O Passaro e a Rosa
A vida é esse mergulhar no imensurável mistério de nós mesmos. Essa exploração do novo, novas descobertas que poderão ou não, nos encantar. É preciso que conheçamos anjos e monstros que nos habitam e conversemos cara a cara com a solidão, tentando sempre superarmos a dor, mesmo quando pensamos não sermos mais capazes. Suplantarmos medos e traumas e contermos a ansiedade que nos sufoca.
É preciso que resgatemos da infância, aquela brincadeira de estátua: congelarmos o Tempo pra que possamos sorrir e extrairmos dos fatos cotidianos, a alegria de viver, de contar com a palavra sincera dos amigos, de crermos na intenção de um novo amor, num gesto de carinho, enfim.
A vida é mesmo a busca desse equilíbrio, essa eterna luta de contrários.
O vento acaricia o rosto e a travessia se torna mais leve
quando percebemos que somos movidos por sonhos.
Sonhos que nascem em nós, sonhos que concretizamos
sonhos perdidos no horizonte e outros que ainda vivem em nós.
Em meio aos sonhos, vozes distantes (tão presentes!) misturam-se ao vento e nos transportam às tardes de riso, alegria e amor
Crescemos! E não há mais volta: apenas lembranças. Buscamos atalhos para estancarmos feridas expostas pela lâmina do tempo
e, atônitos vimos o tempo, célere, a engolir paisagens e pessoas...
Mas sabemos que nosso destino é caminhar, extrairmos da jornada
tudo de bom que ela possa nos oferecer e tendo a certeza de que, aprendizes, fizemos o nosso melhor.
OFERTA
Atravessas estações
e carregas no peito
a Palavra que inquieta:
desejo de modificar
o mundo
O que ofertar
ao poeta,
alma e bolsos
transbordantes
de sonhos e
humanidades?
O que ofertar
ao homem
memória impregnada
do aroma da pitangueira
em flor a perfumar
tardes da infância?
Te ofertaria a força
do vento que toca em
teu rosto, quando escutas
o marulhar das ondas
na maré cheia
da memória
Mas não.
O que te ofereço
é o presente instalado
na varanda de um outono
Essa palavra:
Amor.
Poema- Xenofobia Zem(a)
Romeu Zema, qual o seu problema?
Governador de Minas Gerais, o senhor não é capaz de julgar os seus iguais!
Por se achar mais, trata nossos irmãos nordestinos como marginais!
Frente Sul-Sudeste contra Nordeste?
Que queres esse cabra da peste?
Um bang bang a la agreste!
Sudestinos versus Nordestino, qual seria o destino?
Extremismo na certa, fica o alerta!
Nos levaria todos para um gueto clandestino!
Zema do partido Novo, quanta contradição!
Novo? De novo só o nome! Pra enganar o povo de novo, é mole?
Zema, seu dilema é confundir o povo com polvo!
Polvo só pode ser você, com seus tentáculos!
Olha que espetáculo, enganar o povo, com discurso tão desdenhoso!
Zema, chega de dilema! Quanta antipatia, covardia ! Isso tudo não passa de Xenofobia!
(Marcos Müzel 10/08/2023)
Poema: Ode as rosas do Ernesto
Ernesto, nome de origem germânica e significa “lutador decidido”!
Nosso Ernesto é de sobrenome Rosa definido!
Ernesto Rosa, bom de prosa, homem distinto!
Ernesto se casou com Leonina, a dona Nina!
Dessa união, saíram filhos de montão!
Ernesto de prole, homem honesto que não dava mole!
Tem a primogênita Levina, a divina tia Fia!
Teve a Benedita, a bem dita Isabel!
Que nos deixastes com saudade cruel!
Tem a Teresa, que encanta com sua beleza singela!
Tem a Vera, quem dera! Nos deixastes na primavera!
Deveras, tem a Eva, que simboliza a mãe de toda a humanidade!
Nesse caso, Eva mãe de Eliel e avó de Ezequiel!
Todos fiel à Bíblia de Israel!
- Nossa, quantas filhas mulheres! Isso não finda?
Não ainda, tem a caçula Edna, que significa deleite!
- Mas Marco, deleite? Eu nem gosto muito de leite!
Calma tia, todavia deleite significa mãe delícia!
- Mãe delícia? Tô parecendo a rainha delícia da novela?
-Quem dera, “então faz um Pix”!
Edna significa rejuvenescimento, tu vencerás todo tormento!
Ernesto, e os filhos varão, não virão?
Sim, sem confusão e de antemão!
Tem José de sobrenome Maria, com emoção!
Tio Zémaria, que jamais perderia sua calmaria!
Quem diria? Tem ainda o Benedito Aparecido.
Que nos deixaria aborrecido!
O tio Cido, que apareceu e desapareceu num instante!
Não obstante, a morte do tio Cido tem sido, um mistério!
Ernesto, pai, avô, bisavô e tataravô!
Ernesto de fé, que não via tarô!
Ernesto Rosa, espalhastes rosa com amor!
Todavia, Ernesto terminou com dona Maria?
Ou dona Maria terminou com Ernesto?
Seja como for, Ernesto espalhou amor!
Marcos Müzel 30/08/2023
Ode ao amigo boiadeiro das ideias
Cláudio, nome de origem latina!
Cláudio, sucessor de Calígona, você imagina?
Claudius, da superação se fez Imperador na contramão!
Nosso Cláudio, em questão também fez história e falarei de antemão!
Cláudio, de família de humildes lavradores!
Cláudio sem temores, seu lema era estudar horrores!
Cláudio não é para amadores, depois de muitos labores!
Tirou sua habilitação e foi pilotar tratores!
Cláudio, dos trovadores, não é pros sonhadores nem amadores!
Sem rancores, nosso Cláudio prestou vestibular!
Podes imaginar? Prestou medicina por várias vezes, só pra variar!
Pra sacanear, Cláudio mudou de ideia e fez História!
Quanta memória, nosso Cláudio, queria ser mestre, fez Unesp!
Quem diria, nas aulas de Antropologia se destacaria!
Professor Paulo Santilli o chamaria de “boiadeiro das ideias”!
Não é pra tanto, entretanto sua vida parece uma odisséia!
Se envolveu nas causas das minorias, não é fantasia!
Ficou inté acampado com o MST, só pra tu vê!
Cláudio, de sobrenome Xavier!
Haja o que houver, venha o que vier, chama o Xavier!
Xavier não é o Chico, do espiiritismo!
Com otimismo, é o Cláudio Xavier de fé em Geová Jiré!
Cláudio Xavier de Lençóis Paulista!
Não, bastasse, viria a ser maratonista!
De corrida em corrida, são tantas conquista!
Fã de Milionário e José Rico, Tião Carreiro!
Não é o derradeiro, nosso boiadeiro é das ideia!
Ele não se contradiz, gosta de música raiz!
Xavier vem do basco e significa “casa nova”!
Que ironia, todavia nosso Cláudio ainda luta por moradia!
Sem melancolia, Cláudio vencerá com sabedoria!
Haja o que houver, venha o que vier, você é Xavier!
Resiliente, contundente e prudente sua história é comovente!
Surpreendente, vencerás, a vitória, teu Deus proverá!
Não és Barrabás! Não duvidarás!
Cláudio Xavier tem sobrenome Oliveira!
Oliveira ávore sagrada, sua vitória será deflagrada!
"Eu sou a videira e meu Pai é o agricultor"
Seja como for, nas palavras de amor do Salvador, tu vencerás, és desbravador!
Haja o que houver, venha o que vier, Xavier jamais abandonará a sua fé!
É filho de Geová Jiré! Pois é, não é Mané!
Nosso boiadeiro das ideia, sempre tem uma boa ideia!
Não sofre de apneia e encontrará a panaceia!
Nosso boiadeiro não é errante e nem andante!
Simplesmente és amante das ideia e não apenas um ser falante!
Marcos Müzel 12/09/2023
Ode a um amigo letrado letrista
Roberto José da Silva, parece nome popular!
De genialidade perspicaz e personalidade singular!
Não é de se estranhar que o nosso menino Roberto!
De família humilde, não duvide viria a ser doutor!
Roberto, deixou todos boquiaberto!
Quando o certo, seria não dar certo!
Tinha tudo pra não dar certo!
Fez tudo errado e deu certo!
-Como assim, fez tudo errado e deu certo?
De bom grado, nada errado, ele só ludibriou o sistema!
Esse é o problema, enquanto a maioria fica nesse dilema!
Pobre nunca consegue Universidade pública sem esquema!
Roberto não desistiu, seu lema?
-Estudar ou não estudar, eis a questão!
Com razão, devorou livros de montão!
Sem utopias, foi de literatura, história e filosofia!
E quem diria? Nosso menino passou em letras!
E portas se abriria! Todavia a Unesp de Assis, foi só o começo!
Com pretexto e com apresso às leituras!
Sem nenhuma agruras, Roberto foi às alturas!
Mergulhou fundo e com dedicação específica!
Fez iniciação científica! Fatesp e Cnpq só pra tu vê!
Podes crer, Roberto, do latim e germânico é dinâmico!
Roberto significa uma pessoa “brilhante, famosa, trabalhadora, estudiosa e centrada”!
Não é marmelada! Se duvidas, dá um google e terás a resposta chegada!
Todos esses adjetivos só será revelada, para quem conhece sua história inusitada!
Não bastasse, Roberto é de sobrenome José!
-José religioso, significa “aquele que acrescenta e multiplica”!
Nosso José, não complica, explica, menino ardiloso!
Pavoroso, fez mestrado e doutorado!
Deixando os oponentes deslumbrados!
Usp, Unesp, Unicamp! Isso tudo é irrelevante!
Nosso menino é andante, mas não errante!
Não obstante foi inté os States!
-Foi hablar com o Bill Gates?
Calma aí, não é Fakes! Roberto fez um intercâmbio remake!
Não foi de araque, nosso menino não é biscate!
Roberto, não deixa nada em aberto, não tem ideologia!
Sem antipatia, Roberto ama a Democracia!
Sem rótulos, de todos os títulos, e profissão!
De antemão, nosso mestre prefere ser chamado de educador!
Seja como for, Salve o nosso professor doutor!
Que nos ensina, desde medicina inté a ser dradutor!
Ensina de política crítica, és imparcial!
Sem ser bestial ou marginal esse Roberto é o canal!
Letrista, empirista, Salve Roberto e suas conquistas!
(Marcos Müzel 06/09/2023)
"Destruído pelo amor"
Se o amor cura...
Por quê na minha vez ele me destruiu?
Te amei de uma forma tão pura,
E você simplesmente fingiu que não viu.
E isso doeu demais no meu coração,
Acabou com o brilho que eu tinha,
Já não consigo ser o mesmo João.
E tudo que penso, é que a culpa foi minha...
Por não ter lutado mais por nós,
Por não ter ido atrás de você.
E isso é como uma voz...
Uma voz na minha cabeça que não me deixa esquecer.
Mesmo estando longe, eu queria que tivesse dado certo.
Pois só com você eu soube o que é amar!
Estávamos tão longe, mas ao mesmo tempo tão perto...
Só que infelizmente nunca pude te abraçar.
Você foi única na minha vida!
Com seu jeito meigo e doce,
Você me fazia sentir especial, como ninguém fez ainda...
E tudo que eu sempre quis, foi está com você!
Infelizmente as coisas nem sempre são como gostaríamos ... Que pena!
E hoje você está vivendo sua vida sem mim.
E tudo que eu desejo; é que você seja feliz minha pequena...
Pois infelizmente nossa história chegou ao fim.
"Dias nublados"
Dias nublados em mim...
Já não sou o mesmo de alguns anos atrás.
Um conflito dentro de mim que me tira a paz;
Uma solidão sem fim...
Já não tenho mais inspiração.
Um sentimento de angústia...
Você foi embora enquanto eu apenas assistia...
Deixando uma grande dor em meu coração.
Meu coração se partiu de tanto chorar.
Você partiu tão de repente;
Me sentir impotente.
Sem poder fazer nada para você ficar.
Tantos planos e sonhos que ficaram no passado.
Sei que tem um deles que você quer muito realizar...
Vai está linda com aquele vestido que tanto sonhou em casar!
Pena não ser eu o cara que estará ao seu lado.
Em frases clichês muitos não acreditam.
Mas não erraram quando disseram...
"Alguns amores foram feitos apenas para serem sentidos...
E não vividos".
Poema- O caso e descaso com o burro
Chamar um humano de burro é burrisse, idiotisse!
Pura tolice, o burro é um animal desenguçado, sem mesmisse!
Pura crendice, acreditar nessa burrisse e continuar ofendendo o burro!
Quanta inocência, você sabia que foi o burro que gritou a Independência?
- Tu tá com demência, foi o D Pedro I e ele não era burro!
- Seu burro, vá estudar história e não nos enrola!
Tu que andas sem memória, o nosso burro de outrora fez história!
Carregou D Pedro I, o príncipe do primeiro reinado!
Tudo combinado, o cavalo tá errado! O burro deveria ser exaltado!
Burro sempre foi menosprezado, ignorado!
Na pintura famosa de Pedro Américo o cavalo foi forjado!
Que inédito! Tudo errado, o burro clama desde sempre por ser tão marginalizado!
Mas seu menino, burro chega até a ser divino!
De antemão, na Bíblia não diz que Deus usou um burro pra falar com Balaão?
- Só que não! Foi um jumento, seu jumento!
Mas que tormento, burro é filho do jumento!
- Entendeu, sua mula! O jumento é o pai do burro e da mula!
Que filho da mãe! E a mãe do burro quem é?
Égua! É a égua!-Se o burro é filho da égua com o jumento, então o burro é irmão do cavalo?
Sim, e não! Mas meu irmão, que confusão! É que o cavalo pode ser o pai do burro!
- Mas que burro, não dá pra ser pai e irmão ao mesmo tempo!
Burro nada, seu jumento! E se o cavalo “pular a cerca”!
Que treta, pular a cerca e “pegar” a jumenta?
Égua, tá Louco! Aí a égua dá o troco e pega o jumento no sufoco!
Que enrosco! Então o burro tem dois pai e duas mãe!
- Que burro filho da mãe! Filho do cavalo com a jumenta e da égua com jumento!
Que burro inteligente, chamar um humano de burro é ser intransigente!
Inconsequente, o burro é um ser imponente!
Contente, não vê o burro do Shrek?
Então seu moleque, Salve o Shrek!
Salve todos os burros do mundo!
Desde o Rúcio, o burro de Sancho Pança com suas andanças!
O burro Bisonho, o tristonho Ió do ursinho Puff e suas comilanças!
Inté o burro anônimo, sem sinõnimo, sem eufermismo!
Sem anacronismo, não sejas moribundo, conheces a história em profundo!
( Marcos Müzel 21/09/2023)
Poema- Mayara, o direito por Direito
Mayara, joia tão rara, aluna exemplar, ninguém duvidara!
Nome singular, deriva do indígena tupi e significa” mãe, avó e bisavó”
Mayara, do coração tão bom, não deixa ninguém na mão, desata qualquer nó!
Nos pontos das aulas de participação em História, deixava todos na poeira, dava até dó!
- Que canseira, que doideira! Essa menina não cansa de ser a primeira?
Terminou o Fundamental, e nada mal, foi para a Etec!
Uma Escola Técnica Estadual, uma das mais bem avaliadas do Mec!
Você pode pensar: - Ah, nem tanto! Mayara deve ter ajuda de algum santo!
Mas não é pra tanto? Mayara tem sobrenome Santos! sua dedicação parece mais um de seus encantos!
- Santos? Mayara torce pro time do Santos?
Só que não, Mayara é coração, só poderia torcer pro Timão!
Mayara, não é sem noção, jamais entre em confusão!
Mesmo que seja pra defender seu time do coração!
Mayara, filha abençoada de seu Eronildes e dona Celeide !
Celeide, mãe incomparável, uma “milady”!
Mayara, minha ex aluna do céu Campo Limpo!
Sua história já estava traçada pelos “deuses do Olimpo”!
Mayara Santos Carnauba! Sua trajetória não é miúda!
Carnauba, do tupí, uma palmeira, árvore tão grande que “arranha o céu”!
Mayara, tu rompestes o véu, valeu a pena?
-Que pena? Ah, a pena do poeta Fernando Pessoa?
-Não é atoa, esses verso não saiu de minha pessoa!
“Tudo vale a pena, se a alma não é pequena”!
Sem nenhum problema, Mayara faz tudo direito!
- Quem dissestes? Sim fizestes a Fuvest!
Como é de direito, só poderia fazer faculdade de Direito!
Mayara valoriza a família, irmã de Thamires e Vinicius!
Olha que maravilha! Ambos também na faculdade!
Sem pudores, família terá doutores!
Todos com valores, cada um a sua maneira!
Thamires será enfermeira!
Todavia, o irmão Vinicius está cursando fisioterapia!
Mayara, quem diria? Não é monotonia!
Todos os irmãos fazendo direito a faculdade!
Perfeito! E você, a faculdade de Direito!
Com direito a exceção, com razão!
(Marcos Müzel 27/03/2023)
Vida: única prisão no mundo, onde os detentos, geralmente em péssimas condições, afirmam ser felizes...
Muitos perdem a vida; por outro lado, muitos outros se perdem na vida. Pouquíssimos encontram o caminho e o seguem com determinação, fé e coragem. Contudo, são raros aqueles que guiados por uma intensa intuição e uma força interior, descobrem um caminho novo que os leva ao sentimento mais puro, à verdadeira essência da vida. Quando isto acontece, o caminhante e o caminho se fundem e passam a ser um só Ser, revelam uma só direção, um único e singelo sentido para se viver.”
Aproveite cada momento, seja com os filhos, com os pais, cônjuge. Faça sempre o seu melhor, que ao lembrar ou ser lembrado haja mais sorrisos do que lágrimas.
UM PROFESSOR QUE ENSINOU EM SILÊNCIO
Cão inanimado,
De morta pelúcia
Que ganhava vida
Em meus devaneios.
Abrindo-me as portas
De um mundo encantado
Onde eu era tudo
Que quisesse ser.
Jamais proferiu
Sequer um latido,
Mas aos meus ouvidos
Dizia palavras,
Contava segredos.
Revelava uma alma
Repleta de sonhos
E de sentimentos.
E assim, me ensinou
A enxergar beleza
No que é faz-de-conta,
No que não se vê
Com olhos comuns.
Mas passou-se o tempo
E nossa amizade
Tornou-se tolice
Aos olhos do mundo.
Pois é proibido
Para nós, adultos
Ver a poesia
Do que é mais singelo.
Tive que crescer
E perder as chaves
Desse mundo mágico
Ao qual me levavas.
Mas quero que saibas,
Saudosa pelúcia,
Que nunca me esqueço
Do que me ensinaste.
Mesmo sem dizer
Nenhuma palavra.
Bruno Velásquez Rosa
LEITE DE VIÚVA NEGRA
O mesmo seio que alimenta, esmaga
Por saber quão pequeno é o bebê!
Rangendo os dentes, num deleite sádico,
Sorri, sufoca um choro lancinante!
Com sua teta vil e gigantesca!
Que jorra o fel que é sumo do suposto
Amor que dedicou ao filho de outra.
Na face esfacelada e esfomeada
Do bebê que nunca aprendeu a andar.
Toda vez que ele tenta, rastejando
Desprender-se da teia umbilical,
Mal se move. A matrona predadora
Já sugou sua essência. Só lhe resta
Para não definhar, sorver o fel!
ECLIPSE INSÓLITO
O solo suntuoso do Astro Rei,
Ilustre absolutista.
Num fenômeno, jamais, antes visto,
Sobrepôs-se à lua.
Com seus raios pungentes, sempre em sol maior,
Travessando, entrevando as insolúveis trevas,
Movido por um narcísico intento:
Dissolver e devassar
As ilusões-solo onde persiste
Insólito, insular, insolente,
Bruno, como a bruma:
Branco, sombrio, silente.
Cabendo parcamente em seu vazio,
Que a humanidade quer colonizar,
E acima de tudo,
Pelo mais implacável dos algozes:
O mais argucioso e perigoso:
O que mais conhece seus pontos fracos.
Sim, o sol, por não tê-lo entre seus súditos,
Tirou de toda a humanidade, o sono
E o entregou ao pior dos inimigos:
Seu próprio Reflexo
