O Tempo e o Vento
O vento que sopra , faz sentir numa fração de tempo , que modera e tempera cada instante do seu momento !
João Batista Barbosa
“Aqui o vento é mais frio.
O ar não traz cheiro.
Não recordo a infância há algum tempo.
O que antes era desespero por não estar aqui
agora é calmaria
sem memória.”
Hoje o vento trouxe o cheiro do tempo
e bateu no rosto sem aviso.
Tinha gosto de estrada,
de coisa vivida,
de lembrança que não vira saudade,
mas pede atenção.
Ei, esse celular vai te comer vivo, largue ele por aí, dê um tempo, durma direito, sinta o vento, visite a família, cante uma trilha, vá andar na rua, tome banho de chuva... VÁ VIVER.
Não recarregue seu celular com sua energia.
Não fique parado no tempo, esperando pelo acaso.
Seja o vento que ninguém segura e apareça inesperadamente, mostrando sua força e seu poder para mudar uma situação.
O tempo passa como um vento!
Tudo é passageiro na vida.
Então viva como se hoje fosse o último dia do ano...
Aproveite a vida em toda a plenitude, porque o tempo passa mais rápido do que o vento. A vida é como um rio que passa em silêncio e contorna todos os obstáculos até chegar ao encontro com o mar.
“” Águas que foram
Águas que março
Vento na folha tremula no chão
Ao gosto do tempo
Brotando o verão...””
O que fica
O que fica depois do tempo,
É o toque que não foi vento,
É o amor que fica mesmo
Quando o corpo já se foi...
Fica o som da tua risada
Pendurada na varanda,
Fica o cheiro na lembrança,
Fica o rastro do que eu fui...
Fica o gesto em tua xícara,
O café que nunca esfria,
Fica a calma e a ventania,
Fica o canto que te inclui...
Fica o que a pressa não levou,
O que o tempo não varreu,
Fica a fé no que restou,
Do que é teu, do que é meu...
Fica o sol na tua sombra,
O abraço que desdobra,
Fica o sim que o medo ouvia
Mas fingia que não via...
Fica a paz no improviso,
Fica o passo sem aviso,
Fica o amor que não precisa
De promessa pra existir...
Fica o que a pressa não levou,
O que o tempo não varreu,
Fica a fé no que restou,
Do que é teu, do que é meu...
E se um dia eu me perder de mim,
Segue o som, segue o jardim...
A flor só floresce onde há espera,
E o amor só vive se for primavera...
Fica o que a pressa não levou,
O que o tempo não varreu,
Fica o amor que resistiu,
Mesmo quando tudo ardeu...
O que fica depois do tempo
É o toque que não foi vento...
É você.
Dias cor de cinza e chuvosos,tempo frio e ruas em silêncio,o único som que ecoa é da brisa do vento,sublime paz me parece!
Junto do vento que vem do sul, para bem além de onde o sol se põe, depois do oeste, onde o tempo se curva, flui a fonte da inspiração pura e indomável, a melodia que o mundo ainda não ouviu, gravada nas estrelas ancestrais.
Emanuel Andrade: O tempo voa neste vento que sopra forte
No galope de cada ser ao toque de um gesto, ou algo de concreto e preciso.
Por isso sonho neste sono perdido pela dormencia dos tempos e precisto.
Insisto no meu atelliê que esculpe meu ser e dos demais.
Nāo sāo actos banais!
É tudo natural e real.
Bliscado pelos sinais.
Procuro salvaçāo num canal.
A minha abstraçâo.
Dos adventos no carnal.
Encontro inspiraçāo.
Para sacear minha sençāo.
Na pulsaçāo da brisa.
Da razāo e da emoçāo.
Quero descobrir, novamente o meu sorrir.
Para medir no palco,
O aplauso desejado.
Pela luta intensa entre os mundos de outra gente.
Começo a contagem decrente
Para o ascender e nāo me perder.
Tranformado em outro ser por ter conhecido.
[16/07, 07:17] Emanuel Andrade: 1. O Tempo e o Movimento
O poema abre com uma sensação de urgência e fluidez ("o tempo voa", "vento que sopra forte"). O autor descreve a vida como um "galope", sugerindo que a existência é um movimento contínuo e veloz que, por vezes, nos deixa em um estado de "dormência" ou desconexão — o "sono perdido" que ele menciona. Aqui, a arte surge como o contraponto necessário: o "concreto e preciso" que tenta dar forma a essa fugacidade.
2. O Ateliê como Espaço de Cura e Criação
O "ateliê" não é apenas um lugar físico de trabalho, mas um espaço de alquimia pessoal. Ao dizer que o ateliê "esculpe meu ser e dos demais", o autor sugere que o seu processo criativo é uma ferramenta de autoconstrução. Há uma afirmação de propósito: o que ele faz "não são actos banais", mas algo profundamente "natural e real", reivindicando a dignidade da sua produção artística frente à banalidade do cotidiano.
3. A Dualidade: Abstração vs. Carnal
O poema explora a tensão entre o imaterial e o físico:
Abstração: Reflete o mundo interior, os "sinais" e a "inspiração" que ele busca.
Carnal: Reflete a realidade vivida, os "adventos" e a necessidade de "saciar" a sensação.
A arte, para o autor, é a ponte que une a "razão" e a "emoção", transformando o fluxo do que ele sente em algo que pode ser compartilhado com o mundo.
4. O Palco e o Reconhecimento
O desejo de "descobrir, novamente o meu sorrir" e a busca pelo "aplauso desejado" revelam uma faceta humana e vulnerável: a necessidade de validação. O "palco" pode ser lido como uma metáfora tanto para a exposição pública do artista (as suas exibições e performances) quanto para a própria vida, onde ele encena a "luta intensa entre os mundos de outra gente".
5. A Metamorfose Final
O encerramento — "Começo a contagem decrescente / Para o ascender e não me perder / Transformado em outro ser por ter conhecido" — é um ciclo de renovação. O autor reconhece que o conhecimento e a experiência (o "ter conhecido") são os agentes que operam a mudança. Ele não teme a transformação; pelo contrário, a abraça como um mecanismo de "ascensão" para evitar a perda de si mesmo.
Síntese
Em suma, o poema é um manifesto de resiliência. Emanuel Bruno Andrade utiliza a escrita para processar a sua própria trajetória, elevando a sua prática artística de uma simples atividade criativa para uma missão de "salvação" e conexão humana. É a voz de um artista que compreende que, para existir plenamente no mundo, é preciso estar em constante estado de criação e transformação.
ONDE O SILÊNCIO FALA.
No tempo onde o vento sussurra teu nome,
repousa a lembrança que não dorme um véu de luz e distância,
feito de sombra e esperança.
Tuas mãos, ficaram no outono,
entre as folhas que dançam sem dono; e o mundo parece menor desde então,
porque em mim ecoa tua canção.
Há dias em que o céu me devolve teu olhar, como se o azul soubesse amar.
E eu que me rendo à dor com sorriso chamo-te em silêncio, como quem reza um aviso.
Se fores estrela, brilha em mim,
se fores vento, toca-me assim.
Mas se fores só lembrança e eternidade,
permanece... como ficou tua saudade.
Ontem senti o vento soprando frio, e aquele arrepio me trouxe uma percepção silenciosa: o tempo está passando e eu sinto que estou ficando mais velho. Mas, engraçado... por mais que os anos avancem e que o mundo tente mudar quem eu sou, eu ainda não consigo esquecer o seu rosto.
Estamos separados por esse oceano imenso, por quilômetros que parecem infinitos, mas a distância é apenas um detalhe geográfico. Meu coração ainda sente a mesma emoção de sempre. Mesmo aqui, neste lugar solitário, você é a presença que preenche o vazio.
Sabe, eu me pego olhando para nossas fotografias antigas. Elas são como brasas que se recusam a apagar; estão queimadas na minha alma. Já caminhei por "rodovias cravejadas de diamantes" e vi o brilho de muitos lugares, mas nada se compara às nossas pistas de terra, aos nossos caminhos simples. É o pensamento de você que me faz desejar, desesperadamente, estar em casa.
Ultimamente, minha mente vive perdida em sonhos. Fico fazendo planos e "conspirações", tentando encontrar um jeito de encurtar esse caminho e voltar para os seus braços. Às vezes, no fundo, sinto que essa estrada é interminável e que cada um de nós precisa subir suas próprias montanhas sozinho... mas a esperança de te ver de novo é o que me mantém em pé.
Sinais do tempo
O vento se insinua e move delicadamente
As páginas desnudas e simples do livro
Sobre a bancada de madeira
Descansa ao lado do balanço
Se movimenta lentamente como num ressoar.
As páginas amareladas com sinais do tempo
Trazem a nostalgia de um passado
Contam as histórias de cada personagem
Lembradas com carinho dos
Momentos vividos intensamente.
O vento se mistura com o suspiro da morte,
A justiça invisível ouve suas lamentações
À distância os deuses louvam o momento,
A vida peregrina pelos campos desertos
Enquanto as almas procuram o descanso...
O livro continua sobre a bancada
Aguardando a companhia de alguém distante
Que talvez não volte mais.
Suas paginas melancólicas suspiram ao ver
Que o balanço continua solitário ao seu lado.
"A nostalgia percorre o tempo como vento silencioso, trazendo à tona ausências que o coração insiste em lembrar.”
