Nove Noites de Bernardo Carvalho
INHAMBU
No amanhecer do sertão
O inhambu com o gavião
Colorindo o céu, que nuvens
Cinza ficará azul.
O sol que ao bater o chão,
Coleirinho e o sabiá branco
Ticou-me meus olhos azuis.
FOLHAS EM POEMAS
Espelhos quebrados no
sertão em meus olhos
emaranhado de folhas
em poemas.
Papeis brancos e rascunhos
escritos entre as fissuras
das folhas verdes.
O rio em córrego em
notas musicais pelas
volutas da noite a
escuridão.
AS ROSAS
Seus olhos azuis
de traços giz sobre
o chão de pedras,
esculpidas tua face
no espelho do rio.
Rosáceas, rosas e
camomilas sobre
o declínio do sol
surgia no céu à lua.
VERÃO SERTANEJO
O coro das aves do sertão
trina e grasna em um
curto espaço do vento
Seu vôo curto no céu no
verão quente perdidos e
sem rumo sem deixar rastro
em braile.
O sol quente do sertão
arqueia em minhas veias
e cada leito do rio como
cristais brilhos.
DEGRAUS
No silêncio da escuridão
da Lua eu senti em meus
olhos o brilho dela cheia.
Meus olhos na estrada do
pergaminho deslocando-se cada
feixo de luz e cada quebradiço
da lua em um degrau Eu.
Seus versos são palavras em
minha sede e sua brisa brilham
em minha alma.
Eu Sertão
Meu corpo ferido
cicatrizado pela
remoção da poeira.
Verão pela estrada
a pele queimada de
carvão.
Sai saudade
Perturbaras ó dona de minhas tristezas
Enfraquecestes meus sonhos
Fazendo de mim um chão sem firmezas
Travara as minhas vontades
Pois tua falta me deixara como um prato
A espera do alimento a mesa
Me trazendo a boca o amargo desejo
Saboreando da vontade de lhe ceifar
Serias tu vitima culpada de tanta dor?
Ó mãe dos meus desesperos
Adjetivo de noites vazias
Dias sem nenhum calor
Sai de minha vida saudade cruel
Vá pra donde não exista amor
Vagueie por entre os que não amam
Pois aqui tu só causas a dor
Matarei a ti assim que puder
Trarei de volta aquele lindo amor
Sem ti verei que existe amor de verdade
Vai ver se estou lá na esquina
Sai de mim terrível saudade
E deixe-me sentir o amor desta menina.
Distante é apenas um lugar
Distante daqui
Perto de lá
Distante de mim
Onde você está?
Posso está aqui
Mas te enxergo acolar
Vai ficar aí?
Vem logo pra cá
O distante pode está perto
Sei que é apenas um lugar
Se inverter a posição
Você pode comigo ficar
Se daqui é distante de lá
De lá pra cá
Pode ser mais fácil chegar
Mas acho que é melhor
Você vir de lá
E eu ir de cá
Assim o que é distante
Pode perto ficar
Demora não tá?
A estrada é longa
Mas a gente consegue chegar.
Chorei...
Já perdi a conta de quantas vezes eu chorei
Se foi por você estas lágrimas eu não sei
Mas chorei tão bem que nem se quer eu me cansei
Agora meu sorriso chegou foi eu quem conquistei
Lágrimas derramadas não vão mais cair
Já contei pra Deus o quanto que eu sofri
Ele me disse filho tudo isso vai passar
Sei que tu és forte não precisa mais chorar.
Amiga Poeta, que saudade da gente no sofá eu no meu aqui e você no seu de lá. Do calor do teu abraço. Que saudade de você. Das poesias recitadas e das escritas que a gente gritava. Sempre assim: Eu daqui do RN e você dai do seu lugar.
