O Copo Nao esta meio Cheio
Rodeio no Eremitério
Em meio as montanhas
do Ipiranga foi erguida
a esperança e o Eremitério
Beato Egídio de Assis,
Em retiro se pode encontrar
a razão de ser feliz.
Rodeio no Eremitério
e no tempo ao tempo
se pode encontrar
o autoconhecimento.
Tudo e muito mais
em meio as montanhas
do Ipiranga em contato
com a alma franciscana
que leva paz e caridade
por cada lugar deste mundo.
Rodeio no Eremitério
na tua paz tenho a minha,
momento inefável
de orar, meditar, viajar
para dentro e a fé elevar.
Rodeio no Eremitério
colocados na tua paz
e retribuindo a tua paz,
me faço a missão de crescer
no mistério do amor pleno.
Flor do Sertão
Nasceste do avistamento
das tuas flores amarelas
no meio das matas,
Assim em florescimento
escolheste as tuas
próprias flores
como signo perenal
e de coincidente
identificação nacional.
Ergueste com fé, virtudes,
trabalho e plena entrega
como o teu Santuário
Nossa Senhora do Caravaggio
com as portas abertas,
em resgate estás
das tuas origens polonesas.
Caminhas em Maio
com a Romaria da Padroeira
seguindo em frente,
Abençoa o barcos
com o olhar adiante
sem temer o destino
e sem esquecer das origens
portuguesas, alemãs
e italianas continua
escrevendo a trajetória.
Deste Extremo Oeste
teu rebanho continua
sendo um carinho
e tuas lavouras de amor
um beijo de candor,
Flor do Sertão, amada,
tu és parte desta
Pátria Brasileira adorada.
Por este setembro
que tanto espero celebrar
contigo que tanto quero,
Flor do Sertão, amor sincero,
com os sabores que adoro
para a Festa da Galinha no Tacho:
cedo ando me preparando.
Ibicaré
No Meio Oeste Catarinense
és meu porto seguro e chão
no Vale do Rio do Peixe.
Pedalando na estrada da vida,
meu Ibicaré perene onde
na Rota dos Rios me fazes
lembrar da tua amável gente.
Gente originária, gaúcha e italiana
que fizeram História lendária
que ergueu cidade no meio do nada.
Gente que se deu de corpo e alma erguendo Pátria com a força
do campo me dá razões de sobra
para amar sempre e tanto.
Minha Ibicaré virtuosa,
poética e festeira de um jeito
muito especial tu me tens
no laço do teu amor
o meu coração apaixonado.
Tu me fazer sorrir até
quando não há Festa de Rodeio,
e amorosa te levo no meu peito.
Ibirama
Tesouro incalculável em meio
ao Médio Vale do Itajaí,
Teu nome era Dalbérgia
e foi trocado por Ibirama,
Do Vale Europeu em solo
brasileiro nasceste esperança
para os imigrantes da Alemanha.
Ibirama, querida, terra da minha
cura e da nossa fartura,
Tu vale o passeio e sempre
cada especial aventura.
Ibirama, originária e imigrante,
cidade erguida e verdejante,
Tu és terra abençoada
e mais preciosa do que milhões
de minas de diamantes.
Minha Ibirama, venturosa,
te honro, louvo e saúdo;
agradeço o teu amor puro.
Minha Ibirama, esplendorosa,
és estância de beleza
de catarinense: o meu poema
e arte enternurada do Criador.
Ibirama, agradeço o lindo amor
que recebo do coração da tua gente carinhosa e retribuo com mais
amor porque quanto mais amor
se dá mais amor se recebe,
Porque você sabe conquistar
com hospitalidade perene
quem chega até a ti amavelmente.
No meio das madrugadas
como esperasse notícias
eu tenho acordado
desde o dia vinte e quatro
de fevereiro quando
a Rússia invadiu a Ucrânia.
As notícias que espero
nunca mais irão chegar
porque não passam apenas
de um código genético
da memória que levo
nas veias de quem nunca
mais na vida vai voltar.
A sucessão de calúnias,
as mentiras e as chamas
do Porto de Mykolaiv,
falam muito sobre tudo
aquilo que deveria ter
sido detido desde o início.
O Batalhão e o povo
foram levados de Mariupol
para uma área ocupada,
e até agora ninguém mais
sabe de nada qual será
o resultado deste jogo,
e todos assistem no sofá.
Chamam de proteção
aos civis desocupar uma
área pela guerra ofendida,
mas eu chamo pelo nome
que deve ser dado porque
o povo foi é sequestrado.
As cartas que nos Correios
de Mariupol chegavam
elas nunca mais irão chegar
porque ali virou necrotério,
e quem foi sequestrado
provavelmente terá chance
na vida a liberdade voltar.
Muita gente não fingiu
que não viu que a mentira
imperial desde o início
foi criada para invadir,
torturar, roubar e matar,
e o tirano segue sem parar.
Não posso fechar meus
olhos, os meus ouvidos
e minha boca porque
em nome do respeito
da minha inteligência
não posso fingir que nada
disso e muito mais não vi.
Tive o meu eu interpelado
por um alguém que disse
deixe o inimigo forte
enfrentar o inimigo fraco,
prefiro é que esta guerra acabe
e voltem para o seu quadrado.
Não gosto de cultivar ódio
em qualquer circunstância,
quando a História é muito
ruim não há como contar
suavemente e se ninguém
parar aquele ordinário
qualquer um será invadido.
Luhansk, Donetsk, Kherson,
Simferopol, Sevastopol,
Severodonetsk e Irpin,
e tantas outras neste inferno
sem hora para ter fim
sendo muralhas da civilização.
Se o mundo vier a esquecer
escrevi o máximo que pude
para este capítulo não apagar,
e tudo o quê pude apreender
com este ensinamento duro
admito que cresci ao menos
para mais esta História recordar.
Ipumirim
O meu porto seguro
no Meio-Oeste,
milagre encontrado,
dividido e endereço certo
pelo Rio do Engano
sempre multiplicado.
Tupi-guarani este
é o teu significado
Vale pequeno e pequeno vale
que nunca me perdi
e jamais me perderei:
nasci, cresci e acolhi.
Ter sonhos grandes
e inquietos onde o coração
expande a herança
germânica e italiana
que tanto honro e poemas
sempre devoto a cada
esquina e no tempo da cidade.
Ipumirim minha querida,
eu não saio e daqui
ninguém me tira
por tua existência e poesia:
és amor para vida inteira
e toda a razão da minha vida.
Jaborá
Do Meio-Oeste és herdeira
do povo originário,
a tua História é inoxidável,
És início e consolidação
de um povo honrado que recebeu
a Itália no sangue e a força
tropeira que ergueu
este encantador refúgio desta Nação,
A tua gente é parte
da minh'alma e do meu coração.
Os teus nomes Rio Bonito
ou Lajeado Bonito,
nunca fizeram o meu
coração confundido.
Como Sede dos Poyer
e depois São Roque,
não há outro lugar que convença
para que eu te troque,
tu és a minha real pertença.
Quando finalmente
te elegeram Jaborá,
sempre soube que lugar
melhor do que o nosso não há,
mesmo que teu nome
carregue o mistério
do significado de uma planta
ou que seja aquele que faz
só sei que de todo
o Alto Uruguai Catarinense
te amo a cada dia sempre mais.
Joaçaba
Cidade mais metropolitana
do Meio-Oeste,
A tua colonização italiana
e alemã nem mesmo
o caudilhismo pode ir
contra o teu destino,
Prosperar estava por
nosso Bom Deus escrito.
Cruzeiro da minha vida,
minha encruzilhada,
meu destino certo
e etérea "cruz dos índios"
Tu és a minha Joaçaba
mais do que amada
e meu pedacinho de Pátria.
Meu pedacinho de Pátria
mimada pelos rios
do Tigre e Antinha,
minha terra adorada
de Santa Catarina
onde o Frei Bruno sempre
intercede a Deus para que
continue sendo abençoada.
O Reisado é só no final do ano,
no meio da noite acabei
acordando de um sonho lindo
com a abrição da porta,
Você estava na entrada
me chamando tão cândido
para a louvação ao Divino.
As chamadas do Rei estavam
mais altas que o costume,
As peças de sala se foram
para a Via Láctea,
E as danças eram entre as estrelas
e a guerra entre os cometas.
As sortes estavam sob as nossas mãos emocionadas,
E o encerramento da função
se deu com a sua amorosa declaração
e você acabou pedindo a minha mão.
Pela mão fui carregada
por você e me vi
no meio sem querer
de um Sarandi Pantaneiro,
Onde por revezamento
cada um deixava
um pouco o seu par
e declamava um verso,
E puder ver que te amar
era o meu destino certo,
e eu o teu efusivo desidério.
Um esbarrou no outro
sem querer querendo,
E entramos no meio
de um Maçarico que
já estava acontecendo.
Fomos de Charola
rápida, no Roca-roca
um pouco mais lento,
E você ficou gostando
desta nossa dança
finalmente acontecendo.
Ficamos enrolando
na Geleia de Mocotó,
Com o amor que vi
nos teus olhos percebi
que nunca mais ando só.
Muito bem de Repinico,
e ainda melhor
no bom Maçaricado,
Sim, você está apaixonado
quer ser meu amado,
e meu eterno namorado.
Você voltou a se ajoelhar
de leve, me deu a mão
para girar ao seu redor
com todo o calor
neste baile de puro amor.
Você se levantou faceiro
para me dar bem ligeiro
aquela umbigadinha no ar;
E eu te dei a retribuída
pelo teu charme rendida
e de paixão enlouquecida.
Os tambores senhores,
a viola toda sapeca,
a rabeca poética
e as sanfonas mandonas
por um instante pararam:
(Para você pedir a minha
mão em casamento,
Pois todas elas e os bailantes
antes de mim já estavam sabendo).
Sem dar tempo para pensar
você me elegeu no meio
desta Taieira para eu ser a sua
Rainha e você ser o meu Rei,
E eu que pensava que se tratava
apenas de uma brincadeirinha,
As chefes dos cordões das bailarinas
ficaram emocionadas,
Elas já sabiam o quê eu nunca
imaginava que muito além
desta dança você havia escolhido
para fazer parte do teu destino
como a sua mulher amada.
Os seus olhos brilharam
mais do que uma constelação
quando me viram
no meio desta multidão,
Você me convidou para dançar
o rasqueado cuiabano
para defender a tradição,
E lá nós dois fomos
rodopiando no meio do salão.
Nesta madrugada em meio
a balada das estrelas
sobre o Médio Vale do Itajaí
acordei pensando em ti.
Ando lendo inexplicáveis
sinais que não vou sentir
frio nunca mais porque
terei os teus braços fortes
para me manter aquecida.
Ouço o Quero-quero
cantando aqui em Rodeio,
é um sinal de que terei
você romântico e inteiro.
Porque tudo aquilo que
normalmente se fala
por certeza a gente se cala;
entre nós não há mistério
conhecemos o quê é desidério.
No meio das folhas
das Cabreúvas
tenho poesias ocultas
que falam de heróis
da nossa terra
que podem ser recordados,
Não é lírica poética,
e sim uma recordação
que não precisamos
buscar longe a inspiração.
O Amendoim-Bravo desponta
na mata em meio aos ventos,
Eu te celebro em silêncio
com os meus poemas de amor
neste mundo que a cada dia
envergonha quem tem sentimento,
Prefiro eu ir contra as correntes
que causam tormentos ao peito,
e cultivar a espera do nosso momento.
Em meio ao verdejante
Médio Vale do Itajaí,
sou eu a Laelia Purpurata
regada pelo Rio Itajaí-Açu
dos meus idílicos poemas,
E nessas correntezas
tenho escrito a coragem
de manter-me inspirada
aconteça o quê aconteça
para que com toda a poesia
ninguém mais desapareça.
Estrelinha branca
nascida no Céu de ouro,
Poesia brotada
no meio da imensidão,
És tu a Flor do meu pendão
e do Capim Dourado
que tem de mim o quê
há eternamente mais apaixonado.
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