Nosso Amor como o Canto dos Passaros
E,
um dia a corda arrebenta!
Os,
Laços, se rompem, e se desfazem!
Os NÓS, são desatados!
E,
NÓS,
Ficamos...
SÓS!
"...Comprei uma passagem para as nuvens
com direito a duas asas prateadas
e um vestido dourado de cetim
meu voo é amanhã ao por do sol
minha bagagem são mudas do jardim.
As verdades absolutas são fruto duma consciência individual tornada universal, a verdade de cada um é querer ver-se a si próprio nos olhos do outro...
Das coisas que amo.
Algumas tem cheiro,
outras apenas imagens.
Algumas tem gosto,
outras apenas saudades.
Algumas tem risos,
outras apenas lágrimas...
Das coisas que amo.
Amo inteira,
não sei amar metades.
Juntei os sonhos que realizei e outros que só sonhei e fui costurando... Sonhos que eu dividi e outros que reprimi e quando vi, tinha nas mãos uma colcha de sonhos.
"Hoje eu acordei tão certa de tudo. Sabe quando você se sente bem? Diferente! -Um vestido.. -Um batom... E pronto... Posso hoje enfrentar um mundo. Mas o que eu quero mesmo é aproveitar. Gosto desse momento, em que não tenho medo de me olhar. Estou plena de mim... E quando estou assim, Sou tudo"
Vou caminhando pela rua
Sozinha pela estrada
A lua é minha amiga
Única e fiel companheira
Que observa serenamente
Cada passo e direção
Pena só poder contemplar
Mas tu me inspiras
Me conta seus segredos
Nas mais cálidas noites e frias
Despertando no meu profundo ser
Dores e agonias
Prazeres e desejos
Porém, continuo sozinha
No meu caminho
Tendo você
Oh, bela lua,
Como única companheira.
O abraço é portador de um número infinito
de sentimentos, e é tão mágico,
que sempre transmite o que precisamos dizer,
sem que digamos uma palavra.
Cumplicidade.
De você assim sou...
Tua... Totalmente... Unicamente
Apaixonadamente... Fêmea no cio... Ardente
E deliciosamente cúmplice na Forma intensa
De se fazer amor em comunhão de corpo e alma.
Sonetos
I
A meu pai doente
Para onde fores, Pai, para onde fores,
Irei também, trilhando as mesmas ruas...
Tu, para amenizar as dores tuas,
Eu, para amenizar as minhas dores!
Que coisa triste! O campo tão sem flores,
E eu tão sem crença e as árvores tão nuas
E tu, gemendo, e o horror de nossas duas
Mágoas crescendo e se fazendo horrores!
Magoaram-te, meu Pai?! Que mão sombria,
Indiferente aos mil tormentos teus
De assim magoar-te sem pesar havia?!
— Seria a mão de Deus?! Mas Deus enfim
É bom, é justo, e sendo justo, Deus,
Deus não havia de magoar-te assim!
II
A meu pai morto
Madrugada de Treze de Janeiro.
Rezo, sonhando, o ofício da agonia.
Meu Pai nessa hora junto a mim morria
Sem um gemido, assim como um cordeiro!
E eu nem lhe ouvi o alento derradeiro!
Quando acordei, cuidei que ele dormia,
E disse à minha Mãe que me dizia:
"Acorda-o!" deixa-o, Mãe, dormir primeiro!
E saí para ver a Natureza!
Em tudo o mesmo abismo de beleza,
Nem uma névoa no estrelado véu...
Mas pareceu-me, entre as estrelas flóreas,
Como Elias, num carro azul de glórias,
Ver a alma de meu Pai subindo ao Céu!
III
A meu pai depois de morto
Podre meu Pai! A morte o olhar lhe vidra.
Em seus lábios que os meus lábios osculam
Micro-organismos fúnebres pululam
Numa fermentação gorda de cidra.
Duras leis as que os homens e a hórrida hidra
A uma só lei biológica vinculam,
E a marcha das moléculas regulam,
Com a invariabilidade da clepsidra!...
Podre meu Pai! E a mão que enchi de beijos
Roída toda de bichos, como os queijos
Sobre a mesa de orgíacos festins!...
Amo meu Pai na atômica desordem
Entre as bocas necrófagas que o mordem
E a terra infecta que lhe cobre os rins!
