Nove Noites de Bernardo Carvalho
Eu gosto de você.
Gosto do quanto você gosta do meu coque bagunçado. Gosto mais ainda quando você imita ele.
Gosto do formato da sua boca, gosto especialmente quando você está dormindo, a combinação dos seus lábios com os olhos fechados te deixa com cara de criança, e eu sorri quando vi essa cena, assumo que fiquei admirando por alguns instantes.
Gosto de te ver cozinhando, você fica sexy na cozinha. Gosto quando se empolga ouvindo uma música que gosta muito e fecha os olhos tocando sua bateria imaginária. Gosto do teu gosto musical. Gosto da sua boca, mas gosto MUITO do seu nariz, acho um tanto quanto charmoso.
Gosto do seu jeito espontâneo, e gosto mais ainda da mistura da espontaneidade com seu jeito carinhoso, meu coração até bate mais forte com teus carinhos repentinos.
Gosto do quão atencioso você é. Gosto mais ainda quando você atentamente me escuta falar sem parar por horas. E sabe o que eu gosto mais que isso? Quando você fala por horas. Adoro quando você se abre comigo. Gosto quando fala do seu dia, do seu passado, dos teus amigos.
Eu gosto até de te ouvir falar sobre o seu amor mais recente. Gosto de saber do quanto você se dispôs a lutar por ela, é bonito. Gosto da sua sinceridade. Gosto até da saudade que você sente dela. Gosto de te consolar por isso. Gosto do seu abraço, e preciso admitir, me senti estranhamente bem acordando em teus braços. Gosto do teu beijo, é quase tão intenso quanto o meu, dizem os astros que é uma boa combinação. Gosto da forma que você me segura pela cintura. Gosto dos teus olhos, gosto mais ainda quando você me olha fixamente. Gosto do teu jeito moleque, e gosto ainda mais quando sua maturidade supera sua idade. Gosto do teu cheiro, gosto mais ainda quando chego em casa e percebo que ele ficou em mim. Gosto dos teus amigos, gosto mais ainda dos nossos amigos em comum. Gosto da nossa amizade, e sou completamente fascinada pela nossa sintonia. Gosto da saudade que sinto de ti, tenho a sensação que é recíproca. Gosto de você, gosto tanto que nem sei dizer quanto, mas gosto carinhosamente de nós. Nossa amizade, nossa intimidade, nossa cumplicidade, essa nossa sintonia surreal, nossos corpos tão grudados que quase sinto tua alma encontrando a minha. Sempre gostei do singular, mas o nosso plural me encanta, me desmancha... são três letras e meu corpo já estremece inteiro: n-ó-s. Gosto de nós!
as vezes me pego a pensar
porque tanta solidão
porque não consigo ter alguem
porque isso dói tanto
uma dor inexplicável
algo que não se deve desejar a ninguém
tantos porquês sem respostas...
Se perder em seus próprios mundos felizmente, é melhor do que ficar triste no mundo imposto pelas pessoas em sua volta.
Como um baú de tesouros no porão de um navio que está afundando, assim é o dinheiro daquele que está gravemente doente.
A morte é a nossa pior inimiga. Uma inimiga que sempre nos persegue e por mais que nós tentamos nos livrar dela , ela se aproxima cada vez mais.
Dizem que os nossos olhos são como o espelho de nossas almas.
Me pergunto quantos segredos um olhar pode esconder?
Quanta dor pode haver por trás de um olhar?
Quantas alegrias esse mesmo olhar pode ter contemplado?
Quantos alvorecer e por do sol tiveram o privilégio de completar?
Será que ele brilha quando vê a pessoa amada?
O meu preferido é aquele que além de brilhar é capaz de sorrir, existe coisa mais linda do que olhos que sorriem?
Te amar é,como uma onda.
Ela me bate,me puxa e me afoga.
Tento nadar para longe.
Mas isso só me cansa e me joga para mais perto de você.
Te amar é,como um hematoma.
Aonde você aperta para saber até onde aguenta.
Mas a verdade que gosta dela.
Te amar é,como um dia de sol.
Tudo é caloroso e brilha.
E sempre queremos mais.
Te amar é,não ter palavras.
Não saber explicar e nem entender o que sente.
E passear entre a felicidade e a tristeza sem segundos.
Te amar é,sempre querer mais.
[PLATÔNICO]
Quando a vi
meu coração s a l t o u.
O Segurei firme em minhas mãos
e fiz um carinho nele antes de colocá-lo de volta.
Pus a mão sobre o peito “...Silêncio.”
Foi só o tempo dele se ajustar
e começou outra vez:
- Tum!, - Tum! , - Tum!
Gritando no meu ouvido.
Pulsando em minhas veias,
fazendo as pular também.
Nesse momento tudo se agitava por dentro,
seguindo seu ritmo.
Sua dança desesperada, querendo saltar novamente.
Coloquei as mãos sobre ele e
me deixei cair sobre a cadeira mais próxima,
escorregando como um saco vazio,
que era como eu me sentia mesmo com todo barulho
e toda agitação,
mesmo com todo o peso dentro de mim,
mesmo com meu coração batendo mais forte do que nunca.
Eu estava viva, parecendo uma morta, o rosto porcelana, a mão atingindo
aos poucos um tom arroxeado...
... o suor brotando do frio,
do corpo que derretia lentamente.
...E o coração foi silenciando aos poucos.
Perdendo o impulso e a esperança de também ser visto.
-Yana Carvalho
O DIA EM QUE fui quebrado...
Eu estava ali atrás da porta,
Tremulando para frente e para trás.
Rodopiando sobre o meu próprio peso prestes a cair.
Ela que havia esbarrado em mim
se limitou a me olhar.
Não tocou.
Não moveu um dedo para me colocar de volta ao centro.
Me deixou na beirada e observou a minha fragilidade.
Indiferente.
Satisfeita por ter tanto poder sobre alguém
a ponto de desequilibrá-lo.
Observou minha queda e juntou os pedaços.
Para jogar fora...
- Yana Carvalho
Ao te abraçar o meu coração explode
Meu corpo estremece
Minha mente enlouquece.
Ah, menino!
Quando nossas almas se colidem, um big-bang acontece em meu ser.
