O que Espera de Mim
Metade
em mim
te quer,
a outra metade
prefere esquecer;
Garota,
ando tão grilado!
Grilos
com vida própria
e cantantes.
Estou do teu lado
estamos frente a frente,
já não tenho
mais pressa,
nao consigo esperar;
Minhas retinas fadigadas,
minha intuição sensorial
parece revelar tristeza
mas no fundo
é exatamente
essa vivência
que torna
mais fácil
o meu rimar.
"Aprecio os desvios para chegar onde desejo.
Deixa os dias mais vibrantes, e a mim,
um desbravador."
O Duque
Senhor afasta de mim este cálice. Silencia minha boca, cega meus olhos e ensurdece meus ouvidos para que eu sinta tão e somente o Senhor; e que todas as coisas vans sejam nada mais que segundos em meus dias a fim de lembrar-me da Tua Bondade, Amém!
Abril...
"Quando te penso,
arrepio,
alegro,
fujo de mim.
Te invado
nas minhas
memórias,
sem saber.
O corpo
deixa de ser matéria:
evapora perfume,
envolvido em bruma
de pele macia que,
esbarrada na minha
(já descarnada pelo tempo),
Traz o desejo simples...
Vem na manhã,
no cheiro de café
do início do dia,
que fantasia, outra vez, o perfume
que te traz a vaporizar
teu cheiro,
Que trago,
que vago,
que sonho.
E tu,
nesta memória
de muitos versos,
molha
minha boca
que saliva por ti
após o desjejum.
Lampejos
de saudades
que te esperam
noutra manhã de março."
Jorge B Silva
A CANÇÃO QUE NÃO É MINHA
Existe uma canção em mim,
Uma canção que não é minha.
Ela vaga imortal no meu inconsciente
E arrasta sensações de tempestade e calmaria.
Nas poucas vezes que estou lúcido,
Sou arrebatado de forma cálida.
Eu, que não sou um entusiasta do meu pessimismo provocado por ela, devo esclarecer: entenda, meu pessimismo é meu bom vivant; não é tristeza, desesperança ou solidão, é apenas solitude.
Entenda: meu pessimismo foi construído com bases fortes na canção entoada na alma.
O pessimismo é meu, e ele se agarra a mim como se eu fosse a última fronteira entre a esperança e o desânimo.
A canção continua tocando, cadenciada e ressoando no caminho da alma, um caminho tortuoso e sem fim!
Lembranças
Lembrei-me de você
Tão longe, longe de mim.
Eu faço barcos de papel
Que vão pelos mares a ti,
Como uma lembrança.
Lembre de nós, quando crianças,
Juntos a brincar, a sorrir.
O mundo era nosso:
Você a lua e eu o sol,
Com olhares inocentes.
Quem ouvir o nosso pranto
Vai entender que não queremos
Ouvir a palavra "adeus".
Se algum dia nos unirmos,
Falaremos a sós
Nossos segredos:
Essa nossa dor por não ter
A quem amamos.
Os Deuses Riram de Mim: A Ironia do Olimpo
Não foi o Trovão que me atingiu,
nem a seta cega do Destino.
Foi algo mais sutil, mais devastador:
a gargalhada cósmica, fina e alta,
que ecoou no vazio após minha súplica.
Eu havia erguido altares ao Propósito,
pavimentado caminhos com a Fé.
Eu pedi grandeza, ou talvez apenas justiça,
e em troca, recebi a mais cruel das respostas:
o escárnio daquelas forças que me teceram.
Os Deuses não me puniram por maldade,
mas por pura indiferença lúdica.
Riram não do meu fracasso,
mas da minha ilusão de agência.
Riram da minha pequena e ardente vontade,
tentando dobrar a vastidão inerte do Acaso.
Riram do meu plano de cinco anos,
quando a eternidade opera em ciclos de poeira e estrelas.
O riso deles foi a revelação mais nua:
A vida não é uma tragédia com regras morais,
nem uma epopeia onde o mérito vence.
É uma comédia de erros, escrita por um Panteão
que se diverte com a seriedade de nossas crenças.
E a filosofia do riso divino é esta:
Você é livre para tentar, mas jamais para determinar.
No momento em que o som da sua hilaridade cessou,
eu não me senti humilhado, mas subitamente,
e perigosamente, liberto.
Pois se o meu sofrimento é a piada deles,
se a minha queda é o entretenimento celestial,
então a minha dignidade não está no sucesso que busco,
mas na teimosia de continuar jogando o jogo,
mesmo conhecendo o final,
e ignorando a plateia que gargalha.
O riso deles foi o fim da minha inocência,
e o início da minha coragem e da minha indiferença, os guardando num quartinho qualquer do meu universo...
Desejo enrustido
Você disse que havia em mim
Um desejo enrustido
E é claro que eu quis discordar
Mas, isso explicaria o que sinto
Você é o único que eu não quis mudar
Até deitaria no teu peito esculpido
Tatuando nele o meu cupido
Com um coração todo florido
Talvez nossa visão de mundo seja diferente
Mas, e daí? Gosto de desafiar a mente
A gente nem precisa mudar de ideia
Se respeitar um ao outro de forma sincera
Gostaria de ver as suas séries
E te apresentar as minhas bobinhas
Quando estivermos cansados
Saímos um pouco da linha
Aquilo que para você é visto como evolução, aventura ou novidade, para mim é percebido como repetição vazia, superficialidade ou falta de propósito.
Marcélio Oliveira
Sim.
Sabe qual é a minha maior vitória? Saber que você nunca irá tocar em mim. E sabe qual é a minha maior alegria? Ver que você se sente obrigada a se contentar com homens cegos!
_Sim____
(Sai pra lá, diabo!)
Marcélio Oliveira
🤣😜
Muito.
Eu queria muito vc aqui. Mais preciso muito te esquecer. E é muito difícil pra mim. E eu sei que e muito fácil pra você.
Você é meu anjo da morte, não por ser sombrio, mas por ter roubado de mim a vontade de morrer.
Sou uma alma fascinada pelo desconhecido e pelo prazer que beira a morte.
Mas, quando você vem me ver, me cura sem perceber. Com você, a morte pode esperar, porque quero viver cada instante desse romance.
Você não controla minha morte, mas faz com que eu não queira partir enquanto você existir.
Tempestade dentro de mim
A tempestade parecia não ter mais fim
Chegou tão rápido, me pegando despreparada
Mudou o clima e tudo se tornou melancólico dentro de mim
Esperei ela cessar
Quanto tempo se passou?
Um, dois, três, quatro, cinco anos...
Acho que foi por aí
A bonança custou chegar
Assim como a alvorada
Já estava quase desacreditando
Que o sol voltaria a brilhar
O vento era mui avassalador
A tempestade me causou gran dor
Nunca tinha sofrido tanto na vida,
Mas foi em meio a ela que compus
As melhores poesias.
O Adeus dos Bobos.
Se perguntarem por mim,
diga que sair...
Se não me encontrarem,
diga que estarei...
Se sentirem minha falta,
diga que estou bem!
Mas se zombarem...
Diga que dancei.
Se falarem mal sobre mim,
diga que sorrir...
Se me elogiarem,
diga que pensei.
Se em silêncio profanarem...
Diga que aprendi.
Se em gestos confessarem,
diga que amei.
E se se arrependerem,
diga que orei.
Mas se nada disserem,
diga que... as perdoei.
Rama Amaral
Você, com seu olhar aflito chegou até mim
Não consigo entender
Não posso entender
Essas pessoas não te merecem
Já disse o quanto você vale
Parece não ter acreditado
Mesmo que insista em dizer que o mundo te rejeitou
Estarei lá pra dizer que te aceitei
Só queria que você entendesse
Que eu sim posso te amar
Pena ser impossível
Mesmo assim eu digo, amigo
Que eu amo te amar.
Se acontecesse
com os guerreiros
Da minha Pátria,
A poética
que habita em mim
Também estaria
de prontidão,
Porque aonde
se falta liberdade,
A minha poesia
vira missão,
Vestir ou ter vestido
farda nunca
mediu nada,
E jamais servirá
De régua
para medir
a democracia
Que mora no coração,
O quê se mede somente
é o amor que se tem
Por toda a gente
da terra em questão
Assim canto pela libertação.
Como o Sol existe para o dia,
Você existe dentro de mim,
Você me seduz do alto,
Como um navio que navega
Sobre a poesia,
Nada passa a vontade
[nada sublima].
A mudez e a nudez,
Falam mais do que mil
[imagens].
Tanto uma quanto a outra
Insinuam mil miragens...
Como o vento persuade
as ondas do mar,
você existe para mim.
A tua [voz,
A tua [face,
A tua [mão,
A tua [presença,
Todas juntas são sugestivas
Inda de mãos dadas com as lembranças.
Guardo-te como a terra prometida,
Até na memória a tua carícia
Tem o poder de deixar-me entorpecida,
Há um jardim aqui que guarda
A tua rosa mística [rósea],
E uma intenção infinita,
Eis uma malícia definida
Repleta de uma vontade bendita...
