Nosso Amor como o Canto dos Passaros
Somos como a fênix, renascemos das cinzas para nos recriar. As mudanças, por vezes, são dolorosas, mas necessárias.
Rita Ramos Cordeiro
A Voz do Meu Rio
Ultimamente, o sol está como um arqueiro; seus raios são flechas capazes de abater até mesmo o mais puro sentimento.
E foi assim, sem aviso, que você me despertou.
Acordei e pensei ter visto um sinal. “A esperança”, foi o que pensei.
No meu silêncio, eu lia você, e a sua voz comandava o meu rio.
O seu olhar pulsa em mim. Sinto medo.
Mas o frio cobriu você, e as ondas do mar se recusaram a quebrar.
E naquela rocha eu vi, em soslaio, o seu nome, como o eco do vento a me chamar.
Às vezes, é tão difícil manter-se a salvo do mal que até o ar nos falta.
Se eu esqueci de você? É impossível mergulhar uma pessoa importante como você nas águas profundas do esquecimento. Mas se eu não te procuro? É melhor assim, poupa tanto você quanto a mim de muitos problemas. Pense o que for de mim, mas nunca pense que te esqueci.
Ó Maria ! me amaria como eu te amaria ?
Sorririas ao me ver sorrindo, ao te ver ?
Me acertaria com a flecha do cupido, que vive ao seu dispor ?
Ó Maria, pudera eu ter a sorte, de ganhar o teu amor !
Jardim de Pragas Antigas
Era uma quinta feira normal, fui pra escola como sempre, sentei-me em minha carteira e esperei a aula começar. Tudo estava ocorrendo normal como todos os dias, conversas sem pausa, professores pedindo por respeito e alunos que não fechavam a boca por nada. Até que chegou a aula de sociologia, a professora estava lecionando sobre cultura, e entre uma palavra e outra trouxe o exemplo do carnaval, uma cultura muito forte no Brasil. Quando que do nada percebi os diversos comentários horríveis: ‘O povo que vai pro carnaval deve ir pro inferno’, ‘esse povo da Bahia, que cultua a macumba, é do demônio’. Isso e muito mais foi o que alguns meninos falaram. O clima ficou pesado, senti como se tivesse caído uma tempestade em cima de mim, a umbanda faz parte de mim, e escutar aquilo colocou-me no tão temido inferno que eles acreditam.
Fiquei pensando naqueles meninos, esses atos não são de agora, remetem ao passado, são como ervas daninhas em um jardim florido, mas que apesar de destruir todos os diferentes à sua volta, tem raízes profundas, tão fundas que remetem ao descobrimento das terras que conhecemos hoje. São plantas tão bem estruturadas que não são mortas com qualquer veneno, a cada novo ser que nasce nesse jardim, ele é brutalmente infectado, fazendo-o proferir a mesma praga de seus antecessores. Aqueles que não são contaminados, sofrem com essa praga, combatem-na com toda a sua força, são pessoas que ainda acreditam na salvação desse canteiro. Esses novos seres que nascem, são os únicos que podem acabar com o padrão de contaminação, já que estas plantas jovens têm seus caules mais puros e se olhassem para outro lado, poderiam se agarrar em vegetações firmes, assim seriam livres dessas ervas daninhas.
O silêncio ecoava pelos corredores, era uma quietude que doía e ao mesmo tempo ardia na alma, tudo aquilo estava sem controle, nenhuma palavra vinha para acalmar aquela tempestade, e nem se quer uma tentativa de segurar aquelas pragas. Tudo estava já danificado, eu teria de ser forte, já que ninguém estava lá para arrancar as ervas daninhas. Mas mesmo que calassem-nas, não adiantava mais, raízes profundas não morrem com o corte do caule, devem ser tratadas em essência.
Quando bateu o sinal para finalmente ir para casa, fechei a mochila e fui caminhando para casa. O peso da mochila era gigante, o silêncio amedrontador da escola misturado com todas aquelas ervas daninhas ao meu redor, e aquela tempestade imensa em cima da minha cabeça. Refleti o caminho todo, não sou como eles, pensei, e é isso que importa. Enquanto mergulham em águas turbulentas, eu vivo a minha fé, e caminho por jardins límpidos. Claro, tenho muita vontade de curar suas pragas, mas não sou capaz, só eles próprios podem acabar com um padrão imposto em seu interior. Só sei de uma coisa, algum dia a própria terra em que estão plantadas, cobrará o preço, o inverno chega e só fica quem é verdadeiro e saudável por dentro.
A PAZ EM VIVER
Hoje é quinta feira, acabo de almoçar e como de costume saí para correr. Estava em dúvida se iria correr na esteira da academia, ou em uma pista que tem no clube em que frequento. Dessa forma, como o dia estava maravilhoso, ensolarado e com uma brisa fresca, decidi correr na pista. Até parece que eu iria desperdiçar um cenário desses, para ficar trancada correndo sem sair do lugar, em uma academia lotada. Não sei explicar o porquê, mas naquela tarde eu precisava de um tempo comigo mesma, um espaço para esvaziar a cabeça. Chegando no local a paisagem era perfeita, somente eu, a natureza, e o som prazeroso dos passárinhos em minha volta.
Iniciei minha corrida, mas tinha algo diferente em mim, parecia flutuar, e comecei a prestar atenção em cada passo dado. O momento fluia calmamente, como um mar calmo em um dia mais ou menos quente, tudo estava diferente, a tempos não me sentia dessa forma, leve como uma pena. Na maioria das vezes, quando saio pra correr, estou no automático, sem mesmo perceber a beleza do esporte, contudo, essa vivencia me fez refletir sobre essa automatização. A harmonia da natureza diante de meus olhos, me fez soltar todo o peso que eu levava em minhas costas, somente aquele instante importava e nada mais passava em minha mente. De repente, uma sensação de plenitude tomou conta de meu ser, o ar que entrava e saia de meus pulmões, limpava todas as angústias, medos e tristezas que estavam presos em meu interior. Tudo entrou em perfeito equilíbrio, o tempo simplesmente parou de existir por alguns poucos minutos.
Mais tarde quando voltei pra casa, percebi que a paz se apresenta para nós em diversas ocasiões da vida, mas como vivemos em uma síndrome de robôs, automatizados toda hora, nossa percepção desses prazeres desaparece. A paz é simples, o viver bem é perceber os pequenos momentos de plenitude da existência humana, como sair para correr em um dia qualquer e liberar a negatividade, observar um pássaro cantando, contemplar a natureza, simplesmente viver cada fração de segundo, um de cada vez, sem sair se atropelando por aí. Com isso, a sensação de paz se faz necessária para cada ser humano que existe, sem isso a gente entra em pane. E para encontrá-la? Precisamos nos livrar dos inúmeros pensamentos de nossas mentes, e nem que seja por um minuto, observar com calma o universo de coisas lindas e ao mesmo tempo tão simples, acontecendo ao nosso redor. Sem dúvidas, esse é o jeito mais simples de encontrar a paz.
- Guarde minhas Palavras nas Paredes de seu coração, como marcas do tempo que contam histórias de dias Passados e nunca esquecidos.❤️
Beijo é bom porque você toca o corpo do outro sem deixar marcas, é como se fosse um pulo no escuro, uma viagem sem volta. Beijo é um jeito de mostrar carinho, sentir o gosto de quem você gosta e dizer muita coisa sem falar nada. Beijo é gostoso porque nunca enjoa!
Alexandre Sefardi
Que todos os meus amigos sejam como o sol depois da chuva —
trazendo alegria e conforto ao meu coração.
E que, se um dia eles se forem,
eu possa ser grato pelos bons momentos
e pelas pequenas coisas
que, no fim, sempre se tornam as mais importantes.
Que um dia eu tenha a certeza
de que as amizades mais sinceras
são as que mais nos transformam,
e que aqueles que são temporários
são justamente os que mais deixam saudade.
Sou grato pelos bons, velhos e rabugentos amigos da vida —
aqueles que ficam, mesmo quando o tempo muda.
Que minha alma seja como um animal selvagem, livre para correr pelos vastos campos, sem amarras nem destino.
IDENTIDADES
Como cordas tensionadas entre pontos fixos produzem música, também nós precisamos de limites para dar voz à nossa singularidade. É precisamente através das nossas fronteiras que descobrimos a vastidão do que podemos ser.
CULTURA DE PAZ
Numa cultura de paz, os conflitos resolvem-se como no desporto: vence-se, mas não se aniquila o adversário.
PACIÊNCIA
O coração é a caverna onde a realidade como semente se demora para aprender a ser relação.
Era uma vez uma linda borboleta azul. Suas asas brilhavam sob a luz do sol como pequenas joias vivas, e ela adorava voar pelos campos, jardins e bosques, admirando a beleza do mundo.
Em um de seus passeios, avistou ao longe um escorpião caminhando sozinho. Curiosa e gentil como era, aproximou-se para cumprimentá-lo.
O escorpião ficou surpreso. Nunca antes uma criatura tão bela havia demonstrado interesse em sua companhia. Acostumado ao medo e à rejeição, ele não entendia por que aquela borboleta desejava estar perto dele.
- Olá - disse a borboleta com um sorriso. - Posso caminhar com você?
O escorpião, sem esconder o espanto, aceitou.
A partir daquele dia, os dois passaram a passear juntos. A borboleta voava lentamente para não deixar o amigo para trás, enquanto o escorpião caminhava com rapidez para acompanhá-la.
Com o passar do tempo, o escorpião começou a mudar alguns hábitos. Mantinha o ferrão recolhido e imóvel sobre as costas, como se quisesse mostrar que não representava perigo. Parecia até que não possuía ferrão.
A borboleta o levava para conhecer lugares encantadores. Juntos atravessavam jardins coloridos, seguiam por caminhos floridos e observavam o pôr do sol nas avenidas arborizadas.
Para o escorpião, aqueles momentos eram preciosos. Pela primeira vez em sua vida, sentia que alguém gostava dele de verdade.
Até então, conhecera apenas a solidão.
Todos fugiam ao vê-lo. Ninguém desejava sua amizade. O medo que inspirava era maior do que qualquer qualidade que pudesse ter.
Mas a borboleta azul era diferente.
Ela enxergava além da aparência e não demonstrava receio algum. Sua confiança fazia o escorpião sentir-se aceito, algo que jamais havia experimentado.
Os dias passaram, e a amizade entre os dois parecia cada vez mais forte.
Porém, certa noite, algo inesperado aconteceu.
Como de costume, a borboleta adormeceu ao lado do escorpião.
A noite estava silenciosa. Apenas o som suave do vento atravessava as folhas das árvores.
Foi então que o escorpião sentiu um estranho impulso.
Seu ferrão começou a se mover lentamente.
Ele tentou detê-lo.
Lutou contra aquele movimento.
Mas, pouco a pouco, o ferrão ergueu-se sozinho, aproximou-se das delicadas asas da borboleta e a atingiu.
A borboleta despertou imediatamente, tomada por uma dor intensa.
Assustada e com lágrimas nos olhos, olhou para o amigo e perguntou:
- Você sempre foi tão gentil comigo. Por que me feriu?
O escorpião abaixou a cabeça.
Tomado pela tristeza e pelo arrependimento, respondeu:
- Eu não queria fazer isso. Mas é da minha natureza. Tentei controlar meu instinto, porém não consegui.
Aquelas palavras machucaram quase tanto quanto a ferroada.
Com grande esforço, a borboleta afastou-se.
Mesmo sentindo dor, abriu as asas e começou a voar.
Voou para longe.
Voou enquanto lágrimas escorriam pelo seu rosto.
Voou sobre jardins, campos e rios, até que a distância entre ela e o escorpião se tornou impossível de medir.
Com o tempo, a ferida cicatrizou.
A dor diminuiu.
A vida seguiu em frente.
Mas a lembrança daquela noite jamais desapareceu completamente.
Desde então, a borboleta aprendeu uma lição difícil: por mais que exista bondade e afeto, algumas criaturas não conseguem vencer a própria natureza.
E, embora tenha conseguido superar a ferroada, a borboleta nunca mais voltou a se aproximar de um escorpião.
Dizer que não queremos ser como nossos pais já é doloroso; descobrir o quanto nos parecemos com eles dói ainda mais.
Viver a vida como uma grande missão é o que faz grande diferença, quando há uma forte disposição para se ir adiante, em termos de progresso pessoal.
A lei de causa e efeito diz que as coisas equivocadas que eu faço, voltarão para mim como estímulos e benfeitorias, para que eu continue apreciando que há de melhor na vida.
A lei de causa e efeito diz que todas as coisas equivocadas que eu faço voltarão para mim como benfeitorias e estímulos a que eu continue valorizando tudo o que há de bom na vida.
A única coisa que eu sei é que tudo acontece como eu acredito. Se eu deixasse de acreditar e começasse a perceber, o mundo dos fatos se revelaria. Isto é a Verdade, o que há de mais abrangente.
