O Amor Natural
“A incerteza não é uma condição natural, mas o preço que se aceita para evitar o esforço da convicção.”
Dollber Silva
Parece que a gente se entende, e isso é tão natural nas sagas e rotinas da vivência de um casal. É fato que teremos momentos de impasses, mas logo a vitória acontece.
A mente é um divisor de atitudes no estado natural a bonaça e paz, fora do controle uma bomba explosiva sem clareza sem razão.
Melindres não está no DNA humano, ao passar dos anos as pessoas trocaram a força natural que possuem, por lamentos choro decadência até a decomposição moral.
A hora do despertar
É natural ao ser humano relutar diante da experiência do luto, ainda que saiba, em sua consciência mais íntima, que tudo aqui é passageiro e nada é permanente. Há, porém, uma audácia silenciosa: a crença de que jamais irá partir, mesmo sabendo que cada um chega ao mundo com os dias contados.
A vida, sendo viagem de experiências (maduras ou infantis), passa sempre.
Ao desembarcar na estação da existência, o homem deixa para trás entes que sofrem com sua partida e, antes mesmo de chegar, muitos já anseiam pelo seu retorno à casa primeira.
Ao despertar do sono letárgico do período gestacional, o homem chora ao nascer: choro de socorro diante do novo. Contou cada fase para essa oportunidade, mas, ainda assim, sofre o medo de enfrentar o desconhecido: outra vida, outro tempo, outra história.
Assim como o nascimento, a morte pode ser dolorosa, sobretudo para aquele que se acostumou ao corpo material que lhe foi emprestado. Esqueceu-se das responsabilidades assumidas outrora, por livre escolha, ciente do livre-arbítrio de que desfrutaria nesta passagem.
Muitas vezes, o homem se permite a ilusão de ser seu próprio deus, entregando-se às coisas efêmeras e acreditando que detém o controle, sobretudo do seu próprio corpo e mente, jogando- se integralmente às trivialidades materiais. Porém, na hora do retorno à estação primeira, perde-se em descontentamento, arrependendo-se de ter lançado fatias da própria existência ao vento. E, como criança, o velho chora ao perceber que a única coisa que já não possui é tempo para recomeçar, reconstruir, reviver ou corrigir a rota.
Para que a vida não lhe soe como um fardo pesado, é necessário reconhecer, antes de tudo, seu próprio eu e as atribuições assumidas em tempos pretéritos. Pois todo aquele que escolhe retornar à vida jamais estará isento de, um dia, experimentar a morte.
Mari Machado
Os frutos amadurecidos antes do tempo natural, forçados, ficam aparentemente maduros, mas é só a casca. Na verdade, quase sempre estão raivosos, com larvas odiosas, estragados. Fugiram ao tempo da natureza Mãe/Pai.
Os frutos amadurecidos antes do tempo natural, forçados, ficam aparentemente maduros, mas é só a casca. Alguns até amadurecem mesmo e se tornam doces, outros ficam duramente estragados. Fugiram ao tempo da natureza Mãe/Pai.
Descobrir um dom natural na vida é como encontrar um tesouro que estava perdido.
Ele sempre esteve ali, silencioso, esperando o momento certo de ser reconhecido. Às vezes passa despercebido, escondido entre medos, dúvidas ou expectativas alheias. Mas quando o encontramos, algo dentro de nós se alinha.
Esse dom não surge para nos tornar maiores que os outros, e sim mais verdadeiros com quem somos. Ele nos chama para viver com propósito, para criar, sentir e oferecer ao mundo aquilo que só nós podemos dar. Reconhecer esse tesouro é um ato de coragem — e honrá-lo, um gesto de amor próprio.
Porque quando vivemos a partir do nosso dom, deixamos de procurar sentido fora e passamos a construir significado por dentro.
UMA NEGRA
A negra não precisa
se pintar pra ser bonita.
A sua beleza é natural,
pelo Soberano foi esculpida.
A negra não precisa ser sensual
pra ser notada,
ela já é uma mulher,
uma linda fada.
Um ébano, uma beleza.
Ela veio de Luanda,
És uma negra.
Cabelo rastafari,
Black, Transado,
cortado ou alisado.
Ela usa do jeito que quiser.
Antes de ser cidadã,
ela é mulher.
Falo dela tanto no verbal
quanto na escrita,
pois ela é a minha favorita.
O enigma do Bem e do Mal
Se Deus existe, o mal não é um erro, mas a consequência natural de um universo onde a liberdade é real. Pois o amor, para ser puro, não pode nascer de um decreto ou de um código fechado; ele precisa florescer na terra aberta das escolhas. Onde há liberdade, há a possibilidade do desvio, e onde há desvio, nasce a sombra. O mal não brota do Ser absoluto, mas da distância que as criaturas tomam ao se moverem fora do fluxo da Sua harmonia.
Se Deus não existe, o bem torna-se um enigma ainda mais profundo. Por que então amamos o que não nos beneficia? Por que sacrificamos o próprio bem-estar por um estranho? Por que nos inquieta o sofrimento alheio, mesmo quando poderíamos simplesmente fechar os olhos? Se tudo fosse só acaso e instinto, talvez o bem não passasse de um artifício para sobrevivência. Mas há nele algo que não se mede em utilidade: a sensação de que tocar o outro é, de algum modo, tocar a nós mesmos.
E se Deus tivesse criado um universo absolutamente perfeito, talvez não houvesse mar, nem vento, nem sequer tempo. Haveria apenas Ele mesmo, indivisível e infinito. Pois a perfeição absoluta não comporta fragmentos ou distâncias; não há “fora” do perfeito. Criar algo diferente de Si é criar o relativo — e o relativo carrega em si a imperfeição, como a noite carrega a ausência do sol.
No entanto, essa imperfeição não é um acidente. Ela é o campo onde a consciência pode despertar, onde o bem e o mal se entrelaçam para dar forma à experiência. Como nas tradições orientais, onde yin e yang não são inimigos, mas complementos que se alimentam e se equilibram, o universo se constrói no contraste: luz só é luz porque há sombra, e sombra só é sombra porque existe luz.
Talvez o mal exista para que o bem não seja apenas uma palavra. Talvez o bem exista para que a sombra não se esqueça de que é sombra. E talvez o universo exista para que o Infinito possa, por um instante, experimentar-se no finito — e o finito possa, pouco a pouco, lembrar que veio do Infinito.
No fim, perfeição e imperfeição são apenas diferentes reflexos de um mesmo espelho. Um dia, ao atravessarmos todas as distâncias, talvez descubramos que nada estava fora de lugar — e que o caminho inteiro sempre foi parte da própria perfeição.
Sua beleza não tem igual. Você é uma deusa com seu jeito natural. Ah, menina, você é linda de uma forma fenomenal.
“O verdadeiro professor é aquele que possui o dom natural de transmitir tudo o que aprendeu, pois descobriu a riqueza do saber e deseja remover a cegueira que a ignorância causa às pessoas.”
Impermanência
A dança natural dos estados internos
Há momentos em que a mente se enche de pensamentos e emoções, como um vale tomado pela neblina. A prática não é lutar contra essa neblina, mas subir às colinas interiores e simplesmente observar. Dali, tudo pode ser visto sem pressa: a tristeza que passa, a alegria que surge, o silêncio que permanece. O observador não julga, não interfere, apenas testemunha. E nesse ato de ver sem se confundir com o que é visto, nasce uma liberdade suave, a descoberta de que você não é o turbilhão, mas o espaço aberto onde ele acontece.
Assim também é a vida: ela se move como as estações, cada fase trazendo sua própria essência, mas nenhuma permanecendo para sempre.
Primavera desperta o florescer das ideias e sentimentos, trazendo expansão e novidade.
Verão é o auge da intensidade, quando tudo pulsa em plenitude e calor.
Outono convida ao recolhimento, à reflexão e ao desapego das folhas que já cumpriram seu papel.
Inverno traz o silêncio e a pausa, preparando o terreno para que o ciclo recomece.
Do mesmo modo que as estações se sucedem em harmonia, também nós transitamos entre estados internos. Não há luta entre eles, apenas alternância natural. O segredo está em reconhecer que cada fase é necessária e que o movimento nunca cessa, apenas se transforma.
O homem natural deposita suas bênçãos na conta corrente cambial, enquanto que o homem espiritual partilha com outros bênçãos mil, por conta do Dono do maior banco celestial.
