Nunca Amei Ninguém assim
Ninguém me feriu sozinho
por Diane Leite
Eles nunca me traíram.
Nunca me deixaram.
Nunca me gritaram.
Na verdade, sempre estiveram ali.
Presentes.
Afetuosos.
Boas pessoas.
Mas não bastava.
Nunca bastava.
Porque o que eu queria deles
nenhum deles podia dar.
Eu só não sabia disso ainda.
Eu achava que queria amor.
Mas no fundo…
eu queria cura.
Queria que eles tapassem um buraco que sangrava desde a infância.
Queria que eles segurassem a mão da menina ferida que cresceu acreditando que precisava ser perfeita pra ser escolhida.
Queria que eles dissessem: “eu fico”,
quando tudo o que eu mais temia era ser deixada de novo.
Mas como?
Como esperar que um homem adulto, com suas próprias dores,
curasse a ausência de uma mãe,
a fome de afeto,
o medo de abandono
que eu trazia no peito antes mesmo de cruzar o caminho deles?
Eles não foram vilões.
Eles só não eram curadores da minha alma.
E eu os culpei.
Porque era mais fácil achar que eles não sabiam amar
do que admitir que eu não sabia receber.
Então eu terminava.
Sempre eu.
Do nada.
Como se fosse simples.
Como se não doesse.
Como se eu estivesse fugindo deles,
quando, na verdade, eu estava fugindo de mim.
E é por isso que hoje… eu entendo.
Entendo os silêncios que me feriram — porque eram meus também.
Entendo os toques que pareciam rasos — porque eu não sabia me deixar tocar.
Entendo os amores que não me completaram — porque era eu quem faltava.
Hoje, ninguém precisa me curar.
Hoje, sou eu quem curo.
Sou eu quem acolhe a criança esquecida.
Sou eu quem diz: “você é suficiente.”
Sou eu quem fica — inteira, firme, em paz.
Não espero mais que ninguém me preencha.
Porque hoje… eu transbordo.
Antes de julgar ame primeiro, pois ninguém pode dar o que nunca recebeu. As vezes falta ao outro o amor com que amar.
"Ninguém é perfeito, essa é a máxima humana!
A personalidade se forma na transgressão do que nos é imposto. A singularidade nunca será dos conformados.
Quem não tem pecados pode
até estar vivo, mas não é real."
Podeis privar-me das minhas glórias que adquirir nos últimos anos, mas não será capaz de me privar de minhas lembranças e emoções. Ainda sou rei de delas.
Ninguém poderá me tirar isso.
"É intrigante como você consegue ser tão dissimulado e, ao mesmo tempo, ocultar qualquer vestígio de culpa, como se nada tivesse feito."
Cada um é o que é por dentro e não há maquiagem que disfarce nosso interior. Não é o dinheiro que muda uma pessoa, ele apenas permite que elas façam o que lhes são próprias.
Refletir bastante sobre os acontecimentos que me cercam, que me envolvem e tudo o que acontece e está a minha vista, ao meu alcance e em eu. Vejo que o tempo não retrocede, por nada nem por ninguém, mas sou feliz por sentir ele abraçar-me instante após instante, dia após dia, e me permitir estar a refletir.
Ninguém muda ninguém, mas é através dos outros que identificamos motivos para mudar. Que a vida me apresente só os melhores, pois se não forem bons motivos, melhor assim ser e estar.
Ninguém te apoiará em tudo. Ninguém fará tudo por você. Ninguém te defenderá a qualquer custo. Então, se alguém te ajudar de alguma forma, se sinta muito bem e cuide deste alguém, como ninguém cuida.
O outro não te vê como a si próprio, assim como não vês o outro como a ti mesmo. Isso é normal, comum e não há problemas nisso. Problema há quando o que fazem afeta de maneira ruim a tua existência, ou o que você faz afeta de maneira ruim a existência do outro, e ninguém se sente mal por isso.
Ninguém se faz sozinho, ou ao menos nasce pronto, mas para o acabamento que vai recebendo ou se aplicando conforme as nossas experiências e vontades. Somos a personificação daqueles que temos como heróis, ou ainda, o melhor combatente contra os nossos inimigos.
+Q Química
Assim como na Lei de Lavoisier e das Proporções Constantes, ainda que a vida faça cobranças sentidas injustas, o fato é que ela nunca tira nada que algo não deixe no lugar. Nessa existência, mesmo sem ter mais ou menos que ninguém, mesmo sem ser maior ou menor que ninguém, o rearranjo do agir com o que se tem é a grande transformação que nos torna inigualáveis entre nós mesmos.
‘Para todo louco, um louco e meio basta!’ Gostaria de o tempo todo ser o louco e meio para todos os loucos que me atravessam o caminho, mas sempre que sou, fico com um peso enorme, como se nem os loucos assim merecessem ser tratados. Contudo, sempre que não sou, quase sempre, eles voltam e voltam sempre loucos. Afinal, ‘ninguém dá o que não têm’!
