O que Nao Elabora se Repete Freud
Eu carrego a morte de alguém comigo. Não como lembrança distante, mas como algo vivo, pulsando dentro do meu peito. Ela respira comigo, anda comigo, dorme ao meu lado quando fecho os olhos. Não importa onde eu esteja, aquele momento sempre chega antes de mim.
As pessoas dizem que não foi culpa minha. Que foi um erro, um acidente, uma consequência inevitável. Elas falam isso com facilidade, como quem descreve o clima. Mas eu estava lá. Eu vi os olhos perderem o foco. Eu ouvi o último suspiro falhar no meio do caminho. Eu senti o peso da vida se tornando apenas… carne.
Eu lembro do som. Sempre lembro. O impacto não foi alto, foi seco, errado. Um som que não deveria existir. Houve um segundo de silêncio absoluto, e nesse segundo eu soube. Antes mesmo de olhar, eu soube que tinha acabado com tudo. Quando meus olhos desceram, o corpo já não respondia. Peso morto. Calor indo embora rápido demais.
Minhas mãos tremeram, mas não largaram. Tinham sangue nelas, muito mais do que eu esperava. Grosso, escuro, quente. Escorreu pelos pulsos como se quisesse me marcar, como se quisesse garantir que eu nunca esquecesse quem eu era naquele instante. Eu fiquei ali parado, incapaz de agir, esperando um milagre que não veio.
Desde então, nada em mim funciona direito.
A culpa não é um pensamento, é uma sensação física. Ela aperta minha garganta até doer engolir saliva. Ela faz meu estômago revirar, como se algo estivesse apodrecendo por dentro. Às vezes eu acordo com vontade de vomitar, outras vezes com vontade de gritar, mas nunca faço nenhum dos dois. Eu engulo. Sempre engulo.
Já lavei minhas mãos até a pele rachar. Até arder. Até sangrar de novo. Mas o vermelho nunca some de verdade. Ele volta quando fecho os olhos. Volta quando o silêncio fica alto demais. Volta quando alguém confia em mim, porque eu sei exatamente o que sou capaz de destruir.
Eu não me perdoo. Não porque não tentaram me convencer, mas porque eu não mereço. O perdão exige que o erro fique no passado, e o que eu fiz não ficou. Ele se espalhou. Moldou tudo o que eu me tornei depois.
Em batalha, eu avanço sem medo. Parte de mim espera ser atingida. Não por coragem, mas por cansaço. Cada dor nova é pequena comparada àquela que nunca para. Cada ferida aberta é um lembrete de que ainda estou aqui… quando talvez não devesse.
Eu sigo em frente não por esperança, mas por punição. Viver é a sentença. Lembrar é a tortura. E carregar essa culpa é a única coisa que me mantém honesto sobre quem eu realmente sou.
Eu não esqueci.
Eu nunca vou esquecer.
E isso é o que mais dói.
— Cyrox
Havia um garoto que carregava o coração como quem carrega um segredo bonito. Ele não falava muito sobre sentimentos, mas sentia tudo em profundidade. Sentia o mundo, as pessoas, os silêncios. Havia nele uma delicadeza rara, um jeito calmo de amar a vida como se cada dia fosse um encontro marcado com o destino.
Esse garoto acreditava no amor mesmo quando ele doía. Acreditava nos olhares demorados, nas conversas que atravessam a madrugada, nas mãos que se encontram sem pedir permissão. Ele sorria quando pensava em alguém especial, daqueles sorrisos involuntários que denunciam o coração antes da razão.
Gostava da ideia de dividir momentos simples: caminhar sem rumo, ouvir uma música baixa, observar o céu mudando de cor no fim da tarde. Para ele, o romance não estava em grandes promessas, mas na constância de estar presente, no cuidado silencioso, no desejo sincero de fazer o outro se sentir em casa.
O garoto tinha um jeito bonito de amar. Amava com intensidade, mas também com paciência. Não tinha medo de demonstrar, de se entregar, de sentir demais. Sabia que amar era um risco, mas preferia o risco ao vazio. Preferia um coração marcado a um coração fechado.
Quando se apaixonava, o mundo ganhava outra cor. As noites ficavam mais longas, as músicas mais profundas, as palavras mais necessárias. Ele imaginava futuros possíveis, mesmo sem garantias, porque para ele o amor sempre vale a tentativa.
E assim esse garoto seguia, com o peito aberto e os sentimentos à flor da pele. Um garoto romântico em um mundo apressado, acreditando que ainda existe beleza em amar com verdade. Porque ele sabia que, no fim, não é sobre quantas vezes o coração se parte, mas sobre quantas vezes ele escolhe amar de novo.
— Cyrox
AMOR E DESPEDIDA
Um adeus que não se deseja professar, prolonga as noites de nossa alma
Ora! Não que sejam as noites uma ausência de luz, ou mesmo a dissipação do calor esplendoroso
Mas, a presença de uma luz calma como a lua, na qual os olhos podem penetrar em profunda contemplação, numa ausência de si mesmo
Uma espécie de inclinação devota, rendida e vulnerável a algo que se revela infinito, no efêmero de nossa experiência terrena...
O amor puro, sem matéria.
O único e verdadeiro amanhecer de nossas almas!
Araucária e a Cachoeira
.
Em certo vale
Em certa altura
Não a quem se iguale,
tocou o céu a bela criatura
Até cair em um baile,
findando sua feitura
.
Araucária era essa
produtiva em toda festa
Chegava gente de todo mundão
atrás do seu pinhão
Tinha grande porte
E seu tronco era o mais forte
.
Seguiu por anos na colina
em meio chuva forte e garoa fina
No sistema feito para falhar
tem que saber se alimentar
Foi contra todo o tempo que emergia
Até que um contratempo cessou sua energia
Chegou uma tempestade de dia
E um raio a atingira
Em queda essa algo surgira:
“Seguir o fluxo com qualidade
transcendendo vulnerabilidade...
Seguir seu próprio sistema dentro do sistema da causalidade…”
.
E de altura elevada
sua marca na história ficou acervada
Dela, caiu uma pinha ressaltada
Que rolou pelo chão montanha abaixo
E sem hesitação caiu no riacho
Seguiu abaixo o rio
naquele fluxo frio
Por meio do solavanco
chegou no famoso véu branco (Cachoeira)
No ponto de falhar ou voar,
seguiu a água pra qualquer lugar
Resultado da queda:
Se abriu em uma pedra
Soltou cada pinhão
em um braço d’água
Que rápido como avião
em outro campo deságua
Conforme a formação, se desenvolveu
E assim, nova geração cresceu
.
Deus, me permita ter os sentidos aguçados para saber o que é e o que não é para mim.
Para que eu saiba distinguir uma coisa da outra.
Deus, me permita ter comigo a espada justiceira além do alcance e o discernimento verdadeiro.
Para que eu compreenda com serenidade os movimentos da vida e aquilo que não posso mudar.
" Deus escreve certo por linhas retas, Ele não desvia nem para a esquerda nem para a direita, quem desvia do caminho é o ser humano, que prefere inventar desculpas para seus erros do que seguir os ensinamentos de Deus."
"Quando decidimos virar a página, pode ser libertador, mas, muitas vezes não viramos, por medo do desconhecido, e quando conseguimos nos libertar dessa crença que nos limita, nos tornamos mais fortes."
" Se você não consegue voar alto igual águia, se inspire no cachorro Caramelo que subiu a pirâmide mais alta do Egito, degrau por degrau, mais chegou ao topo"
De todos os momentos que já vivi, este é o melhor e não poderia deixar de sê-lo, pois está aqui ao meu alcance.
Introspectiva, as vezes não...
Eu não sabia quem ela era,
Sorria, brincava de felicidade...
Nomeava sons imaginários
Ouvia o anteceder da chuva
Sonhava com raios e luzes.
Em uma noite sem palavras
Ela gargalhou com os olhos
E pensou alto sem dizer...
Nesse ato eu a reconheci
Feito melodia para cegos,
Tateei sua face, sutilmente.
Quis tê-la pela metade,
A outra eu guardei no espelho.
Não sofro por amor, amo sem pensar em sofrimento, pois o amor é divinamente elevado a qualquer tipo de dor.
