O Homem que Nao se Contenta com pouco
Daqui a pouco vai começar
o Stamm Tchucalonga
para a gente se esbaldar,
e para a La Sagra
a gente se esquentar,
Muita festa vai rolar,
você vai adorar,
E no ano que vem
com certeza irá voltar
para com a nossa
querida Rodeio festejar.
"Enquanto o tempo passa, vemos o quanto isso é pouco,
Envelhecer e sentir que tudo foi tão rápido.
Então mesmo que a dor parece que nunca vai passar.
Um dia agente acorda e percebe que já dói um pouco menos, e depois de um tempo esquecemos de lembrar.
E quando a saudade bater na porta, com o tempo agente aprende a dizer que não foi nada, foi só o sisco do tempo enchendo os olhos de lágrimas."
PauloRockCesar
Sinto que admitir meu erro agora é como tentar segurar o oceano com as mãos; parece pouco diante de todo o tempo que deixei escorrer entre os dedos. No entanto, essa é a única verdade nua que me restou: eu falhei com você.
Você sempre carregou uma fé inabalável em nós, uma paciência sagrada que minha teimosia cega não soube honrar. Hoje, no silêncio deste quarto, eu finalmente enxergo: você não estava apenas "acreditando em nós dois"; você estava, sozinha, sustentando o peso do nosso mundo enquanto eu, em minha tolice, permitia que tudo balançasse.
Minha vida hoje se transformou em um filme sem trilha sonora, um roteiro sem cores. Sinto uma falta desesperada do seu sorriso — não apenas pela luz que ele irradia, mas porque ele era o meu único porto seguro, a prova viva de que o futuro poderia ser gentil. Sem o brilho dos seus olhos, o "amanhã" tornou-se apenas um espaço vazio e cinzento no calendário, uma promessa que não tenho vontade de cumprir sozinho.
O que sou eu sem você? A resposta, embora dolorosa, é cristalina: sou alguém tentando desesperadamente reencontrar o caminho de casa. E eu aprendi, da maneira mais difícil, que "casa" nunca foi um lugar físico ou quatro paredes; casa sempre foi o tom da sua voz, o calor do seu abraço e a paz infinita que só você sabe me transmitir.
Não tenho como saber o que habita seus pensamentos agora, ou se ainda resta um pequeno refúgio para mim em seu coração. Mas o meu peito precisava gritar: estou perdido na imensidão da sua ausência, transbordando saudade e, acima de tudo, pronto para lutar por nós com a intensidade que você sempre mereceu.
Por favor, não permita que o tempo vença. Não deixe que seja tarde demais.
Às vezes, eu olho para o seu rosto e percebo que o mundo tem sido um pouco duro demais. Eu vejo quando o brilho nos seus olhos diminui porque alguém foi injusto, ou porque as pressões da vida parecem ter nublado o seu "céu azul".
Quero que você saiba de uma coisa: eu estou aqui.
Se o mundo parece frio e cruel hoje, deixe-me ser o seu cobertor. Se as pessoas dizem coisas que machucam, deixe que a minha voz seja a única que ecoa na sua mente, lembrando o quanto você é incrível. Eu prometo estar aqui para enxugar cada lágrima amarga e afastar esses medos que insistem em roubar o seu sono.
Sabe, a vida tem esses ciclos estranhos — a chuva sempre vem, mas o sol nunca esquece de aparecer depois. E, enquanto a tempestade não passa, saiba que o nosso amor "brilha em vermelho e dourado". Perto do que sentimos um pelo outro, todo o resto é apenas detalhe, apenas ruído de fundo.
Quando eu me sinto perdido, é para você que eu me volto. Você dá sentido ao meu caos. Por isso, meu amor, não deixe o peso do mundo curvar os seus ombros. Segure a minha mão.
Por que se preocupar agora? Nós temos um ao outro, e isso é tudo o que realmente importa.
Espere um pouco, eu ainda quero mudar isso! A verdade é que o que temos é por causa das escolhas feitas por nós.
Se as pessoas pobres perceberem que sofrem demais para obter pouco prazer, então deixariam de existir, ou causariam uma revolução.
ENIGMA DA VIDA.
"Olhe, me empreste aqui um pouco da tua atenção,
a vida é um leva e trás até mesmo um mundo de alienação,
mas nunca se desespere não,
porque mesmo que isso aconteça,
e toda rogação que por mais santa te pereça,
ignore e não procure fugir de nada,
deveras vezes nesta infinita grande jornada,
nem uma vírgula há quem bem mexa,
pois do tudo que a vida leva um pouco desse tudo ela sempre deixa."
Marcelo Caetano Monteiro.
O gosto do medo: no hospital, onde quase tudo é pouco, o que sobra é o paladar da alma tentando resistir.
Talvez, se o medo tivesse gosto — doce ou salgado — ninguém se recuperasse dentro de uma unidade hospitalar.
Pois ele seria servido em pequenas doses, mas, com efeito, prolongado, impregnando até o paladar da alma.
Ali, onde quase tudo é pouco.
Pouco tempero na comida, pouca luz nas madrugadas intermináveis, pouca cor nos quartos e corredores que parecem sempre iguais…
Poucas palavras que confortam de verdade, pouca fé que não vacila, pouca esperança que não se cansa, pouca paciência para o tempo que insiste em se arrastar.
O que quase sempre sobra é muito medo.
Medo silencioso, aquele que não grita, mas pesa.
Medo que se senta ao lado da cama, observa os monitores e faz perguntas que quase ninguém se atreve a responder.
E ainda assim, é nesse cenário de escassez que alguns aprendem a respirar e resistir.
Porque, quando tudo falta, o pouco que resta — um gesto, um olhar, uma prece sussurrada — ganha um valor imenso.
Talvez seja assim que o medo não vence: não por desaparecer, mas por dividir espaço com aquilo que, mesmo raro, insiste em subsistir.
É muito Feno para tão pouco sal...
Talvez seja melhor temperar com uma boa pá de cal.
Haja sal para a quantidade assustadora de Feno necessário...
Quando a desproporção chega a esse ponto, já não se trata mais de tempero, mas de engano.
Talvez seja mesmo melhor recorrer a uma pá de cal, não para enterrar expectativas, mas para sepultar de vez as ilusões que insistimos em alimentar.
Porque certas mesas, por mais que pareçam fartas, só servem palha; e certos banquetes, por mais barulho que façam, não sustentam ninguém.
No fim, a verdadeira sabedoria está em abandonar o que só ocupa espaço e buscar o que, ainda que pouco, de fato, nos alimente.
