O que os Olhos não Vêem
Aprendi a ser poeta
com seus olhos azuis...
com seus olhos castanhos
aprendi a ver o tamanho
de uma grande dor
aprendi que a paixão se perde
com seus olhos verdes...
e com seus olhos pretos
aprendi a ser correto e
confiar no amor
sem seus olhos aprendi que nada posso ver...
Quando os olhos lacrimejam
a solidão já se perdeu nos pântanos
e a alma já foi devorada pela alcateia...
O PÂNTANO
Quando os olhos lacrimejam
A solidão já se perdeu nos pântanos
E a alma já foi devorada pela alcateia...
Então a neblina cai fria,
Perolada por um ou outro
Raio furtivo de luar
Que escapam por entre as nuvens,
As manhãs são raríssimas,
Uma ou outra lembrança
De um passado longínquo,
A essência humana é esse pântano;
Uma criança frágil caminhando
Num terreno íngreme e pedregoso
Sob olhares famintos de lobos...
O CÉU DE MACAPÁ
Ela era tão bela quanto o mar
E tinha os olhos tão azuis
Como o céu de Macapá
Solitária como Piripirí,
Pobre como o Piauí
E tinha o rosto de anjos
Como quando os anjos tinham rosto,
E falava manso
Como quando os anjos falavam com o Senhor
E fazia-nos pensar no amor
Como quando conseguíamos pensar
E era triste como a Aldeota
Como uma jangada sem rota
Na imensidão do mar,
Só tendo o norte como referência,
Como quando tínhamos norte...
Agora na imensidão do tempo
Ela não é mais bela,
Não temos mais céu como o de Macapá
Não temos mais janela pra Piripiri,
Não temos a nobreza do Piauí,
Não temos mais rosto...
Ela era tão bela...
OLHOS DE VALLADOLID
Eram de uma noite tão negra
Como se o inverno chorasse
Todas as suas chuvas em suas madrugadas
E eram tão tristes
Como se abrigassem todos os mendigos
E eram melancólicos
Como se chorassem todas as saudades
E eram pobres como as árvores do outono,
Solitários como sua esperança,
Assustados como uma gazela
E eram de uma solidão divina
Não somente de ser só,
Mas de não ser compreendidos
quem já teve um amor verdadeiro
um dia e perdeu
herdou nos olhos a nostalgia...
mas perdeu seus horizontese suas referências
minha primavera, minha Vera prima
eles verão este inverno no meu olhar
eles verão o meu outono e outras estações
fases de lua e suas consequências
eles verão e eu inverno a derramar
o amor que transbordou no tempo e na saudade
quem já teve um amor verdadeiro e um dia perdeu
jamais será triste
triste é quem um amor verdadeiro nunca viveu
mas quem pode entender o amor,
o amor é um deus
ou se vive o amor e tem fé...
ou não vive e padece
e se torna um ateu
preciso lembrar que o amor me esqueceu
e que os sonhos que eu tinha
não são mais sonhos meus
SÓLIDA SOLIDÃO
A minha solidão é a multidão
De olhos, bocas, risos,
Falam, proclamam, sentenciam sisos
A minha solidão abandonada
No olhar do mendigo,
Nas suas vestes rasgadas,
Sua pele suja e rugas sugadas;
Estratégia pra viver e pra morrer
Na sólida solidão do seu não ser;
Ninguém o vê, ninguém o olha,
Que ser esquisito!
Se tudo é lindo e o mundo é tão bonito
E sua miséria se perde
Em um ou outro olhar terno
E essa solidão se acabará no rigor
Sem compaixão de algum inverno
E nessa dor se perpetuará minha solidão
A verdade não é um destino, mas uma jornada constante que se revela apenas aos olhos de quem busca, sem temer o desconhecido.
Mergulho no sangue que sai dos meus olhos já mutilados
Uma dor que já não cabe mais na alma e me afoga, me sufoca
Como a mão do próprio diabo espremendo meu pescoço para a sua limonada matinal.
A cura está dentro de mim? Talvez estivesse, antes dessa lâmina me dilacerar por dentro.
Se o inferno existe... é o respirar, é o levantar, é o falar, é o ouvir, é o viver. É acordar e querer dormir de novo. É esse grito enjaulado que NUNCA vai sair. São os pensamentos esmagando o meu cérebro Esse é o inferno
Na solidão, encontro um oásis na música. Fecho os olhos e me transporto para os bosques, sentindo a brisa acariciar meu rosto, enquanto as alvoradas pintam o horizonte. A areia fria toca minha pele, e o céu se entrelaça comigo, como um abraço caloroso. Os dias antes cinzentos se tingem de vida, e a música se torna meu refúgio, uma sinfonia que colore minha alma.
- Emilia Ferreira
Quando eu me perder no vasto céu e me transformar em estrela, feche teus olhos e me sinta como a brisa suave que acaricia tua pele. Quando a chuva descer, saiba que não são apenas gotas, mas minhas lágrimas se fazendo poesia, tocando teu ser com a serenidade de quem nunca se foi. Ao caminhar pela praia, pisar na fria e molhada areia do mar, beije uma rosa e lance-a às ondas, pois ela será meu reflexo, e tu, sem saber, estarás me trazendo de volta, mesmo que por um instante. Se uma borboleta vir à tua frente, feche os olhos e escuta, pois é o sussurro da minha alma. Quando o canto de um pássaro atravessar o silêncio, entenda que sou eu, vindo na forma etérea do vento para te tocar. E, se por acaso, meu perfume te envolver, e alastrar teu quarto, respira fundo, pois estarei em cada molécula, sorrindo na fragilidade do instante, pois neste mundo a felicidade nunca foi minha, mas a essência da minha ausência habita nas pequenas coisas que despertam o toque da alma. Estarei lá!
Quando estou lendo,
meus olhos transformam-se
em uma boca degustativa,
meu cérebro vira estômago,
meu coração é os meus rins,
filtrando as ideias como um bom amigo;
para depois favorecer uma boa reflexão.
Desde aquele dia,
que os teus olhos azuis
pousaram sobre mim,
a minha face ficou assim,
com tons azulados, não sei se é frio
ou um doce delírio,
que invade a minha figura!...
Os olhos um mar "vítreo"/
Onde se mergulha em olhares/
Despido de pura timidez/
Nadando loucas braçadas/
Até alcançar a ilha do coração!
Os olhos é rodovia de duas mãos,
que levam ao coração.
Nesta Rodovia são transportadas,
as verdades e as mentiras...
