O Poema eu sei que Vou te Amar Inteiro
Pelos contos que eu não conto
Dá um desconto ao meu silencio
Não conto dos versos tristes
Não conto da estrela cadente,
Dos girassóis reluzentes
Que reluzem nos meus contos,
Não conto do meu silencio
Pois assim não o seria,
Não conto da minha alegria,
Que não valem nem um conto,
Pelos contos que eu não conto,
Conto pelos e apelos
Só não conto meus segredos
Pelos contos que eu não conto
Conheço seus infernos e seus demônios
Mas com eles eu posso
Comerei suas carnes e roerei seus ossos
Mas o perfume que eu sinto e você não tem
Seu jeito doce e seu olhar terno
Só se eu fosse o que eu não sou
Eu não tenho um castelo
Somente o sabor agridoce
do beijo que eu ainda não dei,
Tanto amor... jamais imaginei
te vejo ardendo no leito
E vejo o que te consome
Esse desejo proibido e sem jeito
Mas com a Pomba-gira eu posso
Comerei suas carnes e roerei seus ossos
O que você tem de bom é ingênuo
O que você tem de grande é pequeno
Eu amo esse anjo escondido no teu guarda-roupa
mas essa porta não abre
Você se protege com facas, espadas e sabres
Eu sou a poesia...
O sol? O que é o sol; o sol está tão distante...
A lua, as estrelas, a chuva, o vento, a tempestade..
Quatro paredes e um teto e você sai incólume
Mas a poesia... quem te protegerá da poesia...
quem te protegerá de ideologias patrióticas e tiranos
A bomba explodiu, uma das torres da mesquita ruiu
Velhos, mulheres e crianças entre as vítimas
Bagdah era um caos, mas ainda havia esperança...
O ar contaminado, o vento empoeirado
o horizonte fumaçado e translúcido...
um soldado metralhando o seu próprio medo
recebe um proj´etil na cabeça
esse é o meu verso, um poema macabro
Eu sou a poesia...
mas bem aventurado os que têm sede de justiça...
bem aventurado os mansos...
eu sou a poesia era um poema da namorada
no bolsinho da algibeira,
uma lembrança cabreira de um recruta tímido
sem a ideologia de morrer pela pátria
eu sou a poesia: um fuzil na destra, uma granada na esquerda,
o inimigo: qualquer movimento suspeito
e o que afrontasse a nossa ideologia
Bagdah era um inferno;
mulheres e velhos prostrados clamando por Allah...
o odor insuportável de cadáveres putrefatos,
gente ferida, gente agonizando...
e até ao final dos meus dezessete anos
caminhando entre as rosas e as samambaias
do jardim da minha casa
eu pensava que era poeta,
mas a namorada já dizia que eu era a poesia...
O ANO PASSADO
Depois do meu milésimo ano...não, eu não sou nenhum vampiro, muito menos Matusalem, só conjecturo sobre vidas passadas que provavelmente possa ter vivido. só queria uma lembrança mais marcante do ano passado; é exatamente isso, o ano passado; não ao pé da letra, não literalmente. Sabe aquela foto desfocada que amarelou e você tenta decifrar os detalhes, mas o perfume daquele tempo ainda invade as tuas narinas... ah, o ano passado! assim a Aldeota deixou aquela fragrância em mim; suas torres perfuravam meu coração, seus condomínios que encarceravam meus fantásmas, seus prédios que usurpavam minhas paisagens; baby sitters que me seduziam ou só abusavam do meu encanto. O ano passado, quando na foto você percebe que aquela roupa era ridícula que o penteado era brega, mas uma magia fascinava tudo romanticamente, pois ainda havia a esperança, a ilusão de que tudo teria melhores perspectivas, não é o caso desse nosso presente... então percebemos que o ano passado foi melhor e que o ano anterior ao ano passado foi melhor ainda. Acumulamos decepções, desilusões; os sorrisos parecem mais deboches, os gestos, uns escrachos e a realidade caminha capenga e escarpada como uma ameaça ao que tínhamos de esperança.
Ainda me levanto pela manhã crendo que um anjo refrigera a brisa que bate-me no rosto e seus raios de sol doura nos a pele como um consolo ao que de imbecil espora nos as costelas e presenças nocivas que me fazem querer de volta o ano passado
ADEUSES
Ainda não falei sobre os adeuses...
as vezes era noite, as vezes era dia, as vezes eu perdia a noção do tempo,
ou eu ainda não tinha noção de nada...
hoje diria que perdi muitos outonos, que despetalaram as primaveras, ou talvez atordoado... tantos "jabs" me deixassem grogue, e eu olhasse cuidadosamente as dependências farejando qualquer resquício de uma presença, de uma ausência num utensílio numa peça de roupa esquecida. A solidão sempre faz surgir fantasmas pelos corredores, barulhos de passos, sussurros, um grilo impertinente, até que o espelho da penteadeira reflete as lágrimas tardias que não caíram no momento da despedida. Xícaras copos, pratos, colheres e migalhas silenciam o colóquio dos últimos momentos de despedida; fica então, tudo tão quieto, e uma brisa vinda não se sabe de onde sopra fria...
MISTÉRIO
Quem sou eu?
Toda manhã diante do espelho
Eu me pergunto isso
E o espelho me mostra pelo avesso,
Minhas palavras se multiplicam
No vazio deste universo;
Quem sou eu; isso é perverso, penso,
Mas saber-me exato seria o inverso?
ÁGUA
Eu acho que estou ficando louco,
Eu acho que estou ficando um pouco
Eu acho que estou ficando é pouco;
Eu acho que não sei pensar,
Eu penso que não sei achar você
Vivi devaneios, sofri bombardeios,
Venci por você a batalha do waterloo;
Mas continuo batido, e você continua intacta
E rir e faz pouco, e me chama de louco
E eu acho tão legal ser louco por você...
Acho tão louco ser normal sem você
E tudo isso me encuca,
Eu acho que estou ficando biruta...
Hoje saí pela rua cantando ébrio de vicente celestino,
Dançando tango argentino, vestido de reverendo
E um inocente menino perguntou-me quem eu era
Eu disse que eu era o unigênito o deus dos exército
Que estava apaixonado por você...
E que você era a sereia, a baleia
Ou qualquer diabo aquático que me ncantou...
Eu já estou falando água,
Eu já estou molhando o papo, eu sou um pato...
Falei tanto e o que eu queria explicar,
Não era bem isso ou talvez fosse
Mas o sentido das coisas se perde no pulsar das emoções
E o senso do que é razão talvez ganhe sentido
Exatamente na essência dessa loucura...
Triste eu não fico
Eu dou qualquer motivo pra felicidade
Eu canto uma canção de amor,
Eu planto uma flor, eu faço uma viagem
Que solidão que nada, eu flerto com a lua
Paquero as estrelas até de madrugada...
A minha namorada ainda não é minha
Mas sorrir e se despe enquanto
Caminha suave na minha direção
Nos momentos mágicos das minhas fantasias...
Ou na monotonia da minha solidão
REFÉNS
Até que eu entenda a noite
os morcegos ainda se debatem nos últimos raios da tarde
os tons de um cinza moribundo embaçam silhuetas
e nos velórios ainda se constatam
que os olhos dos mortos estão abertos...
os sonetos procuram suas rimas,
sonolento se declinam os poetas
sobre o silencio obsoletos das palavras;
lacônica a eternidade sintetiza um sorriso, um olhar, um aceno;
obscenos desejos que se enlaçam
até que eu entenda a noite
o vampiro crava as presas na jugular da donzela;
os sinos da catedral anunciam um apocalipse,
o inverno se derrama catastrófico sobre a periferia;
até que se entenda a noite
sob a imensa ilusão do que é imensamente ínfimo
no íntimo qualquer paixão derrama estrelas num olhar
até que se entenda a noite
como um véu que nos conduz ao abismo
e seus mistérios que nos mantém reféns da dor e do prazer
RESSENTIMENTO
antes que eu esqueça,
a enxaqueca de zulu, impertinente me deixava,
nas minhas retinas, os reflexos do sol nos vitrais do edifício;
é difícil... alguém será feliz em algum lugar?
em algum lugar uma razão qualquer
que sustente a nossa fé e nos conserve a razão...
meu amigo Bráulio, eu que sempre lhe dei a mão,
atente para o que digo;
viver é um perigo, nosso único amigo é a solidão
não andei lendo Dante, kafka ou Pessoa,
acho que aprendi a amar sozinho;
sozinho você ama por telepatia,
por telepatia você ama todo mundo,
e os imundos, você manda aos infernos...
Freud explicaria esse meu lado divino
de fazer faxina e dar ao lixo, destino?
parece besteira mas não é brincadeira
como o mau me incomoda; ando tão sozinho,
vivo tão sozinho, mas essa multidão que habita em mim:
Dante, Kafka, Pessoa, Carolina de Jesus
e quem sou eu no meio de tanto sentimento,
tanto ressentimento... eu sufoco este algoz,
tenho que ser alguém melhor... se sou Deus, tenho que ser amor...
Sempre digo pra mim mesmo
que não é fácil ter setenta anos anos
meus documentos não dizem que eu tenho setenta anos...
mas quando eu tinha trinta eu já imaginava isso,
as lembranças pesam, as saudades machucam,
acho que já tenho oitenta; olhando adolescentes de hoje
penso que já nasci adulto, eu não fazia muito barulho,
eu não achava tudo engraçado, eu me encantava com as manhãs,
com o céu azul e as colinas, eu gostava de pensar,
não nas coisas que os adultos de hoje pensam,
talvez eu não seja normal, penso que já tenho cinco séculos...
quem normal pensaria que é eterno, quem normal pensaria que é Deus
Eu ainda não me entendo,
como pedir compreensão;
ainda não me percebo,
como pedir crepúsculos,
ainda não sei o que é amor,
onde e quando o amor faz bem ou mal,
a beleza se perde no fascínio de olhar,
mas perceber e intuir desencanta;
não é a solidão que nos faz sós,
somos nós solitários que fazemos a solidão,
então inventamos os ocasos
e tudo o que é inatingível como o horizonte;
o outro lado do rio é sempre o mais belo,
no outo lado da montanha é onde o sol se põe;
a terra prometida estará sempre
depois de algum deserto...
mas onde estaremos quando percebermos
o deserto que nos habita o ser?
Meu sonho
É só um sonho
Eu sonho só
E e o sonho é só meu
E por sonhar sozinho
Eu me avizinho ao sonho
Me descomponho
O sonho sonha eu
Sonho...
Às vezes eu sonho;
A brisa entra pela porta do quarto
E areja o meu sonho...
O café ferve e cheira
Alimentando o meu sonho
O sol invade pela manhã
O meu quarto e acorda o meu sonho,
Mas a brisa continua arejando,
O sol aquecendo,
O café cheirando,
Ela esfrega os olhos...
E me fala de sonhos...
Hoje eu abro o meu guarda-roupa,
Visto a melhor roupa e guardo a minha alma;
Num cabide penduro minha sensibilidade,
Cadê os meus poemas que perambulavam
Nas meias-solas do meu sapato,
Era bom sonhar com o beijo eterno,
Eu que não tinha jeans muito menos terno;
Mas era tão bom sonhar com as ancas
Generosas nas praças suburbanas;
Aquele meu romantismo em busca do inconcebível
Do que parecia inalcançável
Era o que me punha de pé toda manhã,
Cadê aquele jovem sonhador que cheirava a contouré
E mascava chichetes de hortelã;
Hoje os dias são tão violentos, a vida é tão rápida;
Alguns amores não resistem à alguns encontros
Alguns adolescentes se perdem nos desencontros
Mas aquele jovem, que ouvia baladas com a alma cheia de sonhos
Pippers nos bolsos de uma topeka
E um montreal fubento machucando o calcanar...
Descrevia bem os bons desejos de viver e de amar
Depois da meia noite
fascinado e encantado
diante do espelho me surpreendo:
"é, eu existo mesmo; mas já se passaram cinco séculos...
cinco séculos!
"Será que eu sou esse Deus de quem tanto falam..."
Consome a ilusão que eu sou,
o infinito a limitar-me assim
eu tenho esse desinteresse em síntese
a tese do me deixa vagar que eu vou devagar...
pescaria
enquanto eu tento entender
o que eu não percebo
enquanto eu tento
ouvir o que é gritado
os peixes saltam na lagoa
querendo ser pescados
palavras são peixes,
poesia é pescaria
meu barco está abarrotado...
DELEITE
À noite me empenho
ao que eu não tenho da tua alma
convém que eu diga amém
a tudo teu que silencie este encanto
e mudo permaneço,
não mereço tudo, deveria te esquecer
mas esqueço tudo ...
eu sou assim,
a tarde vem e vai...
percebo universos em verbos,
em proverbios
e faço versos,
é o meu jeito,
eu sou isso, assim de descompor
até desexistir neste compor
a essência do amor,
mas ante tua presença
silencio é sinfonia
e eu me deleito...
VINTE ANOS DE MENTE
Mas se não for eu,
seja feliz assim mesmo
nem tudo é completo...
completo vinte anos
no ano que vem ,
vinte anos de mente, de mentalidade...
e se essa cidade fosse minha,
galerias de jóias seriam suas,
seriam suas as sorvceterias...
meu maior prazer é tua alegria ,
é o teu prazer,
mas se não for eu,
seja feliz assim mesmo,
nem todo amor
tem o mesmo tamanho
o mel dos meus olhos castanhos
aliviam a dor,
meu coração tem o suporte
para qualquer adeus,
mas se não for eu
será alguém com muita sorte
seja feliz do seu jeito..
nem tudo é perfeito guarde
no peito a lembrança
do que é ser criança.
E se a esperança ainda arde,
se a paixão te consome
aguarde, tenho todo amor
pra matar essa fome...
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