O que Espera de Mim
Meu coração ignora a lógica das despedidas, ele insiste na espera mesmo quando a ausência já virou poeira.
A espera pelo primeiro amor não foi apenas tempo, foi vida doada. Foi a paciência de quem cultiva uma flor em solo estéril, acreditando que o amor, por si só, teria o poder de fazer brotar a reciprocidade.
Existe uma distância entre quem eu sou e aquilo que o mundo espera que eu seja. E, nessa travessia, vou me perdendo em fragmentos. Há partes de mim que não retornam. O preço de caber é, muitas vezes, deixar pedaços no caminho.
Quando ninguém me espera, o tempo perde sua educação e mostra que a existência não tem plateia, tem apenas presença.
A Lucidez do Paraíso é o Instante do Devaneio
O Paraíso não é um jardim que nos espera,
com portões de pérola e árvores de ouro estático.
Não é uma recompensa por uma vida finda,
mas uma suspensão lúcida do tempo presente.
Ele reside naqueles instantes-limite,
em que a consciência se afina e a imaginação se liberta.
A lucidez é a navalha que corta o ruído do mundo,
reconhecendo o peso exato de cada elo da corrente.
Ela sabe: o muro é muro, a dor é dor, o efêmero é a regra.
Não há ilusão que resista à sua luz fria.
Mas a alma, cansada da geometria do real,
não aceita a clausura do que é apenas "fato".
Então, o devaneio se apresenta.
Não como uma fuga cega ou uma negação covarde,
mas como a afirmação mais alta da potência do ser.
O devaneio é o arquiteto que refaz o mapa da realidade,
desenhando rios onde antes havia deserto,
dando voz ao silêncio que a rotina impõe.
É a permissão para que o possível
se sobreponha à tirania do presente.
E o Paraíso, finalmente, não é a terra de ninguém,
mas o ponto exato de interseção:
É a lucidez que reconhece a precariedade da vida
(sabe que o tempo vai passar, que a beleza é breve)
e, por isso mesmo, usa o devaneio
para saturar o momento com uma perfeição temporária.
É o piscar de olhos onde a razão e o desejo conspiram:
"Isto não é real, mas é tudo o que importa."
Naquele instante de flutuação, a mente está desperta
(lúcida de sua própria criação),
e a alma está em êxtase
(devaneando um mundo que ela mesma sustenta).
O Paraíso, portanto, é a plena consciência da nossa capacidade de ser feliz, mesmo que seja apenas um pensamento. É o gozo da ilusão assumida.
É quando a mente, lúcida e livre, se permite voar.
"Quem respeita o Tempo de Deus transforma a espera em aprendizado, o trabalho em esperança e a conquista em gratidão."
Faixa de pedestres é lugar de respeito! Quando alguém espera para atravessar, pare o veículo e dê passagem. Sua atitude pode salvar uma vida. Não espere que o pedestre arrisque a própria vida para conseguir atravessar.
O amor não é apenas encontro, é também espera. Ele ensina a ter paciência, a respeitar o tempo do outro e a compreender que a intensidade não está na pressa, mas na verdade dos gestos.
O amor não é perfeito, mas é sincero. Ele não elimina as diferenças, mas as transforma em pontes. Não exige que o outro mude, apenas que seja.
O amor não é prisão, é liberdade. Quem ama de verdade não sufoca, mas impulsiona; não retém, mas fortalece; não pesa, mas acrescenta.
O amor é coragem. É arriscar-se a sentir, mesmo sabendo que pode doer. É abrir o coração sem garantias, acreditando que compartilhar vale mais do que se proteger.
E acima de tudo, o amor é presença: está no toque, no olhar, na palavra, mas também no silêncio que acolhe e no espaço que respeita.
K.B
Quando a espera parecer longa, lembre-se:
Deus não se atrasa;
Ele nos encontra no tempo em que aquilo que buscamos também está pronto para nos encontrar.
Quando você espera que alguém lembre de você, é porque você mesmo esqueceu de si, por pensar que os outros têm que lembrar de ti.
Viva fazendo o que o mundo espera de você, e talvez seja premiado, elogiado, privilegiado, bem tratado, respeitado e até popular, mas no fim, pode morrer infeliz.
Viva para o seu coração, seguindo o que realmente acredita e sente, e talvez seja desprezado, debochado, ridicularizado, rejeitado, maltratado, ignorado, mas no final, morrerá em paz, satisfeito com a própria escolha.
Afeto é quando você dá sem esperar nada em troca.
Interesse é quando você espera receber aquilo que deu.
Quem espera não vive, apenas espera.
Quem espera pelos outros, se perde de si mesmo.
Quem espera pelo tempo, perde o tempo que tem.
Quem espera pelos finais de semana, perde os dias que vêm antes.
Quem espera pelas férias, perde o ano inteiro.
Quem espera se aposentar, perde a vida enquanto ela acontece.
E quem perde a vida assim, acaba morrendo arrependido… ainda esperando a morte.
