Nosso Amor como o Canto dos Passaros

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Gabriel Levy
Hoje o mundo amanheceu diferente,
como se o sol tivesse aprendido um novo brilho,
como se o tempo, por um instante,
parasse apenas para anunciar a sua chegada.
Gabriel Levy, meu filho,
teu nome agora mora em cada pensamento meu,
em cada plano para o futuro,
em cada sonho que eu sequer sabia que tinha.
Eu te esperei sem conhecer teu rosto,
te amei sem ouvir tua voz,
e quando você chegou, pequeno e tão frágil,
transformou meu coração em algo maior do que eu mesmo.
Agora compreendo que ser pai
é carregar no peito uma parte da própria alma
caminhando pelo mundo em outro corpo,
é descobrir uma coragem nova,
um amor que não pede nada em troca.
Não importa quão longa seja a noite,
quão difícil seja o caminho,
você será sempre a luz que me guia,
a razão de cada esforço,
o motivo de cada recomeço.
Meu filho, que a vida te receba com gentileza,
que teus passos sejam firmes,
que teu coração seja bom,
e que você nunca esqueça o quanto foi amado
desde antes do primeiro choro.
Hoje eu não celebro apenas o seu nascimento.
Celebro também o nascimento de um pai,
porque junto com você nasceu em mim
a maior felicidade que já conheci.

​"Continue pedindo conselhos a uma mula sobre como subir em árvores. Quem sabe, no final, você não termine com uma sela nas costas."⁠

Eu sinto uma angústia fatalista tão profunda e sombria. Sinto como que borboletas negras em minha barriga. Negras, avisando sobre o futuro luto… sobre a contingência… sobre as consequências de escolhas mal feitas. Mas também, sobre a vida. Suas facetas. Seus ciclos. Sua tragédia. Seu drama. Sua comédia. Sua ação. E seu fim.


[...]


Eu tenho esperança; sabe? Esperança, pelo menos agora com um pouco mais de maturidade, de um futuro. Nem melhor, nem pior, nem igual. E nem diferente. Sim, nonsense, né? Pois é! A vida é assim, às vezes. Eu aprendi que mais mal faz, encher as bagagens de esperança querendo encontrar o equilíbrio — e o pior: achando que vai — do que carregar consigo um pouco de cada tempero, até a desesperança, para… no fim das contas… mandar o equilíbrio e sua antítese às favas!

Sem Nexo

De onde saiu?
Não sei
Apenas saiu
Jorrou
Fluiu.

É como água de vertente
Nasce
Brota
Escorre.

Deixa o caminho úmido
Perplexo
Atônito.

Assim é ela
A água

Assim sou eu
A brisa.

Livre

Sinto-me como um pássaro.
Livre.
Voando em qualquer direção
Meu caminho é sem marco
Sem apelo
Viajo apenas para voar
Não há paisagem e nem cores
Só o rumor da solidão
Não me sinto sozinha, mas desencontrada.
Tenho um referencial para voltar
Apesar de não querer chegar
Vivo sonhando sem rumo certo
Batendo minhas asas
Até cansar
Pouso, então, e descanso
Junto com minha solidão.

Saudade, às vezes leve como a suavidade da brisa, outras vezes avassaladora como as tempestades em fase de devastação.

O tempo voa como um pássaro quando estamos fazendo aquilo que gostamos.

Crescer é costurar a vida lentamente. Alinhavar o tempo e bordar o momento como se fosse o único.

Eu me faço e me refaço até chegar no caroço. Renasço a partir daí, como se o mundo estivesse me levando em seus braços.

A vida é apenas um sopro. Quando percebemos, já foi. É como um estalar de dedos, um piscar de olhos, uma leve brisa passageira. Olhemos com mais atenção e perceberemos que cada momento tem um significado importante, uma inesperada e bela surpresa. Os acontecimentos da vida são breves, significativos e com uma pitada de mistério. Sejamos bons observadores e seremos agraciados com o que ela tem de mais belo.

Delicadeza é uma qualidade contemplativa. Envolve-nos como um manto e nos aquece em dias de rigoroso inverno interno.

Eu não me encaixo mais neste contexto. É como um piscar de olhos. No momento em que os fecho, me transporto e no momento em que os abro, me liberto.

⁠Eu me adapto em qualquer lugar, com qualquer pessoa e em qualquer momento. Sou adaptável como a água. Escorro, contorno, infiltro, desliso, tropeço e acabo sempre me encontrando com o meu destino.

⁠Viajar é como páginas em branco de um livro esperando ser preenchidas com histórias, momentos, vivencias, experiências e saudades. O turismo tem o poder de trazer esse pacote e tocar o coração de quem está nessa viagem.

No momento em que sinto uma vibração, encaro como um sinal.

As Margens do Silêncio


Sento às margens do rio para refletir. A água tranquila funciona como um espelho e devolve a minha própria imagem – nítida, brilhante, revelando instintos expostos, emoções desordenadas. Sei que o tempo guarda todas as respostas, mas, mesmo entendendo o cenário ao meu redor, não consigo ouvi-las. O que escuto é apenas o silêncio, um silêncio que se acomoda ao meu lado como uma companhia serena, quase amigável.


É então que, como um filme silencioso, vejo teu semblante surgir na memória. Há tristeza, amargura, cansaço. Há um peso que não consigo explicar. Um nó, sobe pela minha garganta, apertando como se mãos invisíveis tentassem impedir que qualquer palavra escapasse. As lágrimas contidas, pedem libertação. E como finalmente permito que venham, elas deslizam pelo meu rosto e molham minha pele, levando consigo um pouco do que me sufoca. O sorriso que sempre esteve estampado em mim, desaparece – some sem aviso, como truque de ilusionista.


Sinto o frescor da manhã tocando meu rosto, como se fossem mãos suaves acariciando minha pele. A natureza ao redor transforma o espaço em um refúgio, um pequeno abrigo onde posso descansar meu corpo e aliviar a mente. Meus pés tocam de leve a água e, ao mínimo movimento, círculos se formam, desenhando imagens que lembram mandalas – figuras quase sagradas, que parecem guardar em si algo de cura.


Encontro ali um momento raro de paz, entre o vento que passa devagar e a correnteza da água. Não consigo explicar o que sinto, pois, naquele momento não preciso mostrar minha fortaleza. Continuo a observar a água, ouvindo o silêncio e pouco a pouco o mundo dentro de mim se reorganiza.

Estava tudo saindo como planejei, até que uma tempestade de emoções me envolveu e tudo desabou.

Eu me faço e me refaço até chegar no fundo – e renasço, como se o mundo me carregasse em seus braços.

Sinto a tua falta como sentiria a ausência do ar.

Sou como a água, adaptável.