Nuvens de Algodão
O que eram apenas resquícios… tuas águas ainda fluem em meu peito. Guardadas no silêncio das profundezas do oceano, podes ouvir a minha voz, pois sou onde o mar deságua os teus pensamentos.
O sono é leve para os caminhantes noturnos.
Meus pensamentos ainda esbarram nos seus e, nesse silêncio, você retorna como uma febre que não passa.
A vida é movimento, como as quatro estações em eterno retorno.
É vento que semeia caminhos invisíveis, sol que desperta a terra adormecida, primavera que rompe o silêncio em flores.
É chuva que cai sem pressa e nunca regressa sem antes transformar tudo o que toca.
Poesias vêm carregadas de segredos que atravessam o silêncio profundo e fazem um barulho ensurdecedor.
Quando as flores do seu jardim já não têm o mesmo fulgor, a mesma cor, o mesmo perfume… não adianta apenas regá-las. Antes de tudo, é preciso mudar as raízes.
A vida floresce quando aprendemos a regá-la, mas também a atravessar, com paciência, as quatro estações.
Aprender a conviver com os meus demônios foi a maneira de impedir que os meus anjos me abandonassem.
Que o brilho da lua na noite de 31 de outubro não sirva apenas para caçar bruxas, mas também para iluminar as fadas.
