Nunca me Levou a Serio
Se o meu destino tivesse sido de luz e ouro, nunca eu poderia ter escrito aquilo que gravei na escuridão da pedra rija e negra do meu ser.
CRUEL DESTINO
Pedem-me amor
E eu não sei o que isso é;
Porque nunca o tive ao pé
De mim.
Assim,
Não sei se ele é dor
Ou prazer do início ao fim.
Pedem-me poemas
E eu não sei o que isso é;
Porque, malditas as minhas penas:
Poemas, será gente de fé?
Não quero nada,
Porque nada sei dar
Desde menino,
A não ser meu cruel destino
De querer amar
No já,
A quem nada me dá.
(Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 08-11-2022)
A V E R S Ã O
Nunca gostei dos calados,
Que falam pelos cotovelos;
E só vomitam mefíticos,
Raquíticos,
Ovos mal estrelados,
Enrolados em novelos
De frustração.
Que desilusão!
Que pivete!
O que ali vai de falsete!
(Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 09-12-2022)
DECEÇÃO
Nunca de longe ou de perto
Pelo certo do incerto,
Chegarei a ser poeta,
Ou dizedor de palheta.
E assim me tornei anacoreta
Sem relógio ou ampulheta
Nesta gruta
Abrupta,
Onde vou morrer
Sem saber
O que é ser
Realmente,
Verdadeiramente,
Poeta!
(Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 05-01-2023)
Nunca aproves nem reproves aquilo que escrevo, sem primeiro estudares ou tentares, pelo menos, adivinhar a razão do espírito que eu senti no momento em que escrevi.
A quem sabe, nunca esquece.
A quem não sabe, não esquece nada, porque nunca soube nada para esquecer.
Nunca desejei o ter só por tê-lo, nem o poder para podê-lo, como minhas metas de vida.
Quis ser só eu mesmo, simples, sem subterfúgios ou vãs ambições mundanas, mas até isso me quiseram negar.
Se não fosse o que os outros dizem de mim, eu nunca saberia o que sou.
Juiz de mim próprio, nunca. Poderia correr o risco de ser parcial.
Nunca são os governos, os presidentes, os ministros e outros mandões que ditam leis no seu próprio país, mas sim os poderosos grupos económicos instituídos, dos quais, os tais, são subservientes bajuladores.
Quando a alma que nunca vimos, se torna objeto na nossa mente, é porque a sentimos e lutamos com ela de frente.
ESTRANHEZAS LUSO-BRASILEIRAS
Que estranho país é este,
Onde de fato nunca é facto,
Nos cus, tornados bundas
Nos paletós dos fatos nossos
Em bebedeiras de tremoços?
É um este sem vento oeste
Quando lá a desoras chega o trem,
E eu por cá à espera do comboio
Que nunca a horas certas vem.
Triste a minha melancolia
Quando eu na vossa Bahia
Imaginava em alegre sintonia,
Estar no Espinho meu em magia
Tomando banho na minha Baía.
Então, a gente galera assim fazia:
Vocês traziam os garfos e os pratos
E íamos acertando os palatos.
Nós, os copos e a pinga de Lisboa
Vocês, aquele petisco tropical,
Nós, as sardinhas metidas na broa
E vocês e nós, Brasil e Portugal,
Transando numa naice mesmo boa.
(Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 26-06-2023)
O LAR DO SOFÁ VELHO
Não chores meu velho
Como eu, a ficar a sê-lo.
Nunca pensaste como ainda penso,
Vá, pensa:
Porque o pensar é de graça,
Afinal o que nos resta.
Já não é a tua casa,
O teu cheiro
E os odores por ti criados
Naquela casita perto do mar
Onde gaivotas te iam beijar
Pela manhã, famintas,
Do teu dar
E abrigo procurar
Nas tardes fortes de tempestade.
O teu lar, agora, é o teu penar...
Outros cheiros,
Gentes que nem sempre gostam de ti,
Pelo que vi, senti e ouvi.
E então fugi, fugi dali
Tão amargurado.
Que triste, é do homem fado
Deixado num sofá velho
A tremer de medo,
Naquele cubículo sem afetos
Onde reinam os dejetos,
Muita fome amordaçada
E mais...
Aquele horrível pecado
De os não deixar morrer
Na sua velhinha cama.
(Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 27-06-2023)
DE FACTO E NUNCA DE FATO
De facto sendo, assim é.
De fato nunca, por não gostar
De enfiar no corpo até,
Tamanho estorvo de apertar.
E me obrigar
Pela simples razão da força,
Ainda que o diabo torça,
Debaixo das axilas,
Rangendo as maxilas,
Estroncar a fatiota toda,
Ainda que me digam
Ou maldigam
Que não percebo da poda,
E não saber andar na moda.
Também não me interesse a roda
Do vestir nas estações,
Basta-me, para andar na moda,
Tapar bem os meus feijões.
(Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever)
SEM BOLEIA
Até hoje.
Desde que me traçaram o fado
Malfadado,
Nunca pedi boleia a ninguém...
Nem quando na estrada de espinhos
Com os pés descalços sangrando,
Os olhos mártires chorando
Em lágrimas de azevinhos,
Percorri três quartos de uma vida
Com tropa e tudo incluída
Na bagagem vazia, despida
De paz e de pão
No vento suão,
Dorido.
Algozes vieram, torturadores;
Para me meterem mordaça,
Sem contar que a minha raça,
Prefere morrer na praça
Que bajular traidores,
Horrorosos anunciadores
Da desgraça.
E não é que eu, por pirraça,
Fiel sempre à minha ideia,
Já velho, ao ferrugento,
Mas em jeito de chalaça,
Disse ao meu amigo vento:
Sou um homem sem boleia!
(Carlos De Castro, in Há Um Livro Triste Por Escrever, em 15-07-2024)
Perdoe as ofensas mas não esqueça o nome dos ofensores, tenha um coração grato, nunca esqueça daqueles que de alguma forma te fez o bem, e nas curvas da vida a gente vai acertando as contas, tanto de um lado quanto do outro!
Ela é a pessoa que não tem redes sociais; que nunca leu uma postagem que fiz; e nunca vai ler; nem adianta eu dizer nada em segunda pessoa do singular; mas é ela a pessoa que bateu, que brigou, que arrebentou com qualquer situação que me fosse contrária, só porque é a minha mãe, a pessoa a quem eu amarei sempre.
Esquecer-te nunca quis;
Até os gestos fazem bem;
E a vida é por um triz;
Quando é que você vem?
Vens andando e sorrindo;
É assim que vais chegar;
Te miro, apenas vindo;
É assim que vais me amar.
Pensar positivo deve ser um exercício constante.
O negativismo nunca fará com que a vida tenha dó. A vida é do jeito dela, e felizes são os que a entendem.
