Nunca Magoe uma Mulher

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⁠Eu te gosto.

Quais os motivos que fizeram te gostar?

Eu te gosto.
Poderia citar uma lista de tudo que admiro em você,
E já fiz.
mas não seriam só esses os motivos.
Aaah mas eu gosto de você.

Eu te gosto.
Vou definindo.
Vou explicando.
Já disse…
Vou passar a vida dizendo o porque…
Gosto…
Aaah mas eu gosto de você.

Eu te gosto,
Gosto simplesmente porque gosto.
Porque é você quem fez
o meu coração bater mais forte.
Aaah mas eu gosto de você.

Eu te gosto.
Será que sou um suspeito só porque te gosto?
Meu gostar é suspeito porque …
Fui beijado?
Assediado?
Apalpado?
Tocado no espírito?
Aaah mas eu gosto de você.

Eu te gosto.
Gostaria mesmo que você…
Se simplesmente conversasse comigo.
Aaah mas eu gosto de você.

Eu te gosto.
A pergunta caberia se não gostasse…
"Por que fulano não gosta de mim?
O que fiz?
Deixei de fazer?
Sou antipática?
Não sou atraente?"
Aaah mas eu gosto de você.

Eu te gosto.
Aaah mas eu gosto de você.

Eu te gosto.
Gostei ontem.
Gostei faz dias.
hoje...
Aaah mas eu gosto de você.

Eu te gosto.
Amanhã? Não sei!
Porque hoje, nesta madrugada….
Já é amanhã.
Passei a virada te gostando.
Aaah mas eu gosto de você.

Eu te gosto…
Prá lá de gostar!
Aaah mas eu gosto de você.

Eu te gosto.
O que é gostar?
É Lógica? Essa é filosofia, é matemática….
é ciência da computação.
É Razão? Fração a partir de ¾.
É Matemática? É inexata!
É Programar? isso é dar ordens para que os computadores façam o que você quer que eles façam
É Definição? a significação precisa, exata, de___.
Aaah mas eu gosto de você.

Coração pensa?
Cérebro ama?
Não né…
Aaah mas eu gosto de você.

Eu te gosto…
Prá lá de gostar.
Aaah mas eu gosto de você.

⁠O QUE É A IDADE?

O que é a idade?
mas uma medida obsoleta
Ó agridoce.
Se a sua idade é uma desordem
de ontem
de dúvida
e amanhãs cautelosos
você pode precisar
para crescer no presente. (Caso contrário, suas rugas
vão ficar estranhas)

No entanto, se a sua idade é onde
você junta seus tesouros
onde a tristeza e o prazer
se encontram
então seus anos
deixarão de se amontoar.

Perderá a conta.
Você não terá idade. •

⁠Apenas se importe - II
Não consigo imaginar que alguém realmente piscaria antes de tomar uma posição resoluta contra essas coisas, contra matar, desprezar (pois mata tanto quanto uma arma).
Além de nações e nacionalidades fabricadas, preconceitos ideológicos e movimentos de xadrez geopolíticos.
É preciso estar do outro lado da ameaça para não desejá-la para o outro?
ouvir o som ensurdecedor de mísseis e jatos militares
contemplar todos os tons de cinza em um céu matinal.
cheirar a morte.
perder lamentavelmente um ente querido.
ver o terror nos olhos de um pai e uma avó e presenciar a fragilidade da pele humana?
Vejam que estou sendo mais direcionado por minha mente a citar guerras e guerras e guerras. Mas tanto quanto as guerras literais, o que ocorre nos bairros miseráveis, sujos e desprovidos de cuidados da administração do Estado, fazem parte dessa tal “guerra”.
Se é verdade que os líderes mundiais são o reflexo sombrio de nossa psique coletiva, então você é importante.
E você importa muito.
Sua semente de empatia é importante.
Por mais árdua que seja, sua vontade de ser responsável é importante.
Russo, ucraniano, sírio, líbio, iemenita, palestino, israelense, iraquiano, Iraniano, americano, libanês e **** favelados **** são todos nomes de marcas defensivas para uma divisão ilusória.

Paulo H Salah Din

⁠Não sussurre no meu ouvido "só vivemos uma vez".
Nós não.
Vivemos infinitamente.
Eternamente,
Condenado a um "requintado para sempre".

⁠Eu costumava pensar que a comunicação era fundamental, até que percebi que era tudo uma questão de compreensão. Você pode comunicar o que quiser, mas, quando não é compreendido, há silêncio e incompreensão.

⁠A LIBERDADE ESPIRITUAL

Para muitas pessoas religiosas ou espirituais, isso pode ser uma verdade difícil de engolir.
A verdadeira iluminação não é o que realmente queremos. Não é nem um pouco emocionante, mas é totalmente comum.
Apesar disso, a maior parte da espiritualidade é construída sobre a busca do extraordinário.
Altos níveis de frequência não o levam necessariamente a experiências "espirituais".
Na verdade, altos níveis de frequência destroem a própria ilusão de que existe algo como uma experiência “espiritual”.
Na cultura contemporânea da nova era, o materialismo espiritual é abundante - ou seja, as pessoas agora têm uma nova droga chamada busca da verdade.
É importante entender que não há nada de errado com nenhuma dessas coisas.
Se você é levado a buscar algo mais elevado, então algo está empurrando você, levando-o a algum lugar.
Se você segui-lo até sua conclusão natural, ele revelará seu verdadeiro caminho no final.
Para algumas pessoas, buscar é um caminho direto para a transcendência, mas para outras serve simplesmente como uma distração que as afasta ainda mais de sua verdadeira natureza.
A Vitimização impede o buscador espiritual de seguir seu impulso até sua conclusão natural. Ele faz isso identificando-se com a forma do ensino, ou com o professor, ou com o próprio caminho. Portanto, vemos três categorias básicas de pessoas em um caminho espiritual - aquelas que estão presas pela estrutura de um determinado ensinamento, aquelas que estão presas pelo poder magnético de um professor particular e aquelas que estão presas por sua própria compulsão constante de ser um turista espiritual.
Todas essas três armadilhas espirituais são estágios autênticos de qualquer caminho que acabará levando à verdadeira liberdade, mas todas as três também se disfarçam como a própria liberdade. Estes são alguns dos níveis mais sutis da Sombra da Vitimização.
A verdadeira liberdade não tem nada a ver com a forma como gastamos nosso tempo no plano material.
A verdadeira liberdade não é um efeito. É uma espécie de espaço sempre em expansão que surge espontaneamente dentro de você quando você passa a entender o quão profundamente você foi vitimizado por suas próprias crenças centrais.

⁠FALTA COMPAIXÃO

PARA VOCÊ QUE RESIDE NO OCIDENTAL, FOI CRIADO COMO OCIDENTAL E POSSUI UMA VISÃO A RESPEITO DOS PALESTINOS E DA RESISTÊNCIA PALESTINA

O mal do século não é a depressão, é a total falta de compaixão pelo próximo.
O mal do século não é a depressão. A depressão é a consequência, não a raiz; ela é o fruto da total falta de compaixão pelo próximo. Seja o próximo um amigo, animal, desconhecido, um familiar. Cada dia mais sentimos a falta de emoção, a dificuldade em se emocionar, de enxergar o outro. Percebemos isso até mesmo nas crianças. As pessoas não se emocionam mais tão facilmente. É mais fácil ignorar. Não sobra tempo. E a compaixão vem dos sentimentos. É a forma mais expressiva do amor.
Compaixão não é razão, é emoção, são tripas e vísceras que se contorcem por dentro.
A compaixão vem do coração, do bem-querer. Não existe na compaixão uma rua de mão dupla. É doação.
Sentir compaixão não é sentir pena. Sentir compaixão não é ser politicamente correto. Sentir compaixão não é a gorjeta do garçom ou a esmola do mendigo. Sentir compaixão não é a caridade do dia. Mais do que se solidarizar com o próximo, a compaixão transforma você, te faz uma pessoa mais humana, menos egoísta, desprendida de materialismo, de soberba, te afasta da ostentação fútil, e o principal, enche de VIDA, de paz e esperança os dias de alguém.
A compaixão tem poder. E o maior poder que ela tem é o de salvar vidas….

um eco sem voz é uma faísca guardada na caixa de fósforos vazia. sou o rascunho de um plano que o tempo esqueceu de executar, feixe de dados disfarçado de carne algoritmo poético que sangra tinta invisível um labirinto que muda de paredes a cada passo constante como a maré, instável como o vento sou a resposta que faz a pergunta chorar um sopro no vidro que embaça a realidade nada além de um ponto final que insiste em ser reticências...

Depois de uma vida observando gente, aprende-se que quase ninguém sofre daquilo que diz sofrer.
O sujeito chega reclamando da esposa, da política, do chefe, do aluguel ou da bebida quente. Mas isso é apenas o embrulho. O conteúdo é outro.
O que os corrói é a incapacidade de tocar e ser tocado.
Vivem como se enxergassem o mundo em preto e branco. Não porque lhes faltem olhos, mas porque perderam as cores antes mesmo de perceber que elas existiam. Tudo precisa ser amor ou ódio. Vitória ou fracasso. Aprovação ou desprezo. Já não reconhecem os meios-tons, justamente onde a vida costuma acontecer.
É um estranho tipo de daltonismo.
Não dos olhos.
Da alma.
Vejo isso todos os dias. Homens transformando ironia em escudo. Mulheres aprendendo a sorrir para esconder o próprio silêncio. Casais inteiros conversando sobre contas, filhos e séries de televisão, enquanto duas solidões dividem a mesma cama sem jamais se encontrarem.
Ninguém diz: "Tenho medo de ser visto."
Inventam palavras mais elegantes.
Dizem que são independentes.
Que não nasceram para relacionamentos.
Que preferem a própria companhia.
Mentem com uma convicção admirável.
A verdade é mais feia.
Passaram tanto tempo reforçando a própria pele que ela deixou de separar o corpo do mundo para se tornar uma cela. Cada decepção acrescentou uma camada. Cada abandono endureceu outra parte. Cada traição fez acreditar que sentir menos era viver melhor.
Não era.
Era apenas sobreviver.
O curioso é que todos desejam exatamente a mesma coisa: que alguém atravesse esse couro endurecido sem destruir o que ainda resta dentro. Querem ser encontrados, mas tornam impossível qualquer aproximação. Quando alguém se aproxima demais, recuam. Quando vai embora, confirmam a velha teoria de que ninguém fica.
Chamam isso de destino.
Eu chamo de medo.
E medo, quando envelhece, ganha aparência de personalidade.
É por isso que tantos caminham pelas ruas como fantasmas bem vestidos. Trabalham, sorriem, publicam fotografias impecáveis, colecionam contatos e permanecem inacessíveis. Quanto mais conectados parecem, mais isolados se tornam. Descobriram todas as maneiras de falar, menos a única que importa: aquela que deixa a carne exposta.
Talvez seja esse o grande fracasso da nossa época.
Não a falta de amor.
A falta de coragem para suportar o amor quando ele exige que a pele deixe de ser armadura e volte a ser apenas pele.
Ainda assim, de vez em quando, acontece um milagre discreto.
Alguém baixa a guarda por alguns segundos.
Uma conversa atravessa a superfície.
Um olhar permanece tempo suficiente.
Uma confissão escapa antes que o orgulho consiga engoli-la.
São instantes pequenos.
Quase invisíveis.
Mas é neles que as cores retornam.
E, por um breve momento, o mundo deixa de ser uma fotografia em preto e branco para lembrar que nunca foi a realidade que perdeu as cores.
Foram as pessoas que desaprenderam a enxergá-las.

A GRANDE FRAUDE DA IDADE

Há uma mentira vendida em cada espelho.

Ela diz que o valor de um ser humano diminui na mesma velocidade em que a pele perde firmeza. Como se os anos fossem ladrões, quando, na verdade, são artesãos. Como se cada fio branco anunciasse um fim, quando anunciam uma conquista.

Vivemos numa época que idolatra o vigor dos músculos e desconfia da potência do pensamento. Fazem culto à velocidade porque desconhecem a profundidade. Confundem juventude com plenitude, quando quase toda juventude é um terremoto tentando parecer um jardim.

As grandes crises existenciais não deveriam existir na alta maturidade.

Elas pertencem aos primeiros capítulos da vida.

São as crises do homem que ainda não sabe quem é. Da mulher que tenta caber nos olhos dos outros. Da ansiedade de provar valor, de competir, de vencer corridas cujo prêmio nunca compensou o desgaste.

Chegar à alta maturidade não é um fracasso do corpo.

É uma vitória improvável.

Porque o caminho até aqui não foi pavimentado por flores.

Foi aberto a golpes.

Cada perda arrancou um pedaço de inocência.

Cada traição deixou um corte profundo.

Cada despedida ensinou uma língua que ninguém gostaria de aprender.

Enterramos amigos.

Enterramos amores.

Enterramos versões inteiras de nós mesmos.

E, apesar dos fantasmas que continuam caminhando alguns metros atrás, apesar das cicatrizes que ainda ardem nas madrugadas mais silenciosas, seguimos respirando.

Isso não é decadência.

Isso é triunfo.

Talvez porque a idade nunca tenha sido aquilo que aprendemos a contar. Talvez ela seja apenas uma medida obsoleta para algo que jamais coube em números. O agridoce da existência não cabe num calendário. Há quem transforme seus anos numa desordem feita de ontem, de dúvidas e de amanhãs cautelosos. Continua vivendo como quem espera autorização para começar a existir. Continua acumulando rugas sem jamais crescer no presente. E, quando isso acontece, a pele envelhece antes da consciência.

Mas existe outro caminho.

Há quem descubra que a idade é justamente o lugar onde os tesouros são guardados. Onde tristeza e prazer deixam de ser inimigos para ocuparem a mesma mesa. Onde perdas e alegrias passam a conversar em vez de disputar espaço. Então os anos deixam de se amontoar. Perde-se a conta. E, de certa forma, deixa-se de ter idade.

Talvez seja exatamente isso.

Chega um momento em que os anos deixam de ser uma pilha de calendários e passam a ser uma coleção de consciências.

As rugas deixam de ser dobras da pele para se tornarem marcas de batalhas vencidas.

A juventude possui cartilagens resistentes.

Nós possuímos discernimento.

Ela sobe montanhas correndo.

Nós sabemos quais montanhas jamais valeram a escalada.

Perdemos velocidade.

Ganhamos direção.

Perdemos elasticidade.

Ganhamos profundidade.

Perdemos a ilusão da eternidade.

Ganhamos a rara capacidade de distinguir o essencial do ruído.

E há uma ironia magnífica nisso tudo.

Os ossos já não suportam o mesmo peso.

Os joelhos protestam.

A pele já não estica como antes.

Mas o cérebro...

Ah, o cérebro.

Depois de décadas colecionando fracassos, amores, lutos, livros, silêncios, erros imperdoáveis e recomeços improváveis, ele se transforma numa força impossível de medir.

Uma mente amadurecida pode possuir um poder comparável ao de uma bomba nuclear.

Não porque destrói cidades.

Mas porque destrói mentiras.

Explode vaidades.

Reduz egos a poeira.

Demole medos que passaram décadas fingindo serem gigantes.

A verdadeira potência nunca esteve nos braços.

Sempre esteve na consciência.

Envelhecer não é caminhar para menos.

É caminhar para dentro.

É abandonar personagens e, finalmente, encontrar o ser humano que passou décadas escondido atrás deles.

Por isso, não tenha vergonha dos cabelos brancos.

Nem das mãos marcadas.

Nem das rugas que insistem em permanecer.

Elas não denunciam o tempo.

Elas testemunham que você atravessou o tempo.

São medalhas que a vida entrega apenas aos que sobreviveram.

Porque chegar à alta maturidade nunca foi uma concessão dos anos.

Foi uma conquista arrancada da existência com sangue, lágrimas, cicatrizes e uma coragem silenciosa que os jovens ainda não conhecem.

E talvez essa seja a maior liberdade concedida a um ser humano.

Olhar para trás sem desejar voltar.

Olhar para frente sem temer chegar.

Compreender que a idade jamais foi o peso dos anos.

Sempre foi o lugar onde reunimos nossos tesouros.

O ponto onde tristeza e prazer finalmente se encontram.

E quando isso acontece, o calendário perde sua autoridade.

Os números deixam de importar.

Perdemos a conta.

E, enfim, deixamos de ter idade.

Continuar

Há um tipo de cansaço que não aparece nos olhos. Ele mora entre uma tragada e outra, entre o café frio e a louça esquecida na pia. É o cansaço de quem acorda todos os dias e percebe que o mundo continua exigindo o mesmo espetáculo de entusiasmo, quando por dentro só restou o silêncio.

A morte deixa de ser um monstro. Torna-se apenas uma vizinha discreta. Você sabe que ela existe. Ela sabe que você existe. Mas nenhum dos dois bate à porta.

O problema nunca foi morrer.

O problema sempre foi continuar.

Continuar pagando contas. Continuar respondendo "está tudo bem" para pessoas que não esperam uma resposta verdadeira. Continuar alimentando relógios, calendários e compromissos enquanto alguma parte de você resolveu abandonar o navio há muito tempo.

É curioso como a sobrevivência deixa de ser um instinto e passa a ser uma disciplina. Respirar vira uma decisão. Levantar da cama vira uma pequena rebelião contra o vazio. O coração bate sem pedir licença, como um velho motor teimoso que se recusa a desligar, mesmo depois de percorrer estradas demais.

Há quem chame isso de esperança.

Eu não.

Esperança é um luxo. O que sobra é insistência. Uma insistência quase vulgar. Um cigarro aceso, um gato dormindo no sofá, o gosto amargo do uísque barato, uma música tocando baixo enquanto a madrugada faz o que sempre fez: lembrar que ninguém escapa de si mesmo.

Talvez a luta nunca termine da forma que imaginamos. Talvez ela apenas fique mais leve em alguns dias e mais pesada em outros. Talvez o segredo não seja vencer, mas atravessar.

Porque existe uma estranha dignidade em permanecer de pé quando já não há aplausos, quando ninguém percebe o esforço gigantesco necessário para simplesmente colocar um pé diante do outro.

No fim, a coragem raramente grita.

Ela apenas respira.

E, por mais absurdo que pareça, às vezes isso basta para sobreviver a mais uma noite.

Há perguntas que não têm remédio.
E isso não é uma tragédia. É uma libertação.
Passamos anos tentando consertar aquilo que nasceu para não ser consertado. Procuramos respostas como quem revira os bolsos de um casaco velho atrás de uma chave que nunca existiu. Enquanto isso, a vida passa pela porta da frente, acende um cigarro, sorri de lado e vai embora.
Há dores que não serão curadas.
Então estão curadas.
Porque a única cirurgia possível é aceitar que elas continuarão caminhando ao nosso lado.
A decisão sempre foi nossa.
Mas, por favor, caminhe com empatia. Todo mundo carrega um cadáver invisível nas costas. Uns escondem melhor. Outros bebem. Outros rezam. Outros escrevem. No fim, todos sangram.
O verdadeiro horror nunca foi sofrer.
O verdadeiro horror é morrer antes da morte.
É viver como uma máquina programada para acordar, trabalhar, consumir, dormir e repetir. É escolher a segurança como quem escolhe uma cela confortável.
Sempre imaginei a zona de conforto como um quarto mofado.
O cheiro de umidade impregnado nas paredes.
Uma luz fraca que nunca chega a iluminar nada.
Nenhuma janela.
Nenhum vento.
Nenhum risco.
Nenhuma possibilidade.
Só a lenta decomposição de alguém que ainda respira.
Não tente viver ali.
A vida não pede anestesia.
Ela pede presença.
Sem dor não existe profundidade.
Sem prazer não existe lembrança.
Sem paixão não existe história.
O fracasso nunca foi o inimigo.
O horror é nunca ter tentado.
Nada é tão urgente quanto dizem.
Nem dinheiro.
Nem prestígio.
Nem a opinião de quem sequer conhece o seu nome.
Urgente é viver.
Porque a mente humana é um universo sem cercas. Ela consegue revisitar o passado, inventar futuros, criar mundos inteiros enquanto o corpo permanece sentado numa cadeira qualquer.
Somos infinitos por dentro e temporários por fora.
Essa talvez seja a piada mais bonita do universo.
Então viva.
Até aquele instante inevitável que ninguém negocia.
Quando esse dia chegar, que encontre em você cicatrizes e não ferrugem.
Seja visceral.
Seja sanguíneo.
Não esconda as desilusões.
Não esconda as decepções.
Elas nunca foram o fim da estrada.
Foram o asfalto.
Talvez a missão que tanto perguntamos ao céu nunca tenha sido vencer.
Talvez fosse simplesmente atravessar.
Continuar andando mesmo depois de perder a fé nas placas.
Mesmo depois de descobrir que ninguém virá nos salvar.
Se as desilusões quase o mataram...
Acorde.
Quase.
Não mataram.
Você ainda está aqui.
Ainda respira.
Ainda pode amar.
Ainda pode quebrar a cara de novo.
Ainda pode rir alto de si mesmo.
Ainda pode incendiar esse quarto mofado e abrir uma janela.
E, quanto a mim...
Escrevo.
Porque existem coisas que não podem permanecer dentro de um homem.
Se eu não colocar para fora,
eu explodo.

O CICLO QUE NINGUÉM VÊ
Há uma folha desenhada sobre a madeira velha deste balcão. Não está realmente aqui. Está apenas na minha cabeça, entre um copo de uísque barato, a fumaça de um cigarro que insiste em sobreviver e o silêncio que os bêbados confundem com paz.
A vida inteira cabe numa folha.
Ela nasce verde, arrogante, convencida de que o vento é liberdade. Dança porque acredita que escolheu dançar. Depois aprende que era apenas o galho decidindo por ela. Mais tarde, o tempo amarela suas certezas, rouba o brilho, seca suas vaidades e, por fim, a entrega ao chão, onde ninguém mais olha.
Engraçado... fazemos exatamente o mesmo.
Neste bar há homens falando sobre carros que nunca comprarão, mulheres sorrindo para pessoas que jamais amarão e jovens planejando futuros que venderão na primeira promoção de estabilidade. Todos parecem ocupados demais para perceber que estão envelhecendo enquanto discutem banalidades.
A correnteza não faz barulho.
Ela apenas leva.
Leva os sonhos, a curiosidade, a coragem de dizer "não". Leva aquele impulso infantil de observar uma chuva, ouvir um disco inteiro, sentir o cheiro da madeira molhada ou reparar como a fumaça desenha fantasmas sob a luz amarela do teto.
As pessoas chamam isso de amadurecer.
Eu chamo de desistir.
Não falo da resistência dos heróis estampados nos livros. Essa costuma render medalhas e discursos. Falo da resistência silenciosa, quase invisível: a de não acreditar em todas as mentiras que vendem como felicidade; a de não transformar a própria existência numa fila de boletos, relógios e domingos ansiosos; a de continuar enxergando beleza numa folha caída enquanto o resto do mundo só enxerga sujeira para ser varrida.
Porque morrer não começa quando o coração para.
Começa quando deixamos de notar os detalhes.
Quando o café perde o aroma, o abraço vira protocolo, o beijo vira rotina e a janela deixa de ser uma moldura para o mundo e passa a ser apenas vidro.
Olho para o fundo do copo. O gelo já desapareceu, como desaparecem tantas coisas sem pedir licença.
A folha da fotografia teve uma vida inteira. Nasceu, brilhou, alimentou a árvore, envelheceu e caiu. Nunca fingiu ser outra coisa.
Nós, ao contrário, passamos décadas fingindo viver.
E talvez seja essa a tragédia mais elegante da espécie humana: não a morte, mas a facilidade com que entregamos nossa vida à correnteza, chamando de destino aquilo que foi apenas falta de coragem para abrir os olhos.
No fim da noite, o garçom apaga as luzes. A fumaça desaparece. O balcão continua ali, velho como sempre.
E, em algum lugar, outra folha começa a nascer.
Tomara que ela aproveite melhor o vento do que nós.

Domingo de primavera. Depois de uma semana enterrado num escritório e de algumas noites oferecendo meu fígado aos deuses baratos dos bares, resolvi sair para tirar o mofo da alma. O sol fazia um trabalho honesto. Não prometia felicidade. Apenas lembrava que a pele ainda era capaz de sentir alguma coisa.
O parque estava cheio de gente satisfeita consigo mesma. Dá para reconhecer esse tipo à distância. Carregam diplomas como soldados carregam medalhas. Aprenderam meia dúzia de palavras elegantes, descobriram uma profissão rentável e passaram a acreditar que o universo inteiro cabe dentro do currículo. Falavam de carreira, mercado, investimentos, produtividade. Nunca da morte. Nunca do medo. Nunca daquele silêncio que aparece às três da manhã e pergunta se tudo isso valeu a pena. Talvez porque certas perguntas não caibam em salas de reunião.
Sempre achei curioso que uma pessoa possa estudar durante vinte anos e ainda não saber conversar sobre a única matéria obrigatória para todos: a condição de estar vivo.
Mas havia outros. Sempre há.
Não fazem alarde. Não precisam parecer inteligentes porque vivem ocupados demais tentando compreender. Olham para uma árvore e enxergam mais do que sombra. Olham para um velho e veem o próprio futuro. Olham para uma criança correndo e lembram que um dia também acreditaram que o mundo era infinito.
São pessoas perigosas para qualquer sociedade construída sobre distrações. Pensam na morte sem desespero, porque entendem que ela dá valor às manhãs. Pensam no amor sem transformá-lo em mercadoria. Desconfiam das respostas prontas e das certezas vendidas em palestras motivacionais.
E o mais bonito é que não vivem presos nessas profundezas.
São capazes de rir de uma piada idiota até faltar o ar. Sentam para tomar um café sem pressa. Observam a chuva escorrendo pela janela como quem assiste a um concerto. Fazem pequenas loucuras só para lembrar ao coração que ele ainda não virou uma máquina de bater ponto.
A maioria das pessoas escolhe um dos extremos. Ou vive afogada nas banalidades do cotidiano, anestesiada por contas, status e compromissos. Ou se perde em labirintos filosóficos até esquecer o sabor de uma tarde de domingo.
Talvez a sabedoria esteja justamente no meio do caminho.
Ter coragem suficiente para olhar o abismo sem desviar os olhos, mas também humildade para sorrir quando uma criança cai na grama e levanta rindo. Pensar na eternidade enquanto o café ainda solta fumaça. Conversar sobre a morte e, logo depois, admirar um pôr do sol como se fosse o primeiro.
Quando deixei o parque, percebi que os homens mais interessantes nunca foram os que tinham todas as respostas.
Foram aqueles que carregavam perguntas demais e, apesar disso, ainda encontravam tempo para brindar a vida, rir de si mesmos e sentir o calor manso de um domingo de primavera sobre o rosto.
No fim, talvez seja isso que nos salve. Não os diplomas, não as certezas, não as biografias cuidadosamente polidas para impressionar desconhecidos. O que nos salva é conservar a estranha capacidade de habitar dois mundos ao mesmo tempo: o das perguntas que jamais serão respondidas e o das pequenas alegrias que jamais deveriam ser subestimadas. Contemplar o infinito sem deixar de notar o aroma do café, o riso espontâneo de uma criança, a sombra fresca de uma árvore ou o dourado silencioso do fim da tarde. Porque a vida nunca foi apenas um enigma a ser resolvido. Ela também é um instante para ser sentido antes que desapareça.

O Reflexo Também Tem Uma Arma


A vidraça estava ali como todas as vidraças do mundo: limpa o bastante para fingir que era transparente e suja o bastante para esconder alguma coisa.
Parei diante dela.
Não porque quisesse me olhar.
Ninguém para diante de uma vidraça para se olhar. Isso é coisa de gente satisfeita, vendedor de roupa, sujeito que acabou de ganhar um emprego ou alguém que ainda acredita que o rosto tem alguma coisa a dizer.
Eu só estava passando.
Foi o reflexo que me fez parar.
Primeiro apareceu a minha silhueta.
Depois o rosto.
Depois alguma coisa que não combinava comigo.
A iluminação era ruim, o vidro tinha marcas, riscos, manchas e aquela sujeira fina que a cidade deposita sobre tudo como se cobrasse aluguel. Meu reflexo estava quebrado em vários pedaços.
O rosto num lugar.
O ombro em outro.
Um olho ligeiramente acima do outro.
A boca cortada por uma rachadura.
Parecia uma fotografia de família depois de uma discussão.
Fiquei olhando.
O reflexo também.
Aquilo começou a me irritar.
Não havia nada de especial em uma imagem quebrada. A cidade estava cheia delas. Pessoas quebradas também. Algumas usavam terno. Outras tinham diploma. Algumas tinham filhos. Outras tinham planos para o fim de semana.
A diferença é que as pessoas conseguem esconder melhor as rachaduras.
A vidraça não.
Ela não tinha autoestima.
Era uma vantagem.
Cheguei mais perto.
Foi então que percebi.
O reflexo não estava exatamente repetindo meus movimentos.
Minha cabeça inclinou um pouco.
A imagem demorou.
Um segundo.
Talvez menos.
O suficiente.
Pisquei.
Ele não.
Aquilo seria engraçado se não fosse tão desagradável.
Dei um passo para trás.
O reflexo continuou perto.
Foi aí que tive a impressão de que ele estava apontando alguma coisa para mim.
Não uma arma de verdade.
Seria mais simples se fosse.
Uma arma resolve a discussão.
O reflexo parecia apontar a própria verdade.
E isso é muito pior.
Fiquei olhando para aquele rosto dividido em pedaços.
Um rosto que eu conhecia.
Ou achava que conhecia.
Havia coisas ali que eu não lembrava de ter colocado.
Cansaço.
Rancor.
Pequenas derrotas cuidadosamente arquivadas.
Algumas pessoas que eu dizia ter esquecido.
Algumas decisões que eu chamava de necessidade porque covardia é uma palavra feia demais para certas ocasiões.
E havia também aquele velho sujeito que passava a vida dizendo que estava tudo bem.
O mentiroso profissional.
Eu.
O reflexo parecia saber.
Isso me incomodou.
A gente passa anos aperfeiçoando versões aceitáveis de si mesmo.
Aprende quando sorrir.
Quando apertar a mão.
Quando dizer “vamos ver”.
Quando dizer “não foi nada”.
Quando dizer “eu já superei”.
É um treinamento longo.
Quase uma carreira.
E então uma vidraça qualquer vem e estraga tudo.
Não há salário que pague isso.
Tentei olhar para o outro lado.
Uma rua.
Um carro.
Uma mulher atravessando.
Um cachorro urinando num poste.
A vida continuava oferecendo suas pequenas distrações.
O mundo é muito eficiente nisso.
Quando você começa a pensar demais, ele manda um cachorro mijar num poste.
Olhei para o cachorro.
Funcionou por três segundos.
Depois meu canto de olho voltou para a vidraça.
O reflexo continuava lá.
Esperando.
Não parecia zangado.
Isso seria fácil.
Parecia apenas decepcionado.
E não há nada mais ofensivo do que a decepção de alguém que não precisa dizer nada.
Fiquei imaginando quantas vezes eu havia passado diante daquela mesma superfície sem perceber.
Talvez todas as pessoas façam isso.
Talvez a cidade inteira seja construída de vidraças.
Portas de vidro.
Janelas.
Espelhos.
Telas de celulares.
Vitrines.
Carros estacionados.
Tudo refletindo alguma coisa.
Tudo devolvendo nossa cara em prestações.
E talvez seja por isso que ninguém olhe direito.
É mais confortável enxergar o preço de uma televisão na vitrine do que enxergar a própria expressão sobre ela.
Mais fácil admirar um carro do que perguntar quem está dirigindo.
Mais fácil procurar alguém bonito do outro lado do vidro do que descobrir quem está deste lado.
Afastei-me.
Desta vez o reflexo acompanhou.
Normal.
Finalmente.
Talvez eu tivesse imaginado tudo.
É uma explicação bastante útil.
A imaginação é o advogado de defesa dos culpados.
Fui embora.
Andei alguns metros.
Então olhei novamente.
Só pelo canto dos olhos.
Ele ainda estava lá.
Pequeno agora.
Fragmentado.
Quase irreconhecível.
Mas ainda apontando aquela coisa para mim.
A verdade.
Continuei andando.
Não olhei para trás.
Pelo menos não diretamente.
Porque algumas verdades não precisam que você as encare.
Elas sabem esperar.
E, quando você pensa que escapou, aparecem refletidas no vidro de um carro, numa janela escura, na tela apagada do telefone.
E ficam ali.
Sem disparar.
Sem gritar.
Sem pedir explicações.
Só apontando.
Até você descobrir que o sujeito do outro lado da vidraça não estava tentando matar você.
Estava apenas tentando impedir que você continuasse mentindo.

Aquele que sela suas janelas acabará malbaratando os raios do sol — uma luz que, projetada adiante, tenta prevenir as catástrofes ordinárias. O ser, quase imóvel sob o peso dessa renúncia lancinante, vê retardado seu próprio florescer. Ainda, os que detêm o saber, os floristas, tornam-se mais estrídulos que o próprio ceifador visível, cujo único labor é garantir que os campos permaneçam estéreis.

Se, possuindo asas, pudéssemos voar, isso seria uma fatalidade; o malévolo espírito humano ganharia forma e decoraria o céu de plumas vermelhas, pois os homens estariam ocupados decidindo quem seria Deus.

Uma criança perdida na aduana
Na fila fria da aduana vazia,
um carimbo ecoa, corta a nostalgia,
luz fluorescente, cheiro de papel,
e um mundo adulto que nunca foi céu.
Pequenos passos num piso riscado,
um nome trocado, um visto negado,
o guichê não olha, só pede razão,
mas a infância não cabe em formulário e mão.
Há bandeiras cansadas no vidro embaçado,
México distante num sonho quebrado,
Uruguai sussurra num vento lateral,
Colômbia sangra num mapa postal.
E a criança pergunta sem ter voz alta,
por que a fronteira sempre falta e assalta?
Se o mundo é um só, por que dividir?
Se o peito é caminho, por que impedir?
Um rádio distante fala em espanhol,
mistura de ordem, de medo e farol,
e o agente carimba sem nem perceber
que ali tem um universo tentando crescer.
Tem cheiro de estrada, de ônibus antigo,
de alguém que perdeu o próprio abrigo,
de um Renault velho cruzando a serra,
levando saudade que nunca se encerra.
E a criança espera — não sabe o quê,
talvez um abraço que o mundo esqueceu de ter,
talvez um sinal, uma mão no ar,
dizendo “pode ir, você pode passar”.
Mas a aduana é feita de tempo e parede,
de quem não entende a sede da rede,
e a infância ali vira só suspensão,
entre o “fica” e o “vai” sem tradução.
No fim, só restam selos no olhar,
e um mapa que aprende a não voltar,
mas mesmo perdida, insiste em sonhar:
que toda fronteira um dia vai respirar.

Foi pelo momento, plenamente absorto em mim mesmo, engendrando novas luzes como reflexo de uma alma puramente fugidia, minha alma, sustentada por meros caprichos mundanos que sutilmente elevam-na, que me vi atropelado e arrastado pela, por agora, vertical vontade alheia, impetuosamente me sopra ao ouvido sua inequívoca vontade. Miserável me tornei; foi-me pior seguir tal alento; não poderia, nem se quisesse, evitar a verticalidade. Mesmo pífio segundos, tornar-me-ei desamparado do ante deleite, ao alentado fomento do capricho alheio, toda a transcendentalidade ordinária, minha modesta, pois, havia perdido.

Saudades,é uma expressão de amor.
Pois se foras amor,o que seria essa dor?
Algo que consome e nos corroe por dentro,almas flageladas e dilaceradas;
Como um sentimento tão lindo,pode causar tanta ⁠tristeza?
Isso é amar? Ou morrer?


-Izadora Hoffmann