O Cometa de Carlos Drumond de Andrade
Dormir agarradinho, juntinho, beijinhos, carinhos..
Acordar, matear, namorar e pra sempre assim poder te amar.
Pois é... Hoje me deu uma saudade das brincadeiras, risadas, conversas, do mate, em fim, saudades de ti.
O meu “estou bem” significa que estou de pé, estou respirando, andando, sentindo, mateando, mas não significa que estou feliz.
— Me faltas tu.
Viver é dar a si próprio a maior e melhor oportunidade de descobrir, de aprender. Viva, então, intensamente! Permita-se!
Passava-se as tardes
entre trepadeiras
boa noites
cravos brancos
e dormideiras
As tardes eram sempre as mesmas
Os mesmos lírios
A mesma sala vazia
Os mesmos livros
Drumond
Lispector
Florbela
o menino
e a laranjeira em flor
Lá fora
abelhas enlouquecidas
embriagadas de polen
e perfume de azhar
As noites eram quase eternas
O morrer das prosas
crepitar da lenha
coaxar dos sapos
O menino e os lírios
candeeiro aceso
Refletindo os sonhos
No espelho dos olhos
Concordo com o mestre Ziraldo, ler e melhor que estudar, estudei para as provas de educação moral e cívica e esqueci tudo. Mas o Drumond não me sai da cabeça.
"Busquei na alma vadia dos poetas
No êxtase das quimeras soberanas
Verdades voláteis e profanas
Provilégio dos magos e profetas
Vi na névoa a amazônia de savanas
Donde antes homens por demais atletas
Destilavam o suor de sua gana
Vi por cinzas as vidas da floresta
Composto inorgânico de baganas
Destruição e morbidez tão completas
Que a natureza, quem sabe leviana,
Sugerindo uma saída hipotética
Propôs novas vidas...
Mas não humanas."
Avanildo Moreira Mateus - 1995
Antologia Poética - Poetas em Altamira.
