gente sabe
Haver ali
Sempre um fundo de verdade
Edson Ricardo Paiva
Quando o coração da gente
Se faz paz por um momento
E aceita porque quer aceitar
Creia que existe um Universo
E tudo que há dentro e fora
Poderá ser posto agora
Em um Poema de três versos
E ainda sobra espaço
Pra passar um traço no final
E levar o coração
Pra onde quiser
Tudo isso apenas depende
Se esse coração
Realmente quer
Edson Ricardo Paiva
Pode até parecer
Que a gente entende
Nas horas de amigos
A gente conversa
Confessa promessas
Que o tempo esqueceu
E que a gente trocou
Por outras
que também não fez
Pode parecer que não
Mas há muitos segredos
escondidos
nos desvãos da vida
Que, na dúvida, guardamos
Na lista dos planos
deixados pra depois
Coisas das quais
hoje a gente se arrepende
Algumas porque fez
Outras
Porque deixamos passar
Aguardando pacientemente
a nossa vez
Que nunca chegou.
Edson Ricardo Paiva.
No dia em que a gente nasce
Se esquece de tudo que disse pra Deus
Esquece-se até de que Deus existe
Deus permite e não Se esquece
de cuidar da gente, em nenhum dia
Ao longo da Estrada
Encontramos
Os presentes que Deus nos envia
Muitas vezes não percebemos
Que muitas daquelas dificuldades
São lições
Escritas num livro, difícil de Ler
Mas Deus zela pela gente
Com aquele cuidado
Que poucos pais deste mundo tem
E ao longo desta vida
Põe subidas e descidas
Nos desenhos repletos de sombras
e a gente nunca percebe
Que também recebe o carinho
De um Pai que Está olhando
A nossa lição
Por cima dos nossos ombros
Segurando a mão da gente
Pra ensinar a firmar o traço
E fazer o desenho sair mais bonito
Mas sempre chega o dia
Em que a gente
Começa a perceber
Que no nosso papel da vida
O desenho e todas as demais lições
Vai aos poucos
Tomando aquela forma
Que a gente combinou com Deus
A missão que recebeu
e depois se esqueceu
Naquele momento confuso
Em que nasceu
É por isso que o Tempo de Deus
é muito diferente do nosso
E o traço de Deus
Só depois de muito tempo
faz a gente ter noção de espaço
Aquela dor que sentíamos nas mãos
Era apenas uma fase
Que todo mundo precisa passar
Pra aprender a lição recebida
Agora
Eu olho o desenho e a lição
Que Deus desenhou
Segurando em minhas mãos
e vejo
Que desde o último minuto
O desenho começou a tomar forma
E está ficando bem bonito
Só agora
Juntando letra com letra
Percebo também
O que é que Deus
Havia Escrito
Amém.
Edson Ricardo Paiva
A gente deseja ...
Deseja demais
Sonha em coisas
com as quais
Não há de ter jamais
E por mais que veja
A maneira que se porta a vida
Insiste em pintá-la,
Transformá-la em gravura
Pendurá-la nas paredes
Na casa
onde guardamos ilusões
Justamente
No quarto da esperança
Ali não se fala
e nem se cabe pensar
Sobre as coisas reais
tais como
Lembranças
Sobre as quais jamais falamos
Pedaços de alma pelo chão
Sonhos esquecidos
Corações despedaçados
promessas não cumpridas
cacos de vida
Mas insistimos sempre
e não desistir jamais dos sonhos
Presentes que pedimos pra Deus
Pode parecer impossível
A alma sente, de repente
Um desnível e cai
Cai para um lugar
Que fica perto de nunca mais
A gente faz um esforço sobre-humano
Pra não desistir
de ao menos fazer planos
Que talvez
Irão se concretizar...ou não
Coração desliza
o juízo perde o chão
Quem é que vai
um dia aprender
ou ensinar
A forma correta e concreta
de mandar no coração?
Edson Ricardo Paiva
Tem dias que a vida da gente
Parece simplesmente
Missão de ser ajudante
e a gente vai cumprindo a vida
Como a cumprir expediente
Construindo coisa importante
Sabendo que a gente mesmo
Não tem importância nenhuma
E permanece nos lugares
o tempo suficiente
Pra que aquilo seja feito
Mas que, após cuncluido
Sabe que vai ser
Esquecido
Não tem jeito
E no dia seguinte
Começa novamente
A fazer tudo aquilo
Qua a vida ensinou
A fazer sempre completo
Concreto e perfeitamente
sabendo que no final
Vai ser igual
E não vai poder ficar
Pra olhar por um mínimo instante
E lá se vão
Esses seres desimportantes
Seguindo adiante na sua jornada
Esperando
Um dia feliz,
Um olhar que me reconheça
A mão carinhosa
Uma cara ansiosa
Me esperando no portão.
Uma noite de Lua
Ama boa conversa
debaixo de um Céu de estrelas
E pares de olhos
e olhares sinceros
Sinceramente enlevados
Tudo aquilo que passou
A gente esquece e deixa de lado
Assim que adormece
A vida passa finalmente
a ter um sentido
As palavras ressentidas
Aquele mal que existiu por muito tempo
em todas as nossas vidas
Não haverão de encontrar espaço
Nunca mais
Apenas um milhão de abraços
Atmosfera de paz
Fortalecendo esses laços
E tudo que aqui não tiver
A gente vai juntos buscar
E aquilo que lá não houver
Basta me dizer que quer
E juntos a gente faz.
Edson Ricardo Paiva.
Mantenha-se calmo
Tranquilo em em paz
Quando se vive
Uma vida correta
de vez em quando a gente acorda
Com a alma inquieta
Mas o coração, esse permanece
Tranquilo demais
Portanto
Jamais se esqueça
Que por mais que cresçam
As indiferenças e desconfianças
É essencial
Conhecer as astúcias do Mundo
E saber que o mal se esconde
Daqueles que mesmo assim
Permanecem confiáveis
E sensíveis, igual a uma criança
Isso pode sim, existir de verdade
Nem sempre a idade
é capaz de revelar
A quantidade de anos vividos.
saiba manter seu coração
de portas sempre abertas e apercebidas
Na medida que caibam
Somente palavras certas
e faça valer sua vida.
Edson Ricardo Paiva.
Quando houver na gente
Aquela vontade exigente
de querer saber de verdade
Como se deve agir
Pensemos, então
Será que temos a alma leve
Existe paz no meu coração?
Nesta breve existência
Não é tudo que se corrige
Não precisa haver
Sempre rima em todo poema
porém
Se não existe harmonia
nas coisas do dia a dia
A orquestra da vida destoa
Ninguém poderá pra sempre
viver somente
Aquilo que queria
E ao final não descobrir
Que por viver desigual
Viveu uma vida a toa.
Edson Ricardo Paiva.
A chuva cai de vez em quando
Noutros dias
Verdadeiras tempestades
Desabam na vida da gente
Advindo aqueles tristes
Momentos tempestuosos
E eu sinto uma grande saudade
Dos primeiros olhares de mãe
e beijos de irmãs
Naquelas manhãs
Que se perderam no passado
Lembranças felizes se unindo
a essas crises doloridas
Invadindo as nossas vidas
Sem a gente ter permitido
e nem dado licença
Essas coisas acontecem
Também em dias ensolarados
É quando surgem as dúvidas
Enquanto, outras elucidam-se
Em verdades pra lá de sofridas
Uma janela se abre no escuro
A alma propensa a desistir
Pela falta, pela imensa falta
Dos momentos
Em que a gente costumava
Simplesmente sorrir
e mais do que isso : a gente ria
Sem saber de quê
Pois, se permitia a dar risada;
E então a minha fé
Faz ver surgir a Luz Intensa
E eu sinto a Divina presença
do Deus, que eu sempre tive ao meu lado
Pedras surgem no caminho
Anjos de asas negras
Criam laços
Ensaiam abraços
e abrem sorrisos falsificados
Eu olho pro espaço e me lembro
do Deus que eu tenho sempre ao meu lado
Tem noites em que sombras vem
Amigos verdadeiros
Distantes no tempo e no espaço
Eu olho ao meu redor
Não há nada
e nem ninguém
Além da dor insistente que acompanha
Mas minh'alma também não desiste
Pois eu já não me sinto tão triste
Sei que não fui abandonado
Fecho os olhos
E me lembro da luz
Do Deus, que me pôs neste mundo
E que esteve sempre
Sempre esteve do meu lado
Edson Ricardo Paiva.
Num dia a gente nasce
Noutros dias cresce
E vive
Vive coisas tão incríveis
Simplesmente
Sem saber-lhes
Quais as causas
A vida vai passando
desde quando a gente nasce
O tempo simplesmente
Jamais faz uma pausa
Na verdade o tempo mente
Enquanto a vida nos esconde
Quando e onde
Uma brisa muito branda
Chega assim, tão de repente
E vem bater na cara da gente
Enquanto manda
Manda a gente se dar conta
Que um tempo sem monta
Cercado de requinte
E um certo acinte
Fez nascer no coração
Uma saudade um tanto incerta
do tempo que a gente vivia
E não via
Que devia ter parado,
Olhado pros dois lados...
Antes de atravessar
Uma rua do passado
E visto o que estava escrito
Nas entrelinhas de uma esquina
Pois, daquela vez
Talvez fosse a hora
de simplesmente prosseguir
Pela mesma calçada
Pra ver onde ela termina
Há ruas que ainda estão lá
Pra sempre nos aguardando
Nos caminhos do passado
Mas não saberemos jamais
Quais serão e onde estão
Nesta vida sem tamanho
Infestada
de uma grande quantidade de palavras
que jamais foram verdades
E de sonhos
E tantas alegrias verdadeiras
Perdidas
Pra sempre esquecidas
Pelos caminhos da vida.
Edson Ricardo Paiva
Quando a gente olha pra vida
Com olhos de amor
Enxerga uma coisa lírica
Onírica, mágica e linda
Poética, mecânica, estética perfeita
Refeita a visão do eremita
Existe o tempo triste
Entra em pânico
Quando a beleza se dissipa
Perante o egoísmo do mundo.
E se a gente procura buscar
Só a ótica da esperança
Firmando aliança com a fé
Finca os pés num lugar melhor
E acredita em tudo e em todos
Vivendo a ilusão
Fadada ao engodo
Pois logo isso passa
Dissipa igualzinho à fumaça.
Se olha o mundo
Com ódio e desconfiança
Buscando alcançar somente
O que venha somar
Sempre um pouco mais
Fica doente por dentro
Sem paz,
Infeliz e incoerente
Sozinho ou talvez
Em companhia de outros
Que sejam iguais a gente.
E se todos conseguíssemos
Buscar ter a mesma visão
da criança que um dia fomos
E, quem sabe,sejamos ainda
Talvez enxerguemos
O Mundo e tudo mundo
Sob o prisma da realidade
Pois a vida jamais foi linda
Impossível fugir à dor
Pois, quando em criança, também doía
Mas a gente não perdia a esperança
No dia que raiava
Acreditava no amor
Sem ódio, rancor, desconfiança em demasia
Prudentes como serpentes
Simples corações de pombos
Sempre se reerguendo
E rindo dos próprios tombos
A vida não é só amor
Ou glória, vitória ou cinismo
Olhemos pra ela do jeito que é
Tendo fé nos seus defeitos
E talvez a gente consiga
Fugir um pouco mais das brigas
Aceitar as coisas
Do jeito que elas são
Tristes, felizes e confusas
Perfeitas na imperfeição
Tudo depende somente
da lente que a gente usa.
Edson Ricardo Paiva.
Quando a gente olha pra vida
Com olhos de amor
Enxerga uma coisa lírica
Onírica, mágica e linda
Poética, mecânica, estética perfeita
Refeita a visão do eremita
Existe o tempo triste
Entra em pânico
Quando a beleza se dissipa
Perante o egoísmo do mundo.
E se a gente procura buscar
Só a ótica da esperança
Firmando aliança com a fé
Finca os pés num lugar melhor
E acredita em tudo e em todos
Vivendo a ilusão
Fadada ao engodo
Pois logo isso passa
Dissipa igualzinho à fumaça.
Se olha o mundo
Com ódio e desconfiança
Buscando alcançar somente
O que venha somar
Sempre um pouco mais
Fica doente por dentro
Sem paz,
Infeliz e incoerente
Sozinho ou talvez
Em companhia de outros
Que sejam iguais a gente.
E se todos conseguíssemos
Buscar ter a mesma visão
da criança que um dia fomos
E, quem sabe,sejamos ainda
Talvez enxerguemos
O Mundo e tudo mundo
Sob o prisma da realidade
Pois a vida jamais foi linda
Impossível fugir à dor
Pois, quando em criança, também doía
Mas a gente não perdia a esperança
No dia que raiava
Acreditava no amor
Sem ódio, rancor, desconfiança em demasia
Prudentes como serpentes
Simples corações de pombos
Sempre se reerguendo
E rindo dos próprios tombos
A vida não é só amor
Ou glória, vitória ou cinismo
Olhemos pra ela do jeito que é
Tendo fé nos seus defeitos
E talvez a gente consiga
Fugir um pouco mais das brigas
Aceitar as coisas
Do jeito que elas são
Tristes, felizes e confusas
Perfeitas na imperfeição
Tudo depende somente
da lente que a gente usa.
Edson Ricardo Paiva.
Boas horas
O dia se lamenta
Faz sangrar discretamente
Garoa que a gente não vê
Parece até que nem molha
O calor que antes fazia
Agora distante, conforme o ponteiro
Carregando, modorrento
Lentamente o dia inteiro
O ar se movimenta
Tudo mais, quando não
Excessivamente lento
Completamente parado
Boas horas
Podem acontecer em qualquer dia
Normalmente aqueles
Em que a gente não chora
Isso acontece tão rapidamente
Quando a gente olha
Distantes
Vão indo embora
Em horas assim
Tanto faz
Pois a vida tanto fez
Cortinas de fumaça
Luz de velas
A garoa se foi
Hoje a noite não trouxe estrelas
Aquela doce sensação
de hora boa
destoa de tudo mais
Talvez seja questão
de tempo ou de escolha
Enquanto isso os ponteiros
Inexoravelmente
Cumprindo seus compromissos
E voltando sem muita vontade
Pro mesmo lugar
Hora triste
Hora boa
Garoa, luz de vela
Noite à toa
Sem perda e também sem conquista
Nada além
de outra hora e outra hora
Fatalmente
Um dia elas vem.
Edson Ricardo Paiva
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