O Amor Começa
Quando a gente deixa de amar e começa a compreender
Existem momentos na vida em que o amor não acaba — ele se transforma.
E não é porque o outro mudou, se afastou, traiu, perdeu a cor.
É porque, pela primeira vez, a gente abre os olhos de dentro.
Percebe que o que chamava de amor era, na verdade, medo de ficar só.
Que o que chamava de saudade era apego ao que feriu.
Que o que chamava de intensidade era carência fantasiada de destino.
E aí, algo muda.
Já não é mais sobre conquistar, nem sobre provar.
Não é mais sobre ser vista, nem escolhida.
Não é mais sobre ter razão, nem vencer discussão.
É sobre reconhecer os ciclos internos que o corpo já vinha avisando.
É sobre honrar a alma que já estava cansada de ser rebaixada em troca de migalhas.
É sobre olhar no espelho e saber:
“Eu não preciso ser amada pra saber quem sou. Eu preciso ser inteira pra reconhecer o que é amor.”
E então a gente percebe:
Aquele “eu te amo” que mexia com a gente
mexia muito mais com o ego
do que com a essência.
E que a saudade dele ou dela
não era de quem a pessoa era,
mas de quem a gente queria acreditar que ela poderia ser.
E aí vem a virada.
Quando a gente deixa de amar como dependência.
E passa a compreender como consciência.
Quando o desejo deixa de ser “volta pra mim”
e se torna “se encontre, por favor”.
Porque o verdadeiro amor — o amor final —
não é aquele que força reencontros,
mas o que deseja cura.
Mesmo que seja longe daqui.
E quando isso acontece, não dói mais.
Não arde mais.
Não prende mais.
Só devolve paz.
Porque o amor que fica,
depois que o apego vai embora,
não é sobre posse —
é sobre presença.
Tudo começa dentro de nós mesmos. Com a força da mente, com o amor do coração e com a luz da alma.
Flávia Abib
O amor não começa com um encontro.
Começa antes —
como a luz das estrelas que já morreram
e ainda assim nos alcança.
É uma física invisível,
uma gravidade que inclina os destinos
sem pedir licença às órbitas.
Dois corpos caminhando distraídos
e, de repente,
o universo resolve aproximá-los.
Não é incêndio —
é brasa que aprende o nome do vento.
Não é tempestade —
é maré que entende a lua
e sobe, paciente, pela areia do outro.
Amar é deslocar o eixo do mundo
sem que o mundo perceba.
É dividir o pão e, sem alarde,
dividir também o medo.
É tocar a mão alheia
como quem segura a própria queda.
O amor é um idioma que se conjuga
no plural do futuro:
“nós seremos”.
Mas também é arqueologia —
escava as ruínas da infância,
beija as rachaduras da memória
e transforma cacos em vitrais.
Não há ciência que explique
por que um olhar atravessa
como se abrisse portas antigas.
Nem por que um nome, dito baixo,
possa reorganizar a anatomia do dia.
O amor é um risco.
E ainda assim,
é o único risco
que nos escreve.
Ele exige coragem de mar aberto:
a coragem de não ser ilha,
de permitir que outro continente
encoste em nossa costa
e mude o desenho dos mapas.
Há quem o confunda com posse —
mas o amor não aprisiona:
ele sustenta.
Não amarra:
ancora.
Amar é aceitar
que o outro é mistério
e ainda assim escolher ficar.
É compreender que nenhuma pele
abriga o infinito,
mas que, juntos,
podemos tocá-lo.
E quando o tempo —
esse escultor implacável —
esculpir rugas na face do mundo,
o amor permanecerá
como um fio invisível
costurando dois silêncios
num só respiro.
Porque no fim,
quando todas as palavras forem insuficientes
e toda a glória for pó,
restará o gesto simples:
uma mão procurando outra
na escuridão —
e encontrando.
"Todo amor começa como uma fantasia, um sonho de encontrar alguém especial que preencha nossos dias com felicidade e amor. É um sentimento que nos faz imaginar um futuro repleto de momentos mágicos e conexões profundas. Mas, à medida que o tempo passa e os sentimentos se solidificam, essa fantasia se transforma em uma realidade incrível e transformadora. O verdadeiro amor nos surpreende, nos desafia e nos faz crescer, e é nesse processo que descobrimos a força e a capacidade de amar incondicionalmente."
Onde a dor para? Onde a saudade termina? Onde o amor-próprio começa? Onde um novo ciclo se inicia? Onde vc recomeça? De onde vc parou? Do que vc se esqueceu? Qual capítulo vc perdeu? Onde tudo acabou? Pra onde vc vai? Do que vc se esqueceu? O que vc ganhou? O que se perdeu? Quem é vc? Quem se tornou? O que vc perdeu? O que vc ganhou? O que vc leva? O que vc deixa? Quem leva o fardo e toda a tristeza? Qual é o saldo de tudo que aconteceu? Quem ganhou e quem perdeu? Quem leva a culpa? Quem sai vencedor? É um mistério o fim de um amor.
Os dois lados do amor
O amor começa simples,
quase distraído,
uma mensagem,
um toque sem intenção.
Depois vira costume,
vira abrigo querido,
vira medo de perder,
vira tensão.
Tem dias de riso fácil e café dividido,
e outros de silêncio pesado no ar.
O mesmo “fica” dito no ouvido
é o “vai” engasgado que ninguém quer falar.
Amar é errar tentando acertar,
é prometer hoje e falhar amanhã.
É machucar sem querer machucar,
e ainda assim pedir pra ficar.
O amor não é só filme,
nem poesia bonita,
é cansaço, escolha, repetição.
E mesmo quebrado,
às vezes insiste,
porque partir também
dói no coração.
A Gestação do Amor: do Útero ao Coração
O feto começa aos poucos a ser formado e um afeto grandioso passa a ser construído; ambos vão crescendo lado a lado e a cada mês, mais nutridos por um amor incalculável entre a mãe e o seu filho ou filha e a depender do caso, filhas ou filhos — um belo vínculo: forte e cheio de vida; sujeito a lutas e sacrifícios.
Todavia, e não menos importante, às vezes, a bênção da maternidade é gerada no coração e, num momento genuíno e emocionante, nasce na adoção, ao criar um laço que não é de sangue, mas que certamente é feito da mesma essência — a vontade constante e sincera de praticar a conjugação incomparável do verbo amar.
O papel materno é singular, indispensável; então, devido a certas circunstâncias, também pode vir a ser desempenhado por uma avó, por um pai ou por qualquer outro parente, distante ou próximo — aquele que decidiu ficar e assumir essa missão, essa responsabilidade, não uma substituição e sim uma honrosa proximidade.
Independentemente de qual seja a personificação materna, Graças ao Senhor, todas elas reúnem um amor repleto de vitalidade, incondicional, uma força que não se explica, que oferece colo, demonstra zelo, um esforço fora do normal, o alento especial durante as adversidades — a certeza de que o amor materno é descomunal entre formas e fases.
“Paixão sem maturidade é incêndio: começa quente, termina em cinzas. O amor de verdade é o que sobrevive ao fogo.”
Título:
Onde o Amor Começa em Silêncio
Nos teus olhos encontrei um abrigo calmo,
um lugar onde o mundo desacelera sem avisar,
como se cada batida do meu coração
aprendesse um novo jeito de te amar.
Teu sorriso nasce leve, quase tímido,
mas carrega um universo inteiro de luz,
e mesmo nos dias mais cinzentos da vida,
é ele quem me guia, quem me conduz.
Se o amor tem origem, eu descobri a minha:
foi no instante simples em que te reconheci,
não como um acaso perdido no tempo,
mas como o destino que sempre esteve aqui.
Origem: Autoral ✍️
Eu não entendo
como um amor começa,
mas hoje compreendo,
como ele se eterniza.
(Michel F.M. - Atlas do Cosmos para Noites Nebulosas - Trilogia Mestre dos Pretextos)
