Nosso Amor como o Canto dos Passaros
Compêndio de Chuva
Cai a chuva, melancólica e lenta, como um grito que o tempo inventa.
Em cada gota, um som, um tom, que o vento leva — e traz o teu batom.
O teu rosto vem, em bruma e luz, como se o céu em ti se traduz.
Enquanto o mundo se desfaz em água, o meu peito arde, embora os meus olhosse alaguem em frágua. O teu toque é sinfonia de chuva,
que compõe a minha alma, e acende lua turva . E eu, perdido entre trovões eos relâmpagos do meu silêncio, encontro-te em cada canto da minha pele em compêndio.
Que chova, amor — que o mundo escorra, que o tempo pare, nesta dor de masmorra. Pois se é na chuva que te penso e vejo, então que chova, só para te ter no beijo.Chove, e o meu mundo sopra o teu véu, as ruas das minhas veias choram sob o cinza do céu. No vidro, escorre o teu nome, lento, feito melodia, feito tormento.
Suor da Lua
O teu corpo aproxima-se do meu como um inevitável eclipse, e o universo inteiro vibra
à força do que pulsa entre nós.
Quando tu me tocas,
não é apenas pele — é tempestade,
é um magnetismo profundo
que grita por dentro
e reacende tudo
o que eu escondi.
O teu cheiro envolve-me,
prende-me, arrasta-me
e eu deixo-me levar
porque há algo em ti
que fala diretamente
ao que em mim é puro fogo.
O teu hálito roça o meu silêncio, entre sombras, a tua pele acende o meu desejo em chama lenta.
No toque que quase acontece,
perco-me internamente
na promessa do teu corpo,
onde os poros bebem o suor da lua.
E quando a tua boca encontra a minha boca, com essa urgência densa, selvagem,
o tempo rende-se, e o meu nome submerso na tua saliva, arde insanamente na tua boca.
Que este Natal nos envolva,
como um laço leve e eterno,
e que o meu abraço
seja o teu porto seguro,
e o teu beijo seja
o meu abrigo de luz que acalma.
Existe magia nesta época,
ela vive em nós dois,
no gesto simples de estarmos juntos, és chama mansa e luminosa
a aquecer o meu inverno interior.
Contigo perto perto de mim,
é Natal no meu peito inteiro.
Sobreviver à injustiça é como recuperar de uma mordida de cobra, algo que ela não conseguiu destruir: a consciência de que o veneno diz mais sobre quem o carrega do que sobre quem foi mordido.
Despeço-me da roupa
como quem abandona o dia
e encontro-te na sombra macia do quarto.
Os teus olhos percorrem-me devagar,
com a saliva tranquila de quem sabe esperar. Sinto o teu toque subir pela minha pele como um fogo lento que acorda cada nervo.
A tua boca aproxima-se do meu pescoço, quente, demorada —e o ar entre nós torna-se
mais pesado, carregado de desejo.
A minha boca perde-se
nos teus famintos seios
descobre os caminhos que o corpo guarda para noites em que a razão adormece.
E quando finalmente me puxas para ti, pele contra pele, respiração contra respiração, o mundo encolhe até caber entre os nossos corpos.
Ali ficamos, presos um ao outro,
num ritmo antigo e secreto,
onde cada suspiro diz
aquilo que as palavras
nunca ousariam dizer.
A Casa que Fazes em Mim
Quando visitas o meu pensamento,
as horas derretem-se
como se o tempo tivesse aprendido
a respirar ao ritmo do teu nome.
O amor torna-se simples,
quase uma luz que se acende sozinha no silêncio onde cabemos os dois.
E há em ti qualquer coisa de infinito,
um gesto que me chama,
um abraço onde o coração
encontra casa.
Se amar é perder-me,
que seja sempre assim:
perdido em ti, e finalmente inteiro.
Quando entro no fundo de ti,
o mundo afina
o seu próprio silêncio,
como quem encosta a alma
a um grito no precipício
para ouvir se ainda ecoa.
Há instantes que nos escolhem
antes de sabermos o nome deles
e tu és esse instante:
a forma mais suave
que o destino encontrou
de me tocar.
Há encontros epidérmicos
que não passam,
ficam suspensos,
como lua cheia
a reconhecer o próprio destino
no rosto de alguém.
No Alentejo a planície estende-se e
dissolve-se em silêncio: como um sonho que se recusa a terminar.
Há um impacto poético que
acontece entre o mar e a falésia,
não como violência,
mas como reencontro de velhos cúmplices.O mar desfaz-se em espuma, a falésia em ecos.
Há encontros que só acontecem
quando nos deixamos afundar,
como raízes que se procuram no subsolo até se reconhecerem,
e só então perceberem que
sempre foram a mesma árvore.
"No fundo do peito um oceano de dor e no coração um deserto de saudade. Assim como Djavan cantou..."
O bom gosto musical reflete a harmonia interior que cultivamos, assim como uma vida ética é construída na sintonia entre valores e ações.
O Brasil vive uma crise de desconfiança em relação à política como nunca houve antes. No entanto, a democracia se baseia justamente nisso: a liberdade de escolha é eficaz para aqueles que possuem o conhecimento necessário para exercê-la. Infelizmente, pelo que observamos, o Brasil ainda não alcançou essa maturidade.
A vida é como as quatro estações do ano.
Quando existe ganância por mídia, dinheiro e poder, as estações acontecem assim:
No inverno, a pessoa está ali se organizando, planejando cada passo.
No outono, tudo começa a ficar preparado, alinhado para crescer.
Na primavera, vive tudo a todo vapor, passando por cima de tudo e de todos, sem perceber os limites.
Mas o verão chega.
E quando ele chega, o calor se torna tão insuportável que tudo aquilo que foi preparado no inverno, conquistado no outono e vivido intensamente na primavera, acaba se perdendo no verão.
— Beto Chacon
Como disse Renato Russo na canção:
"Hoje não estava nada bem,
mas a tempestade me distrai.
Gosto dos pingos de chuva,
dos relâmpagos e dos trovões."
E eu também…
Porque quem já enfrentou um furacão por dentro
aprendeu a achar beleza no caos.
Deito no sofá, olho a janela,
e deixo a alma respirar.
Enquanto o mundo lá fora desaba,
a paz, aqui dentro, recomeça a chover.
"A Ilusão de Poder"
Dessa vez foi diferente.
Ele tentou outra vez.
Como sempre fazia.
Com pressão, intimidação, palavras atravessadas
e aquela necessidade doentia
de controlar tudo ao redor.
Mas dessa vez…
eu não abaixei a cabeça.
Eu me ergui.
Coloquei a mão à frente
e disse:
“Não.
Hoje não.”
E pela primeira vez,
eu confrontei não apenas o homem diante de mim…
mas tudo aquilo que ele representava dentro da minha vida.
O medo.
O silêncio.
A culpa.
A submissão.
Porque chega um momento
em que permanecer calado
começa a destruir mais do que o confronto.
E eu percebi que o verdadeiro perigo
não era perder alguém pela violência…
mas pela ausência de sabedoria.
Pela ambição vazia.
Pela fome miserável de status, dinheiro sujo
e uma sensação de poder
que, no fundo, nunca existiu.
Alguns homens passam a vida inteira
tentando parecer grandes.
Porque jamais conseguiram suportar
o vazio de serem pequenos por dentro.
"No Reiki, a verdadeira sabedoria consiste em saber como aumentar nossa felicidade e bem-estar e a de nossos semelhantes."
