O Tempo Passa e a Gente nem Percebe
"Quem luta sozinho descobre o próprio valor quando percebe que não é ele que falta."
— F.Fidelis - Psicanalista, Filósofo entusiasta e observador das relações humanas
A ganância humana é insana no tudo eu, não percebe os benefícios que recebe ou recebeu, não retribui a uma bondade de coração e deixa pra trás quem te deu a mão para caminhar na escuridão.
Sou só na mesa de bar, mas ali ao lado tem uma linda mulher que percebe, mas faz de conta que não olha. Ela tem um meio sorriso tímido, E tudo é tão próximo e incompreensível. Porque na mesa de bar eu posso ter quase tudo: da nostalgia a gloria, do conflito a paz, do sonho a realidade. A bebida que bebo é uma gota em meu êxtase quase sem noção, que alimenta minha vaidade e então em quase tudo há uma paz, bem mais que qualquer conflito. As cores, a simetria e as luzes daquele lugar não condiz com ela; pareceu-me. (A. Valim).
O sábio chega à conclusão de que seu conhecimento sobre Deus é limitado, pois percebe a infinitude e a profundidade desse entendimento.
Há uma dignidade silenciosa em não reagir a tudo. O ser que amadurece percebe que responder a cada provocação é ainda estar preso ao jogo do outro. A verdadeira força não se manifesta no confronto constante, mas na capacidade de escolher onde a energia deve permanecer — e onde o silêncio já é resposta suficiente.
Narciso
Quando ele precisa, ele me procura.
Quando percebe que eu posso seguir em frente, aparece só para marcar território.
Ele pode tudo. Eu, quase nada.
Está sempre mais cansado, sempre trabalha mais, sempre acha que a vida dele é mais difícil que a de qualquer outro.
Tudo o que é dele parece maior, mais pesado, mais importante.
Diz que não tem amigos, mas vez ou outra está com eles.
Reclama da solidão, mas rejeita a presença de quem quer cuidar, somar, estar de verdade.
No fundo, não é sobre cansaço.
É sobre controle.
Sobre manter alguém disponível sem assumir responsabilidade.
Sobre querer acolhimento sem abrir espaço.
Sobre não estar sozinho, mas também não permitir ser acompanhado.
E isso cansa.
Porque quem fica sempre à disposição também se esgota.
O fim não vem quando alguém vai embora. Vem quando você percebe que foi abandonado emocionalmente tantas vezes que amar virou dor.
Há uma angústia silenciosa que se instala quando se percebe que já não se consegue resolver sozinho boa parte da própria vida. Não é apenas a dificuldade prática que pesa, mas a sensação profunda de invalidez, como se algo essencial tivesse sido retirado sem aviso. A autonomia, antes natural, passa a ser um privilégio distante, e cada decisão depende de terceiros, de permissões, de circunstâncias que fogem ao controle.
Essa condição corrói por dentro. O indivíduo sente-se diminuído, não por falta de vontade ou capacidade intelectual, mas por estar aprisionado a limites que não escolheu. Surge a frustração de querer agir e não poder, de saber o que precisa ser feito e ainda assim permanecer imóvel. A dependência forçada fere o orgulho, a identidade e a dignidade, criando um conflito constante entre o desejo de reagir e a realidade que impede qualquer movimento efetivo.
O pior momento da vida, é aquele que você para e faz um balanço dos seus feitos e você percebe que fez muito esforço em um grande espaço de tempo e não teve nenhuma conquista eficaz, apenas aumentou seus compromissos, que ainda lhe pesam com arrasto. Daqui para frente, você sem sentir amadureceu, está experiente, mas, percebe que o tempo e a sua disposição não são as mais a mesmas e que você precisa agir pela sabedoria e não mais pelo esforço.
O instante exato em que uma consciência percebe que é finita e, ainda assim, continua desejando o infinito não acontece como um choque, mas como uma convivência silenciosa. Os seres humanos vivem a ilusão do infinito porque só é possível viver o presente considerando que a vida é eterna. Se pararmos continuamente para pensar que a vida é finita e que tudo passará, tudo perde o sentido. Para construir sentidos no mundo, precisamos da ideia de infinito, embora saibamos racionalmente que a vida é finita. A regra torna-se então saber que a vida é finita, mas viver como se fosse infinita, pois isso gera projetos de longo prazo e sensação de continuidade. A vida é finita, mas os desejos são infinitos. E enquanto os desejos são infinitos, somos também infinitos.
Se a memória tivesse um corpo físico, o tipo de matéria que ela poderia ser talvez não fosse mineral nem orgânica isoladamente, mas a própria forma humana. A memória poderia ter o corpo de um homem ou de uma mulher, porque um ser humano é feito de memória. Seu tronco, seus braços, seus lábios e seus olhos seriam apenas a matéria em que a memória se manifesta. A memória é um acontecimento que se expande por todo o corpo por meio de células interligadas. Assim, a memória seria um corpo que caminha carregando em si o tempo passado, o tempo presente e a expectativa do tempo futuro, um corpo que age ao existir, porque existir já é lembrar.
Explicar o amor sem recorrer a palavras associadas a afeto, corpo ou emoção é reconhecer que ele se instala quando as necessidades básicas de sobrevivência encontram estabilidade. Primeiro vêm alimentação, moradia, segurança e pertencimento. Quando o básico se estabelece, surge a equação que coloca o amor como o ponto mais alto da estrutura humana, pois ele representa a necessidade de vinculação e de partilha de mundo. Sozinhos, estamos em um território pouco compreendido; com o outro, criamos um campo de significados compartilhados. O amor torna-se então o encontro de dois mundos que se influenciam mutuamente, a forma mais elevada de integração à realidade e de atribuição de sentido à própria ação.
Quando o tempo decide parar de obedecer aos humanos, o primeiro dia dessa rebelião silenciosa acontece sem alarde. Ninguém precisa acordar pela manhã, porque não há manhã. Qualquer horário serve para acordar, porque não há mais horário. O trabalho não tem início definido, nem término previsto. Tudo fica suspenso e tudo pode começar a qualquer momento. O tempo, que organizava a mente humana, dissolve-se. Sem ele, a vida deixa de ser fragmentada e passa a fluir de forma intuitiva. A existência deixa de ser uma sequência e se torna um campo contínuo, onde as ações já não obedecem a uma régua invisível.
A inteligência que cresce em ambientes hostis pode ser compreendida como uma pequena chama que insiste em permanecer acesa na escuridão. O ambiente é amplo e adverso, mas essa chama, embora pequena, ilumina o suficiente para reorganizar o espaço ao redor. Ela não é um incêndio, apenas um ponto persistente que transforma o ambiente ao revelar camadas que antes não eram percebidas. Assim, a inteligência em ambiente hostil não domina pela força, mas pela capacidade de mobilizar e reorganizar o que parecia imóvel.
Quando alguém descobre que viveu metade da vida sendo uma versão traduzida de si mesmo, ocorre um deslocamento interno profundo. A pessoa percebe que nunca teve controle total sobre a própria trajetória e que a vida é atravessada por ilusões e projeções difíceis de identificar. Surge a pergunta sobre autenticidade em um mundo cheio de nuances imperceptíveis. Esse reconhecimento não destrói a identidade, mas inaugura um despertar ontológico, uma tentativa de viver o restante da existência com maior integridade e consciência, ainda que nunca haja certeza absoluta de autenticidade.
Se a linguagem pudesse adoecer, seus sintomas mais perigosos seriam a revelação involuntária das estruturas ocultas da sociedade. Ela deixaria de ser domesticada e passaria a expor o que antes permanecia velado. O poder perceberia primeiro essa doença, porque seria o mais ameaçado por uma linguagem que já não obedece. O poeta reconheceria a mudança como parte de seu próprio território de experimentação. O louco, imerso em seu universo particular, seria afetado de modo indireto, como quem vive em uma margem onde a linguagem já se encontra em estado instável.
O encontro entre duas ideias que se odeiam, mas dependem uma da outra para existir, seria breve e inevitável. Haveria um cumprimento mínimo e o reconhecimento mútuo de necessidade. Cada uma afirmaria silenciosamente ao outro que a existência própria só se sustenta pela presença daquilo que rejeita. Assim, a convivência não seria harmônica, mas estrutural. Permaneceriam juntas não por escolha, mas por impossibilidade de separação.
Perguntar o que é mais pesado — aquilo que nunca aconteceu ou aquilo que aconteceu e não pode mais ser alterado — conduz a uma conclusão direta: ambos carregam peso. O que não aconteceu pesa como possibilidade perdida; o que aconteceu e não pode ser alterado pesa como permanência irreversível. Cada um ocupa um tipo diferente de densidade dentro da experiência humana, mas nenhum deles é leve.
Às vezes, o amor precisa se perder para ser verdadeiramente encontrado. É nas ausências que percebemos a real importância de quem esteve ao nosso lado. O verdadeiro amor não se mede pelo tempo, mas pela intensidade com que toca a alma.
...E de repente você se conecta com o olhar da pessoa e, percebe verdade, alegria, solidariedade e empatia.
Então você se encanta, até pelos defeitos, que na verdade, é a manifestação da humanidade em sua abordagem mais límpida. E isso te faz rir. A admiração se dá por conta de pouca gente no mundo ainda possuir tamanha coragem de ser de verdade.
Logo você estará vivendo quase o que Kant chamou de moral pura, sem vantagem, sem retorno: apenas por entender que é justo.
E acha a voz, o olhar, o sorriso: tudo é belo.
Então vem a fase de defender, proteger, rebater críticas injustas, ser desaprovado por supostos amigos e criar inimigos dentro da própria família. E assim, você que estava na sua inércia e não se importava com nada (queria que o mar pegasse fogo para comer peixe frito), sente o que normalmente acontece no amor de pai ou mãe com os filhos, entre irmãos e amigos de verdade.
E você está sentindo exatamente isso por alguém. Isso é o amor. Você alcançou a eudaimonia.
"Tem quedas que parecem o fim… até que você se levanta e percebe que era só o começo do que você nasceu pra ser."
Quem realmente te conhece percebe quando você não está bem, ainda que você diga o contrário.
— Jess.
O segredo para felicidade não é buscá-la loucamente, mas sim percebê-la nas coisas sutis dessa vida. A felicidade é um sentimento que reside na simplicidade!
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