O que Espera de Mim
Não pise em mim como se eu fosse uma barata.
Pise como se eu fosse uma pedra.
É, uma pedra está bom.
Cada vez que você vai
Abre um buraco em mim
Mas não um buraquinho qualquer
Abre logo uma cratera
Que engole tudo:
O sorriso, a fome, a vontade, o ar
Porque se tornou tão imprescindível assim?
Porque fez ninho na minha pobre cabeça?
Veja esse pensamento desalinhado que sai de mim
Nada faz sentido
Nada obedece à regra nenhuma
Esse emaranhado de sentimentos
Começa e termina em você
Então, deixe eu morar aí no seu peito
Deixa eu ficar de qualquer jeito
E fica, meu amor,
Em mim.
Mãe me amamenta outra vez
Me traz para a vida
Cuida de mim
Mãe, segura a minha mão
Me leva em segurança pela vida afora
Penteia os meus cabelos
Remenda as minhas roupas
Traz aquele leite morno com bolachas
Quando eu estiver doente
Ri de novo das minhas palhaçadas
Que eu sempre faço só para te fazer rir
Me mostra o chinelo outra vez
Mãe, conta uma história
Lembra da sua casa
Lembra da sua mocidade
Do seu cavalo tão bem cuidado
Mãe, me chama de Beth, Marga, Zena,
Troca o meu nome outra vez
Mãe, faz tudo de novo
Tão igual e tão perfeito
Na sua simplicidade e ternura
Mãe, não morra nunca
O mundo é muito feio
Imagina sem a senhora aqui...
Mãe, eu amo a sua comida.
Meire Moreira
Escrito para mim!
" Saudades de Dom Quixote, de seus rompantes.
Suas verdades puras, de vida breve: seus instantes.
Somos loucos, revolucionários.
Mutantes.
E, embora visionários.
Sem Cervantes.
Somos poucos.
Sem lembranças.
Sem verdades.
Sem lealdade.
Sem Sancho Pança.
Queria encontrar Quincas.
Viver seus lares.
Em bares.
Criados, endeusados.
Por Jorge Amado.
Beber seus mares.
Seus gritos.
Suas mágoas.
Seus berros aflitos.
Suas águas.
Quem sabe, até por ironia.
Reveja Brás Cubas.
Suas histórias.
Seu dia- a- dia.
Em minha memória.
Aprendiz.
Representada por u'a atriz.
Em seu viver encantado.
Por um Machado de Assis.
A quem sempre quis.
Feliz.
Em suas sátiras.
Em seus ardis.
Hoje meu pensamento está suado.
Saudoso.
Cansado.
Malcomportado.
Querendo calar, ansiando ouvir.
Algum canto, algum hino.
Reclama a presença de Meire.
Clama por seus encantos.
Sua voz.
Seu violino."
Silveira Serpa Antonio
Intolerância que fala?!
- Se você for pregar pra mim, não vai rolar. Não curto religião, deixa pra lá.
- Se você idolatra política, problema seu. Não babo ovo, o voto é meu.
- Se meu time é pior que o teu? Pode até ser. Curto futebol, e não debater.
- Se você não come carne, é sua opção. Meu cardápio eu decido, você não.
- Se você gosta da cor azul, sem treta. Me identifico com a preta.
- Se você curte o rock, eu não ligo. O rap fala comigo.
- Se você não quer um b.o, bora tentar. Basta me respeitar.
- Se você me julga frieza, aí deu. Quem perdoa é Deus, e não eu.
- Se você acredita em tudo, 'kraio'. Sem evidência, não caio.
- Se você discorda de algo que leu, fodeu...
O mais estranho pra mim, é em nosso universo imenso, tudo ter sido tão diferente ao ponto de nunca compreender você e você achar saber tanto sobre mim.
Quem é você realmente? E eu quem sou no fim?
É uma sensação tão estranha
Vem pelos meus pulsos
A sinto
Tenho que deixá-lo ir
Talvez eu não deva ser sua realmente
É a única forma de tudo então fazer sentido
Uma mancha, um desejo de ser esquecido
Ter tudo esquecido
Houve amor em um caos evitável e tempestuoso
Te prendi a mim
Me prendi em você também
Livres.
Que usemos cada uma de nossas sortes, melhor a cada vez..
Nunca haverá uma resposta para o que foi feito.
Eu sou um enigma de mim mesma.
Nunca encontro nada além de perguntas, as mesmas, sempre as mesmas.
Sempre gostei de dias chuvosos, talvez seja porque ele lave algo em mim que os dias de sol não conseguem secar.
Com certeza tenho um coração, ou algo parecido pulsando em mim, só não sei onde e nem quando o perdi.
Existencialmente exausto. Cada nova manhã exige de mim uma façanha maior do que no dia anterior, levantar da cama parece um esforço incompatível com minha realidade física e emocional. Essa exaustão não se resume ao corpo cansado, mas se multiplica na mente, onde a luta contra pensamentos deprimentes consome qualquer resquício de energia que eu ainda guardasse.
Meus pensamentos são rabiscos trêmulos, letras soltas tentando conter o que não cabe em mim. Talvez ninguém os leia, mas escrevê-los já é uma forma de não desaparecer. Não busco aplausos, busco alívio. Cada fragmento no papel é uma tentativa de existir, de organizar a dor que o silêncio engole. Mesmo imperfeitos, esses pedaços de mim me lembram que ainda estou aqui, tentando.
A dor me faz triste. Cada fibra em mim lateja memórias que nem a medicina apaga. Sou um retrato ambulante de perdas, do movimento, da autonomia, da esperança. E assim… Atristeza brota sem cessar,
como uma secura interna que nenhum afago alcança.
A melancolia mora em mim… chega com a dor, se agarra aos meus pensamentos como sombra sem fim. A esperança vem… breve, estranha,
quase incômoda… antes de a escuridão tomar tudo de volta.
Não importa o caminho, o desfecho é sempre o mesmo. Eu, naufrágio de mim. É como se o erro estivesse gravado em minha essência, antes mesmo de eu nascer. Cada escolha apenas uma variação do inevitável. Luto, insisto, me debato, mas há algo maior, invisível, que já decidiu meu lugar, é à margem, entre os que tentam e nunca chegam.
O tempo não apaga a dor, mas revela a força escondida em lugares que por mim, eram desconhecidos. No pulso sereno das horas, uma resistência silenciosa floresce, como raiz que cresce invisível sob a terra.
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