O Tempo Passa e a Gente nem Percebe
Os discursos são poderosos e manipuladores: o falante convence o ouvinte e também passa a acreditar no seu discurso como verdade legitimada.
Enquanto o Mundo Passa
Nem sempre dá para falar de amor. Há sentimentos que perdem um pouco da sua verdade quando tentamos transformá-los em palavras. Eu, pelo menos, prefiro viver o amor.
Prefiro sentir. Abraçar demoradamente, como quem encontrou no corpo do outro um lugar onde o tempo não tem pressa. Sentir o teu calor junto ao meu, ouvir o teu coração bater forte e perceber que o meu, quase sem querer, procura o mesmo compasso.
Amar, para mim, é isso: ter sentimentos que não precisam de explicação, sonhos que começam a pertencer a dois, vontades que encontram abrigo na presença de alguém. É querer estar perto sem precisar de motivo. É olhar para você e esquecer, por alguns instantes, que existe alguma coisa além de nós.
Talvez por isso eu não saiba falar de amor como quem conhece sua definição. Eu conheço o amor pelo toque, pelo abraço, pela saudade que nasce antes mesmo da despedida, pelo desejo silencioso de permanecer.
Não quero entender tudo o que sinto. Algumas coisas bonitas demais se desfazem quando tentamos explicá-las.
Quero apenas você perto.
Quero sentir teu coração contra o meu e deixar que eles conversem na linguagem que somente dois apaixonados compreendem.
E enquanto estivermos assim, que o mundo siga o seu caminho, contando suas horas, inventando suas urgências.
Que ele viva.
Que ele passe.
Porque, quando estou com você, não tenho nenhuma pressa de acompanhá-lo.
O pior dos demônios é aquele que o ser humano cria dentro de si e, incapaz de reconhecê-lo, passa a procurá-lo nos outros.
“Quando existe sensibilidade,
cada detalhe de um ambiente passa a contar uma história.”
— Daugliesi Giacomasi Souza
"O momento passa rápido, mas o que nos marca fica num tipo de eternidade que o relógio não alcança."
"Não quero ser como uma árvore que passa a vida inteira no mesmo lugar sem dar frutos, contando às folhas que secam, esperando que me usem antes que Eu apodreça".
"INTERVALO ENTRE O GRITO E O RISO"
Há dias em que o caos veste perfume
e passa por paz, só pra te confundir..
Você olha o céu, ele tá bonito demais
mas sabe que amanhã chove, e tudo bem.
porque no fim, o que salva não é o sossego,
é o intervalo entre o grito e o riso,
onde a alma respira, meio cansada,
meio viva, totalmente sua.
"Escrever me renova,
me traz paz,
me forja a cada dia que passa.
Linhas infinitas se abrem
diante de mim,
cada uma com um sussurro de sabedoria."
Cheguei num ponto em que a fala alheia
bate e não fica, passa e vagueia.
Olho, escuto, deixo ir,
não me moldo pra caber em ti.
Aprendi que silêncio também é proteção,
que nem toda guerra merece reação.
Se custa minha paz, não vale insistir.
Nada vale a pena se for pra me partir.
Maria Eduarda
É Escorpião.
Não brinca de ser intensa... Ela é.
A mentira nela não passa impune,
é faísca em palha seca.
O olhar fecha, a boca cala,
e quem mentiu sente o peso do próprio erro
sem que ela precise levantar a voz.
Diva da ansiedade....
mente acelerada, coração em vigília.
Às vezes mal interpreta, reage antes,
mas quando decide quebrar tudo
não é descontrole ..
é estratégia.
Ela não explode à toa,
explode para encerrar.
Dona do silêncio.
E o silêncio dela não é ausência,
é cálculo.
É água funda.
É escorpião recolhendo o ferrão
até achar o ponto exato.
Age na calma.
Mas a calma dela é vulcão adormecido.
Terra que sustenta.
Fogo que consome.
Contradição viva ...
abraça e queima no mesmo gesto.
Ela sente demais.
Ama demais.
Odeia com a mesma medida.
Não sabe ser rasa.
Ou mergulha
ou atravessa.
Num segundo está em guerra,
no outro já decidiu o destino.
Porque Escorpião não hesita quando entende.
Ela observa, registra, aprende....
e quando resolve,
resolve inteiro.
Maria Eduarda não ameaça.
Ela cumpre.
Não fala o que fará...
faz.
É tempestade com propósito.
É lealdade feroz.
É intensidade que assusta quem vive pela metade.
E quem a chama de exagero
nunca teve coragem
de encarar a própria verdade.
O amor tem dessas ironias elegantes.
Você passa a vida achando
que está procurando uma pessoa,
quando, na verdade, procura um
sentimento de lar. E, de vez
em quando, os dois resolvem
aparecer no mesmo rosto.
“O limite da nossa fala deve ser estabelecido quando a perda do domínio da situação passa a ser iminente.”
Autor: Ney Paula Batista
O atleta tem menos saúde que o cachaceiro? Por isso bebo! O mito não passa de um playboy mimado, chorão e covarde! Herói de tolos!
morango.
Morango tem uma coisa curiosa, parece frágil, mas nunca passa despercebido.
Talvez seja a cor. Aquele vermelho vivo, quase exagerado, como se tivesse sido feito para chamar atenção mesmo quando está perdido no meio de tantas outras frutas. Talvez seja o contraste entre o doce e o azedo, entre aquilo que parece delicado por fora e aquilo que permanece na boca depois da primeira mordida.
Eu nunca gostei de morango.
E talvez seja justamente isso que torne tudo mais bonito.
Porque, antes de você, morango era só uma coisa que eu não gostava. Não fazia questão, não procurava, não sentia falta. Se estivesse na minha frente, provavelmente eu deixaria para lá.
Até você aparecer e, de algum jeito, me fazer gostar.
Não sei exatamente quando aconteceu. Talvez tenha sido aos poucos, como quase tudo que realmente muda a gente. Um dia eu provei. Depois outro. E, quando percebi, aquilo que antes eu não gostava já tinha se tornado uma das pequenas coisas que eu gostava.
E agora eu gosto de morango.
Só que existe um problema nisso.
Eu gosto de morango e lembro de você.
E talvez você tenha percebido hoje.
Ou talvez não.
Porque eu passei o dia inteiro falando de morango para você.
Morango pra cá.
Morango pra lá.
Uma hora era sobre comer morango, outra era sobre gostar de morango, outra eu simplesmente dava um jeito de colocar morango no meio da conversa.
E você não entendeu.
Achou que eu estava falando de morango.
E eu estava.
Mas não estava só falando de morango.
Esse era o jogo.
Você funciona assim pra mim, como o morango hoje.
E o morango?
Ai vem na cabeça o morango, falo sobre o morango, penso no morango, o morango hoje como foi pra você.
É como se o morango tivesse instalado numa parte lá, e fica chato, repetitivo, e porque você tá falando do morango o dia inteiro? porque você escreve sobre o morango o dia inteiro?
nem você mesma se fosse um morango iria querer ouvir falar do morango o dia inteiro.
Imagina como deve ser para as pessoas que me ouvem falar de morango.
A graça estava justamente em deixar a palavra passar pela sua frente o dia inteiro sem explicar por que ela estava ali. Eu queria ver se, em algum momento, você perceberia que eu estava tentando dizer alguma coisa sem realmente dizer.
Porque, para qualquer outra pessoa, era só uma fruta.
Para mim, era você disfarçada de fruta.
E talvez seja engraçado pensar que eu passei o dia inteiro te falando de morango sem falar de você nenhuma vez.
Ou melhor, falando o tempo inteiro.
Penso nas coisas que você gosta, nos pequenos detalhes que talvez nem perceba que deixou pelo caminho. Na maneira como certos sabores parecem ter sido feitos para você, nas pequenas preferências que foram ficando conhecidas por mim quase sem perceber.
E morango acabou entrando nesse lugar.
Talvez porque tenha a mesma contradição que você carrega. Uma coisa bonita, doce, quase delicada, mas que também sabe ser intensa. Que não precisa fazer esforço para ocupar espaço. Que basta aparecer para mudar alguma coisa ao redor.
E existe uma parte engraçada nisso tudo.
Porque eu posso olhar para um morango hoje e pensar que é só um morango. Posso cortar, comer, deixar de lado. Mas em algum momento vou lembrar que existe uma pessoa que fez aquela fruta significar alguma coisa diferente.
Você me fez gostar de uma coisa que eu nunca gostei.
E talvez você nem saiba o tamanho disso.
Porque algumas pessoas passam pela nossa vida e deixam fotos. Outras deixam frases. Outras deixam lugares.
Você deixou tudo isso, incluindo gostos novos.
Deixou pequenas preferências espalhadas em mim, como se tivesse colocado um pouco de você em coisas que continuam existindo mesmo quando você não está.
E talvez, se algum dia ler essas palavras, vá entender imediatamente.
Talvez você entenda e finalmente perceba que eu estava tentando te contar uma coisa.
Que quando eu dizia morango, eu queria que você pensasse em você.
Que quando eu insistia em morango, talvez estivesse esperando que você percebesse a coincidência.
Que eu nunca gostei de morango.
Mas você me fez gostar.
E agora eu gosto de morango.
E por gostar de morango, eu lembro de você.
Talvez seja justamente por isso que eu não precise dizer seu nome.
Porque morango já basta.
Você sabe.
Eu sei.
E, no fim, existem coisas que só fazem sentido para duas pessoas. O resto do mundo pode olhar e enxergar uma fruta vermelha, bonita, doce, comum.
Eu olho e vejo tudo aquilo que, de alguma maneira, ficou associado a você.
O gosto.
A cor.
As coisas que você gosta.
E aquela brincadeira que você não entendeu .
Talvez agora entenda.
Talvez tenha entendido e só tenha fingido que não.
Mas tudo bem.
Alguns jogos são melhores quando a outra pessoa demora para descobrir a resposta.
E a minha resposta foi simples:
morango.
Porque eu nunca gostei de morango.
Até você.
E agora, toda vez que eu gosto de morango, eu lembro de você.
Eu não pedi que você ficasse.
Há um momento exato em que o amor deixa de ser tragédia
e passa a ser apenas clima.
Como garoa em roupa esquecida no varal.
Como cheiro de cigarro preso no banco de um carro antigo.
Como aquela dor de cabeça que já não preocupa ninguém
porque aprendeu a morar no corpo.
Você arrumava as coisas lentamente
e eu pensei, com uma serenidade quase ofensiva:
ela finalmente cansou de mim.
Não de mim inteiro —
isso seria grandioso demais —
mas desse homem pela metade
que chega do hospital cheirando antisséptico e cidade,
que fala de literatura latino-americana
como quem tenta salvar alguma dignidade do mundo,
que coleciona moedas estrangeiras
porque nunca conseguiu pertencer completamente ao próprio país.
Escorei no Renault noventa e um.
O carro estalava baixo, esfriando o motor,
como um animal velho respirando durante o sono.
Acendi um tabaco ruim.
Misturei mate uruguaio no fumo.
Não por boemia.
Nem estética.
Por superstição.
Alguns homens rezam.
Outros adulteram o cigarro.
Você passou por mim sem dizer nada
e eu gostei disso.
As grandes despedidas são profundamente constrangedoras.
Ninguém deveria transformar amor falido em espetáculo.
Pensei em Manuel Bandeira olhando janela de pensão barata.
Pensei em Benedetti entendendo tarde demais
que Montevidéu sempre foi uma maneira elegante de sofrer.
Pensei em Clarice,
naquela coisa terrível dela de perceber a alma das coisas
até quando elas já estavam mortas.
E então percebi uma coisa pequena,
quase ridícula:
eu tinha sobrevivido tempo demais.
Sobrevivi aos problemas.
Às cobranças que pareciam ser infinitas.
À vergonha de pedir ajuda.
À escola sugando meus últimos gestos humanos.
À fumaça.
À exaustão.
À sensação humilhante de fracassar devagar.
Sobrevivi até mesmo à esperança,
o que talvez seja a forma mais adulta de tristeza.
Você abriu o portão.
O barulho do ferro ecoou na rua vazia
como ecoam certas decisões irreversíveis:
sem dramaticidade,
apenas definitivas.
Eu poderia dizer que ainda te amava.
Mas seria inútil.
O amor, às vezes, não acaba.
Ele apenas perde utilidade prática.
Então fiquei ali,
encostado naquele Renault cansado,
fumando um cigarro adulterado com erva estrangeira,
olhando você ir embora
como quem observa um país desaparecer pelo retrovisor.
Sem raiva.
Sem poesia suficiente.
Sem salvação.
Só aquela melancolia fronteiriça
dos homens que aprenderam tarde
que viver também é perder território.
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