Nosso Amor como o Canto dos Passaros
ESTÃO INDO EMBORA
Estão indo embora aos poucos,
Sem fazer grande alarde não,
Como o sol que se despede
No final da tarde, então.
Deixam marcas pelos caminhos,
Saudades em nossos ninhos,
E amor no coração.
São os avós de cabelos brancos,
Bibliotecas do viver,
Que ensinaram com exemplos
O valor de agradecer.
Cada ruga é uma história,
Cada lembrança, uma memória
Que o tempo não vai vencer.
Estão indo embora os pais,
Sentinelas da existência,
Que enfrentaram tempestades
Com coragem e resistência.
Construíram nosso abrigo,
Foram força e foram amigo,
Fonte viva de experiência.
Também partem nossos tios,
Companheiros da jornada,
Que enchiam as reuniões
Com risadas na calçada.
Contadores de causos bons,
De conselhos e lições,
Na família respeitada.
A cadeira fica vazia,
Mas não fica sem valor,
Pois quem viveu com virtude
Nunca morre por completo, senhor.
Permanece na lembrança,
Na fé, na perseverança,
E nas sementes do amor.
O relógio segue andando,
Sem parar sua missão,
Mostrando que nesta vida
Tudo tem sua estação.
Quem hoje é filho e neto,
Amanhã segue o trajeto
Da divina criação.
Mas não devemos chorar
Somente pela partida,
Pois quem plantou bons exemplos
Continua dando vida.
Na palavra ensinada,
Na família edificada,
Sua presença é sentida.
Quando o vento sopra manso
E a noite cobre o terreiro,
Parece ouvir a voz antiga
De um avô conselheiro.
Ou de uma mãe carinhosa,
Ou de uma tia bondosa,
Num abraço verdadeiro.
Estão indo embora, é certo,
Como manda a natureza,
Mas deixam em cada filho
Sua maior riqueza.
Honra, caráter e fé,
Para quem segue de pé
Com amor e com firmeza.
Por isso ergamos os olhos
Ao Deus da eternidade,
Agradecendo o legado
Que venceu a brevidade.
Pois quem vive para o bem,
Mesmo partindo, mantém
Sua luz na humanidade.
Estão indo embora os corpos,
Mas o exemplo permanece.
Quem semeou amor na Terra,
No coração nunca falece.
[Desenterrada Cápsula do Tempo]
Iniciamos firmes
como aço,
no derretimento
de nossas convicções,
revelamos o despropósito
a cada passo.
em sua ânsia
devastadora,
os terráqueos só alcançaram
uma coisa, o fracasso.
estavam todos errados,
perdidos, equivocados,
inclusive os lunáticos
que cobiçavam o espaço.
Erguida como um elo entre a poeira da terra e a eternidade do céu, a Acrópole não é apenas um monumento de pedra, mas o eco perene de uma humanidade que ousou tocar o divino através da razão.
Reno Fioraso
A partir do momento que você começa a amar é como se você entrasse numa montanha russa, os fatos se sucedem e você não tem o menor controle sobre eles.
Assim como a terra árida se estende em silêncio, implorando pelo alívio de algumas gotas de água, também eu me prostro diante da memória das antigas promessas que um dia me foram feitas. Elas ainda cintilam dentro de mim, frágeis e leves como plumas, como dentes de leão que o vento leva para sempre, belas como enganos. E, no entanto, é delas que me alimento, como quem bebe a própria sede, como quem encontra no vazio a única forma de sustento.
Lá fora está frio e chuvoso e as ruas se encharcam de silêncio. As gotas escorrem nas janelas como se fossem lágrimas antigas que o céu já não consegue conter.
Caminho por campos nebulosos, com a escuridão sendo a companhia silenciosa, que me acompanha e como eu, caminha sem destino certo, usando como guia, o fraco e longínquo brilho das estrelas, que em outrora, brilhavam sintilantes.
Às vezes me vejo como Daniel na cova dos leões, porém, em vez de temer, transformo cada fera em testemunha da minha fé.
Ultimamente, sinto-me no automático, como se minha existência estivesse programada para repetir incessantemente as mesmas tarefas diárias. Cumpro cada gesto sem reclamar, contendo pensamentos inquietantes que ousam emergir, pois sei que, aos olhos da sociedade, questionar ou sentir demais é rotulado como rebeldia. Ironia cruel: a conformidade, esse silêncio interno imposto, revelou-se a verdadeira prisão, mais implacável do que qualquer algema visível.
A vida é como estar em um barco em alto mar, sem remos, sem motor, âncora e sem água... Sobreviver só depende de você.
Diariamente me deparo com a intolerância ao desfavorecido, como se a responsabilidade por uma sociedade enferma não fosse também nossa. A desigualdade não nasce do acaso, ela persiste porque, em algum momento, alguém escolheu rejeitar, excluir, negar humanidade ao outro. E, assim, sustentamos um ciclo em que a indiferença se transforma em norma, esquecendo que toda injustiça social é também um reflexo de nossas próprias escolhas."
Assim como o homem não é o mesmo ao entrar no rio pela segunda vez, o escritor também muda junto de seus pensamentos. Ao reler opiniões de anos passados, percebo a transformação em minha visão, a evolução da minha percepção. Como as águas do rio, meu crescimento é contínuo, nunca se detém.
Quero ser como o menino Davi: cuidar das ovelhas com paciência, cantar louvores com sua pequena harpa, e sonhar com o dia em que serei digno da coroa dos céus, podendo enfim estar na presença do Rei dos Exércitos, em um louvor eterno que transcende todo sofrimento.
O paradoxo do vazio que me habita é como um quarto com janelas abertas para o nada, ali encontro solidão e liberdade, medo e um estranho alívio que me sussurra para ficar.
Elegantemente, vou ignorando tudo e todos, um gesto contido que guarda meu silêncio como quem preserva um relicário.
Cada lágrima cai como aço incandescente, não é fraqueza, é raiz, é a dor que germina força no deserto da alma.
Assim como as lindas sonatas de Beethoven, que ao serem dedilhadas no piano choroso derramam lamentos que se tornam luz, cada acorde abre uma fresta onde cabe a saudade e é por essas frestas que deixo entrar a verdade dos meus pensamentos.
