O Amor Nao se Espera Nao se Pede Nao se Implora
Eu sou uma construção de algo tão genuíno
que não sei onde me encaixar como peça.
Aonde abrirei espaço neste quebra-cabeça chamado vida?
Se faço parte dele, por que me deixas tão solta,
a ponto de sentir que não me encaixo?
Será que é porque ainda estou em construção
e minhas arestas não têm forma definitiva?
De fato, um dia estarei completa,
com estrutura firme e forte,
a ponto de me encaixar e encontrar a perfeita completude.
Mesmo genuína, buscando acertar,
ainda tropeço em meus próprios erros e medos.
Medos que me impedem de tentar,
até mesmo de errar ou de aceitar.
Eles me travam, me bloqueiam,
tomam minha mente e me conduzem
a lugar nenhum.
Será que, para me encaixar,
preciso me quebrar tantas vezes
até caber em formas
que talvez nunca foram feitas para mim?
Quando os nazistas levaram os comunistas, eu calei-me, porque, afinal, eu não era comunista. Quando eles prenderam os sociais-democratas, eu calei-me, porque, afinal, eu não era social-democrata. Quando eles levaram os sindicalistas, eu não protestei, porque, afinal, eu não era sindicalista. Quando levaram os judeus, eu não protestei, porque, afinal, eu não era judeu. Quando eles me levaram, não havia mais quem protestasse.
Por que você não consegue perdoar quem te fez mal? Por que você ainda não compreendeu a razão pela qual precisou passar por determinada situação. Você ainda está na posição de vítima, com o dedo apontado para o outro. Porém, por mais que você tenha sido machucado e que o outro esteja realmente errado, somente a autor responsabilidade pode te libertar. Por isso eu te convido a dar um passo adiante: liberte-se da raiva e do sentimento de injustiça, pois isso é o que sustenta a ideia da vitima. Isso é somente um microfragmento da realidade - é apenas uma história. Você não é o corpo e nem o ego. Comece a perguntar "porque precisei passar por isso?". Dessa forma você dá um passo rumo ao real.
Se desmorono ou se edifico, se permaneço ou me desfaço, não sei, não sei. Não sei se fico ou se passo.
Pode ser que esse meu jeito arredio afaste algumas pessoas. Mas que se dane. Sou assim mesmo e não vou mudar para agradar os outros. Se a pessoa não tem capacidade para conquistar a minha atenção, imagine então a minha confiança. É mais fácil acertar na loteria acumulada do que ganhar meu coração. Sou um quebra-cabeças com peças complexas, quem não tem coragem para me desvendar, que não se atreva a jogar.
Eu não questiono por rebeldia. Questiono por amplitude, por profundidade, por compreensão do todo, mas se nisso existe rebeldia, então questiono por rebeldia também.
Ciúme: a raiz é o medo
O que faz você ter ciúme? O ciúme em si não é a raiz.
Você ama uma mulher, você ama um homem. Você quer possuir essa pessoa só porque tem medo de que, amanhã, ela talvez possa ir embora com outra pessoa.
O medo do amanhã destrói seu dia de hoje, e esse é um círculo vicioso.
Se cada dia que passa é destruído por causa do medo do amanhã, mais cedo ou mais tarde o homem vai começar a buscar outra mulher, a mulher vai começar a buscar outro homem, porque você é, simplesmente, um chato de galocha.
E quando ele começa a buscar outra mulher ou ela começa a sair com outro homem, você acha que tinha razão em ter ciúme.
Na verdade, foi o seu ciúme que provocou isso tudo.
Mulher deve ser respeitada, e ponto. Não importa a roupa que ela usa, os lugares que costuma frequentar, a música que ela ouve ou a dança que a encanta.
Dependendo do quão respeitoso você for, ela quem vai resolver se é para o teu bico - e não você!
E se não for para o teu bico, entenda o recado, vaza e não olhe para trás.
Deixe-a em paz!
Acho que esses que sempre falaram de mim, que eu nunca ia passar dos 15 anos, até hoje não acreditam que eu tomei jeito, que sou um verdadeiro, nem nos meus olhos eles olham, deve ser por vergonha de saber que eu ia ser mais que eles.
Sem uma audiência, sem a presença de espectadores, essas jóias não iriam cumprir a função para a qual anseei. O espectador, então, é o melhor artista.
Posso não ter armas incríveis, como um fantoche em mim, mas o que tenho é o desprezo do meu mestre para perder.
É difícil compreender e amar o que é espontâneo e franciscano. Entender o difícil não é vantagem, mas amar o que é fácil de se amar é uma grande subida na escala humana. Quantas mentiras sou obrigada a dar. Mas comigo mesma é que eu queria não ser obrigada a mentir. Senão, o que me resta?
O sistema/1
Os funcionários não funcionam.
Os políticos falam mas não dizem.
Os votantes votam mas não escolhem.
Os meios de informação desinformam.
Os centros de ensino ensinam a ignorar.
Os juízes condenam as vítimas.
Os militares estão em guerra contra seus compatriotas.
Os policiais não combatem os crimes, porque estão ocupados cometendo-os.
As bancarrotas são socializadas, os lucros são privatizados.
O dinheiro é mais livre que as pessoas.
As pessoas estão a serviço das coisas.
p. 129
Os índios são bobos, vagabundos, bêbados. Mas o sistema que os despreza, despreza o que ignora, porque ignora o que teme. Por trás da máscara do desprezo, aparece o pânico: estas vozes antigas, teimosamente vivas, o que dizem? O que dizem quando falam? O que dizem quando calam? (Os índios/2, p. 132)
A televisão/2
A televisão mostra o que acontece?
Em nossos países, a televisão mostra o que ela quer que aconteça; e nada acontece se a televisão não mostrar.
A televisão, essa última luz que te salva da solidão e da noite, é a realidade. Porque a vida é um espetáculo: para os que se comportam bem, o sistema promete uma boa poltrona.
p. 149
Nós comemos emoções importadas como se fossem salsichas em lata, enquanto os jovens filhos da televisão, treinados para contemplar a vida em vez de fazê-la, sacodem os ombros.
Os livros não precisam ser proibidos pela polícia: os preços já os proíbem.
(A televisão/3, p. 152)
Pela tela desfilam os eleitos e seus símbolos de poder. O sistema, que edifica a pirâmide social escolhendo pelo avesso, recompensa pouca gente. Eis aqui os premiados: são os usurários de boas unhas e os mercadores de dentes bons, os políticos de nariz crescente e os doutores de costas de borracha.
(A televisão/5, p. 155)
